Fiesp acompanha evolução do déficit de saneamento básico

Agência Indusnet Fiesp

O Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic) passa a monitorar o déficit do saneamento básico no Brasil. Este primeiro levantamento mostra que o problema é expressivo e demanda a execução de obras. Ainda há no país (dados de 2015) 12,7 milhões de moradias sem acesso à água tratada, o que correspondente a 18,7% das habitações permanentes do país. O déficit de coleta de esgoto alcançou 35,2 milhões de domicílios no mesmo ano, quase 52% das moradias brasileiras.

O atraso relativo do saneamento no Brasil é um problema histórico. Em 1950, apenas uma em cada três moradias estava ligada à rede geral de coleta de esgoto ou à rede pluvial. Isso significa dizer que apenas 1/3 da população tinha o esgoto afastado de seu local de residência. Do esgoto coletado, menos de 5% recebia algum tratamento antes do despejo no meio ambiente.

Nas últimas décadas, a situação melhorou, mas o ritmo de crescimento foi muito lento, e os desafios ainda são gigantescos. Em 2015, o número de domicílios ligados à rede geral de coleta de esgoto alcançou 32,8 milhões, e o de moradias com água tratada chegou a 55,3 milhões, segundo dados do Sistema Nacional de Informações do Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades.

Tabela 1. Saneamento no Brasil, moradias com e sem acesso aos serviços, 2015

Moradias sem água e sem esgoto no Brasil


Fonte: Sistema Nacional de Informações do Saneamento (SNIS), Ministério das Cidades e IBGE.

Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.


Falta de tratamento

Os dados de 2015 mostram que 57,7% do esgoto coletado foi tratado antes do descarte no meio ambiente e somente 48,2% das moradias tinham acesso aos serviços de coleta de esgoto. A partir desses números, estima-se que apenas 27,8% da água distribuída nas residências recebia tratamento antes do descarte no meio ambiente. Esses dados revelam carência de saneamento no país, o que compromete a saúde, a produtividade e o meio ambiente, com reflexos sobre a renda e a qualidade de vida no país, como indicou recente estudo do Instituto Trata Brasil sobre os benefícios do saneamento no país (Benefícios econômicos da expansão do saneamento brasileiro: qualidade de vida, produtividade, educação e valorização ambiental. São Paulo: Instituto Trata Brasil, 2014).

Tabela 2. Déficit de tratamento de esgoto, 2015

Tabela do déficit de tratamento de esgoto no Brasil


Fonte: Sistema Nacional de Informações do Saneamento (SNIS), Ministério das Cidades e IBGE.

Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.


Avanço aquém do possível

Os dados do SNIS indicam aportes médios anuais realizados pelas empresas públicas e privadas em tratamento e distribuição de água de R$ 11,504 bilhões entre 2010 e 2015. Nesse período, os investimentos em coleta e tratamento de esgoto totalizaram R$ 5,924 bilhões em média, e os investimentos em outros desenvolvimentos, R$ 819 milhões por ano. Assim, o volume médio de investimentos foi de R$ 18,247 bilhões. Esses dados indicam que o custo de capital do acesso à água tratada está em R$ 8.518,91 por moradia e do acesso aos serviços de coleta e tratamento de esgoto, em R$ 5.443,83 por moradia.

Os investimentos possibilitaram a ampliação do número de moradias com acesso ao saneamento. Comparados com as estatísticas de 2010, os números do SNIS 2015 revelam avanços expressivos: a taxa média de crescimento do número de moradias com coleta de esgoto foi de 4,5% ao ano, e a de famílias com acesso à agua tratada, de 3,2% ao ano. Apesar de elevadas, essas taxas poderiam ter sido maiores caso não houvesse tantas obras paralisadas ou em atraso na área de saneamento, como apontou outro estudo do Instituto Trata Brasil.

Grande SP terá maior oferta de água tratada em 2010

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Dilma Pena, Secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo

O Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), se reuniu nesta terça-feira (13) para debater projetos e programas do governo paulista para a recuperação e utilização sustentável da água.

O tema foi tratado pela Secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, Dilma Pena, que expôs ações em andamento de sua pasta.

“O Estado de São Paulo tem uma escassez hídrica, especialmente na macrometrópole, devido a corpos hídricos comprometidos por efluentes urbanos que não são tratados. Portanto, completar a infraestrutura de coleta, transporte e tratamento de esgoto é uma questão de sobrevivência”, alertou a secretária.

Na macrometrópole, segundo Dilma Pena, “em relação ao abastecimento de água, todos os domicílios urbanos estão conectados à rede pública, com segurança em termos de qualidade e quantidade”.

Há previsão de investimentos da ordem de R$ 8,3 bilhões em doze projetos, entre eles: 


  • Água Limpa

    : saneamento básico, mediante convênios, com municípios do interior com menos de 30.000 habitantes;


  • Reágua

    : aumenta-se a disponibilidade hídrica no Estado, através da remuneração por resultados em projetos de tratamento de esgotos, reuso de águas e redução de perdas nos sistemas de saneamento;


  • Mananciais

    : conjunto de ações voltadas à proteção e recuperação dos mananciais utilizados para o abastecimento público da Região Metropolitana. O Programa Guarapiranga e Billings (PAC Mananciais) tem financiamento pelo Orçamento Geral da União (OGU) e o Programa Mananciais pelo Banco Mundial. 


  • PPP Sistema Alto Tietê

    : o projeto está em execução e, em setembro de 2010, será incorporado ao sistema produtor da região metropolitana mais 5m³ por segundo de água tratada, desonerando o sistema Cantareira.


    Municípios 300%

    No interior do Estado de São Paulo existem 112 municípios servidos pela Sabesp, apelidados de 300%. Explica-se: 100% de esgoto tratado, 100% de abastecimento de água, 100% de coleta de esgoto, em sua área urbana.

    A região metropolitana conta com 80% de coleta de esgoto e 60% de tratamento. São indicadores importantes, mas a meta é alcançar 80 a 90% de coleta em toda a macrometrópole até 2020 e 100% de tratamento, segundo previsão da Secretária Dilma Pena.