No 14º Encontro de Energia, profissionais indicam ações para garantir abastecimento energético do Brasil

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Especialistas de diversos setores fizeram uma análise sobre o mercado livre de energia no seminário “Desregulamentação: liberdade para o consumidor em ambiente competitivo”, realizado na tarde desta segunda-feira (05/08), no 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ashley Brown. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Com coordenação do diretor da Fiesp, Nelson Barreira, o painel foi aberto com o professor da Harvard Kennedy School, Ashley Brown. Com o olhar americano, Brown fez uma análise do mercado brasileiro de energia. “O atual modelo energético do Brasil foi criado como uma reação ao apagão de 2001, com novos investimentos em produção.”

Para o professor, o modelo foi bem sucedido, já que não houve outro evento como aquele e também não houve uma alta de preços.

No entanto, disse ele, é preciso retomar os investimentos. “Agora é o momento de reavaliar a questão energética e investir para desenvolver o setor“, afirmou Brown, que colocou como caminhos importantes o mercado de gás natural, no potencial hidroelétrico do país e nos avanços tecnológicos.

Outra questão citada pelo professor foi a necessidade de melhorar a distribuição. “Investimento em tecnologia é uma das ações mais fundamentais. A implementação e a otimização dos smarts grids no Brasil serão muito importantes para melhorar a distribuição de energia no país.”

Mercado livre

Reginaldo Medeiros. Foto: Julia Moraes/Fiesp

O presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Reginaldo Medeiros, fez uma apresentação do estágio atual do mercado livre de energia do Brasil.

“Há uma série de vantagens no mercado livre, porque ele desindexa contratos, uma redução 10 a 15% na compra de energia, e permite uma maior competitividade para a economia”, defendeu.

“É um mercado maduro, com análise de risco, diversificação de produtos, profissionalismo.”

Medeiros disse que o mercado é um instrumento de pressão permanente para reduzir custos. Para ele, a medida provisória 579 foi uma “bala de prata” porque o preço da energia para a indústria ainda é muito cara.

Legislação

Alexandre Santos de Aragão. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Sócio da Chediak Advogados, Alexandre Santos Aragão, falou sobre os nós da regulamentação e destacou a necessidade de diferenciar a gestão da rede e a prestação de serviço por meio da rede.

“Não é bom quem distribui ser também o trader, porque isso limita desnecessariamente a concorrência do acesso do consumidor diretamente à fonte de energia e também pela questão da eficiência,” afirmou.

“Até em infraestruturas consideradas maiores monopólios naturais, como as ferrovias, a empresa que detém a rede não é a mesma que detém o vagão.”

Analisando a situação mundial, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Adilson Oliveira, afirmou que todos os países vivem hoje uma situação de “encruzilhada”, com aumentos crescentes dos custos energéticos e as variações do mercado internacional.

Adilson de Oliveira. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os obstáculos da legislação, que são motivo de debate em diversos setores da economia, também atingem a energia.

“Uso de energia ‘velha’, encargos tarifários, preços crescentes. Meu cenário para o Brasil é o seguinte: em 2015, teremos um ‘big bang’, porque evidentemente a economia brasileira não vai suportar essas tarifas indexadas e vai haver uma resistência dos consumidores residenciais e industriais”, criticou.

“Não dá para ficar nesse caminho”, alertou o professor da UFRJ.