Índice de Confiança do Agronegócio encerra 1º trimestre com otimismo recorde

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

A melhora do otimismo entre produtores e indústrias ligados à agropecuária brasileira levou o Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) a fechar o 1º trimestre de 2018 com o melhor resultado da série histórica, aos 107,1 pontos, avanço de 6,8 pontos em relação ao trimestre imediatamente anterior. De acordo com a metodologia do estudo, resultados acima de 100 pontos correspondem a otimismo. Pontuações abaixo disso demonstram baixo grau de confiança. O IC Agro é um indicador medido pela Fiesp e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Desde o segundo trimestre de 2017, quando marcou 92,4 pontos, o agronegócio vem registrando, sistematicamente, melhora no seu nível de confiança, voltando ao patamar considerado otimista neste primeiro trimestre de 2018.

Esse resultado do índice agregado foi influenciado, principalmente, pela confiança da indústria (antes e depois da porteira), que atingiu 109,1 pontos, aumento de 9,7 pontos em relação ao trimestre precedente. Os fabricantes de insumos agropecuários compõem o grupo no qual o otimismo está mais elevado: neste caso, a confiança chegou a 116,1 pontos, alta de 10,9 pontos sobre o trimestre anterior.

“Ainda que para os fabricantes de defensivos e fertilizantes o primeiro trimestre do ano marque o início das negociações da próxima safra, pesaram para o resultado as boas perspectivas de negócios, num momento em que as principais commodities agrícolas recuperaram valor, aumentando a rentabilidade dos produtores. Além disso, a estimativa para a safra de grãos vem melhorando a cada mês e já é próxima do recorde anterior, o que não era esperado, já que as produtividades surpreenderam, como no caso da soja, por exemplo”, explica Márcio Lopes de Freitas, presidente da OCB.

O Índice de Confiança das Indústrias situadas Depois da Porteira também teve bom desempenho, resultado do momento positivo para alguns dos segmentos pesquisados. “O aumento no preço da soja e nos prêmios pagos nos portos brasileiros está permitindo que as tradings recuperem a rentabilidade, após um longo período com margens de lucro pressionadas”, completou Freitas.

“Reforçam essa percepção de otimismo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apurou aumento nos últimos 12 meses, acumulado até fevereiro de 2018, nas vendas dos hipermercados e supermercados de produtos alimentícios, com alta de 2,0% em volume. No primeiro bimestre deste ano, contra o mesmo período de 2017, o incremento foi de 2,6%”, explica Roberto Betancourt, diretor titular do Departamento do Agronegócio da Fiesp.

Houve avanço também para o índice de confiança do produtor agropecuário (agrícola e pecuário), que encerrou o 1º trimestre de 2018 em 104,5 pontos, alta de 2,7 pontos ante trimestre passado. Segundo os resultados, o ânimo melhorou tanto para os produtores agrícolas quanto para os pecuaristas – embora os últimos ainda estejam na faixa de pontuação considerada pessimista. No primeiro caso, o índice subiu 3,2 pontos, chegando a 107,2 pontos.

De acordo com o gerente do Departamento do Agronegócio da Fiesp, Antonio Carlos Costa, “o aumento no grau de otimismo é consequência de uma rara combinação para esta época do ano: boa produtividade nas lavouras e preços em alta, em razão da conjuntura internacional, como a quebra na safra da Argentina de grãos”. No caso dos preços, o indicador de confiança aumentou quase 30 pontos em um ano, mas é importante lembrar que no início de 2017 as commodities agrícolas estavam num momento de baixa. “Outro ponto relevante é que a pesquisa foi encerrada no fim de março e não captou totalmente o efeito da alta de preços sobre o humor dos produtores, uma vez que a tendência de valorização da soja e do milho se fortaleceu no início de abril”, concluiu Costa.

Entre os pecuaristas, a confiança ficou praticamente estável. O indicador desse grupo subiu 1,1 ponto, fechando o trimestre em 96,2 pontos. O pequeno aumento não foi suficiente para tirar esse grupo de produtores da faixa considerada pessimista pela metodologia do estudo, onde permanece há seis trimestres consecutivos.

Clique aqui para ter acesso ao site do IC Agro, com todos os dados do levantamento.

Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp discute custos de produção e Plano de Safra

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

André Pessôa, diretor da consultoria Agroconsult, fez nesta segunda-feira (17 de julho) a palestra Custos de Produção, durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), do qual é integrante. Ressaltou que há grande dificuldade para acompanhar os custos de produção devido ao tamanho e à diversidade do setor agropecuário. Desde outubro de 2016, quando da última divulgação da Conab, não há referência pública disponível sobre custo.

Não há problema sério de custos, mas é difícil formar uma base de dados primária confiável. E se os custos não são conhecidos, é complicado definir a venda, afirmou Pessôa.

O presidente do Cosag, Jacyr da Costa Filho, destacou a capacidade de André Pessôa na análise de custos. É de uma complexidade enorme fixar custos, disse.

A safra 16/17 foi a primeira, segundo Pessôa, em que o custo parou de subir para a soja Intacta (transgênica), e nesta safra está caindo. A queda mais acentuada é em defensivos. Fertilizantes também caem, exceto na Bahia, porque no ano passado a quebra levou a uma queda na demanda.

Para o milho segunda safra a expectativa é de custo mais alto. Para o milho verão, queda. No algodão, também se projeta redução de custo. Há fatores favoráveis para a cultura, disse. Está num momento bom, depois de quatro anos ruins e um 2016 trágico.

Para a cana também se projeta redução do custo de produção.

Pessôa explicou o conceito de custo do pacote de troca (insumos x preços esperados), por exemplo, na soja, em sacas/pacote. Para a soja a relação era desfavorável no primeiro trimestre de 2016, mas o preço do produto melhorou depois.

Destacou a impossibilidade de calcular a produtividade da soja para o ano que vem, porque ainda não houve a plantação, mas a análise da tendência mostra que deve ser um pouco menor. Deve haver redução de margens em 2018.

O quadro do milho é completamente diferente, sendo necessário o dobro de milho para pagar o pacote de insumos que no ano passado, o que deve levar a uma redução na área plantada.

O algodão tem grande margem, com ótima produtividade na atual safra, o que deve cair um pouco na próxima safra. Fator positivo é que 40% da colheita já foi vendida no mercado futuro.

Preços e logística

Em 2017, disse o diretor da Agroconsult, o cloreto de potássio está mais caro que no ano passado. E houve diferença significativa no frete entre janeiro e julho. O mesmo vale para a ureia. Há uma variação enorme, conforme a época de compra, explicou.

O volume de fertilizantes deve atingir 35 milhões de toneladas neste ano, com entrega mais acentuada no segundo semestre (no primeiro, houve queda de 0,4%). Espera-se volume 20% maior para a soja, mas ainda não houve a compra.

Dois ou três meses este ano a entrega deverá ser superior a 4 milhões de toneladas em cada, o que deve provocar complicações na logística. Há estoque e crédito, disse. “Faltava preço”, explicou Pessôa. “A relação de troca estava desfavorável.”

Ele ressaltou a curva de aumento do número de aplicações de fungicidas. E muda ao longo do tempo o princípio ativo usado, com preços que variam muito. O impacto sobre os custos é significativo, disse. Vale o mesmo para os inseticidas. No caso da soja Intacta, a nova tecnologia não cortou o uso de inseticidas.

Soja (convencional e transgênicos RR e Intacta), milho (alta e média tecnologia, para safra e safrinha), algodão (primeira safra e segunda), cana (planta e soca), café (mecanizado e não mecanizado), trigo, arroz irrigado e de sequeiro são as atividades cobertas pela Agroconsult. E ainda há o acompanhamento da pecuária.

É feita uma divisão regional, não necessariamente correspondendo aos Estados. Os dados são coletados a partir do acompanhamento de safra, de consultas a bases de dados públicas (como IEA, Deral e Conab), o IC-Agro, da Fiesp e da OCB, e do Rally da Safra.

Itens como sazonalidade de compras são levados em conta. Também a moda, o tamanho mais frequente das propriedades. Custos como os de software de gestão precisam de melhor levantamento, disse Pessôa. Os custos administrativos variam muito, explicou, e por isso não são considerados pela Agroconsult.

Plano de Safra

Tarcísio Hübner, vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil, também participou da reunião do Cosag, para apresentar o Plano de Safra.

O compromisso de crédito para esta safra é de R$ 103 bilhões, contra R$ 72 bilhões, mais R$ 10 bilhões, na safra anterior. E a liberação mostra diferenças animadoras, disse. O primeiro semestre teve pouco menos de R$ 12 bilhões em crédito no BB. Todas as linhas estão abertas, destacou. E o banco vem investindo muito em tecnologia e relacionamento, afirmou. Houve, explicou, simplificação de processos e idas a campo para divulgar as linhas.

Estamos atentos a este modelo de crédito que está vencendo, afirmou. Recursos externos e opções estão entre as possibilidades de mecanismos a estimular para o progresso do agronegócio, disse.

Para a safra 2017/18, dos R$ 103 bilhões que serão liberados para o Plano Safra, R$ 14,6 bilhões irão para a agricultura familiar, R$ 15,5 bilhões, para médios produtores, R$ 61,4 bilhões, para a agricultura empresarial e R$ 11,5 bilhões, para o crédito agroindustrial.

Há R$ 72,1 bilhões para custeio e comercialização e R$ 19,4 bilhões para investimentos. Houve redução média de 1 ponto para a agricultura empresarial, sendo mantidas as taxas para a agricultura familiar.

Houve redução do prazo de desembolso das operações de custeio, para 14 meses. Também caiu, de 74% para 65%, a exigibilidade de poupança rural. Hübner considera preocupante a vedação da utilização de recursos dos depósitos à vista para operações de comercialização, investimentos e industrialização.

Também foi adotado um limite global por CNPJ para tomada de crédito rural no Sistema Financeiro Nacional para recursos controlados (depósitos à vista e poupança equalizada).

Outra novidade para esta safra é que as empresas cerealistas foram incluídas como beneficiárias dos programas de armazenagem.

Consolidação

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e ex-presidente do Cosag, destacou o tema da concentração na agricultura. “Não há nenhum setor hoje que não tenha passado pela concentração”, disse, atribuindo o fato à globalização. O assunto, em sua análise, é muito grave. Rodrigues citou a possibilidade, mencionada na reunião, de 1 milhão de pecuaristas (5 milhões de pessoas) saírem do negócio devido a sua baixa produtividade. O problema social é muito sério. “A única saída é a cooperativa”, afirmou.

Jacyr da Costa Filho explicou o papel da Tereos, que preside, como consolidadora de cooperativas. Esse é um processo inexorável, disse.

Reunião do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Pecuária sob análise

Ivan Wedekin, conselheiro do Cosag, falou na reunião sobre seu recém-lançado livro “A Economia da Pecuária de Corte”. A obra, explicou, surgiu para ser referência bibliográfica, para ser usada em cursos de graduação e pós. Em sua primeira parte dá visão geral da cadeia produtiva da carne bovina. Na segunda parte se aborda a economia propriamente dita da pecuária de corte. Há uma análise da concentração da indústria de abate e processamento, feita a partir de estudos do Cade. A conclusão é de que há nível moderado de concentração.

Os fatores determinantes da demanda de carne bovina são também alvo do livro. Em seguida a análise recai sobre a oferta. O crescimento de apenas 0,5% ao ano mostra problemas, disse.

A análise de 100 anos da indústria frigorífica no Brasil mostra que a concentração no setor se deu em período de alta dos preços do boi, diferentemente do que ocorreu nos EUA, em que a situação foi inversa. Os grandes desníveis de tecnologia na produção pecuária tornam o preço do boi acima do que deveria para o setor se manter competitivo.

PIB do agronegócio de São Paulo tem queda de 1,7%, mostra estudo da Fiesp

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Pressionado pelas retrações da indústria (de insumos e agroindústria) e dos serviços, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio paulista recuou 1,7% e fechou 2015 em R$ 230 bilhões, mostra pesquisa da Fiesp em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP).

O levantamento apura a geração de renda e riquezas de setores como o de insumos, incluindo os defensivos agrícolas, fertilizantes, máquinas e implementos, nutrição e saúde animal e o óleo diesel utilizado na atividade.

A pesquisa também mensura o PIB da produção agropecuária, em relação às mais diferentes culturas, e da agroindústria, ou seja, os fabricantes de massas alimentícias, celulose e papel, suco de laranja, açúcar e etanol, laticínios, vestuário, entre outros e do segmento de serviços, que, entre outras atividades, inclui comércio, transporte, instituições de financiamento e de seguros diretamente ligados ao agronegócio.

Com a queda, a produção do setor paulista passa a representar 18,5% do PIB do agronegócio brasileiro e cerca de 12% do PIB total do Estado de São Paulo.

Em contrapartida, o agronegócio nacional apresentou ligeira elevação de 0,54% no ano, nos três elos, fechando 2015 em R$ 1,27 trilhão, segundo as informações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a partir dos dados nacionais elaborados pelo Cepea/Esalq/USP. O resultado nacional agregado, ainda que tenha apresentado ligeira alta, ficou distante do crescimento de 1,8% do PIB da atividade agropecuária (dentro da porteira), medido pelo IBGE para o mesmo período.

“Os fatores que estimularam o crescimento do agronegócio nacional tiveram efeitos mais restritos aqui em São Paulo”, destaca Antonio Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio da Fiesp  (Deagro). “No Brasil, o segmento primário responde, em média, por cerca de 30% do PIB do setor, com as atividades industriais somando cerca de 40%. No Estado o segmento primário responde por percentual inferior a 10%, e o PIB das atividades industriais (indústrias de insumos e processamento) soma quase 50%.”

A participação do setor de insumos no PIB de São Paulo em 2015 foi de 6% do total, enquanto o segmento de serviços deteve 43%, seguido pela agroindústria, com 42%, e pela agropecuária, com 9%.

O PIB do setor de insumos em 2015 foi de R$ 12,5 bilhões, uma retração de 6,9% na comparação com 2014.

Já a agroindústria registrou um PIB de R$ 96,2 bilhões no ano passado, 1,7% menos do que o registrado em 2014. Variação percentual semelhante foi notada no PIB do segmento de serviços, que fechou o ano em R$ 99,7 bilhões.

Na contramão, o PIB da agropecuária foi o único que registrou alta, embora tímida, de 0,7% na comparação anual, passando para R$ 21,5 bilhões em 2015.

A atividade de serviços empregou 45% do total de trabalhadores do agronegócio, enquanto a agroindústria foi responsável por 35% das vagas, seguida pela agropecuária, com 16%. Já o segmento de insumos empregou 4% do total.

Para ver o estudo completo, clique aqui

Prioridade é desfazer gargalos em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Goiás, diz ministro da Agricultura

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Reunião Cosag - Ministro Mendes Ribeiro. Foto: Julia Moraes

Ministro Mendes Ribeiro: "O governo está contratando milho, já com a previsão do deslocamento, para evitar as perdas de produtores e comercializadores de grãos. Foto: Julia Moraes

A prioridade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é proporcionar um plano safra 2013/2014 que absorva as reivindicações dos setores e desfaça gargalos de escoamento da produção agropecuária, afirmou nesta segunda-feira (04/03) o ministro Mendes Ribeiro.

Segundo ele, o Ministério já mapeou as necessidades mais urgentes e identificou prioridades em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Goiás. “São lugares que vamos, sem dúvida nenhuma, começar a trabalhar de forma mais centrada, fazendo uma parceria com a iniciativa privada”, garantiu.

Em 2012 faltaram silos em algumas regiões de Mato Grosso para armazenar a produção recorde de grãos. Parte das commodities foi armazenada a céu aberto, prejudicando sua comercialização.

Para evitar as perdas de produtores e comercializadores de grãos, principalmente de milho  – cultura mais afetada no ano passado –, Mendes informou que o governo está “contratando milho já com a previsão do deslocamento.”

PIB

O ministro minimizou o desempenho negativo de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário em 2012 e afirmou, sem estimativas exatas, que a performance da agropecuária brasileira deve ser melhor em 2013.

“Estamos sempre esperando que o PIB da agricultura surpreenda”, observou. No caso da baixa no ano passado, Mendes Ribeiro ponderou: “O número é sempre tão bom que, quando baixa um pouco, todo mundo acha que foi ruim”.

PIB da agricultura deve ser forte, mas problema de infraestrutura ainda não foi resolvido, diz presidente do Cosag

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Reuniao do Cosag/Fiesp com ministro Mendes Ribeiro Filho. Foto: Julia Moraes

João de Almeida Sampaio Filho., presidente do Cosag/Fiesp. Foto: Julia Moraes

O resultado negativo do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário em 2012 era previsto, mas sua dimensão pode ter sido agravada por problemas com logística e infraestrutura, os quais ainda não foram resolvidos, na avaliação do presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João de Almeida Sampaio Filho.  O empresário espera, no entanto, um cenário melhor para o setor em 2013.

Nesta segunda-feira (04/03), ele se reuniu com conselheiros do Cosag e o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro, para discutir objetivos e perspectivas para o setor em 2013. E analisou o resultado do PIB agropecuário como “um fato”.

“A gente percebia alguns setores onde estávamos enfrentando problemas. Talvez o tamanho [do resultado] tenha sido provocado por alguns outros acontecimentos, como a infraestrutura. A gente perdeu muita produção”, pontuou.

O presidente do Cosag/Fiesp acredita que o PIB do setor deve apresentar um desempenho mais favorável este ano, “com crescimento forte na agricultura”. Mas, em sua avaliação, as dificuldades com os gargalos para escoamento da produção devem persistir, já que “o problema da infraestrutura ainda não foi resolvido”, projetou, sem fazer estimativa numérica para 2013. “Ainda é cedo para colocar algum número,” concluiu.

Apesar da safra 2012/2013 de grãos bater o recorde de 185 milhões de toneladas, o PIB da agropecuária caiu  2,3% em 2012.

Movimento Agro quer valorizar imagem da agropecuária e aproximar sociedade urbana ao campo

Alice Assunção e Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Foram lançadas na manhã desta segunda-feira (18), na sede da Fiesp, as bases do Movimento Agro com foco na comunicação e integração com a sociedade sobre a atividade agropecuária brasileira, uma das principais fontes da expansão econômica do País.

Sob o prisma de conectar a sociedade urbana ao campo, o Movimento Imagem do Agronegócio Brasileiro pretende valorizar a representação do setor em uma ação de comunicação institucional coordenada por pelo menos 16 organizações, entre elas a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Cargill, Bunge, Nestlé e Accenture.

“Todos os setores estão unidos para fazer uma comunicação efetiva principalmente ao público urbano, que não está muito conectado com a atividade rural”, declarou Adalgiso Telles, coordenador do Comitê Executivo de Campanha do Movimento Agro.

“O setor realizou uma colheita e tanto hoje. Há 25 anos eu tento uma articulação para promoção do homem do campo”, complementou o coordenador do Conselho Gestor do Movimento, Roberto Rodrigues.

O projeto, que custou um investimento inicial de R$ 12 milhões por parte das entidades parceiras, consiste em duas etapas. A primeira é uma campanha de aproximação ao tema agronegócio com peças em emissoras de TV, jornais, revistas, rádios e através de sites e rede sociais. Uma das peças para TV será exibida na noite desta segunda-feira (18) pelas principais emissoras do País. Segundo Telles, essa campanha deve atingir 70 milhões de brasileiros.

Na segunda fase, o Movimento Agro inicia seu processo de disseminação de informações sobre o setor por meio de dois portais: Sou Agro e Redeagro (Rede de Conhecimento do Agro Brasileiro).

O portal Sou Agro será inicialmente o porta-voz da campanha pela imagem da agropecuária brasileira e depois voltará ao objetivo original de levar informações de forma acessível a diferentes públicos.

Já o conteúdo do Redeagro será voltado para um público mais especializado, acadêmico, oferecendo análises e estudos. Os organizadores do portal pretendem “desmistificar muitas inverdades que foram construídas ao longo dos anos”, explica o presidente da Unica, Marcos Jank, e coordenador do Comitê Executivo de Informação do Movimento Agro.

Demanda mundial

Se por um lado se traçou a estratégia para reposição da imagem e a ênfase em uma agenda positiva, por outro, há dados consistentes que impulsionam o agronegócio que representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

“Segundo estudos recentes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (OCDE/FAO), a oferta mundial de alimentos tem de crescer 20% nos próximos dez anos e a agricultura brasileira em torno de 40%.”

Rodrigues, que também preside o Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da Fiesp, aponta três vantagens comparativas do País: disponibilidade de terra, tecnologia e competência do agronegócio nacional. Para transformar estes pilares em vantagens competitivas, é preciso que se faça a “lição de casa”, conforme apontou, o que inclui políticas públicas, política de renda, incremento da infraestrutura e ajuste do comércio internacional.

Patrimônio

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, classificou o Movimento Agro como um instrumento “para informar brasileiros desse grande patrimônio que é o agronegócio do nosso país.”

O Brasil é o maior exportador mundial de açúcar, café e carne de frango, e um dos principais exportadores de minério de ferro. “O País se apresenta como potencial de ser o celeiro do mundo”, disse Telles.

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Governo deve apresentar neste semestre propostas para burocrático crédito rural

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Secretário de Política Agrícola do Mapa, José Carlos Vaz: "Neste semestre, o governo federal deve trazer algumas propostas de solução"

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Carlos Vaz, afirmou nesta segunda-feira (18) que as operações de crédito rural precisam de uma solução legislativa.

José Vaz ressaltou que as fragilidades do crédito rural são a excessiva burocracia e o alto custo operacional. Ele acrescentou que “neste semestre, o governo federal deve trazer algumas propostas de solução.”

“Hoje nós criamos uma parafernália de coisas no crédito rural que não servem para nada porque quem quer fazer o dolo faz”, argumentou Vaz sobre a complexa legislação e fiscalizações “sem efetividade.”

Na construção de um novo crédito rural, Vaz reforçou um modelo capaz de abranger todas as atividades produtivas e todos os itens financiáveis da operação. Ele defende ainda a queda da exigência de certidões e que as contratações sejam formalizadas por prazo indefinido, além do crédito pré-aprovado com base nas despesas registradas em demonstrativos do período anterior.

Melhor Plano da história

Na safra 2011/2012 serão destinados R$ 107,2 bilhões para a agricultura comercial, o equivalente a um aumento de 7,2% em relação ao período anterior. Custeio e comercialização vão contar com R$ 80,2 bilhões, enquanto as operações de investimentos receberão R$ 20,5 milhões, 13,89% superior ante a safra passada.

As linhas especiais – programas de Apoio ao Setor Sucroalcoolerio (PASS-BNDES) e de Sustentação do Investimento (PSI-BNDES) – serão o destino de R$ 6,5 milhões.

“Em geral, esse plano-safra é pragmático em termos de crédito. Ele é ajustado à necessidade do setor. Não é o plano dos sonhos, mas é o melhor plano da história”, afirmou Vaz o Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012.

Confira a íntegra da palestra no link abaixo (arquivo em pdf):