13º PRÊMIO DE CONSERVAÇÃO E REÚSO DE ÁGUA – MENÇÕES HONROSAS

O Prêmio Fiesp/Ciesp de Conservação e Reúso de Água objetiva conhecer, difundir e homenagear, anualmente, empresas que utilizam boas práticas na promoção do uso eficiente de água, com medidas efetivas na redução do consumo e do desperdício de água, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais e aumentando a competitividade do setor, bem como dar ampla publicidade às ações realizadas pela indústria paulista na construção do desenvolvimento sustentável.

Clique nos links abaixo para ver os projetos das empresas ganhadoras das Menções Honrosas.

Categoria de pequeno porte

  • Eco Panplas Indústria e Comércio de Plásticos

Projeto: Uma solução sustentável para a reciclagem das embalagens plásticas contaminadas com óleo

  • Planeta Ecco Produtos Químicos

Projeto: Redução no consumo de água em lavanderias através da implantação de sistema de reúso de baixo custo

 

Categoria de médio/grande porte

  • Avon Industrial

Projeto: Renovare Aqua

  • Companhia Brasileira de Alumínio

Projeto: Progressos no tratamento de água industrial e no uso de água no processo produtivo do alumínio para redução da captação de água nova

  • General Motors do Brasil

Projeto: Conservação e Reúso de Água

  • Raízen Energia

Projeto:Reúso de Águas na Raízen traz mais Energia

 

Conheça também os projetos vencedores da 13º edição do Prêmio Água!

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13º PRÊMIO DE CONSERVAÇÃO E REÚSO DE ÁGUA – CASES VENCEDORES

 

 

 

 

 

 

 

O Prêmio FIESP de Conservação e Reúso de Água objetiva conhecer, difundir e homenagear, anualmente, empresas que utilizam boas práticas na promoção do uso eficiente de água, com medidas efetivas na redução do consumo e do desperdício de água, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais e aumentando a competitividade do setor, bem como dar ampla publicidade às ações realizadas pela indústria paulista na construção do desenvolvimento sustentável.

Em 2018 foram 25 projetos inscritos para concorrerem ao Prêmio, nos links abaixo é possível conferir os projetos das empresas vencedoras.

Médio/Grande Porte

  • L’oreal Brasil

Projeto: Visão Fábrica Seca – Uma abordagem para redução do consumo de água

 

Micro/Pequeno Porte

  • Metalúrgica Inca

Projeto: Economia de água no setor de Injeção

 

Conheça as ganhadoras das menções honrosas!

Acesse aqui.

Manual – Uso racional de Água no setor industrial

 

Manual de Uso Racional de Água no Setor Industrial

Manual elaborado em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e apoio do Centro Internacional em Reúso de Água (CIRRA/USP). O manual oferece subsídios e ferramentas para que o setor industrial possa ampliar a adoção de boas práticas de reutilização e reúso de água.

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Apresentações – Seminário Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS

Acesse as apresentações do evento Agenda 2030 e o setor produtivo realizado em 22 de novembro, que discutiu as estratégias e desafios de implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS.

 

Estratégias e Desafios para atingir o ODS12 – Consumo e Produção Responsáveis

Palestrante: Patricia Faga Iglecias Lemos- Superintendente de Gestão Ambiental da USP

Estratégias e desafios de implementação dos ODS

Palestrante: Cristiana Brito – Vice-presidente da Rede Brasil do Pacto Global e Diretora de Relações Internacionais e Sustentabilidade da BASF para a América do Sul

Estratégias e Desafios de Implementação dos ODS – Água e Resíduos Sólidos na Gestão Integrada da Fibria

Palestrante: Camila Reggiani da Silva – Consultora de Meio Ambiente da Fibria

Estratégias e desafios de implementação dos ODS: o olhar da Comissão Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Palestrante: Henrique Villa da Costa Ferreira – Secretário Nacional de Articulação Social da Secretaria de Governo da Presidência da República

Estratégias e desafios de implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS

Palestrante: Gustavo S. Fontenele e Silva – Coordenador Geral do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Outorga eletrônica agilizará processo para usuário

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

“O primeiro objetivo da outorga é poder fazer a gestão adequada de um recurso finito”, o que envolve captação superficial e subterrânea, lançamento de efluentes, estruturação e reservação, enfatizou o superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), Ricardo Borsari, presente à reunião de Diretoria do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA), em 28 de agosto.

Borsari fez apresentação sobre os novos procedimentos adotados para agilização dos processos de outorga, estabelecidos pela portaria Daee n. 1630, e respectiva implementação futura da outorga eletrônica. Ele revelou que cresce 18% ao ano o número de outorgas, mesmo diante da crise hídrica registrada em 2015. Em 2016, foram emitidos 12.000 atos de outorga, e a cobrança pelo uso da água já é feita por quase todos os comitês de bacia.

Para Borsari, “a nossa cultura nos leva a gerar processos burocráticos”, e as instâncias de controle e de fiscalização faziam interpretações diversas diante das exigências estabelecidas para o usuário, o que acarretava uma demora muito além do razoável.

“Hoje o processo foi alterado, normatizado e está em início de implementação no Daee”, pontuou, e a previsão é que até o final do ano se solicite outorga de modo eletrônico, facilitando a comunicação.

“Meu objetivo é verificar se há água disponível e se ela pode ser destinada àquele objetivo. Na medida em que dou autorização de outorga de implantação de um empreendimento, passo a ser co-responsável”, explicou.

Diante deste quadro, espera-se também uma melhora na agilidade dos processos com a futura outorga eletrônica, em função do cadastramento simplificado e da navegação facilitada. Para cada outorga, o sistema permitirá visualizar todo os usos do empreendimento, seus diversos poços e reservatórios, segundo explicou o superintendente do Daee, para quem isto possibilitará maior segurança no controle e a localização de informações e configuração do sistema.

Arcabouço jurídico das outorgas

Borsari lembrou alguns marcos da legislação sobre água no Brasil e em São Paulo, com destaque para a Política Estadual de Recursos Hídricos, publicada em 1991, Lei nº 7.663, bem como a portaria nº 717 do Daee, de 1996, que pautou todo o procedimento de outorga até o momento, sendo portanto importante sua revisão e aprimoramento, mediante o relevante aumento no número de processos e experiências adquiridas nesses 20 anos, desde sua publicação, sendo revogada pela Portaria Daee nº 1.630 de 2017.

E foi renovada a outorga do Sistema Cantareira pelos próximos dez anos, ação fundamental para manter o abastecimento de várias regiões do Estado

Nos dias 30 e 31 de maio foram publicadas as novas resoluções de outorga e de operação do Sistema Cantareira, para atender às demandas das bacias dos Rios Piracicaba/Capivari/Jundiaí (PCJ) e Alto Tietê (AT), para os próximos 10 anos.

Foram obtidos alguns avanços em função dos debates ocorridos com todos os segmentos da sociedade civil. A Fiesp e o Ciesp participaram de forma efetiva com a apresentação de inúmeras propostas para o aprimoramento do texto da outorga, com o objetivo de ampliar a segurança hídrica e melhoria do atendimento em situações de escassez.

Entre as propostas, a necessidade da definição clara de fluxos decisórios nas operações de liberação de vazões, ampliação dos mecanismos de transparência e controle dos níveis e vazões, bem como a garantia de vazões mínimas para as bacias PCJ nos períodos de estiagem.

E, além disso, a garantia da participação e fortalecimento dos Comitês PCJ e AT no processo de acompanhamento da outorga e suas condicionantes, de definição de modelos operativos correspondentes aos níveis de armazenamento de água nos reservatórios, as quais foram minimamente contempladas.

Já se encontram em vigor as novas regras. Portanto, foi dado início a um período de desafios para todos os segmentos no que se refere à operacionalização dos mecanismos e à sustentabilidade da segurança hídrica para as atuais e futuras demandas.

Reunião do DMA, da FIesp, com a presença do superintendente do Daee, Ricardo Borsari. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

A íntegra os novos dispositivos

Resolução Nº 925 – Dispõe sobre as condições de operação para o Sistema Cantareira – SC, delimitado, para os fins desta Resolução, como o conjunto dos reservatórios Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro –  http://arquivos.ana.gov.br/resolucoes/2017/925-2017.pdf

Resolução Nº 926 – Outorga de Direito de Uso – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp –  http://arquivos.ana.gov.br/resolucoes/2017/926-2017.pdf

Portaria Daee nº 1.630- Dispõe sobre procedimentos de natureza técnica e administrativa para obtenção de manifestação e outorga de direito de uso e de interferência em recursos hídricos de domínio do Estado de São Pauli – http://www.daee.sp.gov.br/images/documentos/outorgaefiscalizacao/portariadaee1630.pdf

Workshop na Fiesp discute soluções para aumentar eficiência energética no saneamento

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

O uso eficiente de energia nos sistemas de saneamento foi tema debatido nesta quarta-feira (23 de agosto) durante o workshop Eficiência Energética no Saneamento Básico, promovido pelo Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra).

Um dos pontos destacados para a conquista dessa eficiência foi o uso de automação no sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário, que permite saber em tempo real onde ocorrem as falhas e assim as ações a serem tomadas.  “Não adianta ficarmos desenhando projetos e o mercado não estar preparado para atender. O mercado precisa se preparar para fazer o teste do que é prometido e comprovar. A nova lei prevê que toda estatal busque eficiência energética”, argumentou Gisele Abreu, chefe do departamento de gestão energética da Sabesp.

Ainda segundo Gisele, há um estudo que aponta que existe um potencial de economia de 35% no consumo de energia elétrica, “porém a grande dificuldade do operador do saneamento é encontrar esse potencial para economia”, apontou.

A Sabesp faz trabalho de diagnóstico das operações para levantar potencial de economia. Entre as análises feitas, 47% da carga de bombeamento de água foi classificada como mediana e boa. “Começamos pelos grandes bombeamentos, feitos sob medida, por isso era esperado mesmo que tivesse uma eficiência grande”, contou.

Ainda durante sua fala, Gisele apresentou modelo de projeto já implantado e que classifica como sucesso. “Em 2015, em parceria com a CPFL, fizemos três elevatórias em série no Sistema Pouso Alegre. Tivemos redução de 17% do consumo de energia.  Foi um projeto de sucesso. Essa elevatória é responsável por 20% do consumo de Franca”, contou.

Outra alternativa apresentada foi a de sistema de recirculação de água quente durante o banho e a troca de bombas por outras mais eficientes. “Há limite de eficiência do equipamento. Falta melhor controle de uso. As empresas têm custo com bombeamento, por isso, precisam estar instaladas no local mais adequado do ponto de rendimento. Precisa estar bem dimensionada”, destacou Marcelo Pustilnic, gerente de otimização de energia da Grundfoss.

Segundo Marcelo Souza, do departamento de engenharia operacional da Sabesp, 40% da perda de água está no processo. “A metodologia de automação do processo, a informação é importante no processo para tomada de ação. A automação é ferramenta de gestão no processo e esse processo se assemelha ao de energia elétrica, já que passa pelas fases de produção, transmissão para o consumo. A automação pode ser integrada por blocos”, detalhou.

Ainda segundo Souza, a automação permite redução de despesas do consumo de energia elétrica, índice de perda de água, otimização dos quantitativos de insumo na produção de água, otimização e embasamento de ações de manutenção e geração de banco de dados em tempo real.

De acordo com dados apresentados por Eduardo Moreno, diretor da Vitaluz Ecoativa e diretor do Deinfra da Fiesp, 55% do consumo de energia para saneamento está no Sudeste. “O custo de energia elétrica é mais representativo para o setor de saneamento. 80% do consumo das empresas de saneamento está focado no bombeamento de água. As perdas de água representam hoje cerca de 38% no setor como um todo. Esse porcentual representa 5,2 bilhões de metros cúbicos de água, o equivalente a 3,4 terawatts-hora por ano”, contou.

Automação no sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário foi um dos temas debatidos. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

12º PRÊMIO DE CONSERVAÇÃO E REÚSO DE ÁGUA – CASES VENCEDORES

O Prêmio FIESP de Conservação e Reúso de Água objetiva conhecer, difundir e homenagear, anualmente, empresas que utilizam boas práticas na promoção do uso eficiente de água, com medidas efetivas na redução do consumo e do desperdício de água, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais e aumentando a competitividade do setor, bem como dar ampla publicidade às ações realizadas pela indústria paulista na construção do desenvolvimento sustentável.

Em 2017 foram 36 projetos inscritos para concorrerem ao Prêmio, nos links abaixo é possível conferir os projetos das empresas vencedoras.

Vencedora Grande Porte

Raízen Energia

Projeto: Programa Raízen para Conservação e Reuso de Águas

 

Vencedora Pequeno Porte

Laboratório Arenales

Projeto: Reuso de Água dos Destiladores

 

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Maior risco exige avaliação aprofundada, mostram na Fiesp especialistas em segurança hídrica

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Alexandre Gross, coordenador de projetos do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, participou do painel Adaptação às mudanças do clima e a segurança hídrica, durante o seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para sociedade, promovido nesta terça-feira (21 de março) pela Fiesp. Gross apresentou uma análise de custo-benefício de medidas de adaptação às mudanças climáticas no Brasil.

A análise mostrada foi de uma bacia hidrográfica, a de Piancó-Piranhas-Açu, no Nordeste. A estimativa para 2050 (não são dados reais, ressaltou Gross) é de perda anual de R$ 9 bilhões, mas somente R$ 2,8 bilhões são enxergados sem levar em conta os impactos climáticos. E 90% da perda recai sobre a indústria.

No estudo foram usados 42 cenários independentes, com a montagem de 3 cenários climáticos consensuais. O déficit acumulado, com base no passado, é de 120 m3 por segundo. Com o cenário árido, há mais que o dobro de déficit hídrico (133% a mais). O risco econômico, tradução do déficit hídrico, considerando o clima, quase dobra.

Agora é a fase de avaliação de medidas para responder aos riscos. Podem ser físicas, como construção de reservatórios, informacionais, comportamentais. No caso de indústrias, usou como exemplo, pode ser necessário considerar atividades com menor uso de água. O tema, na verdade, é risco climático e como lidar com ele, explicou. Para o setor hídrico, sempre houve risco, mas ele ficou pior.

Jerson Kelman, presidente da Sabesp, explicou medidas tomadas para reforçar a segurança hídrica no Estado de São Paulo, depois da seca de 2013/14 – que, afirmou, tinha probabilidade de 0,004%, ou seja, de acontecer 1 vez em 250 anos. A pergunta, segundo Kelman, é se a estrutura deve ser preparada para enfrentar a repetição do fenômeno. No Cantareira, a vazão média foi metade da pior situação anterior (10 m³ por segundo, contra 20m³ em 1953 e 40m³ em média normalmente). Decidiu-se pela interligação de sistemas e de mananciais, o que trouxe mais flexibilidade. E foram projetadas obras estruturantes. Quando tudo ficar pronto, disse, parte da estrutura ficará em stand-by, para ser usada quando necessário. São investimentos essenciais para segurança hídrica, afirmou.

Alexei Vivan, diretor-presidente da ABCE, Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica, defendeu postergar e evitar ao máximo os impactos da mudança climática. Há a necessidade de se preparar para algo que não se sabe exatamente quando e como vai ocorrer, disse.

Todo planejamento do SEB, explicou Vivan, é feito com base em séries históricas de cheias, secas, incidência de chuvas e de clima, com as séries estatísticas sendo usadas para planejar o futuro, mas há grande chance de que elas não se repitam devido à mudança climática, afetando a capacidade de pensar no futuro.

A produção brasileira de energia, lembrou, é vulnerável à alteração dos regimes hidrológicos provocada pela mudança climática. A hidroeletricidade responde por 61% da matriz energética do país. Uma primeira recomendação é ter grandes reservatórios para acumulação de água para geração de energia – o contrário da tendência atual, de reservatórios a fio d’água.

É importante lembrar, disse, que a indústria usa energia em seu processo produtivo. Deve pensar em uso de fontes de energia alternativas, novas fontes ou relocação de plantas industriais.

Frisou a importância das diretrizes de governança dos sistemas hídricos – por exemplo, para aumentar a capacidade de resposta das instituições diante de cenários futuros incertos e em mudança. Também afirmou que é importante manter a população informada.

Mario Leopoldo de Pino Neto, gerente de Sustentabilidade da Braskem, falou sobre a evolução do aprendizado na empresa sobre água e clima, preocupações desde sua fundação. O cenário do futuro, disse, é de acirramento da disputa por recursos hídricos entre residências, indústria e irrigação.

Com auxílio do GVCes, a Braskem criou plano de adaptação às mudanças climáticas e está implantando as iniciativas para os seis cenários que afetam a empresa.

Explicou o projeto Aquapolo, parceria da Odebrecht Ambiental com a Sabesp, que fornece, a partir de água de reúso tratada, 97% da demanda da Braskem no ABC, que fica com 60% de tudo que é produzido. E a qualidade é melhor do que a da água anteriormente captada de reservatórios ou fontes subterrâneas. Isso, mais a redução de afluentes e outras medidas, não é o bastante, disse Pino, porque fornecedores em área de risco hídrico e clientes podem afetar a empresa. Era preciso ir além, pensando no nível de bacia hidrográfica. Para reverter a previsão de cenário futuro é preciso integrar setor privado, governo e sociedade.

Pino mostrou ameaças e oportunidades, com cenários como a diminuição das perdas em São Paulo para os 15% considerados viáveis e a criação de mais aquapolos. Se nada for feito, o futuro (20 anos) é de água em falta, com o consumo ultrapassando a produção.

Painel sobre segurança hídrica durante seminário promovido pela Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Raízen Energia vence 12ª edição do Prêmio de Conservação e Reúso de Água, da Fiesp

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O Prêmio Fiesp Conservação e Reúso de Água, em sua 12ª edição, teve como vencedora na categoria Médio e Grande Porte a Raízen Energia, de Piracicaba, do agronegócio. Na categoria Micro e Pequeno Porte, a vencedora foi o Laboratório Veterinário Homeopático Fauna & Flora Arenales, de Presidente Prudente, com o projeto Reúso de água dos destiladores. O resultado foi anunciado nesta terça-feira (21 de março), na sede da Fiesp, durante o seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para a sociedade.

O prêmio homenageia as empresas que adotam medidas efetivas na redução do consumo e do desperdício de água.

Nelson Pereira dos Reis, diretor titular do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA), destacou que o compartilhamento das boas práticas das empresas é um grande objetivo do prêmio. Observamos ao longo do tempo que muitas delas são aproveitadas por outras empresas, afirmou.

A escolha dos vencedores, lembrou Reis, é feita por uma comissão independente, sem participação da Fiesp. Wanderley Paganini, da comissão julgadora, disse que o prêmio representa a ida ao chão da fábrica, ir da teoria à prática. “A sociedade ganha”, afirmou.

No total, foram inscritos 36 projetos industriais, sendo 31 de empresas de médio e grande porte e 5 de micro e pequeno porte, com investimentos da ordem de R$ 62 milhões e mais de 23,5 milhões de m³/ano. Com o prêmio, divulgam-se iniciativas das indústrias que apostam na redução do consumo e desperdício de água, o que leva a benefícios ambientais, econômicos e sociais, além de competitividade.

Nas 12 edições do prêmio, houve 234 projetos inscritos e 191 empresas participantes, o que gerou uma economia de cerca de 125 milhões de m3 de água por ano, em média. O resultado ocorreu graças a investimento de mais de R$ 580 milhões.

A Raízen Energia criou, para o início da safra 2015/16, o Programa ReduSa (REDução do Uso da Água). O investimento na área ambiental é anterior, com cerca de R$ 50 milhões em cinco anos destinados a ações para redução de captação/consumo, tais como fechamento de circuitos de água (fabricação de açúcar, resfriamento da fermentação e condensação de etanol, entre outros), instalações de torres de resfriamento, aproveitamento de condensado de vapor (água gerada no processo) em etapas do processo produtivo (filtro de torta, fermentação, embebição e instalação de limpeza de cana a seco), deixando de consumir água nesses processos com o devido aproveitamento do condensado gerado. Com foco em fontes externas (superficiais e profundas), os números obtidos nos dois primeiros anos de implantação do programa foram:

  • Redução de mais de 8 bilhões de litros em captação, equivalente ao consumo anual de uma cidade de 135 mil habitantes.
  • Redução de custo em cerca de R$ 13 milhões.
  • 26 mil funcionários impactados.

A empresa tem como foco reusar 100% do volume de água de cana-de-açúcar, evitando a captação de 0,7m3 por tonelada de cana, representando 46% de reúso frente à demanda de captação total. E também em retornar os condensados para as caldeiras, reutilizando 90% de volume total do valor gerado da Raízen.

Para José Orlando Ferreira, gerente de qualidade integrada da Raízen, “é um orgulho receber esse prêmio de uma entidade da importância da Fiesp e é o primeiro prêmio conquistado pela empresa na área de gestão hídrica. É a concretização de um trabalho fantástico que é o programa Reusa, que vem sendo cada vez mais estruturado. A sustentabilidade está no DNA da Raízen e na prática diária de seus 30 mil funcionários”.

Trata-se de uma qualidade essencial para uma empresa jovem, com cinco anos de vida. Apesar de o projeto Reusa ter sido desencadeado em todas as unidades, as que obtiveram melhor resultado, sendo inscritas no Prêmio, foram as plantas Gasa (Andradina) e da Serra (Ibaté), que já são benchmark dentro do próprio setor sucroenergético.

Com foco significativo em gestão e operação, obteve-se a motivação de funcionários e a devida otimização de ações voltadas à conservação e reúso de água com baixo nível de investimento, mas alto impacto em redução, captação e geração de efluentes. Em sua estratégia, ações de comunicação interna, além do treinamento para capacitação de equipes e de multiplicadores no time corporativo, resultando em um engajamento completo.

Ainda receberam menção honrosa as seguintes empresas na categoria Médio e Grande Porte:

Companhia Brasileira de Alumínio (Votorantim) (Alumínio) – do setor de metalurgia, com o projeto Gota d’água – conscientização e estratégias de gestão para redução do consumo específico de água.

Voith Paper Máquinas e Equipamentos – metal-mecânica (Jaraguá), com o projeto Iniciativas para economia de água.

Novelis do Brasil – metalurgia do alumínio e suas ligas (Pindamonhangaba) com Estratégia para conservação de recursos hídricos: otimização de processos industriais e melhorias de gestão para redução do consumo específico de água.

Libbs Farmacêutica – do setor farmacêutico (Embu), apresentou Reúso de água descartada.

Raízen Energia venceu o Prêmio Fiesp Conservação e Reúso de Água. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Raízen Energia venceu o Prêmio Fiesp Conservação e Reúso de Água. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Micro e pequenas

Na categoria Micro e Pequeno Porte, a vencedora, Laboratório Veterinário Homeopático Fauna & Flora Arenales com o projeto Reúso de água dos destiladores (Presidente Prudente). Em janeiro de 2016 foi implementado o sistema de reúso de água dos destiladores. Há dois deles que captam água corrente para produzir água destilada no setor onde são esterilizados os materiais utilizados. Por meio de um sistema de reutilização, o equipamento que necessita de 60 litros de água encanada para gerar um litro de água destilada, são reaproveitados 59 litros do líquido que agora é usado nas descargas. Com essa adaptação criativa, são aproveitados por mês cerca de 4.000 litros de água.

“Nós nunca poluímos”, frase de impacto, é de Maria do Carmo Arenales, diretora do Laboratório Veterinário Homeopático Fauna e Flora Arenales. Médica veterinária e agrônoma, foi surpreendida pela primeira colocação entre as micro e pequenas e agradeceu “as mentes que trabalham conosco”, dizendo ser “visceral essa conquista”. Em Presidente Prudente, base da empresa, “não há crise de água e energia, mas paga-se mais pelo líquido. O que temos é uma visão de futuro. A gente já fazia esse trabalho, não contamina, não polui, já abrimos a empresa assim. Trabalhamos de forma sustentável, contabilizando tudo dentro do laboratório, levando para o homem do campo a economia e o custo-benefício que se obtém e uma proposta de trabalho com valores que têm benefício reverso na balança”, afirmou.

De acordo com Arenales, dentro do laboratório se mensura o consumo de energia elétrica, e sua oscilação entre inverno e verão, e há a economia e reaproveitamento de água pluvial e de destiladores, especialmente para uso em sanitários, com investimento mínimo, uma bomba e uma caixa de água, além de encanamento apropriado, segundo explicou a diretora da empresa, que conta com 40 funcionários. Em Presidente Prudente, o fornecimento de água e energia elétrica tem valores mais elevados em comparação com a capital.

Ao reforçar que a quantidade de água utilizada na planta é insignificante, lembrou a importância da aferição na cadeia produtiva, mesmo em um produto de baixo impacto ambiental. “Nós nascemos para retirar o veneno do planeta”, enfatizou, e explicou que há um esforço na promoção de palestras contínuas para conscientização. Além de já ter obtido o selo verde da secretaria de meio ambiente e o Prêmio Sesi Qualidade no Trabalho (PSQT) na categoria de educação continuada, o laboratório realiza trabalhos junto ao Sesi-SP.

Ainda receberam menção honrosa as seguintes empresas na categoria Micro e Pequeno Porte:

FCL Serviços Automotivos – lavagem de veículos (capital), e seu projeto ecoLavapor – a verdadeira estética automotiva sustentável. Em 2015, o projeto ficou entre os 18 melhores Projetos Sustentáveis do prêmio Acelera Startup, da Fiesp.

Planeta Legal – lavagem a seco de frotas (capital) com a autolavagem ecológica sistema água zero delivery.

>> Ouça boletim sobre o Prêmio

Levantamento mostra conclusão de somente 32% das obras do PAC contratadas de 2007 a 2010

Agência Indusnet Fiesp

Levantamento feito pelo Deconcic com dados do Instituto Trata Brasil mapeia os atrasos e paralisações em empreendimentos contratados entre 2007 e 2010 no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No caso de obras de coleta e tratamento de esgoto, apenas 32% dos 183 contratos analisados haviam sido totalmente concluídos até 2015. Os demais projetos ainda estavam em andamento ou paralisados – ou nem sequer tiveram suas obras iniciadas. Na média, o ritmo de andamento físico das obras indicava um avanço de apenas 43% do total contratado. No caso dos empreendimentos em tratamento e distribuição de água, a pesquisa indicou que somente 41% dos empreendimentos contratados haviam sido totalmente concluídos até 2015. A fração das obras executadas era de 45% do total contratado (Gráfico 1).

 

Há também elevada proporção de empreendimentos paralisados, ou seja, de obras que foram contratadas e iniciadas, que consumiram recursos e que estavam paralisadas em 2015 (Gráfico 2). No caso de obras de coleta e tratamento de esgoto, 17% dos 183 projetos estavam paralisados em 2015. No caso de obras de tratamento e distribuição de água, o percentual era menor (11%), mas ainda elevado.

 

Os principais motivos de paralisações e atrasos nas obras, segundo a pesquisa, são a lentidão na liberação de recursos para o início das obras, contratações com base em projetos básicos inadequados, atrasos na concessão de licenças ambientais, dificuldades com processos licitatórios e orçamentos desatualizados. Não parece haver falta de recursos para o investimento, mas sim dificuldades operacionais e burocráticas para o bom andamento das obras. Essas são questões que retardam os ganhos de bem-estar oriundos dos investimentos em saneamento e que poderiam ser trabalhadas de maneira independente dos problemas associados à disponibilidade de fundos e de condições de crédito para o investimento.

A lentidão na conclusão dos empreendimentos e as paralisações das obras, independentemente das responsabilidades, retardam o ritmo de desenvolvimento urbano do país. Essas questões serão apresentadas nos painéis do 12º ConstruBusiness – Congresso Brasileiro da Construção, que reunirá representantes da iniciativa privada, autoridades públicas e especialistas para debater sobre os diagnósticos, projeções, diretrizes e propostas para o aprimoramento do ambiente de negócios e o aumento da competitividade. O evento será realizado no próximo dia 5 de dezembro, às 8h30, na Fiesp.

Sobre a pesquisa

O levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil apresentou o balanço de 340 empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área de saneamento, sendo 157 em tratamento e distribuição de água e 183 em coleta e tratamento de esgoto. O estudo – baseado em dados do Ministério das Cidades, da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – traz informações do andamento da totalidade das obras em cidades com mais de 500 mil habitantes desde 2009 e um acompanhamento detalhado do andamento físico das obras no conjunto dos empreendimentos contratados entre 2007 e 2010.

Inscrições abertas para a 12ª edição do Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso de Água

Agência Indusnet Fiesp

Estão abertas as inscrições para a 12ª edição do Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso de Água. A iniciativa é uma forma de divulgar as iniciativas das empresas industriais. As empresas que apostam na redução do consumo e desperdício de água geram benefícios ambientais, econômicos e sociais, aumentando também sua competitividade.

O incentivo vem por meio de premiações, com troféus, placas de menção honrosa e certificados de participação. Outro ponto positivo do prêmio é que ele se torna um indicador ambiental ao compor acervo de cases no Estado de São Paulo, que são reconhecidos e divulgados.

O prêmio tem duas categorias: micro e pequeno porte e médio e grande porte. A solenidade de premiação será realizada em março de 2017, em comemoração ao Dia Mundial da Água, e as inscrições são gratuitas.

O projeto deve levar em conta a sua importância e dimensão em termos de conservação de água; ações, programas ou campanhas de sensibilização de funcionários; ações de monitoramento da qualidade e quantidade de água e/ou do efluente, que demonstrem os resultados obtidos.

SERVIÇO

Data-limite para inscrição eletrônica: até 20/1/2017, na página da Fiesp: http://www.fiesp.com.br/premioagua

Envio dos projetos: até 27 de janeiro de 2017

Solenidade de premiação: março de 2017

Mais informações: 3549-4366 e

http://www.fiesp.com.br/agenda/12o-premio-conservacao-e-reuso-da-agua/

Propostas de saneamento básico enviadas a prefeitos e candidatos são apresentadas na Fiesp

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

Atenta às eleições municipais e preocupada com as soluções para os gargalos do saneamento básico em São Paulo, a Fiesp realizou na manhã desta terça-feira (30/8), o workshop “Eleições Municipais: propostas para o saneamento”, com o intuito de compilar as sugestões e, eventualmente, encaminhá-las aos prefeitos do Estado e até aos parlamentares em Brasília.

O evento teve a participação de Aparecido Hojaij, presidente da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), que falou sobre algumas das propostas que a associação sugeriu aos prefeitos. Segundo o presidente, é necessário assegurar a implementação dos planos municipais de saneamento básico e dos planos municipais de gestão integrada de resíduos sólidos, delimitando as estratégias e diretrizes de cada município brasileiro. “Esse planejamento é fundamental para encontrar soluções locais e, sobretudo, alcançar a efetividade na prestação dos serviços públicos de saneamento básico”, afirmou.

Instituição de órgãos colegiados no controle social, gestão de tarifas, implantação de sistema de gestão de qualidade, investimentos permanentes de pelo menos 25% da receita do serviço de saneamento, regulação realizada por agência municipal, conselhos ou consórcios de regulação e criação de consórcios públicos de prestação de serviços de saneamento ou de apoio à gestão foram algumas das propostas feitas pela Assemae. “Nosso alerta é que o acesso ao saneamento básico é um direito inalienável de qualquer cidadão e, por esse motivo, não deve ser pensado como mercadoria”, completou Hojaij.

A Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) foi representada por Ubiratan Pereira da Silva, seu secretário executivo, que também apresentou a agenda propositiva da associação aos candidatos. Assim como a Assemae, a Aesbe defende a elaboração dos planos municipais de saneamento, regulação e investimentos no setor. Além disso, outros pontos foram expostos pelo secretário. “Nossa sugestão é que também haja aprimoramento dos contratos de programa, que seja escolhido um único ministério para ser o responsável pelo desenvolvimento do saneamento, o qual deva centralizar e gerir os recursos para o setor, que tenha infraestrutura de saneamento para conjuntos habitacionais e promoção de subsídio para as tarifas sociais de água e de esgoto”, afirmou. Segundo o secretário, só com planejamento e diretrizes o setor pode avançar de maneira universal.

Dilma Pena, consultora em saneamento básico, também esteve presente no evento e ressaltou que o setor vive um desafio ambiental, social e econômico. “Temos que ter a consciência que nós temos um passivo e que a causa disso é a própria história do desenvolvimento do país e de equívocos feitos por razões quase sempre político-eleitorais”, disse. Dilma explicou que nos últimos oito anos o Brasil teve abundância de recurso para investir no setor. No entanto, foi como se o setor se resumisse a implantar obras e muitas vezes sem projetos decentes, resultando em desperdício. Segundo ela, qualquer prefeito tem que saber se todos as casas da cidade que ele vai administrar têm conexão à rede pública de água.

“Temos que ter córregos e rios saudáveis”, afirmou. “Se quisermos melhorar as condições, temos que buscar recuperar esse patrimônio natural para a convivência e para um processo urbano adequado. Tratamento de esgoto é fundamental. Os desafios no setor não serão atingidos se não tiver prestadores de serviços eficientes, seja público ou privado”, disse.

O workshop foi realizado na sede da Fiesp com a mediação de Édison Carlos, diretor da divisão de saneamento básico da entidade, e também contou com a participação de Paulo Miotta, coordenador de projetos e relações institucionais da Frente Nacional de Prefeitos (FNP).

Workshop sobre saneamento urbano realizado na Fiesp reuniu propostas para os municípios. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Crise hídrica NÃO acabou, mostra seminário realizado na Fiesp

Solange Sólon Borges e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O tema “Gestão da água: a crise NÃO acabou” foi escolhido para o evento anual que a Fiesp e o Ciesp realizam em comemoração ao Dia Mundial da Água, 22 de março, a fim de debater as lições aprendidas com a crise hídrica. Nelson Pereira dos Reis, diretor titular do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp, enfatizou na abertura do evento que “é preciso avaliar os desafios a serem enfrentados no planejamento de médio e longo prazo”. O seminário da Fiesp e do Ciesp foi realizado nesta quarta-feira, 23.

Para Reis, há reconhecimento quanto à existência de um avançado sistema de gerenciamento de recursos hídricos, com colegiados deliberativos, inclusive com instrumento econômico para a promoção do uso racional e eficiente da água que é a cobrança pelo seu uso. Mas ressaltou que, durante o auge da crise hídrica de 2014/2015, houve falta de coordenação e de maior envolvimento dos comitês de bacias e do Conselho Estadual nas discussões emergenciais a serem adotadas. O Comitê PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), porém, discutiu intensamente a gestão da água e as regras de restrição para os usuários, o que não aconteceu em outras bacias hidrográficas, como a do Alto Tietê e menos ainda no Conselho Estadual, em sua opinião.

O diretor de Meio Ambiente criticou o fato de ter sido criado um comitê de crise de forma independente do sistema estadual, ignorando a existência deste com a função de ser fórum de debates legalmente constituído. Outro fato relevante é que sequer foi dado conhecimento ao Conselho Estadual do Plano de Contingência, desconsiderando a necessária discussão que se impunha de amplo debate com a sociedade e a devida compatibilização com o Plano Estadual de Recursos Hídricos a fim de pautar as ações e os investimentos na gestão. Reis frisou acreditar na gestão participativa, integrada e descentralizada dos recursos hídricos, o que exige profunda reflexão sobre o sistema e seu papel.

“Podemos sair fortalecidos da crise, mas é preciso encarar os desafios e encontrar soluções que atendam as demandas da sociedade de forma equilibrada”, disse, ao lembrar o forte empenho da indústria nos últimos dez anos a fim de reduzir a dependência desse insumo com foco no reúso, redução do consumo e aproveitamento da água de chuva. Mesmo assim, houve o registro de indústrias que foram obrigadas a paralisar suas atividades temporariamente, amargando prejuízos econômicos e sociais pela falta de água, sinalizou Reis.

Para finalizar, Nelson Pereira dos Reis reportou a iniciativa bem sucedida da Fiesp e do Ciesp com a campanha Água na Medida, com a distribuição de 1,5 milhão de kits redutores de vazão em todo o Estado de São Paulo, que somam, com 4 redutores em cada kit, 6 milhões de unidades. Os redutores permitem economia de até 50% no ponto instalado. Foram atendidos a população, de modo geral, escolas, hospitais, prefeituras e corporações como o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, entre outros.
>> Ouça boletim sobre a crise hídrica

Celso Monteiro de Carvalho, vice-presidente do Conselho de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), defendeu que a cobrança de água seja feita efetivamente pelo que foi consumido. Atualmente, a cobrança é realizada como se houvesse o consumo de 10 metros cúbicos, mesmo que o uso seja mais baixo. Isso, disse Carvalho, estimula o desperdício. A cobrança pelo que foi efetivamente consumido eliminaria a cultura do desperdício.

Seminário Gestão da água: a crise NÃO acabou, realizado por Fiesp e Ciesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Água sem transparência

Sandra Akemi Shimada Kishi, procuradora regional da República, gerente do projeto Qualidade da Água, do Ministério Público Federal, listou 20 motivos que comprovam que a crise NÃO acabou. Destacou a falta de transparência, disse que não houve construção de cenários para cada uma das propostas de novas outorgas, para cada faixa. Também não há definição da vazão mínima dos corpos d’água para garantir qualidade nem relatórios de redução de perdas de água e propostas de seu equacionamento. Não há planos de segurança da água e demais medidas de contingência.

Em sua opinião, o comitê de bacia hidrográfica deveria ser paritário, com representação para permitir o controle social. Sem acesso à informação não haverá participação nem controle social, disse Sandra, que defendeu a criação de agenda e real engajamento para que haja diálogos inclusivos da sociedade civil na gestão hídrica e ambiental.

Marussia Whately, da Aliança pela Água, entidade criada em 2014 para propor soluções para a segurança hídrica em São Paulo, disse que o aprendizado tirado da crise inclui saber que a estiagem de 2014/15 foi momento agudo, mas a crise é estrutural, por fatores como a desarticulação de políticas públicas. Ao não se preparar para emergência há o risco de adotar ações que possam piorar a situação no futuro, alertou.

Marussia disse que uma dúvida não respondida é quais seriam os níveis seguros de operação das represas e defendeu que haja indicadores para sociedade avaliar a situação hídrica.

Considera importante analisar a transposição de bacias. Foco na busca de mais água não considera como tratar essa água, afirmou. Só investir no aumento da oferta de água não é a solução, mostra a experiência na Califórnia e na Austrália. Também é necessário promover a redução de consumo, em equipamentos, por exemplo.

Reúso de água como instrumento de gestão

No segundo painel do seminário, o foco dos convidados foi o reúso de água como instrumento de gestão. Américo Sampaio – coordenador de Saneamento do Estado de São Paulo –, deu destaque a dois aspectos. Um deles, o tecnológico, com ênfase no desenvolvimento, aprimoramento, técnica de tratamento de efluentes, no que, em sua análise, “estamos bem”, e citou a importância de membranas de nanotecnologia e osmose reversa. Outro aspecto é o arcabouço legal e normativo, com suas leis e normas a fim de disciplinar a prática de reúso, o que é fundamental, em sua opinião, “mas estamos mal”, no Brasil.

Sampaio citou que, após dez anos de discussão, foi promulgada a primeira Resolução [conjunta da Secretaria de Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Saúde] que disciplina a prática de reúso de água não potável no Estado de São Paulo para fins urbanos, ou seja, limpeza de logradouros, jardins e parques, combate a incêndio e limpeza de tubulações.

O problema é que “hoje opta-se pela gestão da oferta e não da demanda”, avaliou, indicando a falta de compatibilização diante de um consumo diário per capita de 238 litros/habitante.

“Na última década do século 19 e primeira do século 20, a população de São Paulo cresceu 70 vezes”, dimensionando o tamanho da crise em busca de água.

Ele citou como exemplo iniciativas tomadas em Nova York, como a da década de 1990 em que foram trocados um milhão e 300 vasos sanitários. Antes, os vasos gastavam 30 litros de água, hoje são 6 litros e se caminha para 4 litros por descarga.

De acordo com Sampaio, para se ter uma ideia, no projeto de São Lourenço, estão sendo gastos R$ 2,2 bilhões. Se fosse trocado um milhão e meio de vasos sanitários, aproximadamente, o custo seria da ordem de R$ 447 milhões, ou R$ 248,00 per capita por habitante. Ou seja, a troca significaria 20% do investimento requerido para a implantação do São Lourenço.

Uma outra opção é o desenvolvimento tecnológico de micro, ultra e nano membranas, que oferecem qualidade superior de água que a obtida pela osmose reversa. A informação é de Ivanildo Hespanhol, diretor-presidente do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra) da Universidade de São Paulo (USP). “O Brasil não fabrica membranas de ultrafiltração”, pontuou, ao tratar desse e de outros sistemas avançados de tratamento.

“Hoje se fala muito no Brasil em saneamento básico, água, esgoto e resíduos sólidos, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) ampliou muito isso e incluiu controle de vetores transmissores de doenças, habitação insalubre, poluição atmosférica e segurança”, informou Hespanhol. Não se sabe, disse, o quanto das doenças atuais têm relação com a falta de saneamento.  Londres limpou o rio Tâmisa, Paris limpou o Sena no início do século 19, e São Paulo tem o mesmo nível econômico do que elas. “Não podemos mais tolerar isto.”

O seminário trouxe cases industriais, como o da Aquapolo e da Ecolab.

Marcos Asseburg, diretor-presidente da Aquapolo, sociedade de propósito específico entre a Odebrecht Ambiental e a Sabesp, criado em 2009, em operação desde 2012, atendendo especialmente o Pólo Petroquímico de Capuava, divisa de São Paulo e Mauá.

Trabalha-se a partir do esgoto doméstico já tratado, mas se faz novo tratamento. “É diferente de um reúso feito de modo interno exclusivamente na planta da indústria”, explicou Asseburg, “e não houve restrição ou desabastecimento em nenhum momento com a crise hídrica”. Ele questionou “por que não existem outros projetos assim?”, pois se trata de uma solução inovadora, e frisou que é difícil pensar durante uma crise.

O diretor do Aquapolo criticou a falta de incentivos fiscais e de políticas públicas. ICMS, PIS, Cofins incidem na água de reúso que tributariamente é tratada como água potável. Ele citou a necessidade de mais subsídios e linhas de financiamento para novos projetos. Mas lembrou que há um PLS n. 12/2014, em andamento, para a redução da carga tributária.

A água impacta o coração da empresa, e poderá afetar, inclusive, seu crescimento e lucratividade. A avaliação foi feita por Luis Gustavo Esteves Pereira, vice-presidente e gerente geral da ECOLAB, voltada à tecnologia e serviços para água, higiene e energia.

Para ele, “água é risco. E como lidar com esse risco?”. A falta de água leva ao aumento de custos, do custo do seguro, mas é preciso considerar ainda riscos reputacionais que podem ocorrer diante da falta do recurso. “A água é desvalorizada mundialmente”, concluiu, e há desconexão entre o preço do mercado e o risco e impacta na tomada de decisão de se instalar fábricas em uma dada região ou em outra.

Também houve a contribuição da Agência da Bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). Constituída por 3 bacias hidrográficas, inclui 69 municípios, 5,5 milhões de habitantes e representa quase 5% do PIB nacional com demanda de 39 m³/s e disponibilidade de 38 m³/s, aproximadamente, de acordo com dados de 2014.

Os dados trazidos por Sérgio Razera, presidente da Bacia PCJ, referendam sua afirmação que a gestão deve contemplar três pilares: oferta, demanda e qualidade. De acordo com ele, o solo é uma grande caixa de água e reserva, e é preciso saber explorar isto com equilíbrio. Em sua avaliação, é preciso caminhar para um plano diretor de reúso.

“Neste país é difícil fazer gestão de recursos hídricos porque é recente a lei que criou o sistema e há dificuldade de obtenção de informações”, disse, concordando que a crise não acabou e nem deve acabar porque “isto nos ajuda a aprimorar o planejamento”.

Senai-SP lança aplicativo para ajudar no controle da conta de água

Isabela Barros 

Vai ficar mais fácil controlar a conta de água. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) lança, na Feira do Empreendedor 2016, entre os dias 20 e 23 de fevereiro, o aplicativo Conta Gotas. Voltado para o sistema android, o serviço estará disponível a todos e poderá ser testado no estande do Senai-SP no evento, a ser realizado no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na capital paulista.

O Conta Gotas foi desenvolvido pelos alunos dos cursos de Informática do Senai-SP e ajuda no controle do consumo mensal de água a partir de leituras realizadas no hidrômetro ao longo do mês pelo usuário, isso em comparação com a média estabelecida pela Sabesp.

O sistema oferece ainda dicas de economia de água em casa, gráficos de consumo e até o link para o telefone da Sabesp, empresa responsável pelo abastecimento no estado, entre outros recursos.

O download do aplicativo poderá ser feito a partir de 20 de fevereiro por meio da Play Store existente nos dispositivos android.

A Fiesp e o Ciesp incentivam o uso responsável da água. Conheça a iniciativa Água na Medida, que ajuda a combater o desperdício e mostra as ações da indústria paulista para economizar água.

Serviço

Lançamento do aplicativo Conta Gotas

Local: Estande do Senai-SP na Feira do Empreendedor, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo

Quando: De 20 a 23 de fevereiro, das 10h às 21h

http://feiradoempreendedor.sebraesp.com.br/

 

Fiesp distribui redutores de vazão na 17ª Feira Internacional de Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Duas das maiores feiras do setor ambiental, a Fimai, maior e mais importante da América Latina, e a Ecomondo, terceira maior na Europa, uniram-se para organizar a 17ª edição da Feira Internacional de Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade. Expositores apresentaram soluções para a indústria minimizar impactos ambientais, contemplando tecnologias sustentáveis de racionalização do uso da água, da energia e, ao mesmo tempo, reduzindo o custo de produção.

A Fiesp contou com stand na feira. Uma das ações da entidade foi a continuidade da campanha Água na Medida, com a distribuição de mais de mil kits compostos por quatro redutores de vazão de ½ polegada. O redutor plástico pode reduzir, no ponto instalado, em até 50% a vazão de uma torneira ou chuveiro, contribuindo de forma efetiva para minimizar o impacto da crise hídrica em residências, condomínios, prédios comerciais e industriais e escolas. Para demonstração junto ao público da Feira, em exposição o tanque que mostra o consumo de água com e sem redutor, que foi desenvolvido pelos alunos do Senai Mario Amato. Apoiada pela Fiesp, a campanha “Não Vou Pagar o Pato” – contra a criação de mais impostos – foi bem recebida pelo público.

Outra ação foi a distribuição de mais de 500 guias técnicos da Fiesp (Licenciamento Ambiental, Áreas Contaminadas e Produção e Consumo Sustentável)

Consumo da indústria

Ao menos 65% da indústria reutiliza a água em seus processos produtivos, segundo o Departamento de Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp. A conscientização e o incentivo a essa boa prática levaram a indústria, desde 2002, a reduzir em 47% a água utilizada na região de Campinas, tendo como base os volumes autorizados de uso de água superficial e subterrânea publicados no Relatório de Situação do Comitê de Bacias Hidrográficas Piracicaba, Capivari, Jundiaí (PCJ). Este é um bom exemplo.

Para o diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp, Nelson Pereira dos Reis, “com o trabalho intenso de uso eficiente da água que tem sido feito, a indústria reduz cada vez mais a sua demanda e também os impactos provenientes da atual crise”.

Crise Hídrica e a Sustentabilidade do Uso da Água

 

No dia 04 de agosto de 2015 foi realizada a Mesa de Debates sobre o tema “Crise Hídrica e a Sustentabilidade do Uso da Água”, do Grupo de Estudos de Direito Ambiental da Fiesp/Ciesp,que contou com a participação dos seguintes expositores: Professor Dr. Édis Milaré, sócio-gerente e consultor em Direito Ambiental de Milaré Advogados e do Desembargador, Dr. Ricardo Cintra Torres de Carvalho, da 1ª Câmara Reservada ao Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo.

 

Professor Dr. Édis Milaré, clique aqui.

Fiesp realiza encontros sobre crise hídrica e reúso

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) promove nesta terça-feira, 4 de agosto, das 9h às 12h, debate sobre as causas do problema hídrico em São Paulo. Outros temas são a outorga para captação de água subterrânea, restrição do direito de uso de água e a necessidade de adoção de melhores práticas de consumo voltadas à sustentabilidade.

A renovação da outorga do Sistema Cantareira também integrará esse encontro com foco jurídico, com a participação de Ricardo Cintra Torres de Carvalho, desembargador da 1ª Câmara de Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo, e Édis Milaré, especialista em Direito Ambiental.

Outros pontos que serão abordados: influência das mudanças climáticas na escassez de água, áreas de preservação permanente em áreas urbanas e seu impacto na escassez hídrica, matriz energética, fontes e seus impactos ambientais e melhores práticas voltadas à sustentabilidade hídrica.

Experiência de Israel

No dia 5, quarta-feira, das 10h às 11h30, a Missão Econômica de Israel em São Paulo apresenta na Fiesp sua experiência na gestão eficiente de recursos hídricos.

A delegação, composta por especialistas, apresentará soluções inovadoras como tecnologias voltadas à dessalinização, tratamento de efluentes e reúso, entre outros projetos classificados entre os 30 melhores do mundo pela Organização das Nações Unidas. Os participantes poderão esclarecer dúvidas e realizar consultas sobre a aplicação das tecnologias apresentadas.

SERVIÇO

Crise Hídrica e Sustentabilidade do Uso da Água

Data e horário: 4 de agosto das 9h às 12h

Local: avenida Paulista, 1313, 4º andar

Experiência de Israel na gestão eficiente de recursos hídricos

Data e horário: 5 de agosto das 10h às 11h30

Local: avenida Paulista, 1313, 10º andar

Especialistas em saneamento criticam má gestão e falta de planejamento no setor

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A crise da água foi anunciada e é urgente um choque de gestão e planejamento, pois os obstáculos são vencidos com vontade política e determinação, mas sem a criação de novas tarifas e impostos. Com esta observação, Nádia Paterno, diretora da divisão de saneamento básico do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), abriu os trabalhos do Workshop de Saneamento Básico: soluções para a crise hídrica do Estado de São Paulo, realizado nesta quarta-feira, 22/7.

A crise é inédita e gravíssima e está apenas na metade, sinalizou Alceu Guérios Bittencourt, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental de São Paulo (Abes). “Não sabemos como ela irá evoluir, mas foram feitas algumas ações para o seu enfrentamento”, disse, citando o controle de pressão – que não havia sido usado antes -, a flexibilidade entre os sistemas, a ampliação de fontes de água bruta e o uso do volume morto da Cantareira.

“É preciso refazer o planejamento à luz de novos dados”, avaliou, sugerindo soluções combinadas, o uso de águas superficiais, melhor controle das águas subterrâneas, a revisão de outorgas individuais, além de novas modelagens com soluções combinadas, como o reúso.

“O país esqueceu de planejar”, criticou Newton de Lima Azevedo, um dos governadores do Conselho Mundial de Água. Há um “acordar bacana”, justificou, ao afirmar que sempre fomos educados que existe água em abundância e jamais pensaríamos em uma crise dessa magnitude.

“Nós conseguimos controlar o incêndio, mas não equacioná-lo. Haverá novos incêndios”, uma metáfora utilizada por Azevedo que apontou alternativas, como o reúso e a dessanilização da água, que depende de tecnologia. “Tudo isto não é novidade, mas não estava no cardápio e é preciso sair do prato feito e da água oferecida por São Pedro”. Outra saída é a parceria público privada (PPP) a fim de trazer os recursos privados para projetos, mas é preciso garantir segurança.

Workshop sobre saneamento básico na Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

“A sociedade não tem ideia do custo da água”, disse, e citou os investimentos necessários para a universalização da oferta até 2033: R$ 20 bilhões/ano. Em 2014, foram investidos R$ 9 bilhões, no Brasil, menos da metade do necessário. Das 26 empresas estaduais, 20 têm receita menor do que as suas necessidades operacionais. Portanto, há uma grande equação a ser resolvida, na conclusão de Azevedo: “tem muita gente onde não tem água e muita água onde não tem gente”.

O último participante, Jerson Kelman, presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), criticou a estrutura tarifária antiga, herdada da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp). “Não faz sentido a tarifa de esgoto ser diferente da aplicada à água, por exemplo. Não tem sentido as prefeituras pagaram caro e ficarem inadimplentes. É preciso repactuar a tarifa com os usuários. Está na hora”.

Kelman enfatizou o incremento do reúso de água para a agricultura, a indústria e o consumo humano, em parceria com o projeto Aquapolo Ambiental. Para o presidente da Sabesp, a crise hídrica tinha “baixíssima” possibilidade de ocorrer, mas Nádia Paterno, do Deinfra, lembrou que já tinha havido alertas sobre a necessidade de reforço do sistema. “Há todo um histórico de projetos que mostravam a necessidade de obras de expansão que não foram feitas”, disse Nádia.

Kelman reforçou que não vê necessidade de rodízio em 2015 após ações como a utilização de reservas técnicas, transferência de água entre os sistemas e o bônus dado a quem conseguiu economizar em sua conta, além da diminuição da pressão nas tubulações. Outras ações citadas foram as obras sendo concluídas, como o Sistema São Lourenço e a conexão Jaguari e Atibainha (ainda em fase de licitação).

Kelman frisou que a água também está mais cara porque é buscada cada vez mais longe. Ele também defendeu a associação com a iniciativa privada e, questionado, negou que ocorram grandes perdas no sistema: “estão entre 28% e 29% as perdas totais (físicas e comerciais, como roubos e fraudes). A redução dessa perda é de 1% ao ano, índice igual ao do Japão”.

De 100 cidades brasileiras, 42 registram perdas de 45% no abastecimento de água, diz especialista

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

Um estudo do instituto Trata Brasil apurou que das 100 maiores cidades brasileiras, 42 registraram perdas superiores a 45% no abastecimento e distribuição de água, enquanto 10 anotaram perdas de até 25%. As informações foram apresentadas pelo presidente da organização, Edison Carlos, durante workshop “Redução das Perdas na Rede de Distribuição de Água”, organizado nesta quarta-feira (24/6) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“O problema é histórico, os indicadores mostram que as perdas são altas no país. Esta sensação de abundância de água ajudava a gente não se preocupar com isso. As empresas tocando seu dia a dia, a população nem pensando sobre isso, assim como formadores de opinião, imprensa”, avaliou Edison Carlos durante o debate.

De acordo com dados do Ministério das Cidades, de 2004 a 2013, as perdas no abastecimento de água no Brasil desaceleram apenas 8,7% em 10 anos. “Passamos do patamar de 45,6% de perdas para 36,9%. Isso significa que progredimos menos de um ponto percentual ao ano nesse período”, esclareceu Carlos.  São consideradas perdas no abastecimento de água fraudes, vazamentos e fornecimentos não registrados a determinados órgãos públicos.

“Historicamente falando, os números são decepcionantes, mas não podemos pensar no passado se quisermos projetar o futuro”, afirmou.

Ainda segundo Carlos, em 2013, as perdas nas cidades representaram 330 milhões metros cúbicos de água, em um custo aproximado de R$ 258 milhões ao ano, o que representou 11% dos investimentos nos serviços de abastecimento destes municípios.

Ao abrir o workshop, Eduardo Moreno, diretor da Divisão de Saneamento Básico do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, lembrou que, a grave crise hídrica e energética pela qual o país passa se configura num momento ideal para discutir o tema.

“Estamos vivendo um momento ímpar, apesar de todo o problema do país, este é um grande momento para discutirmos o assunto, desenvolvermos tecnologias e implantá-las”, disse Moreno.

Para melhorar o cenário de perdas no abastecimento de água no Brasil, é preciso que o cálculo do que é efetivamente consumido no sistema também seja aperfeiçoado e padronizado. “Olhando a série histórica, fica claro que esse é indicador estava esquecido. Houve pouco avanço, se analisarmos os últimos anos”,

Departamento de Infraestrutura da Fiesp promove debate sobre perdas no abastecimento de água no Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Exemplo asiático

Representante da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), que atua em mais de 150 países com cooperação técnica e financeira, Taku Ishimaru apresentou o exemplo do Camboja, país no sudeste asiático que superou a crise hídrica provocada pela guerra civil.

Com fim da guerra, a infraestrutura local estava “totalmente destroçada”, lembrou Ishimaru. Houve, então, o início da elaboração de um plano diretor em duas etapas e, ao mesmo tempo, um projeto de formação profissional, com parcerias com as prefeituras, uma vez que “a distribuição de água estava quase 100% nas mãos do setor público”.

Segundo ele, as perdas no abastecimento de água no Camboja superavam os 70%. “E agora desfrutamos com 8%, o que foi chamado de Milagre de Phnom Penh”, contou.

Ishimaru acrescentou que houve uma campanha de investimentos em infraestrutura no país, aliado a programas junto à comunidade e com a colaboração internacional.

“Então não foi milagre. Com apoio internacional veio nova estrutura, nova filosofia e profissionais treinados. Para reduzir perdas, não há remédio para melhorar de forma imediata. É um desafio que precisa de esforços contínuos de todas as áreas, para o mesmo objetivo”, concluiu.

Fiesp entra com ação contra Sabesp e Arsesp pelo aumento abusivo da água

Agência Indusnet Fiesp,

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) entrou hoje com mandado de segurança, com pedido de medida liminar, contra a Sabesp(Companhia de Saneamento Básico do Estado de SP) e Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) em razão do aumento da conta de água em vigor e que terá repercussão nas contas que estão chegando aos consumidores.

Segundo o presidente da entidade, Paulo Skaf, a Sabesp e o governo do estado deixaram de fazer obras nos últimos dez anos. “A sociedade não pode pagar o pato pela falta de água. Além do sacrifício pela falta de água, ela ainda tem que pagar preços absurdos por causa das falhas do governo do Estado e da Sabesp”, afirmou.

O aumento médio de 15% contempla 7,78% de reajuste anual, mais 6,91% referentes à revisão tarifária extraordinária. A Fiesp entende que este último índice é abusivo, pois decorre de um pedido de recomposição dos prejuízos da Sabesp por questões de mercado.

A Federação já havia se manifestado contrariamente aos resultados da Revisão Tarifária Extraordinária da Sabesp, em Consulta Pública, aberta pela Arsesp, em função da justificativa de redução da demanda.

A Sabesp não realizou os investimentos necessários para permitir novas captações de água, o que afetou a regularidade do abastecimento ao mesmo tempo que os consumidores foram estimulados a diminuir o consumo.

A Fiesp entende não ser justa essa cobrança adicional, devendo a concessionária arcar com o risco do negócio.