Verificação de Gases de Efeito Estufa é um diferencial, diz especialista em seminário na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Se enquadrar na legislação pela redução de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) não é apenas uma barreira para a empresa que cumpre as regras, mas um diferencial, afirmou, nesta quinta-feira (05/12), Julio Jemio, consultor de projeto da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para verificação do GEE. Segundo ele, atender à regulação pode render para a empresa ao menos quatro oportunidades.

“Uma delas é a oportunidade operacional. Uma vez que você faz um inventário de emissão de GEE, isso lhe dá o necessário para fazer um projeto que pode incluir o uso de novas tecnologias, o que vai trazer eficiência energética”, explicou Jemio ao participar do Seminário Gestão de Gases de Efeito Estufa, organizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Juntos, a ABNT e o BID criaram o projeto Fomento à Gestão dos Gases de Efeito Estufa e Verificação por Terceira Parte em Pequenas e Médias Empresas no Brasil.

Jemio: novas tecnologias e eficiência energética em debate. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Jemio: novas tecnologias e eficiência energética em debate. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


O consultou afirmou que, com a gestão sobre as emissões de GEE, a empresa pode planejar o futuro, já que “todo o inventário tem também a finalidade de prover informações para um planejamento estratégico”.

Há ainda oportunidades regulatórias, defendeu Jemio, uma vez que o mundo caminha no sentido de redução de emissões, com as grandes corporações adotando métodos mais limpos de produção não só para cumprir a lei, mas também para reduzir custos e ganhar competitividade de mercado.

“Não vai demorar muito para que todo o Brasil ande no sentido de redução de GEE. Se a empresa não se atualizar, ela simplesmente vai ser pisoteada”, alertou.

Mais credibilidade

Segundo Jemio, as empresas que utilizam a gestão de emissão de GEE como estratégia ganham maior credibilidade. “Há uma oportunidade competitiva, um diferencial no mercado e na publicidade. Empresas que se declaram verdes já conquistaram um diferencial, uma vantagem”, argumentou.

Ele defendeu ainda as oportunidades financeiras que uma boa gestão de emissões pode gerar a uma empresa. De acordo com o consultor, “se uma empresa tem todas as informações num inventário, ela identifica onde pode reduzir e essa redução vai ter uma repercussão direta nos custos”. “Se a empresa utilizar um tipo de lâmpada que emita menos energia, ela vai emitir menos, mas também vai pagar menos”, completou.

Também consultora do projeto da ABNT com o BID, Isabel Sbragia apresentou os princípios para contabilização e elaboração de inventários, limites organizacionais e operacionais, identificação e cálculo das emissões, relatório, verificação, gestão e redução das emissões.

Crédito de carbono

Apesar da agenda positiva para o envolvimento de empresas na economia de baixo carbono, o representante da Odebrecht, Alexandre Baltar, lançou um contraponto ao afirmar que o mercado de crédito de carbono “está parado” já que os preços despencaram.

“Como a demanda diminuiu e a oferta aumentou o preço foi para praticamente zero, ninguém vende. Quem pode gerar credito está aguardando para ver o que vai acontecer”, explicou.

Baltar apresentou os desafios da gestão de emissões no setor de engenharia e construção. Ele usou exemplo de uma obra da Odebrecht onde houve redução de emissão de GEE com a criação de padrões para o uso de caminhões nas instalações do projeto.

“Tivemos um caso em Angola onde testamos isso e reduzimos 15% de diesel colocando esses critérios. Demos premiações para os mais eficientes”, afirmou.