Iniciativas Sustentáveis: Alcoa – Extração responsável de bauxita

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Por Karen Pegorari Silveira

Segundo estudos encomendados pelo Ministério De Minas E Energia (MME), do total da bauxita comercial, em geral cerca de 90% é usada para a produção metalúrgica da cadeia do alumínio e o restante, 10%, são usadas para outros fins como cimentos argilosos, química e etc.

O estado brasileiro do Pará, na região norte do país, detém quase 75% das reservas totais de bauxita e o estado de Minas Gerais participa com 16%, sendo o restante distribuído por ordem de importância nos estados do Maranhão, Amapá, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas e Goiás.

Porém, esta extração causa diversos impactos para a comunidade do entorno, como: erosão de rochas e solo; distúrbios hidrológicos relacionados a alteração do curso, qualidade e distribuição das águas; eliminação de resíduos; poeira e ruídos causados pela mineração e transporte; desmatamento e caça ilegal; mudança da paisagem e da biodiversidade devido a remoção de vegetação, além de outras questões como o desafio de planejar o futuro do município, que precisa ter garantias de sobrevivência quando a mina, que tem licença de 70 anos para operar, não estiver mais no local.

Para diminuir estes impactos negativos muitas indústrias desenvolvem um longo e profundo diálogo com a comunidade onde estão inseridas para que seu trabalho impacte da menor forma possível a vida da população, como fez a Alcoa – maior mineradora de bauxita do mundo.

Quando iniciou a instalação de sua unidade em Juruti, no estado do Pará, a Alcoa implementou diversas conversas com a população pelo período de 1 ano. Mais de 70 reuniões com moradores de aproximadamente 100 comunidades do entorno de Juruti, representantes da sociedade civil, da academia e do poder público foram realizadas e os encontros precederam três audiências públicas necessárias para a instalação da obra (uma em Belém, uma em Santarém e outra em Juruti). No total mais de 8 mil pessoas participaram deste processo que foi chamado de “licença social” para operar.

O desenvolvimento de todo este plano de longo prazo foi batizado de Projeto Juruti Sustentável e teve estratégia, inicialmente desenhada pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGVces) e pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que contempla três frentes: um sistema de indicadores de sustentabilidade para a geração de conhecimento sobre a região de Juruti, um fundo financeiro, em formatação, para captar recursos que serão aplicados em iniciativas indicadas pela própria comunidade e a criação de um conselho como canal de diálogo entre a sociedade civil, a empresa e o poder público.

Fabio Abdala, gerente Regional de Sustentabilidade para a América Latina e Caribe, conta que o projeto tem um espaço de diálogo e negociação formado por três representantes do poder público, três do setor privado e nove da sociedade civil. Os integrantes são divididos em grupos temáticos – segurança e meio ambiente, cultura, infraestrutura e saneamento, economia e trabalho, agropecuária, educação e saúde – e se reúnem uma vez a cada 15 dias para discutir propostas para a cidade. “O projeto foi oficializado em agosto de 2008 e o Conselho Juruti Sustentável foi apontado como uma das iniciativas mais inovadoras da Alcoa para garantir a independência de Juruti”, segundo o porta-voz.

O modelo Juruti Sustentável fundamenta‐se em três premissas: participação ampla e efetiva de toda a sociedade na construção da agenda; abordagem de território, considerando o alcance das transformações para além dos limites do município de Juruti; diálogo com a realidade, que contextualiza a agenda com base nas discussões globais sobre desenvolvimento e nas iniciativas empresariais voltadas para a sustentabilidade e em face das políticas públicas regionais e municipais.

Segundo informações da empresa, os resultados da melhoria das condições de vida do município, assim como os investimentos do Fundo em comunidades e o fortalecimento do capital social e humano gerado pelo Conselho – que capacitou lideranças sociais para maior controle e fiscalização sobre políticas públicas e empresas e o aumento geral de empreendedorismo, trabalho e renda no município fez o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) municipal de Juruti crescer mais de 50% nos últimos anos.

Foi criada ainda a primeira unidade de conservação de Juruti, o Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Lago Mole, um berçário de peixes, com grande ocorrência de répteis e outras espécies, em área de 652,90 hectares. Iniciativa da Prefeitura, a criação da UC é parte do Plano Estratégico de Conservação da Biodiversidade de Juruti conduzido em conjunto a Câmara Técnica de Meio Ambiente do CONJUS, a Conservação Internacional (CI), e apoio financeiro da Alcoa.

O gerente de Sustentabilidade conta ainda que na Alcoa a sustentabilidade tem uma definição. “Ela significa a aplicação de nossos valores para alcançar o sucesso financeiro, a excelência ambiental e a responsabilidade social, em parceria com todos os públicos de interesse, a fim de apresentar benefícios concretos de longo prazo aos nossos acionistas, funcionários, clientes, fornecedores e às comunidades onde atuamos”.

Sobre a Alcoa no Brasil

A Alcoa atua no Brasil há 50 anos e, além de operar minas de bauxita e refinarias de alumina, trabalha nos segmentos de construção e edificação, transporte comercial, bens de consumo, embalagens, entre outros. Em 2014, foi escolhida pela 8ª vez como uma das empresas-modelo no Guia Exame de Sustentabilidade e também foi reconhecida pela 13ª vez como uma das Melhores Empresas para Trabalhar, de acordo com o Great Place to Work Institute.