Na próxima década Brasil investirá US$ 400 milhões em offshore, diz especialista

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Alfredo Renault, superintendente da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip)

Discutir o futuro da cadeia produtiva de petróleo e gás, além dos investimentos na formação profissional especializada que atendam à demanda do setor petrolífero para extração das reservas do pré-sal foram alguns dos temas abordados durante Seminário Desafio Pensando no Futuro: Pré-Sal, realizado nesta terça-feira (1º), no Espaço Fiesp.

Segundo Alfredo Renault, superintendente da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip), o Brasil investirá cerca de US$ 400 milhões no setor offshore, responsável pela extração das reservas marítimas de petróleo e gás natural.

De acordo com dados da Petrobrás, 81% das reservas petrolíferas brasileiras estão concentrados no subsolo marinhos. Destes, 64% ficam em águas profundas e ultra-profundas. Além disso, 90% dessas novas reservas comprovadas de petróleo encontram-se no fundo do mar.

Renault acredita, no entanto, que, além dos investimentos no setor petrolífero, o governo federal precisa estabelecer uma política industrial específica para área de pré-sal. A medida, segundo ele, permitirá o desenvolvimento sustentável do setor e a participação das empresas nacionais, com destaque para os micro e pequenos negócios. “Precisamos de um planejamento com metas de médio e curto prazos. Assim teremos uma participação efetiva do empreendedor nacional neste mercado”, argumentou.

Royalties

A disputa pelos royalties de petróleo foi vista com preocupação por José Anibal, secretário de estado de Energia de São Paulo. Em sua avaliação, temas importantes como investimentos na área de infraestrutura, modernização e capacitação de mão de obra foram deixados de lado.

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José Anibal, secretário de estado de Energia de São Paulo

“O debate sobre o pré-sal está focado na distribuição dos royalties. Está errado! Precisamos de uma ação bem organizada, que permita a qualificação dos recursos humanos, empresarial e um financiamento tecnológico. Não nos falta formulação. O que pode nos faltar é ação, convergência”, alertou.

Segundo Aníbal, o governo do Estado de São Paulo é favorável à repartição dos royalties, mas defende uma discussão do projeto já aprovado pelo Senado e que agora será votado na Câmara dos Deputados.

O substitutivo apresentado pelo senador Vital do Rego (PMDB-PB) propõe que, a partir de 2012, a União e os estados produtores fiquem com 20% dos royalties, cada um, e que os municípios confrontantes passem a receber 17%, chegando a 4% em 2020. “Este substitutivo provoca perdas para os estados produtores e para os municípios confrontantes”, concluiu o secretário.