Artigo: Afinal, o que é valor compartilhado?

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Michael Porter

Nos últimos anos, os negócios têm sido criticados como uma das principais causas de problemas sociais, ambientais e econômicos. Muitos acreditam que as empresas prosperem à custa de suas comunidades. Consequentemente, houve uma queda na confiança nas empresas, o que estimulou os legisladores e o governo a estabelecer políticas que prejudicam a competitividade e enfraquecem o crescimento econômico. Cria-se então um círculo vicioso onde ninguém ganha, particularmente em um ambiente globalizado. Esta constatação é cada vez mais observada no Brasil.

Uma grande parte do problema está nas próprias empresas, que permanecem presas em uma abordagem ultrapassada e limitada para a criação de valor. Com foco na otimização do desempenho financeiro de curto prazo, eles ignoram as maiores necessidades não atendidas no mercado, bem como influências mais amplas no seu sucesso em longo prazo. Por que mais as empresas ignorariam o bem-estar de seus clientes, o esgotamento dos recursos naturais vitais para seus negócios, a viabilidade dos fornecedores e o desgaste econômico das comunidades nas quais produzem e vendem?

De acordo com o artigo seminal publicado por Porter e Kramer na Revista Harvard Business Review em 2011, as empresas poderiam impulsionar os seus negócios e trazer a sociedade a seu favor se redefinissem seu propósito de criar “valor compartilhado” – gerando valor econômico de uma forma que também produza valor para a sociedade, resolvendo seus desafios. Uma abordagem de valor compartilhado reconecta o sucesso da empresa com o progresso social.

De acordo com Porter & Kramer as empresas podem fazer isso de três maneiras distintas, a saber, avaliando e criando novos olhares para os produtos e mercados, redefinindo a produtividade na cadeia de valor e construindo clusters de apoio da indústria nos locais da empresa.

Os autores citam algumas empresas conhecidas que já iniciaram atividades importantes nesta área, como a GE, a Wal-Mart, a Nestlé, a Johnson & Johnson e a Unilever. A Nestlé, por exemplo, redesenhou seus processos de aquisição de café, trabalhando intensivamente com pequenos agricultores em áreas empobrecidas que ficaram presos em um ciclo de baixa produtividade, baixa qualidade e degradação ambiental. A Nestlé forneceu conselhos sobre práticas agrícolas; ajudou os produtores a proteger o estoque de plantas, fertilizantes e pesticidas; e começou a pagar diretamente a eles um prêmio por grãos melhores. Rendimentos e qualidade mais altos aumentaram a renda dos produtores, o impacto ambiental das fazendas diminuiu e o fornecimento confiável de café bom da Nestlé cresceu significativamente. Nestes casos, criou-se valor compartilhado.

O valor compartilhado tem o potencial de remodelar os negócios, a economia e sua relação com a sociedade. Ele também pode impulsionar a próxima onda de inovação e crescimento da produtividade na economia global, pois abre os olhos dos gestores para as imensas necessidades humanas que devem ser atendidas, novos mercados a serem atendidos e os custos internos dos déficits sociais – bem como vantagens competitivas disponíveis de abordá-los. Mas nossa compreensão do valor compartilhado está ainda no início. Atingir isso exigirá que os gestores, em todos os níveis desenvolvam novas habilidades e conhecimentos e que os formuladores de políticas públicas aprendam como regular de maneira que estimule o valor compartilhado.

Texto adaptado por Alberto Ogata, diretor titular adjunto do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, do artigo clássico de Michael E. PorterMark R. Kramer sobre valor compartilhado publicado na revista Harvard Business Review em 2011.

Referência:

Porter, M.E. and Kramer, M.R., 2011. The Big Idea: Creating Shared Value. How to reinvent capitalism—and unleash a wave of innovation and growth. Harvard Business Review, 89(1-2). https://hbr.org/product/creating-shared-value-hbr-bestseller/R1101C-PDF-ENG

 

Iniciativas Sustentáveis: Enerpeixe – Qualidade de vida em foco

Por Karen Pegorari Silveira

Os países do BRICS, bloco econômico composto pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, perdem anualmente mais de 20 milhões de vidas produtivas por ano para doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares, respiratórias, câncer, obesidade e diabetes. Essas doenças são decorrentes, entre outros fatores, de um estilo de vida com alta prevalência de inatividade física, alimentação de alto valor calórico, tabagismo, além de fatores de risco intermediários como obesidade, hipertensão arterial e altas concentrações de colesterol e glicemia. No caso de adultos trabalhadores, soma-se a esses fatores de risco a necessidade de adaptação ao modelo de trabalho atual, caracterizado por alta competitividade, demanda psicossocial e pressão por desempenho, segundo relata Alberto Ogata, diretor adjunto do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, no livro Temas Avançados em Qualidade de Vida.

Com este crítico cenário muitas empresas notaram a necessidade de mudar o quadro incluindo programas de promoção da qualidade de vida para seus colaboradores, melhorando seu bem-estar e consequentemente a produtividade e competitividade do seu negócio.

A Enerpeixe, usina hidrelétrica do grupo EDP, localizada na cidade de Peixe, no Tocantins, é uma dessas empresas que enxergou na prevenção de doenças e na promoção da saúde e bem-estar uma forma de ajudar seus trabalhadores e ainda atingir melhores resultados. Para isso, adotaram o Sistema de Gestão Integrada e Sustentabilidade (SGIS), o qual é certificado nas normas ISO 9.001 (Qualidade), ISO 14.001 (Meio Ambiente) e OHSAS 18.001 (Saúde e Segurança Ocupacional) e cultura organizacional baseada nos seguintes princípios: A vida sempre em primeiro lugar; Respeito Incondicional; Ética e busca do melhor para todos; Responsabilidade pelo todo; Coerência no falar e no fazer; Justiça na igualdade e na diferença; Foco em soluções e no propósito maior; Busca da excelência pelo humano; Espírito de equipe e companheirismo; Conhecimento compartilhado; Inovação Constante; Cliente: a nossa razão de ser.

Baseados neste modelo de gestão, eles desenvolveram diversas iniciativas como, avaliações com uso de balança de bioimpedância; ginástica laboral; gincana de integração na equipe; sala de descanso; dormitório; sala de jogos; dia para visita dos filhos; encontro anual de famílias; apoio à família com descontos em academias, escolas de idioma, farmácias e outros; comemoração de dias sem acidentes de trabalho; palestras motivacionais, de educação financeira, prevenção de doenças, e segurança no trabalho; Código de Ética; Voluntariado; atividades de relacionamento com a comunidade do entorno; campanhas de vacinação, entre outras ações.

Tais programas conferiram à empresa o reconhecimento do Prêmio Nacional de Qualidade de Vida, promovido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), na Categoria Empresa de Pequeno Porte – Certificação Bronze.

O gerente de Operação e Manutenção, Eduardo Bess Ferraz, comenta que a empresa acredita que “a adoção de uma cultura empresarial focada na valorização do ser humano traz melhorias significativas em diversos aspectos, desde o clima organizacional até o desempenho da empresa. Através da promoção da saúde e qualidade de vida de seus colaboradores há uma consolidação dos valores e princípios organizacionais e, por sua vez, maior engajamento e satisfação dos colaboradores com consequente melhoria nos resultados técnicos e financeiros”.

Sobre a Enerpeixe

A Enerpeixe é uma concessionária de serviços públicos de energia elétrica, constituída pelos acionistas EDP Energias do Brasil S.A. – de capital particular com 60% das ações, e Eletrobras Furnas – de capital estatal com 40% das ações. A Enerpeixe possui 49 colaboradores, sendo 39 na UHE Peixe Angical (Peixe–TO) e 10 na Sede Social (São Paulo–SP).

publicado em 03 de abril de 2018

Doenças musculoesqueléticas são principal causa de absenteísmo-doença em todo o mundo, afirma médico

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

“Custos humanos, particularmente na qualidade de vida e limitações nas atividades diárias são frequentemente associados às doenças musculoesqueléticas (DMEs)”, afirmou nesta quarta-feira (16/9) o médico Alberto Ogata, diretor titular adjunto do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp (Cores) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

No Brasil, as DMEs estão entre as principais causas de pedidos e concessão de auxílio-doença, chegando a 18,7% do total, e representam 26,4% dos casos de aposentadorias por invalidez. Sem contar a elevação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que resulta em elevados custos para as empresas.

“DME é a principal causa de absenteísmo-doença em todo o mundo, tendo um custo anual estimado em 100 bilhões de libras [R$ 600 bilhões], equivalente a 600 mil novos casos de incapacidade por ano”, revelou Ogata, ao apresentar a pesquisa Fit for Work Europe.

Segundo o médico, 5% do PIB é gasto com custos diretos com a doença a cada ano, além de ter um grande impacto na produtividade e no emprego, bem como possibilidade de desenvolver ansiedade e depressão. “É fundamental que o do Ministério da Saúde apoie a inclusão do trabalho como um desfecho em saúde, já que a força do trabalho saudável significa uma economia saudável.”

O médico Alberto Ogata, diretor titular adjunto do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Pesquisa 2020health

O movimento estimula o governo a dar suporte para a manutenção da saúde no ambiente de trabalho. “Diferentemente do que vemos no Brasil, em que o INSS afasta completamente do mercado de trabalho pessoas que têm DME em estágio mais grave, o programa defende que estar no trabalho faz bem para a mente”, enfatiza Ogata

O documento recomenda apoiar as pessoas para que possam retornar ao trabalho. Isso deve ser um objetivo importante para todos os serviços de saúde. Também incentiva promover intervenções precoces para tratar condições que podem levar à ausência no trabalho, além de migrar da gestão e controle dos sintomas para a busca de resultados e desfechos que considere o indivíduo como um todo.

“A determinação está em cada um de nós”, disse a Presidente da Associação Nacional dos Grupos de Pacientes Reumáticos (Anapar), Nilma Rodrigues. Ela foi diagnosticada com artrite reumatoide aos 36 anos, foi aposentada por invalidez contra sua vontade, mas não aceitou o diagnóstico, mostrando uma postura ativa, como recomenda a Pesquisa 2020health.

“Tenho próteses, mãos deformadas e muita dor, podia simplesmente aceitar o desfecho rotulado pela sociedade. É importante entender que o paciente não vai poder andar de skate, por exemplo, mas pode fazer natação, pilates, e especialmente atividades que façam o cérebro funcionar. Todo paciente reumático tem uma tendência depressiva. Por isso é essencial fazer a mente trabalhar.”

O papel da fisiatria

A médica Regina Helena Fornari Chueire, da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR), apresentou as diversas terapias para as doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, como artrites, artroses, artrite reumatoide, dorsopatias, fibromialgia e outras.

De acordo com Regina, é fundamental encontrar o ponto de gatilho de cada dor para melhor oferecer as terapias. Ela disse que é preciso entender e estudar a dor de cada paciente para que se faça um diagnóstico correto e ofereça melhor qualidade de vida.

A reunião teve o intuito de reunir lideranças empresariais, governamentais, médicas e da sociedade com o objetivo de contribuir com o debate sobre as DMEs na saúde da população, na produtividade das empresas e no desenvolvimento socioeconômico do país.

Investimento em qualidade de vida pode garantir mais produtividade, afirma médico

Bernadete de Aquino, agência Indusnet Fiesp

As empresas precisam apostar em programas de qualidade de vida para evitar afastamentos e perda de força produtiva, afirmou nesta quinta-feira (23/4) o médico Alberto Ogata, membro do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ele palestrou durante o Encontros Fiesp Sustentabilidade – Conectando Pessoas, Compartilhando Valores, realizado pelo Cores na sede da federação nesta manhã.

“Mais de um quarto da população adulta brasileira têm doenças musculoesqueléticas. A maioria não procura ajuda médica e perde, pelo menos, oito horas de trabalho por semana por estar com o problema”, disse Ogata ao citar uma pesquisa do Ibope.

De acordo com Alberto Ogata, empresas precisam apostar em programas de qualidade de vida para evitar afastamentos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo ele, dores lombares, na coluna cervical ou fibromialgia (dores em todo o corpo por longos períodos), são exemplos de males que podem afastar o trabalhador de suas atividades.

“É preciso fazer alguma coisa para reduzir esse indicador, para ter menos gente afastada ou com problemas por esses distúrbios”.

As empresas de pequeno em médio porte são as que mais sofrem com afastamentos de trabalhadores doentes, segundo Ogata. A sugestão do médico para superar essa dificuldade é a criação de redes entre empresas menores para compartilhar serviços de qualidade de vida, conhecer os recursos oferecidos no entorno da sede e buscar parcerias que permitam pouco ou nenhum investimento.

Alberto Ogata é médico, mestre em medicina e economia da saúde pela USP, além de diretor de saúde e benefícios do Tribunal Regional Federal (TRF). Ele também é coordenador do Laboratório de Inovação Assistencial da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

 

Cores discute temas de saúde e segurança do trabalhador

Por Equipe Cores

De acordo com dados do INSS, no ano de 2013 houve no Brasil mais de 710 mil acidentes de trabalho, sendo 14 a cada 15 minutos de uma jornada diária e segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil é quarto colocado no ranking mundial de acidentes fatais de trabalho.

Preocupados com dados como esse, o Comitê de Responsabilidade Social (CORES), promoveu no último dia 26 um encontro com representantes da Cosan/Comgás, GE, GE/Latam, Roche, Telefônica-Vivo e On Telecomunicações para discutir a sustentabilidade das empresas e as dificuldades com relação à saúde e a segurança do trabalhador.

O diretor do CORES, Nilton Torres de Bastos, falou sobre a relevância do tema para a indústria, visto que as empresas brasileiras, apesar de estarem cada vez mais comprometidas com a promoção de ambientes de trabalho saudáveis e seguros, continuam encontrando dificuldades e barreiras em vários níveis, como: legislação, tributação, regulamentação, custos com assistência à saúde suplementar, saúde, segurança no trabalho, etc.

Durante a reunião, os participantes apresentaram suas dificuldades e suas expectativas em relação à criação de um grupo de discussões sobre o tema e o diretor Nilton Bastos concluiu que a interação foi muito positiva. “A conversa foi rica, interessante e conseguimos identificar situações e dificuldades comuns à várias empresas”, relata Bastos. O diretor se colocou ainda à disposição para atuar como interlocutor, pois segundo ele, a Fiesp tem condições de desenvolver estudos e projetos, e de influenciar tomadores de decisão, políticas públicas e legisladores.

Os especialistas do comitê, Alberto Ogata e Grácia Fragalá, destacaram também a importância de sensibilizar representantes da CNI e promover uma aproximação com o grupo. Isso poderá ser feito por meio do Conselho Superior Temático de Responsabilidade Social na CNI, do qual o diretor Bastos é integrante.

Para saber mais sobre o grupo de empresas que vão discutir temas de sustentabilidade, entre eles a saúde e segurança no trabalho, envie uma mensagem para ‘cores@fiesp.com’.

 

 

Ação Fiesp – Membros do CORES participam do Prêmio Global Healthy Workplace Awards

Por Karen Pegorari Silveira

O Global Healthy Workplace Awards (GHWAwards) é um prêmio de âmbito mundial que reconhece as melhores práticas no ambiente de trabalho. Foi criado para reconhecer as empresas que conseguem elaborar programas que integram as áreas assistencial, ocupacional e de qualidade de vida em torno do modelo de ambiente de trabalho saudável da Organização Mundial da Saúde (OMS) e reúne líderes globais em saúde e qualidade de vida.

Dois membros do Comitê de Responsabilidade Social (CORES) se envolveram efetivamente nessa premiação. Alberto Ogata, que também é presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), foi o jurado representante da América Latina, e Grácia Fragalá, consultora técnica na área de Segurança e Saúde do Trabalho, representou a Telefônica do Brasil e esteve em Xangai, China, para receber o prêmio em nome da empresa.

A Telefônica (Vivo) foi finalista por desenvolver o seu próprio plano de seguro saúde na modalidade auto-gestão, com uma ampla cobertura em todo o Brasil e pelo Programa BEM PERTO, que integra as ações de segurança no trabalho, saúde ocupacional assistencial e qualidade de vida, no modelo de ambiente de trabalho saudável da OMS.

Ogata e Grácia são especialistas reconhecidos na área de Saúde e Qualidade de Vida do Trabalhador e há quase 8 anos desenvolvem ações, através do CORES, para levar informação e suporte às indústrias paulistas.

“Nós temos feito progressos significativos aqui no Brasil em relação ao aumento da conscientização sobre o investimento na saúde e qualidade de vida dos funcionários, e sentimos que isso tem se transformado em uma questão empresarial real. Nosso principal desafio continua sendo orientar a inovação e eficácia de programas com abordagens abrangentes e estratégicas”, disse Ogata.

O Global Healthy Workplace Awards é o único programa global de premiação dedicada exclusivamente ao reconhecimento de práticas e programas no local de trabalho e procura o local de trabalho mais saudável – onde as práticas e programas oferecem grande impacto na saúde e bem-estar dos empregados e suas comunidades.

A base dos critérios da premiação foi o Quadro da Saúde no Local de Trabalho da Organização Mundial da Saúde (OMS), direcionado aos funcionários no mundo inteiro com a finalidade de encorajar as empresas a utilizar modelos lógicos, permitindo que os programas ganhem escala e atinjam um maior número de empresas e trabalhadores. O modelo da OMS cobre quatro temas principais: ambiente físico de trabalho, ambiente psicológico de trabalho, recursos para a saúde pessoal e envolvimento entre empresa-comunidade. Os prêmios foram entregues em três categorias: grandes empresas, empreendimentos de pequeno e médio porte e empresas multinacionais.

Para mais informações, visite www.globalhealthyworkplace.com

Artigo: A importância da saúde para a competitividade das organizações

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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Por Alberto Ogata*

A saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores da indústria são desafios de importância fundamental para a competitividade, produtividade e sustentabilidade das empresas.

O uso intensivo de novas tecnologias e a maior competição entre as empresas exigem que os profissionais tenham o máximo desempenho no trabalho. Porém, muitas empresas esquecem que uma força de trabalho saudável e motivada é fator que faz toda a diferença numa organização, pois estes trabalhadores produzem mais, faltam menos ao trabalho, sofrem menos acidentes e têm menos doenças graves. Um indivíduo precisa ter bem-estar para realizar suas tarefas, contribuir com o grupo e com os negócios.

Estudos internacionais que analisam o absenteísmo (faltas ao trabalho), o presenteísmo (estar presente no trabalho, mas não ser  produtivo), custos com assistência médica, acidentes no trabalho e aposentadorias  precoces por problemas ocupacionais mostram que as intervenções no ambiente de  trabalho são eficazes e melhoram todos esses indicadores. Os fatores de risco para  doenças crônicas, como obesidade, sedentarismo, tabagismo, maus hábitos  alimentares e estresse têm uma relação direta com a produtividade. As empresas têm  enfrentado sérios problemas com o aumento dos custos de assistência médica. No  Brasil, a sinistralidade (despesas médicas, hospitalares e laboratoriais) tem  aumentado sistematicamente acima da inflação. A indústria chega a desembolsar R$    7,5 bilhões por ano para bancar serviços de saúde, previdência e assistência aos funcionários. O custo desses serviços, segundo pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), eleva em 0,96% os preços do setor, prejudicando tanto o consumidor quanto o produto brasileiro, que perde espaço para a concorrência internacional.

Recente pesquisa do SESI analisou o estilo de vida e hábitos de lazer dos trabalhadores das indústrias brasileiras. Este levantamento envolveu 2.775 empresas e 47.886 trabalhadores. A análise mostrou um consumo elevado do álcool (33%), a falta de atividade física no lazer (45,4%), o excesso de peso corporal (40,5%) e a falta de consumo adequado de frutas e hortaliças (60%). As pessoas estão trabalhando cada vez mais e a maioria dos trabalhadores relata ter algum nível de estresse, o que leva ao aumento no número de acidentes, ao adoecimento e à perda da produtividade. O estresse também pode afetar seriamente a produtividade das pessoas nas empresas. Estes resultados corroboram que abordar questões relacionadas ao estilo de vida é estratégico para o setor produtivo, para manter a produtividade e a saúde dos trabalhadores e preservar a competitividade no cenário internacional.

Além disso, no Brasil, há o impacto tributário e previdenciário decorrente da cobrança do RAT (riscos ambientais do trabalho) aplicando alíquotas sobre a folha de pagamento das empresas que podem sofrer acréscimos de até 100% (FAT- fator acidentário de prevenção) de acordo com o número de afastamentos por licença médica. Neste contexto, é fundamental a correta gestão do absenteísmo na empresa buscando ações preventivas e corretivas e, com isso, evitar novos aumentos nos custos em recursos humanos.

Em todo o mundo, é perceptível a necessidade do envolvimento de todas as áreas de influência na empresa para buscar promover a saúde e a qualidade de vida do trabalhador. Há a necessidade de ações integradas e sinérgicas das áreas de saúde e segurança no trabalho, qualidade de vida, responsabilidade social, sustentabilidade, recursos humanos, comunicação e os prestadores de serviços, como planos de saúde, corretoras, consultorias e fornecedores. Assim, o setor industrial brasileiro tem buscado fazer a sua parte através de programas, campanhas e iniciativas em várias áreas.

* Alberto Ogata é membro do Comitê de Responsabilidade Social (CORES) da FIESP; médico; presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) e membro da Diretoria do International Association of Worksite Health Promotion (IAWHP).

Século 21 será de busca permanente por saúde e qualidade de vida, diz diretor do Sesi-SP em debate

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Saúde e qualidade de vida estão na agenda de todas as nações. O século 21 será o século da busca permanente por saúde e qualidade de vida. A opinião é de Ricardo Oliva, diretor de Qualidade de Vida do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), em palestra nesta segunda-feira (15/04) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A palestra 'Perspectivas e Tendências em Saúde e Qualidade de Vida nas Empresas do Século 21' debateu temas sobre saúde e bem estar. Foto: Mauren Ercolani/Fiesp

“A saúde e o bem estar, no trabalho, são fundamentais para o desenvolvimento social e econômico. A qualidade de vida é um capital”, disse Oliva durante o evento “Perspectivas e Tendências em Saúde e Qualidade de Vida nas Empresas do Século 21”.

Outros participantes do evento ressalvaram que a qualidade de vida ainda não é vista como capital ou prioridade por algumas principais empresas do Brasil.

Alberto Ogata, presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida. Foto: Mauren Ercolani/Fiesp

O médico Alberto Ogata, presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), falou sobre a defasagem que existe nas empresas brasileiras quando o assunto é bem estar de seus funcionários. “As empresas precisam passar a considerar a saúde de seus funcionários como capital. No Brasil, ainda não vemos isso acontecer. As lideranças ainda não estão sensibilizadas”, disse.

“Sabemos que hoje o trabalho adoece”, afirmou Ana Maria Malik, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), doutora em medicina preventiva pela USP. “A saúde não é prioridade entre as empresas. Nenhuma entende que é investimento. Elas querem manter o funcionário trabalhando a todo custo”, afirmou.

“É necessário rever todo o processo. Toda a cadeia de valor do setor – tudo ainda deve ser mais bem compreendido”, disse o sanitarista Gonzalo Vencina Neto, superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês.

No fim da reunião, Ricardo Oliva chamou atenção para o fato de a população brasileira passar por um processo de envelhecimento e que há insatisfação com os serviços da saúde no setor pública e privado. “Essas são duas questões importantes para debate, que exigem olhares diferenciados”, encerrou.