Modelo político brasileiro está esgotado, afirma conselheiro da Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539849167

Ney Prado: maior obstáculo de uma reforma política é que a mudança enfraquecerá “players” importantes da política. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O Brasil tem, neste momento, a oportunidade de realizar uma reforma política relevante para as gerações futuras. A avaliação é de Ney Prado, presidente da Academia Internacional de Direito e Economia (Aide) e membro do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Em sua palestra na reunião do conselho, nesta segunda-feira (17/11), Prado abordou questões ligadas ao modelo democrático brasileiro, assim como a necessidade de uma reformulação no sistema político nacional.

Na visão do presidente da Aide, casos recentes de corrupção provam que o sistema não funciona. “O modelo se esgotou”, afirmou. O conselheiro ressaltou o fato de a sociedade civil ser “amplamente favorável a uma reforma política”.

A reforma, entretanto, segundo ele, demanda condições prévias. “Precisa haver um objetivo definido, uma pauta clara, uma agenda bem definida e saber que não há reforma perfeita.”

Para Prado, o maior obstáculo de uma reforma política é que a mudança enfraquecerá “players” importantes da política, entre eles comandantes de máquinas partidárias.

“Quem tem poder, teme perdê-lo”, resumiu.

Outro obstáculo apontado é o afastamento da sociedade em relação à política. “A grande maioria não está ciente do conteúdo da reforma”, apontou.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539849167

Ruy Altenfelder: momento da reforma é agora. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na visão de Prado, a reforma seria viável com maioria no Congresso Nacional. “Entretanto, os dois partidos majoritários têm visões distintas sobre o tema”, ponderou.

Apesar das dificuldades, o presidente do Aide disse estar otimista. “Acredito que a reforma seja possível, com vigência para 2018”, concluiu.

Para Ivette Senise Ferreira, vice-presidente do conselho, a vigência para a reforma deve ser adiada para que “aqueles que façam a reforma não se sintam afetados”.

“A proposta é imensa, há muitos detalhes que necessitam ser reformados”, ressaltou.

Para o presidente do Consea, Ruy Martins Altenfelder Silva, o momento da reforma é “exatamente agora”.

“O tema não pode mais ser adiado”, opinou.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539849167

Reunião do Consea. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp