Seminário Perspectivas para a economia brasileira nos próximos anos

Na abertura do seminário Perspectivas da Economia Brasileira para os Próximos Anos, Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, afirmou que juros, crédito e câmbio não estão sendo tratados pelo governo da forma que deveriam. “Não há como cobrar em um mês de novo governo, mas essas questões, como os juros, são incompreensíveis e podem ser obstáculo à confiança”, disse Skaf, dirigindo-se ao ministro Henrique Meirelles (Fazenda), que participou do evento, na sede da Fiesp.

Citando a apresentação de Meirelles e a contextualização feita pelo vice-presidente da Fiesp José Ricardo Roriz Coelho, Skaf destacou as muitas coincidências entre o que a instituição pensa que deva ser feito e o diagnóstico do ministro da Fazenda. A PEC dos gastos (241, em discussão no Congresso) é fundamental, disse Skaf, lembrando que a dívida brasileira, caso o limite para crescimento das despesas tivesse sido adotado antes, teria permitido redução da dívida de R$ 4 trilhões para R$ 700 bilhões.

Não há dúvida também em relação à reforma da Previdência, afirmou o presidente da Fiesp e do Ciesp, ressaltando que devem ser mantidos os direitos de quem trabalha. Destacou o alinhamento dos empresários com as propostas do governo, mas disse que “atrapalha um pouco o alinhamento a questão dos juros, que quando a inflação era de 11%, representava taxa real de 3%”, e agora, com a inflação perto de 7%, levou o juro real para 6%. “Esta casa não consegue entender por que a taxa real quase dobrou”, disse Skaf, lembrando que não se pode dizer que isso é feito para enfrentar a inflação. “Não há demanda”, exemplificou.

A solução para o Brasil, lembrou Skaf, é a recuperação do crescimento econômico, mas isso não acontece sem crédito e com juros altos. Mesmo bancos públicos, destacou, dificultam a renovação de contratos. “Não se está falando em ajuda”, disse Skaf. “Se não é possível elevar o crédito, pelo menos que se renove o que já há.”

A terceira questão levantada pelo presidente da Fiesp e do Ciesp foi o câmbio, que “não pode ir para patamar que roube a competitividade brasileira”. Se isso acontecer, não haverá como a indústria se recuperar, o que afeta a arrecadação.

Depois da fala de Skaf, Meirelles se disse aliviado por não haver crítica às propostas na área fiscal. Juros e câmbio, destacou, são questões do Banco Central (BC). Mencionando a autonomia operacional do BC, Meirelles disse que o ministro da Fazenda não deve dizer a ele o que fazer, mas afirmou que transmitiria a mensagem de Skaf à diretoria da instituição. O presidente da Fiesp e do Ciesp lembrou que o ministro da Fazenda é responsável pelo pagamento de R$ 500 bilhões de juros da dívida brasileira por ano e portanto dever ter interesse pelas decisões no BC. E brincou: “vamos pôr o Pato na porta do Banco Central”, referência ao pato gigante símbolo da bem-sucedida campanha “Não Vou Pagar o Pato”, promovida pelos setores produtivos, com forte apoio da sociedade, contra o aumento de impostos.

O crédito, reconheceu Meirelles, é problema sério, mas destacou que o crescimento dos valores oferecidos pelos bancos públicos foi impressionante nos últimos anos, e agora eles se ajustam. Acredita que tende a uma normalização, quando houver condições técnicas.

Ajuste e crescimento

Meirelles abriu sua apresentação (O Ajuste Fiscal é Pré-condição para o Crescimento Sustentado) lembrando que o momento é importante para o país, pela mudança das perspectivas econômicas e políticas. Uma das conclusões fundamentais da política econômica nos últimos anos foi sintetizada por estudo do G20 que mostrou que se compararmos países com taxa de crescimento e de padrão de renda não aceitáveis com os que conseguiram dar salto em seu nível de produção de renda e de riqueza, o sucesso ocorreu nos que conseguiram identificar claramente as razões para o baixo desempenho e as atacaram com foco, que precisa estar nos problemas de maior relevância. Aplicando isso no Brasil se percebe que o problema está no crescimento das despesas, defendeu. Intervencionismo e outras questões levaram a uma insegurança e queda na confiança. Ela, afirmou, decorre da capacidade do Estado em gerenciar suas contas.

Ressaltou que despesas primárias cresceram 56% entre 2007 e 2015, o que classificou de insustentável. Despesas do INSS passariam de 8% para 17% até 2060, o que, afirmou, claramente não é sustentável.

Para enfrentar a causa do problema, propõe-se movimento de várias etapas. Explicou que a PEC241 impede crescimento dos gastos acima da inflação do ano anterior. Há na Constituição pisos para a despesa em saúde e educação. O que se propõe é um teto para despesas globais. Na prática, afirmou, não há corte nas despesas em saúde e educação. Elas até sobem no primeiro ano, depois ficam estáveis.

Ajustes de curto prazo tendem a ser malsucedidos, porque mais de 75% das despesas públicas nos últimos anos foram definidas constitucionalmente, levando a uma margem de cortes muito limitada. É preciso criar um horizonte de previsibilidade, defendeu. Não só temos que enfrentar o problema com uma mudança constitucional como garantir que o patamar funcione por tempo suficiente para que haja previsão de estabilização e depois queda do crescimento da dívida pública, afirmou.

Não se faz reforma constitucional em 4 semanas, disse. É legítimo que a sociedade exija um debate mais profundo. Velocidade das mudanças é alta se considerarmos que desde 88 não se fazia essa discussão, defendeu Meirelles. “Temos que mudar a dinâmica estrutural das despesas públicas no Brasil, o que exige mudar a Constituição.”

Crítica do outro lado é que se cortam investimentos importantes em saúde e educação, o que, disse Meirelles, não acontece. Eles ficam estabilizados. Temos que melhorar a gestão da educação, disse Meirelles. Número de alunos e tempo que passam na escola aumentam, mas não melhor a qualidade. É um desafio, e deveria ser o foco, e não o dinheiro.

Momento permite discutir o teto de gastos porque a crise chamou a atenção para o problema. Perguntou se é mais importante o emprego ou a despesa. A PEC cria uma janela de oportunidade importante para resolver o problema num horizonte de tempo. Depois de 10 anos o presidente pode propor mudanças, lembrou.

Previdência

Sobre a reforma da Previdência, Meirelles disse que é inevitável. Como a PEC dos gastos, terá que ser feita, ou teremos um Estado insolvente. Lembrou que reformas tendem ser complicadas, como mostra a experiência em outros países. “Mais importante do que a idade com que a pessoa vai se aposentar é ter certeza que vai receber a aposentadoria”, disse.

Meirelles encerrou a apresentação deixando como última mensagem que a curva de confiança caiu muito de 2011 a 2016, mas isso já se inverteu, o que mostra que a consciência sobre o problema é maior do que se pensa.

Contexto

Roriz Coelho abriu o seminário com uma apresentação sobre o contexto, ressaltando que a economia brasileira atravessa o pior triênio desde 1901. Explicou que a crise tem raiz no descontrole fiscal. A irresponsabilidade fiscal levou de resultado primário de 1,3% em 2013 para -2,7% do PIB em2016. Desemprego saiu de7,4% para 11,4%, o que é preocupante. De 2001 a 2015 o PIB cresceu 48,7%, e as despesas, 128,5%.

O gasto público é rígido, disse Roriz, com 90% das despesas do governo federal sendo obrigatórias.

Projeção da Fiesp para os próximos 10 anos mostra que mesmo que houvesse aumento da carga tributária, para o que não há espaço, o resultado primário continuaria ruim, de -0,1% do PIB.

Com reformas, como PEC dos gastos, cortes de gastos no curto prazo e reforma da Previdência, o cenário seria de redução de R$ 30 bilhões no déficit, mas para isso seria preciso, por exemplo, não dar aumento para o funcionalismo. Roriz disse que é preciso negociar para que não haja emendas à Leia orçamentária Anual que a prejudicariam. Também a venda de estatais seria necessária, ainda é insuficiente.

A PEC241 precisa ser aprovada sem alterações em seu texto atual. Ainda assim, a reforma da Previdência tem que ser feita, ou o peso dela vai subir ainda mais.

Com a queda da inflação, a manutenção da Selic representa aumento dos juros. Proposta é já em 2016 cortar 3 pontos percentuais da Selic, e mais 1,75 pp em 2017. Somente com a redução dos juros haverá recuperação da economia, defendeu.

Vetores do crescimento sustentável mostram que a roda da economia voltou a girar.

Com reformas, resultado em 2026 ficaria positivo em 3,1%. Resultado nominal em relação ao PIB seria de -2,6% (contra -15,7% sem reformas). Sem as reformas, a dívida bruta iria a 167,4%, contra 75%. O desemprego iria a 17%, o que chamou de caos social. Com reformas, cairia para 6% (contra 11,8% neste ano).

Em relação à indústria, destacou que sua participação no PIB do Brasil caiu para 11,4%, patamar dos anos quarenta. Razões para a desindustrialização são o custo-Brasil, que onerou a produção, e o câmbio. Essa desindustrialização, explicou, afetou a produtividade da economia brasileira como um todo.

Roriz lembrou que a indústria é a etapa das cadeias produtivas em que é maior a geração de valor, salários e tributos. Cada 1% de crescimento industrial gera 1,1% de crescimento da economia. Além disso, a indústria tem a maior massa salarial, realiza 30% do investimento produtivo, 70% de P&D e 77% da inovação.

“Precisamos criar as condições para essa retomada do crescimento econômico”, disse, encerrando sua apresentação.


Em reunião na Fiesp, ministro do Planejamento explica conjuntura fiscal

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Delfim Netto, presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp (Cosec), arrancou risos dos conselheiros nesta quinta-feira (15/9) ao apresentar o ministro Dyogo Oliveira (Planejamento) e dizer que ele tinha a tarefa simples de falar sobre o problema fiscal.

O ministro participou da reunião mensal do Cosec, na sede da Fiesp. Iniciou sua participação com as notícias boas, a começar por uma percepção de melhora nas expectativas – em relação a inflação e evolução do PIB. Também os índices de confiança de empresários e consumidores melhoram, disse. Além disso, avança consideravelmente a percepção dos investidores sobre o risco-Brasil melhora consideravelmente. E o índice Bovespa já vem se valorizando e se aproxima da barreira mental de 60.000 pontos.

Terminadas as boas notícias, Oliveira disse que é muito preocupante a situação fiscal. Para recuperar a estabilidade é preciso controlar o crescimento do gasto público, afirmou. Frisou que o investimento poderia ser dez vezes maior se não fosse essa despesa.

Há, explicou, crescimento contínuo das despesas obrigatórias. Está no limite a capacidade de corte nas despesas discricionárias. “A carne” a ser cortada está nas obrigatórias, que é onde está o dinheiro. E ali, a maior despesa é a Previdência. Atualmente, a Previdência responde por 60% dos gastos, e cerca de 3% vão para investimentos. Isso, defendeu, é uma questão a ser abordada, lembrando que a despesa cresce cerca de 6% ao ano acima da inflação.

O foco, disse, tem que ser a Previdência, mas uma reforma nela não tem efeito no curto prazo. Se nada for feito, alertou, a despesa mais que dobra, de 8% do PIB em 2016 para 17,2% em 2060.

>> Ouça entrevista com Dyogo Oliveira

Outro desafio, afirmou o ministro, é o da receita. De 2010 a 2016 a receita da união caiu 3 pontos percentuais do PIB, disse. A opção do governo foi primeiro cuidar do lado da despesa. Oliveira disse que terá efeito no médio prazo a criação de uma rotina de avaliação de resultados do que é feito.

A PEC 241, que considera a base do processo, torna compatíveis as despesas por exemplo com saúde e educação. Ressaltou que a regra de limitação da despesa pelo valor do ano anterior corrigido pelo IPCA pode ser revista após o 10º ano.

Oliveira lembrou que é necessário um esforço legislativo em relação à despesa. Destacou o papel relevante que o setor empresarial pode ter para ajudar na aprovação da PEC.

Principal vantagem do novo regime é permitir que a despesa pública seja financiada sem aumento muito grande da carga tributária. No nível atual, pode ser apenas marginal seu aumento.

Listou medidas já tomadas pelo governo. Um deles é a revisão do seguro defeso, que custa R$ 2,5 bilhões por ano. O benefício de prestação continuada também passa por checagem do critério de renda. Distorção pode ser de 6% (de R$ 50 bilhões por ano, ou R$ 3 bilhões). No auxílio-doença, que custa R$ 25 bilhões por ano, as pessoas afastadas dois anos ou mais levam R$ 15 bilhões. Um teste mostrou que havia 50% de pessoas não mais doentes que continuavam a receber o benefício.

Venda de imóveis funcionais e racionalização de despesas com aluguel, manutenção e motoristas também estão entre as ações já tomadas. Só nas passagens aéreas, caiu 20% a despesa graças à compra centralizada, diretamente das empresas aéreas, explicou. Além disso, Eletrobras e Petrobras passam por desinvestimento, e a nova lei de governança das estatais deve ter efeito. E a desvinculação das receitas da União (DRU) aprovada economiza R$ 7 bilhões por ano.

PPI

O Programa de Parceiras em Investimentos (PPI) tem nova filosofia, explicou. O objetivo é gerar projetos atraentes para o investidor. É uma das apostas principais para a retomada do investimento. O PPI, explicou, terá processo progressivo. Uma novidade é a concessão de hidrovias, que vê com entusiasmo. Melhoria das expectativas deve permitir reação já a partir de 2017.

Após a apresentação de Dyogo Oliveira, Delfim Netto disse que é absolutamente fundamental a aprovação da PEC 241. Uma vez aprovada, com seu mecanismo bastante eficiente, as outras coisas vêm por gravidade, explicou. E lembrou que o crescimento é vital para o equilíbrio fiscal. As expectativas criam os fatos, destacou.

Em entrevista coletiva depois da reunião, Oliveira explicou que o tema foram as reformas, começando pela PEC 241. “Há uma expectativa a respeito da aprovação das medidas”, sobre o que se disse confiante. Espera que a PEC 241 seja aprovada ainda este ano. Lembrou que o ajuste não é um fim em si mesmo, mas a base para o crescimento futuro.

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Reunião do Conselho Superior de Economia da Fiesp, com a participação de Dyogo Oliveira. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Influência do aumento do desemprego na Política Fiscal em 2015 e 2016

O Departamento de Competitividade e Tecnologia – DECOMTEC, por meio do estudo Influência do aumento do desemprego na Política Fiscal em 2015 e 2016, calculou o impacto fiscal do desemprego nas contas públicas.

Em 2015, o fechamento de 1,56 milhão de vagas formais, além dos problemas sociais que acarreta, causou um custo de R$ 21,9 bilhões ao Governo, equivalente a 0,37% do PIB.

A Indústria de Transformação foi o setor mais impactado pela crise, com a perda de 567 mil empregos formais, 36% do total da economia em 2015.

Em 2016, o aumento do desemprego pode gerar um custo de R$ 28,6 bilhões aos cofres públicos, equivalente a 0,47% do PIB. Nessa conta estão incluídos a queda de arrecadação de R$ 20,9 bilhões em tributos ligados à folha de pagamentos e ao consumo, e o gasto adicional de R$ 7,7 bilhões com o seguro desemprego.

Os resultados do estudo do DECOMTEC foram publicados pela Revista Isto É, na edição 967 de 18 de maio de 2016.

Em Taubaté, Skaf defende ajuste fiscal e estímulo a obras de infraestrutura e à exportação

Agência Indusnet Fiesp

Durante entrevista coletiva depois de inaugurar em Taubaté nesta quinta-feira (2/6) as novas instalações esportivas do Centro de Atividades do Sesi-SP “Luiz Dumont Villares”, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, do Ciesp e do Sesi-SP, voltou a defender o ajuste fiscal por meio do corte de despesas, sem aumento de impostos.

“Esperamos do governo Temer que ajuste as contas do governo pela redução de gastos e desperdícios – que há muito, no governo.” Skaf lembrou que o governo herdou um déficit de R$ 170 bilhões da gestão anterior, mas disse que se “apertar o cinto, acerta as contas, sem aumento de impostos”.

O presidente das entidades da indústria lembrou que a campanha “Não Vou Pagar o Pato”, com forte apoio da sociedade, tem conseguido impedir o aumento de impostos.

Paralelamente ao ajuste, o governo, defendeu Skaf, precisa estimular as obras de infraestrutura, com regras claras para concessões e parcerias público-privadas (PPPs). Também tem que incentivar as exportações, para a retomada do crescimento econômico. “Precisamos rapidamente voltar a gerar empregos, renda, fortalecer as empresas – e daí, sim, aumentar a arrecadação, pelo crescimento.”

Empreendedores e investidores, no Brasil e no exterior, voltarão a investir no país, quando houver a retomada da confiança, perdida pelo governo anterior, disse Skaf. “Quando há investimento e consumo, há crescimento da economia, o que gera empregos e riqueza no país. É o que queremos.”

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Paulo Skaf durante a inauguração de novo parque esportivo do Sesi-SP em Taubaté. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Educação integral

Na inauguração do novo parque esportivo, Skaf destacou o papel dos funcionários do Sesi-SP e do Senai-SP na formação de crianças e jovens. “Trabalham com amor, com dedicação, têm uma missão. Saem felizes por ter passado seu conhecimento, por ter cuidado de milhares de crianças, que ganham oportunidades na vida”, disse o presidente das entidades da indústria. “Aproveitem muito o Sesi. Ele oferece muito.”

Os professores, destacou Skaf, ficam realizados ao ver as crianças – e adultos – aprendendo. “Em país de primeiro mundo, a grande autoridade é o professor”, disse, pedindo aplausos para os educadores brasileiros.

Walter Vicioni, superintendente do Sesi-SP, também participou da cerimônia, que além da inauguração das instalações esportivas incluiu a assinatura de diversos convênios na área de educação. “O Sesi-SP ensina as crianças a pensar, a fazer. E não é só na sala de aula. É em todos os lugares”, disse, destacando a importância do esporte, da boa alimentação e da qualidade de vida na formação das crianças.

Skaf: Temer concorda que não é preciso aumentar impostos para fechar as contas

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, disse em entrevista coletiva neste domingo (24/4) em Brasília que o vice-presidente da República, Michel Temer, concorda que  não é preciso aumentar impostos para fechar as contas públicas. A declaração foi feita depois de reunião entre Skaf e Temer no Palácio do Jaburu.

Skaf apresentou a Temer propostas para fazer o ajuste fiscal sem elevar impostos e sem prejudicar programas sociais. Skaf lembrou que o Governo desperdiça muito dinheiro e é pouco eficiente. Na conversa, o presidente da Fiesp manifestou sua preocupação com “o aumento do desemprego, fechamento de indústrias, de comércio, essa situação grave na área econômica”.

Skaf disse que o aumento da arrecadação se dará “naturalmente” com a retomada do crescimento. A elevação da carga tributária esfriaria ainda mais a economia. “Não é possível sacrificar as empresas e as famílias neste momento”, afirmou.

O encontro entre Skaf e Temer foi tema de reportagem no Fantástico, da Rede Globo. Também foi noticiado por grandes portais, como UOL e Globo.com, e por jornais como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo.

Especialista em contas públicas critica CPMF e afirma que ela não cobre rombo do governo

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag) realizada nesta segunda-feira (7/3), o mestre em economia e doutor em políticas públicas Mansueto Facundo de Almeida falou sobre as dificuldades para executar o ajuste fiscal defendido pelo governo e apresentou estimativas da economia para os próximos anos.

De acordo com Almeida, a principal diferença entre o ajuste de agora e o outro pelo qual o Brasil passou na década de 70 está no cenário de crescimento do país. “Àquela época, tínhamos uma dívida muito grande, porém nosso Produto Interno Bruto (PIB) crescia em igual proporção. O que não acontece hoje”, diferenciou. “É como se a empresa de vocês tivesse uma dívida enorme, mas ao mesmo tempo lucrasse suficientemente para continuar pagando o que deve e, assim, renovar o crédito. Hoje, o Brasil não consegue ‘lucrar’ na mesma proporção em que se endivida.”

O reajuste feito no início do governo Lula, segundo Almeida, não funcionaria agora, devido ao atual cenário de recessão, com previsão de até três quedas consecutivas do PIB. Além disso, dos R$ 31 bilhões economizados naquela época, R$ 30 bilhões foram provenientes do corte de investimentos.

Almeida defende que não é possível continuar destinando apenas 0,8% do PIB a investimentos e que a saída mais coerente seria uma mudança estrutural do sistema fiscal brasileiro, que atingiria áreas como Previdência e assistência social.

“Chegamos a um ponto em que o país realmente não tem espaço para controlar despesa na boca do caixa. O aumento de gastos do governo central neste ano foi de R$ 81 bilhões, sendo que R$ 80 bilhões são apenas INSS e pagamento de pessoal”, explica. “Então é preciso mudar regras, rever condições de participação nos programas de transferência de renda”, afirma.

Ele também ressalta que um aumento da carga tributária não resolveria a questão.  A combinação de juros altos, superávit primário negativo e PIB caindo leva a uma projeção de uma dívida bruta atingindo 82% do PIB, nos próximos dois anos. Nesse patamar, para ela apenas parar de crescer, o superávit primário do Brasil precisaria ser de, aproximadamente, 3,5% do PIB. No entanto, partindo do déficit atual de 1,5%, o crescimento teria que atingir 5% do PIB. Em números reais, isso representaria um aumento ou um corte de R$ 300 bilhões no orçamento da nação, até 2018.

“A CPMF, por exemplo, traria um acréscimo de apenas R$ 31 bilhões para o orçamento. Precisaríamos de no mínimo mais três daquela maior [com alíquota de 0,38%] para fechar o buraco. [Mas] fazer isso seria um desgaste muito grande, pois a despesa continua crescendo e já somos um país com uma carga tributária muito grande”, critica o especialista.

“Estamos longe de consenso do que é para fazer. Reforma da Previdência Social, sua desindexação da inflação, são temas muito difíceis e nem estão na pauta de discussão. Há divergências dentro do próprio partido do governo, o que torna a busca por apoio ainda mais difícil. E aí está nosso impasse.”

Compuseram a mesa principal do evento, o presidente do Conselho Superior do Agronegócio, João de Almeida Sampaio Filho, o coordenador do Centro de Agronegócios da FGV, ministro Roberto Rodrigues, e o conselheiro do Cosag Benedito da Silva Ferreira.

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Reunião do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp com a participação de Mansueto de Almeida. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“Em vez de equilibrar o orçamento, governo anuncia déficit de até R$ 60 bilhões”, afirma Skaf

Nesta sexta (19/2), os ministros da Fazenda e Planejamento convocaram a imprensa para anunciar contingenciamento de R$ 23,4 bilhões dos gastos públicos para o ano de 2016.

“Na realidade, mesmo com a revisão do orçamento, os gastos totais apresentam um crescimento de 4,8% em relação aos gastos realizados no ano de 2015”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

Além disso, o contingenciamento não passou de cortina de fumaça para o anúncio da chamada banda fiscal, ou seja, um mecanismo que deixa explícito que a equipe econômica trabalha com a perspectiva de um déficit de até R$ 60,2 bilhões para 2016.

“É crucial recuperar a credibilidade da política econômica. Porém, ao anunciar um déficit de até R$ 60,2 bilhões, o governo assume a falta de comprometimento em atingir a meta de resultado primário estabelecida, o que aumenta as desconfianças e piora ainda mais sua credibilidade”, diz Skaf.

O governo também anunciou um teto teórico para o gasto público, que ainda terá que ser transformado em projeto de lei, para depois ser aprovado pelo Congresso Nacional.

“A gestão séria do orçamento demanda corte e controle de gastos imediatos, e não mecanismos teóricos mirabolantes que, na realidade, nada mais representam do que a consolidação de sucessivos déficits públicos”, conclui Skaf.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp

Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Ciesp

Nota oficial: Aumento de impostos é castigo para toda a sociedade

A produção industrial brasileira recuou 1,3% em setembro na comparação com o mês anterior, segundo o IBGE. Em relação a setembro do ano passado, a queda é de 10,9%.

Após encolher 2,9% em 2014, a indústria deverá fechar o ano com queda de 8,0%. Para 2016, as perspectivas também não são nada animadoras.

A crise econômica e a crise política se agravam e paralisam o Brasil. Lamentavelmente, o governo apresenta medidas inconsistentes e desconexas. A única ação visível é mais uma tentativa de subir os impostos, tanto por parte do governo federal como de alguns estados, entre eles, São Paulo.

Aumentar impostos não é solução. Ao contrário, é um castigo não só para a indústria, mas para toda a sociedade. Aumento de imposto reduz a competitividade e as vendas, aumenta o desemprego, tira a capacidade de consumo das pessoas e cria um círculo vicioso que agrava a queda da economia. Isso é ruim para todos que trabalham nesse país, mas sobretudo para os mais pobres, que acabam sendo os mais sacrificados pelo aumento dos impostos.

Os governos foram eleitos para, entre outras coisas, administrar os orçamentos públicos. Se há queda de receita, devem fazer como todos os brasileiros fazem: adequar seus gastos à nova realidade e não repassar o ajuste para a sociedade.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp

Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Ciesp

Ir contra aumento de impostos é forma de fazer Governo estudar suas contas, afirma Skaf

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Governo tem transferido, de forma irresponsável, seu papel de governar ao Congresso Nacional, afirmou nesta sexta-feira (23) o presidente da Fiesp, do Ciesp e do Senai-SP, Paulo Skaf. Ele reiterou que a Fiesp e outras entidades que representam diversos setores produtivos do país continuam “muito firmes” no combate ao aumento de impostos.

“Ir contra o aumento de imposto é a única forma de fazer como que o Governo veja suas despesas e recalcule”, disse Skaf ao inaugurar o Núcleo de Materiais Avançados e Nanocompósitos da Escola Senai Mario Amato, em São Bernardo do Campo.

Segundo Skaf, o rombo no orçamento do Governo este ano deve chegar a R$ 60 bilhões. E o déficit orçamentário do próximo ano deve passar muito dos R$ 30 bilhões anunciados pelo Governo Federal.

“O déficit do ano que vem será de mais de R$ 80 bilhões, então você pega R$ 60 bilhões neste ano, mais R$ 80 bilhões do ano que vem e já são mais R$ 140 bilhões. E o pior é que [o Governo] continua gastando mais do que arrecadando, não aprendeu que tem de cortar suas despesas e quer impor à sociedade mais impostos”, afirmou.

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Paulo Skaf no Núcleo de Materiais Avançados e Nanocompósitos da Escola Senai Mario Amato. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Laboratório em São Bernardo

Segundo o Senai-SP, foram investidos R$ 14,5 milhões no laboratório de nanotecnologia da escola em São Bernardo.

Na nova área, maquinários de alta tecnologia devem permitir a análise de materiais em suas características físicas, químicas e microscópicas. Há ainda uma sala no laboratório para o processamento de materiais poliméricos, usados pelas indústrias automotiva, de construção civil e de cosméticos, e cerâmicos. Serão produzidas amostras desses materiais para a execução de testes por parte da indústria.

“Podemos falar com tranquilidade que a indústria de São Paulo, através do Sesi-SP do Senai-SP, valoriza a educação e acredita que a verdadeira oportunidade se dá através da educação e formação profissional. E, por isso, investe sem parar”, disse Skaf.

Em visita à Fiesp, Cunha apoia campanha contra aumento de impostos “Não Vou Pagar o Pato”

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

“Eu acho que o brasileiro não deve pagar mais imposto, imposto maior do que paga hoje”, disse nesta sexta-feira (25/9) na sede da Fiesp o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ao comentar a campanha “Não Vou Pagar o Pato”. A iniciativa, que reúne múltiplas entidades dos setores produtivos, foi lançada no dia 21 e conta com amplo apoio da população, provado pelas cerca de 40 mil assinaturas coletadas por dia.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, recebeu Cunha e um grupo de empresários e líderes de diversos setores para um jantar e explicou a campanha durante entrevista coletiva. “Minha grande preocupação neste momento é com o Brasil. Precisamos que se faça um ajuste fiscal reduzindo gastos, e não criando impostos. É por essa razão que estamos com esta campanha de não pagar o pato mais. A sociedade não deve mais pagar o pato, até porque até agora o Governo não cortou nada. Nada! Corte efetivo não houve nenhum.”

Para levar o Governo a chegar ao equilíbrio, tornando-se mais eficiente e eliminando desperdícios, a solução é “cortar a mesada”. Não permitir o aumento de impostos vai obrigar ao corte de gastos e à busca da seriedade na gestão pública, afirmou Skaf.

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, durante entrevista coletiva em 25/9. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Skaf comentou o momento complicado da economia, agravado pela crise política. “Há liquidez no mundo, e o Brasil poderia receber mais recursos, se não fosse esta falta de confiança, esta insegurança causada pela crise política”, afirmou.

Skaf disse que é preciso encontrar saídas. “Não adianta ficar reclamando. É isso que temos procurado”, declarou. Para isso é preciso conversar muito, declarou. “É por essa razão que temos quase todos os dias conversas por todos os lados.”

Sobre a mudança no PIS/Cofins, Skaf disse que pode ser positiva pelo aspecto técnico. “Mas eu não confio na calibragem das alíquotas”, ressalvou. “O governo está com fome de arrecadação. Apesar desta apresentação do orçamento com R$ 30 bilhões de déficit, pelos nossos cálculos é de R$ 80 bilhões.” E, lembrou, tende a haver déficit, de talvez R$ 40 bilhões, neste ano, em razão do aumento de despesas em ritmo superior ao da arrecadação.

“O buraco é muito mais fundo”, avaliou Skaf, sobre a previsão de R$ 30 bilhões de déficit feita pelo Governo. “Se fossem R$ 30 bilhões, e se é verdade que reduziu R$ 26 bilhões, já estaria feito o ajuste fiscal. Então por que criar CPMF, por que aumentar o IR, ou juros sobre capital próprio?”

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Jantar na Fiesp reuniu líderes empresariais e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Os participantes do jantar

Benjamin Steinbruch, 1º Vice Presidente da Fiesp

Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados

Fábio Meirelles, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo – Faesp

Heitor José Müller, Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul – Fiergs

Josué Christiano Gomes da Silva, Presidente da Coteminas S.A e 3º Vice Presidente da Fiesp

Luiz Moan Yabiku Junior, Presidente da Anfavea –  Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores e Conselheiro do Conselho Superior Estratégico da Fiesp

Marcos Marinho Lutz, Diretor Presidente da Cosan e Presidente do Coinfra

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp

Waldemar Verdi Junior, Presidente das Empresas Rodobens

Walter Vicioni Gonçalves, Superintendente do Sesi –SP e Diretor Regional do Senai – SP

Na Abinee, Skaf defende união para barrar aumento de impostos

Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), participou nesta quinta-feira (17) da reunião da diretoria plenária da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Em seu discurso, defendeu a união de entidades empresariais, como a Abinee e a Fiesp, para impedir o aumento da carga tributária, por exemplo com a recriação da CPMF, proposta pelo Governo Federal.

Skaf disse que é preciso buscar “sinergia total, força total, unidade total de forma a combater tudo aquilo que vier a prejudicar o setor”. Depois de derrubar as dificuldades, é preciso achar uma agenda positiva. “Na nossa visão, quanto menos imposto e quanto menos burocracia, melhor”, disse Skaf. Se há estímulo e as pedras são tiradas do caminho, o país “bomba”, afirmou.

Skaf disse que vai gastar a sola de sapato e se dedicar muito à conversa no Senado e na Câmara, usando a credibilidade da Fiesp, para barrar o aumento de impostos e a retirada de recursos do Sistema S.

Não permitir o aumento de impostos, segundo Skaf, tem dois efeitos positivos. Obriga o Governo a cortar realmente as despesas e parar de enganar, trazendo ganhos para a competitividade. Também leva o Governo a cumprir seu papel de diminuir os gastos e tentar reduzir o tamanho do Estado.

Em relação ao Sistema S, afirmou que Sesi e Senai funcionam, sendo os verdadeiros responsáveis pela educação profissional no Brasil. Deu como exemplo a vitória brasileira no torneio mundial da formação profissional WorldSkills São Paulo 2015, em agosto, graças aos alunos do Senai, em especial os paulistas.

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O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, durante reunião na Abinee. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Gastança do Governo desperdiça suor da testa dos brasileiros, afirma Paulo Skaf

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, está em Brasília nesta quarta-feira (16/9) para lutar contra os aumentos de impostos pretendidos pelo Governo e contra cortes nos recursos do chamado Sistema S, que inclui o Sesi e o Senai.

“Estou aqui para fazer de tudo – e faremos de tudo ao longo dos próximos dias – para não permitir em hipótese nenhuma que seja aprovada a CPMF ou qualquer encargo, qualquer imposto, qualquer taxa em cima da sociedade brasileira, que já paga muito e tem muito pouco retorno na qualidade dos serviços”, disse Skaf depois de se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Segundo Skaf, Renan e Cunha estão conscientes de que o momento não é de aumento de impostos. “Tenho certeza que a maioria dos senadores e deputados estão conscientes que não é momento de aumentar impostos. É momento de reduzir gasto público, é momento de diminuir o tamanho do Estado Brasileiro.”

Skaf considera que “o Brasil não comporta o tamanho do Estado brasileiro”. “Não tem jeito. Ou diminui o tamanho do Estado brasileiro ou vai vir crise em cima de crise”, afirmou, lembrando que não é o Governo que constrói o país. “É o povo, é o suor de cada um dos brasileiros. Do conjunto do suor na testa de toda a população sai o sucesso do país. Esse suor da testa de todos os brasileiros é desperdiçado com a gastança do Governo. Então precisa acabar com a gastança, e não aumentar a mesada para ter mais gastança.”

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Paulo Skaf em reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros. Foto: Junior Ruiz/Fiesp


Só que o Governo continua resistindo a fazer aquilo que precisa ser feito, “que é reduzir seus gastos, seus desperdícios, melhorar sua gestão”, analisa Skaf. “Era isso que a sociedade esperava ouvir no anúncio dos ministros. Medidas concretas de eficiência, de combate à corrupção, de busca de melhor gestão pública, e redução de gastos. Em vez disso, o que o governo tenta é aumentar os impostos, querendo que a sociedade pague o pato mais uma vez. E a sociedade não está a fim de pagar o pato mais uma vez.”

Coragem só para gastar

Skaf critica o Governo por insistir na tentativa de aumentar impostos. “Por que o governo é tão corajoso para encaminhar mudanças constitucionais e mudanças de lei para criar impostos e é covarde para encaminhar mudanças de lei para reduzir suas despesas?” Skaf cobra a mesma disposição para eliminar gastos. “Se precisar de mudança constitucional, que faça também. Por que não se discute redução temporária de despesas, em vez do discurso ser “impostos temporários”, como que de uma forma quase que cínica os governos falam? Ninguém acredita em imposto temporário; imposto vem e fica – por isso que nós chegamos a uma arrecadação este ano de R$ 2 trilhões.”

Sesi e Senai

Skaf protestou contra a ideia de confiscar recursos do Sistema S, que inclui Sesi e Senai. “Agora se tenta tirar recursos do Sesi e do Senai, que significam educação de qualidade”. Referindo-se ao torneio mundial de ensino profissionalizante WorldSkills São Paulo 2015, Skaf lembrou que graças ao Senai o Brasil ficou em primeiro lugar do mundo, entre 59 países.

“Quem forma mão de obra no Brasil é o Senai. Vai tirar dinheiro da educação de qualidade – e de forma inconstitucional. Ouvi dizer que seria por MP, que não pode mudar a Constituição.” Na análise de Skaf, “o Governo está perdido. Está caçando… A ideia que alguém tem de manhã, eles escrevem à tarde e anunciam no dia seguinte. Aí alguém pressiona, e muda…”

Deu como exemplo a CPMF, cuja volta foi sugerida como fonte de recursos para a Saúde. Lançou-se um balão de ensaio, depois o Governo recuou. “Passados alguns dias, volta ideia da volta da CPMF, só que desta vez para cobrir o rombo da Previdência.”

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O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Foto: Junior Ruiz/Fiesp

“Foi um tipo de pedalada”, afirma Skaf sobre novas medidas do Governo

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), criticou as novas medidas do ajuste fiscal anunciadas pelo Governo Federal nesta segunda-feira (14/9). “Foi um tipo de pedalada”, afirmou, referindo-se à transferência de fontes de pagamento, no lugar de corte de despesas. “O que era do Tesouro passou para o FGTS, ou para as emendas parlamentares.”

“O Governo não cortou na carne”, disse Skaf. “Faltou transparência, faltou clareza na apresentação das medidas”, completou. O que ficou claro, segundo Skaf, foi só a intenção do Governo de aumentar impostos. “Mais uma vez o governo transferiu o problema para a sociedade. Quer que ela pague o pato.”

Em sua opinião, as notícias são ruins para todos. “A CMPF vai pesar no bolso de todo mundo. Um imposto que já foi rejeitado e enterrado, e ressuscita pela vontade do Governo.” Skaf ressalvou que a volta do CPMF precisa ser aprovada pelo Congresso.

Juros altos, falta de crédito e aumento de impostos, que fazem partes medidas adotadas pelo Governo, formam uma “combinação perversa” que derruba a economia, disse Skaf, que espera forte reação da sociedade.

Além da falta de corte real de gastos, o Governo não agiu para combater o desperdício nem para melhorar a gestão, afirmou Skaf. “A medida que ouvi foi de criação de mais impostos, para entrarem mais recursos. E como não há medidas de controle de desperdício e de melhoria de gestão, o que se imagina é que quanto mais recursos, mais desperdício.”

Ouça comentários de Paulo Skaf sobre as novas medidas

Vaivém

Na avaliação de Skaf, o Governo parece perdido. “Pensa uma coisa de manhã, faz, e desfaz à tarde, no dia seguinte faz de novo, e assim vai.” Deu como exemplo a CPMF: “o Governo fez um balão de ensaio, teve uma reação péssima – e depois volta”. Skaf lembrou também que quando o governo falou na semana anterior sobre volta da CPMF, sua arrecadação iria para a Saúde. Agora, vai para a Previdência. “Toda semana muda.”

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Paulo Skaf durante entrevista em que criticou novas medidas anunciadas pelo Governo. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Paulo Skaf lança frente contra o aumento de impostos

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, anunciou nesta quinta-feira (3/9) a criação de uma frente nacional dos setores produtivos contra o aumento de impostos. A iniciativa foi divulgada depois de reunião na sede das entidades com mais de 100 representantes de associações, federações e sindicatos da agricultura, do comércio, dos serviços e da indústria, que apoiaram a ideia de Skaf. “Decidimos cerrar fileiras contra o aumento de impostos”, afirmou Skaf. “Teremos uma frente nacional com a participação de todas as áreas. Todos estarão juntos nesta direção”, disse Skaf. “Vai haver campanhas, vai haver pressão, vai haver mobilização. Estaremos de forma permanente de prontidão contra o aumento de impostos.”

A carga tributária no Brasil é altíssima e afeta toda a sociedade, explicou Skaf. “Cabe a nós dizer que a sociedade não aguenta pagar nem um centavo a mais de impostos”, afirmou. E “cabe ao Governo fazer suas escolhas com relação a suas despesas.” Skaf lembrou que só o Governo Federal gasta quase R$ 1,2 trilhão por ano. “Precisa reduzir suas despesas, seu desperdício, e modernizar sua gestão.”
>>Ouça entrevista com Paulo Skaf sobre a frente contra o aumento de impostos

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Reunião na Fiesp durante a qual foi aprovada a criação de movimento contra aumento de impostos. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Brasil deve perseguir déficit nominal zero, dizem economistas

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O custo da dívida pública do Brasil, que fechou o ano de 2009 em R$ 1,5 trilhão, representa sete vezes o investimento médio do governo federal nos últimos anos. O gasto com o pagamento de juros chega a R$ 185 bilhões, um volume quinze vezes maior do que os R$ 13 bilhões disponíveis para o programa Bolsa Família, que atende 60 milhões de brasileiros.

O principal desafio para que o País consiga atingir uma taxa de juro real (descontada a inflação) de 2% até 2014, conforme a intenção anunciada pela presidente eleita Dilma Rousseff – taxa próxima à média internacional em situação normal –, é perseguir um déficit nominal zero e trazer a relação dívida/PIB para patamares mais responsáveis.

A análise foi feita por economistas que discutiram a questão fiscal e os juros nesta segunda-feira (8), no Congresso da Indústria 2010, realizado pela Fiesp/Ciesp, no World Trade Center, em São Paulo.

“Uma das principais preocupações é com a evolução das despesas, que crescem a uma taxa real de 6% ao ano. O PIB médio dos últimos anos foi a metade disso”, constatou Paulo Francini, diretor de Economia da Fiesp/Ciesp.

Uma das propostas das entidades para o embate receita x despesa é criar mecanismos que limitem a taxa de crescimento dos gastos públicos a 1,5% ao ano. “Mas essa medida deve andar junto com uma melhor eficiência do Estado, que tem de ser capaz de fazer mais por menos”, taxou Francini.

A Fiesp e o Ciesp prepararam um documento com propostas para os principais temas nacionais, que será entregue ao governo Dilma Rousseff.

Ajuste fiscal

Para o economista Antonio Correa de Lacerda, o Brasil passa por uma situação favorável economicamente, com reservas cambiais que caminham para os US$ 300 bilhões – fator que oferece um pouco mais de autonomia para a política macroeconômica doméstica. Esse volume estava abaixo dos US$ 30 bilhões em 2002.

Segundo ele, o esforço que o País precisa para ajustar suas contas públicas é muito menor que o de outros países, como Estados Unidos, cujo déficit público alcança 10% do PIB, e o Japão (8%). O déficit fiscal brasileiro atingiu 3,3% do PIB em 2009, e as projeções de mercado apontam para um patamar entre 1,7% e 2,6% em 2010.

“O problema do Brasil é muito mais qualitativo do que quantitativo. O País hoje não precisa de um esforço que implique redução do crescimento econômico. A estrutura de gastos tem um grande potencial de redução e de melhora da eficiência no uso dos recursos. Há um razoável espaço de redução especialmente no custo financeiro”, afirmou Correa de Lacerda.

Competitividade

É ponto pacífico entre os economistas que a taxa de juros praticada no Brasil (cerca de 6% ao ano em termos reais), com influência direta no câmbio, é uma das razões para a queda de competitividade da indústria nacional.

“O custo de capital para manter as reservas é um absurdo. A nossa política monetária não é compatível com a solidez que o País conquistou na economia”, considerou o presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva. Segundo ele, o Brasil se habituou a tratar o tripé segurança, liquidez e retorno oferecendo o máximo nos três pilares, sob a análise do investimento.

“Oferecemos a maior taxa de retorno possível, para liquidez praticamente imediata e segurança total, que é o Tesouro Nacional. Precisamos corrigir essa distorção”, defendeu o empresário, que considerou a Letra Financeira do Tesouro uma “excrescência” no cenário atual. A LFT é um título público cujo rendimento é diretamente atrelado à taxa Selic.

O presidente da Natura, Pedro Passos, lembrou que o custo de carregação das reservas cambiais no Brasil quase equivale ao da China, que possui reservas muito maiores, próximas de US$ 1 trilhão. “A diferença é que nos financiamos a 10% e o governo chinês, a 1%”, disse. “Precisamos de uma política fiscal coordenada com a política monetária, senão a destruição da nossa indústria continuará se agravando”, emendou.

Passos também colocou em questão a participação do Brasil nas exportações mundiais (de 0,9%), enquanto o País detém 2,5% do PIB industrial do mundo. Para o dirigente, o mercado brasileiro é forte e tem escala, mas a pauta de exportações não cresce na mesma proporção que o consumo interno.

“Estamos deixando espaço para outros países ocuparem. Só tem um jeito de enfrentar essa situação: câmbio e juros. Nossa indústria não precisa de barreiras alfandegárias, mas de seus preços colocados no lugar certo”, arrematou o presidente da Natura.