Arquitetura: obra de Burle Marx valoriza fachada da Fiesp e do Ciesp na Alameda Santos

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Quem passa pela Alameda Santos, rua paralela à Avenida Paulista, na altura do número 1336, talvez nem perceba que atrás de duas árvores está uma obra de Roberto Burle Marx (1909-1994), um dos mais célebres arquitetos e paisagistas brasileiros.

O mosaico, um painel de 515,68 m² em concreto aparente, fica nos fundos do Teatro do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), ao lado da entrada do acesso para o subsolo da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Painel tem formas abstratas. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Ele foi criado pelo conhecido autor do paisagismo do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, e de tantas outras obras no Brasil e no exterior, em parceria com o também arquiteto e paisagista Haruyoshi Ono. O trabalho foi originado por um convite do escritório Rino Levi Associados, responsável pelo projeto arquitetônico do edifício da Fiesp e Ciesp – as entidades passaram a ocupar a nova sede em agosto de 1979.

Em entrevista ao site da Fiesp, concedida por telefone, Haruyoshi Ono, hoje com 70 anos, explica que o painel teve origem depois de outra parceria com Rino Levi para o Paço Municipal de Santo André, no Centro Cívico, no final da década de 60.

O escritório, já sob o comando de Roberto de Cerqueira e Luiz Roberto Carvalho Franco, chamou Burle Marx e Ono para desenvolver dois trabalhos naquele que seria o prédio da Fiesp.

Roberto Burle Marx e Haruyoshi Ono. Foto: Arquivo/Núcleo de Arquitetura Paisagista/Porto

Ono e Burle Marx não chegaram a acompanhar a obra e só viram o resultado depois da inauguração do prédio – o painel não tem a assinatura de ambos moldada no concreto.

“O desenho nasceu uma coisa abstrata. Burle Marx fez o primeiro rabisco. Eu desenvolvi o desenho, comecei a desenhar o croqui em papel e transformei em desenho técnico”, diz Ono, explicando que na etapa seguinte é feito um estudo de volumetria, estudo das dimensões que determinam o volume de uma construção.

Ono também fez a maquete. “É uma obra que, em geral, as pessoas não conhecem”, comenta o principal e mais próximo parceiro de Burle Marx em diversos projetos paisagísticos no Brasil e no exterior que herdou seu legado e até hoje comanda o escritório Burle Marx Ltda, no Rio de Janeiro.

Obra representativa

De acordo com o paisagista Robério Dias, doutor em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com a tese “O patrimônio paisagístico do sítio Roberto Burle Marx: uma visão geográfica”, Burle Marx fez muitos painéis: associados a plantas, de pedra de cantaria, em cerâmica e também só em concreto, com altos e baixos relevos,  uma forma de expressão estética sem plantas.

“Dentre os que conheço dele, nesta categoria, considero o painel em questão [o da Fiesp] um dos mais importantes, tanto pelas dimensões e destaque circunstancial, quanto pela força da composição, com diferenças de nível bastante acentuadas, o que lhe confere a qualificação, no meu entender, de obra muito representativa de um dos maiores artistas brasileiros”, explica Dias.

Ex-colaborador de Burle Marx, Dias aponta apenas um aspecto negativo para quem pretende apreciar a obra de 19,72 metros de largura por 26,15 de altura: “a existência, exatamente em frente, de postes, com fiação elétrica aérea urbana, que interferem na apreciação da obra”.

Painel em concreto, com altos e baixos relevos: forma de expressão estética sem plantas de Burle Marx e Haruyoshi Ono. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


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