Balança Comercial do Agronegócio

Imagem relacionada a matéria - Id: 1553584188Mensalmente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) divulga boletins com os indicadores do agronegócio e da indústria de alimentos.

Em fevereiro de 2019, a “Balança Comercial Brasileira do Agronegócio” registrou um superávit de US$ 6,05 bilhões, expansão de 16,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O superávit do agronegócio garantiu resultado positivo na balança comercial total do Brasil, já que o comércio dos demais produtos resultou em déficit de US$ 2,38 bilhões em fevereiro de 2019. Veja os destaques.

Para ter mais informações acesse a última versão.

Os outros informativos periódicos  produzidos pela FIESP são:  Crédito Rural BrasileiroSafra Brasileira de Grãos,  IPCA Alimentação e Bebidas (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Safra Mundial de Milho, Safra Mundial de Soja e e Preços das Principais Commodities do Agronegócio.


Agronegócio da Fiesp debate aumento da produtividade: nos próximos 10 anos, Brasil responderá por 41% da produção de alimentos

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

Durante a reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp desta terça-feira (12/3), especialistas defendem aumento de produtividade do agronegócio e criação de política estratégica para o setor.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, também presente à reunião, falou sobre a necessidade de estímulo à produção. “Apenas medidas econômicas não resolvem a economia. Senão houver produção e desenvolvimento, esse conserto é falho. Nos últimos 500 anos, faltou ao país conhecimento e desenvolvimento tecnológico”.

Para Paolinelli, o milho brasileiro é apontado como um dos principais grãos a ganhar espaço no mercado internacional. Um estudo da Abramilho, comentado por Paolinelli, aponta que os países não têm mais área para produzir esse grão enquanto que a demanda deve ultrapassar 350 milhões de toneladas até 2050. “O Brasil é o país que pode atender essa demanda. Podemos chegar a essa produção sem abrir uma nova área sequer. Temos muito a crescer em produtividade, temos já tecnologias inovadoras como a integração entre lavoura, pecuária e florestas capaz de recuperar econômica e ecologicamente as nossas pastagens degradadas,” disse.

Já Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira da Proteína Animal (ABPA), apresentou dados sobre a demanda de proteína animal mundial até 2050. “Para os próximos 10 anos, 41% da produção de alimentos sairá do Brasil, enquanto que a necessidade de proteína animal disponível no mundo deve ser de 455 milhões de toneladas. Desse total demandado, no mínimo, 30% sairá também do Brasil”, contou.

Além disso, Turra conta que a demanda da China por consumo de frango tem aumentado. “Diante desse cenário, o Brasil tem certeza que investir em produção vale a pena, lembrando que os Estados Unidos é o segundo maior produtor mundial de aves”.

Luiz Roberto Maldonado Barcelos, da Abrafrutas, lembrou que o Brasil é o 3º maior produtor de frutas do mundo, indicando que há espaço para que essa posição seja ultrapassada.

Em sua intervenção, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), alertou para a redução da produção de cana de açúcar, que caiu 10 milhões de toneladas, número que produz a Tailândia.

O deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), que integrou os debates, enfatizou a necessidade de ações e políticas estratégicas para o setor do agronegócio. “O governo faz o discurso do enxugamento dos subsídios. Precisamos ver como vamos discutir a questão dos juros agrícolas versus juros livres. E por isso precisamos ter a nossa política e uma estratégia de transição”, disse. E acrescentou que “é preciso também alternativas de financiamento, com processo de uma política de seguros mais robusta “que com o tempo significa uma eficaz medida para reduzir o spread do setor. Essas questões serão muito desafiadoras para nós”, concluiu.

A reunião do Cosag foi presidida por Jacyr Costa Filho.

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Reunião do Cosag, presidida por Jacyr Costa Filho. Foto Ayrton Vignola/Fiesp

Safra Brasileira de Grãos

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Mensalmente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulga boletins com os indicadores do agronegócio e da indústria de alimentos.

O sexto levantamento da safra brasileira de grãos mostra que a estimativa da produção para a safra 2018/19 foi de 233,3 milhões de toneladas, o que significa um crescimento de 2,5% sobre 2017/18. Em relação ao relatório de fevereiro, a expectativa para a oferta ficou 0,4% menor. Já a área plantada está prevista em 62,9 milhões de hectares, um aumento de 1,9% na comparação com a safra passada, devido aos aumentos na área de algodão, soja e segunda safra de milho. Veja os destaques.

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Os outros informativos periódicos produzidos pela Fiesp são: IPCA Alimentação e Bebidas (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Balança Comercial do Agronegócio, Safra Mundial de Milho, Safra Mundial de Soja, Crédito Rural Brasileiro e Preços das Principais Commodities do Agronegócio.

Preços das Principais Commodities do Agronegócio


Imagem relacionada a matéria - Id: 1553584188O informativo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) traz os preços nacionais e internacionais de commodities como soja, milho, trigo, boi gordo, bezerro, algodão, açúcar cristal, café arábica, cacau, entre outros, bem como informações de câmbio.

Para ter mais informações acesse a última versão.

Os outros informativos periódicos produzidos pela Fiesp são: IPCA Alimentação e Bebidas (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Balança Comercial do Agronegócio, Safra Brasileira de Grãos, Safra Mundial de Soja e Safra Mundial de Milho.

 


Safra Mundial de Soja

Imagem relacionada a matéria - Id: 1553584188Mensalmente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulga boletins com os indicadores do agronegócio e da indústria de alimentos. Entre esses informes está o Safra Mundial de Soja.

Em seu décimo primeiro levantamento para a safra mundial de soja 2018/19, o USDA, com exceção aos estoques, reduziu a estimativa para todas as demais variáveis pesquisadas (produção, consumo, exportação e estoque final) em termos globais, na comparação com o último relatório, divulgado em fevereiro. Veja os destaques.

Para ter mais informações acesse a última versão.

Os outros informativos periódicos  produzidos pela Fiesp sãoIPCA Alimentação e Bebidas (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Balança Comercial do Agronegócio, Safra Brasileira de Grãos, Safra Mundial de Milho e Preços das Principais Commodities do Agronegócio.

Safra Mundial de Milho


Imagem relacionada a matéria - Id: 1553584188Mensalmente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulga boletins com os indicadores do agronegócio e da indústria de alimentos.

Entre esses informes está o Safra Mundial de Milho.

O décimo primeiro levantamento da safra mundial de milho 2018/2019, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), indicou aumento para consumo e produção mundial do cereal e queda na exportação e estoques finais globais do milho, em relação ao levantamento anterior. Veja os destaques.


Para ter mais informações acesse a última versão.

Os outros informativos periódicos produzidos pela Fiesp são: IPCA Alimentação e Bebidas (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Balança Comercial do Agronegócio, Safra Brasileira de Grãos, Safra Mundial de Soja e Preços das Principais Commodities do Agronegócio.


Crescimento acima da média mundial garantirá ao agronegócio brasileiro maior participação internacional na próxima década

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

Embora apresente um ritmo de crescimento menor em comparação aos últimos 10 anos, o agronegócio brasileiro segue avançando acima da média mundial. E mesmo diante de um cenário internacional nebuloso, especialmente entre EUA e China, que se se enfrentam em uma guerra comercial sem precedentes, a sua sustentabilidade deve ser mantida na próxima década, com ganho de participação no mercado mundial entre as principais commodities que produz e exporta, como soja, milho, açúcar e carnes (bovina, suína e frango).

Essa é uma das conclusões do Outlook Fiesp 2028 – Projeções para o Agronegócio Brasileiro, estudo elaborado pelo Departamento do Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que reúne as projeções do setor para a próxima década, em termos de produção, produtividade, área plantada, consumo doméstico e exportações.

O documento destaca que, considerando um cenário de equilíbrio fiscal e da efetivação das reformas econômicas, a política agrícola brasileira poderá sofrer aprimoramentos a partir, por exemplo, da efetiva priorização do seguro rural como política de garantia de renda ao produtor. Este cenário também beneficiaria de forma importante os segmentos de proteínas animais e de produtos mais elaborados, a partir do crescimento esperado da renda.

“O novo Governo Federal tem demonstrado compromisso com o ajuste fiscal, tendo como base o enxugamento do Estado e as reformas necessárias, como a previdenciária, capaz de trazer mais confiança ao mercado”, avalia o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Do lado do produtor, a confiança se traduz na melhoria do pacote tecnológico, aumento de produtividade das lavouras, com reflexos positivos para as indústrias de insumos agropecuários. “Ao mesmo tempo, a estabilidade cambial manteria os custos de produção sob controle”, complementa Skaf.

Já Roberto Betancourt, diretor do Deagro da Fiesp, destaca que as projeções para o agronegócio brasileiro podem sofrer influências das ameaças de curto prazo, como a incerteza quanto à questão do tabelamento do frete. Para Betancourt, o impacto se dará principalmente sobre as commodities que estão longe dos portos e dos grandes centros de consumo, como soja, milho, grãos, além do efeito danoso no custo dos insumos. Essa incógnita traz uma insegurança muito grande, avalia. Além disso, lembra também que em abril de 2019 vencerá o convênio 100 do ICMS, que reduz o ICMS sobre os insumos agropecuários desde 1997, sendo que a sua renovação está indefinida. Por último, mas não menos importante, faz ponderações quanto ao ritmo de crescimento da economia global, que deve se acomodar em patamares mais baixos nos próximos anos.  “Para as projeções, partimos da premissa que essas ameaças serão resolvidas de forma satisfatória no horizonte projetado”, complementa.

Dados do estudo mostram que a safra de milho 2018/19 pode chegar à 93 milhões de toneladas, 14% maior em relação a 2017/18, resultado da maior produtividade (+10%) e área plantada (+4%). As exportações devem crescer 27%, para cerca de 32,5 milhões de toneladas. A safra de soja foi projetada em 116 milhões de toneladas (-3% em relação a 2017/18).

Embora se espere uma área plantada maior (+3%) na atual temporada, a produtividade (3.193 Kg/ha) deve ser menor em razão de problemas climáticos que atingiram alguns estados produtores no final de novembro e dezembro de 2018. As exportações da oleaginosa devem ser 16% menores em 2018/19 em comparação a safra 2017/18, estimadas em 71 milhões de toneladas.

Para cana de açúcar, a expectativa é que a safra 2019/20 chegue a 617 milhões de toneladas, incremento de 3% ante 2018/19, reflexo de maior produtividade (+3%) e uma área plantada relativamente estável (-0,5%). A produção do açúcar deve ficar relativamente estável (+0,7%), enquanto a do combustível deve ser 6% maior entre 2018/19 e 2019/2020.

No caso do café, o estudo prevê queda na produtividade (-8% sobre 2018/19) e na área plantada (-1%), impactando a produção que deve recuar em 8,5% em relação à 2018/19.

O desempenho estimado para as carnes (bovina, suína e de frango) em 2019 sobre 2018 é de incremento na produção de carne bovina (+1,8%), carne de frango (+2,0%) e suína (+2,3%). O consumo doméstico deverá ter aumento de 1,4% para carne bovina, 1,4% para carne de frango e 1,7% para suína.

No horizonte de longo prazo, o trigo continuará dependente de importação em 2028. Para suprimento do mercado doméstico, serão necessárias importações equivalentes a 48% da demanda nacional.

O mercado doméstico seguirá como vetor do crescimento da produção brasileira de arroz, feijão, trigo, óleo de soja, milho, carnes, lácteos, ovos e etanol. Enquanto que o mercado internacional será preponderante para algodão, soja (grão), café, açúcar, suco de laranja e celulose.

Betancourt lembra que o Brasil observará uma demanda de novas áreas para a agropecuária de 184 mil ha/ano, no período projetado. “A produtividade média dos grãos crescerá 18% entre 2017/18 e 2027/28, resultando na preservação de 13 milhões de hectares”, disse.

Sobre o Outlook Fiesp

O Outlook Fiesp é uma produção do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Devido à possibilidade de alteração nas estimativas em razão dos fatores de risco inerentes ao setor agrícola ou a mudanças nas expectativas macroeconômicas, a partir desta edição as previsões serão revisadas de forma periódica ao longo do ano ou caso algum evento mais relevante signifique uma modificação importante das perspectivas para as commodities analisadas. As atualizações realizadas poderão ser acompanhadas e estarão disponíveis para consulta e download no endereço www.fiesp.com.br/outlook

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Recorde: otimismo atinge toda a cadeia do agronegócio no 4º trimestre de 2018

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp  

Desde o início da série que mede a confiança do agronegócio brasileiro (IC Agro), pela primeira vez o otimismo é recorde em todos os elos da cadeia – agricultores, pecuaristas e indústrias antes e depois da porteira. O IC Agro encerrou o 4º trimestre de 2018 marcando 115,8 pontos – alta de 15,4 pontos sobre o 3º trimestre. A série histórica do índice foi iniciada em 2013 e, de acordo com a metodologia do estudo, resultados superiores a 100 pontos demonstram otimismo e, quando ficam abaixo dessa linha, indicam pessimismo. O IC Agro é um indicador medido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Segundo Paulo Skaf, presidente da Fiesp, o resultado reflete, principalmente, a percepção extremamente otimista do setor em relação à economia brasileira, uma das variáveis de maior peso para a formação do índice. “Foi possível constatar, de fato, um sentimento de euforia. As entrevistas foram realizadas no final de novembro e início de dezembro, pouco depois das eleições presidenciais – e a vitória de Jair Bolsonaro alimentou a expectativa de um novo ciclo de crescimento econômico e de um ambiente de negócios mais favorável a partir de uma agenda de reformas estruturais”, avalia Skaf.

O crescimento na confiança observada no final de 2018 só é comparável ao constatado em meados de 2016, com a posse de Michel Temer na Presidência da República.

O índice de confiança do produtor agropecuário (agrícola e pecuário) teve alta de 12,1 pontos, para 113,8 pontos, mostrando que houve disseminação do otimismo, com crescimentos sensíveis em praticamente todas as variáveis avaliadas. No entanto, o destaque ficou com a melhora da avaliação sobre a economia do Brasil, um dos aspectos com maior peso para a formação do índice. Segundo Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o resultado reflete a expectativa do setor agropecuário em relação à agenda indicada pelo novo Governo, seja para o setor, seja para a economia como um todo.

O Índice de Confiança dos produtores agrícolas atingiu 115,2 pontos, avanço de 9,2 pontos. Desde o último trimestre de 2017, o indicador é superior a 100 pontos, na faixa considerada otimista pelo estudo. No entanto, vale destacar que, dentre os aspectos levantados, os custos de produção destoaram do panorama de otimismo. A confiança nesse item está no nível mais baixo já registrado, muito próximo ao patamar que se encontrava em 2015, quando uma desvalorização do real aumentou os preços dos insumos, fortemente atrelados ao dólar. As boas expectativas com relação à produtividade, por outro lado, foram suficientes para sustentar a melhora no índice. As entrevistas, em sua quase totalidade, foram realizadas antes da seca observada em alguns estados produtores, em um momento importante do desenvolvimento da lavoura. “Por isso, para o próximo trimestre, consideramos alguma retração na confiança advinda da quebra de safra em importantes regiões produtivas como o Paraná e o Mato Grosso do Sul e de um possível aumento nos custos de produção para a safra 2019/2020”, complementa Freitas.

Entre os pecuaristas houve um incremento de 20,7 pontos, para 109,6 pontos. Dos 21 trimestres em que o estudo já foi realizado, esta é apenas a terceira vez em que o índice dos pecuaristas fechou acima de 100 pontos. O crédito, a produtividade e as condições gerais da economia sustentaram o inédito nível de confiança.

Já para o Índice da Indústria (Antes e Depois da Porteira) a alta foi de 18 pontos sobre o 3º trimestre de 2018, atingindo 117,3 pontos. As indústrias antes da porteira (insumos agropecuários – máquinas e equipamentos agrícolas, fertilizantes, defensivos e sementes) apresentaram avanço de 27,6 pontos, para 122,9 pontos, refletindo o bom desempenho desse ramo de atividade ao longo do ano.

Para fertilizantes, por exemplo, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o volume entregue no mercado interno cresceu 3,9% no acumulado de janeiro a outubro de 2018 (último dado disponível) em comparação ao mesmo período de 2017. No caso dos fabricantes de defensivos, as empresas começaram a safra 2018/2019 num mercado mais enxuto, encerrando um período de duas ou três safras de estoques elevados de produtos. Além disso, as entrevistas para o Índice de Confiança mostram que nesta safra os produtores estão mais preocupados com o controle de pragas e doenças do que em anos anteriores. Em relação às máquinas agrícolas, o crescimento foi de 25% na produção e de 11% nas vendas totais do ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O índice das indústrias Depois da Porteira (Alimentos) passou de 101,0 pontos no terceiro trimestre para 114,8 pontos no último trimestre de 2018, alta de 13,9 pontos. Embora menor do que as empresas de insumos, o aumento não deixa de ser expressivo, já que o ano de 2018 foi desafiador para a maioria das indústrias deste segmento, com margens apertadas e ambiente de negócio ruim, causados pela greve dos caminhoneiros e pelas incertezas trazidas pela guerra comercial entre EUA e China, dentre outros fatores. Dessa forma, “mesmo com a melhora bastante significativa na percepção das condições gerais da economia no último trimestre do ano, ainda persiste uma preocupação quanto às condições do negócio em particular, o que impediu um avanço ainda maior do índice da Indústria Depois da Porteira”, avalia Roberto Ignacio Betancourt, diretor titular do Departamento do Agronegócio da Fiesp.

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Até 2030 Brasil poderá ser campeão mundial de segurança alimentar

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

O livro “Agro é Paz: análises e propostas para o Brasil alimentar o mundo” reúne sugestões apresentadas recentemente aos candidatos à presidência da República. Organizado pelo engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues e publicado pela Esalq/USP, foi apresentado durante a primeira reunião deste ano do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta segunda-feira (4/2).

“Queremos transformar o Brasil em campeão mundial de segurança alimentar até 2030. Essa publicação é inédita e reúne pela primeira vez propostas estratégicas dos setores urbano e rural com a academia”, observa Rodrigues, ex-ministro da agricultura, coordenador dos trabalhos e do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Este título reúne artigos originais de especialistas em 412 páginas e 14 capítulos temáticos, com o apoio de diversas instituições, entre elas, a Fiesp, CNA, OCB, UNICA e Santander. A Fiesp responde pelos capítulos dedicados à macroeconomia, defesa agropecuária, indústrias do agronegócio e agroenergia.

Também na pauta do encontro, nutrição e saúde animal, temas essenciais, pois, segundo Roberto Betancourt, presidente do Sindirações e diretor titular do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp, pois o Brasil é cobrado em termos de sustentabilidade. “O consumidor europeu vai exigir isso do Brasil e nós temos tudo para sermos sustentáveis na produção animal. Temos qualidade em tudo o que fazemos. Conforme vamos “tecnificando” a produção animal, melhoramos a produtividade e ao mesmo tempo reduzimos a emissão de C02 por quilo produzido. Para atingir essa sustentabilidade é preciso um esforço transversal de todas as cadeias”, conclui.

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Destaque do Cosag da Fiesp foi a apresentação de livro coordenado por Roberto Rodrigues: “Agro é paz”. Foto: Karin Kahn

Crédito Rural Brasileiro

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O informativo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, traz o acompanhamento mensal do Crédito Rural Contratado no Brasil, com as informações disponibilizadas pelo Banco Central do Brasil.

Esse boletim apresenta uma síntese das informações oficiais disponibilizadas sobre o volume financeiro contratado do crédito rural para o período e acumulado na safra.

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Os outros informativos periódicos  produzidos pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo sãoIPCA Alimentação e Bebidas (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Balança Comercial do Agronegócio, Safra Brasileira de Grãos, Safra Mundial de Milho e Preços das Principais Commodities do Agronegócio.

PIB do Agronegócio Paulista cai 3,8% em 2017 e fica em R$ 267,9 bilhões

Agência Indusnet Fiesp

Representando 18,8% do PIB do Agronegócio Brasileiro, o PIB do agronegócio do Estado de São Paulo somou R$ 267,9 bilhões no fechamento de 2017, uma queda de 3,8% no ano, após um avanço expressivo de 7,5% em 2016. Os segmentos acompanhados para a sua formação registraram baixa no período avaliado, com quedas similares de 4,6% em insumos e agropecuária, e de 3,6% na indústria e nos agrosserviços, divulgou nesta terça-feira (24 de abril) o Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Segundo Roberto Betancourt, diretor titular do Deagro, apesar de possuir uma atividade agropecuária e industrial bastante diversificada, o setor sucroenergético é preponderante para a formação do resultado final do PIB do setor.

“Na agroindústria, a maior influência veio do setor sucroenergético, puxada pelo recuo de preços do açúcar a despeito do aumento dos volumes produzidos. A maior oferta, em paralelo à posição retraída dos compradores, significou a desaceleração das cotações no mercado interno. No mercado internacional, o preço da commodity perdeu ritmo, influenciado, principalmente, pelas projeções de superávit global. Na indústria do etanol, preços e volumes em baixa levaram ao recuo no faturamento”, explica Betancourt.

O decréscimo na produção do biocombustível ocorreu em função dos preços mais favoráveis do açúcar, que incentivaram a destinação de ATR a este produto, e também ao aumento no consumo de gasolina em detrimento do etanol hidratado. Outros segmentos como os da indústria de suco de laranja, abate de aves e laticínios também recuaram. Já a indústria de café, bebidas, papel e celulose, apresentaram bons resultados no período.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, aponta ainda que o ano de 2017 também foi difícil para as indústrias de insumos agropecuários, que registraram faturamento 4,6% menor em relação ao ano anterior. “A despeito do bom desempenho no início de 2017 das atividades de máquinas e implementos agrícolas, pesou neste resultado o menor volume plantado e colhido de cana-de-açúcar (principal atividade agrícola no estado). Nas indústrias de rações, sal mineral e medicamentos, o menor patamar de preços também suprimiu o aumento em volume, levando a baixas no faturamento”, disse Skaf.

No caso da agropecuária (produção primária), o resultado foi 4,6% inferior ao observado em 2016. Este desempenho foi influenciado, principalmente, pela a atividade agrícola, com queda de 5,8%, enquanto a pecuária ficou relativamente estável, com recuo de 0,2%. Os destaques positivos neste elo da cadeia produtiva vieram da mandioca, laranja, ovos, leite e suinocultura. No caso da laranja, o aumento de produção foi o principal impulso ao faturamento. Mesmo com a oferta em alta, o nível de preços da laranja paulista registrou maior patamar na avaliação anual, refletindo a maior demanda das indústrias processadoras.

Entretanto, o bom desempenho dessas culturas não foi suficiente para um resultado positivo, uma vez que as atividades de avicultura, bovinocultura, cana-de-açúcar, café, tomate, uva, entre outras, registraram fortes quedas.

O resultado do PIB do agronegócio do estado de São Paulo veio na mesma direção do PIB do agronegócio brasileiro que, segundo projeção da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), fechou em queda de 4,5%, apesar da safra recorde de grãos.

Metodologia:

O PIB do agronegócio é calculado a partir da soma do valor agregado pelas “indústrias antes da porteira da fazenda” ou de insumos agropecuários, com participação de 5,5%; pela atividade “dentro da porteira da fazenda” ou agropecuária, com 11%; pelas indústrias “depois da porteira da fazenda”, preponderantemente as de alimentos, com 40,7%, e pelos serviços diretamente ligados ao agronegócio, com 42,7%.

Clique aqui para ter acesso à íntegra do levantamento.


 

Diversificação no agronegócio, com empreendedorismo, para gerar trabalho, recomenda Skaf em Presidente Prudente

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp, Ciesp, Sesi-SP e Senai-SP, Paulo Skaf, assinou convênios do Programa Atleta do Futuro (PAF) com seis municípios da região de Presidente Prudente nesta quarta-feira (18 de abril). Em entrevista coletiva depois da cerimônia de assinatura, Skaf destacou o potencial na região para a diversificação do agronegócio. “Do que esta região precisa é trabalho e empreendedorismo.”

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Paulo Skaf na cerimônia de assinatura do PAF com municípios da região de Presidente Prudente. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Assinaram o convênio os municípios de Mirante do Paranapanema, Pauliceia, Junqueirópolis, Dracena e Panorama. Além desses, o município de Presidente Prudente assina o termo de parceria em Qualidade de Vida, que beneficiará pessoas com deficiência. Depois Skaf assinou na Escola Sesi de Santo Anastácio convênio do PAF com o município.

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Em todo o Estado de São Paulo são mais de 100 mil alunos beneficiados pelo programa, que envolve 187 prefeituras conveniadas. Desde 2008, o Atleta do Futuro tem estimulado a prática esportiva e a cidadania de crianças e adolescentes. Além de introduzir a prática esportiva aos participantes, os alunos recebem orientação em temas transversais como saúde, trabalho, consumo consciente, meio ambiente e pluralidade cultural, dentre outros.

Os instrutores trabalham para difundir valores como ética, superação, autoestima e socialização, com o intuito de ajudar o aluno a se desenvolver de modo pleno.

Reformas econômicas e ajuste fiscal criam condições para o crescimento sustentado do agronegócio na próxima década, aponta estudo da Fiesp

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

O agronegócio brasileiro, responsável em grande parte pelo início da recuperação econômica brasileira em 2017, continuará como um dos protagonistas no cenário internacional. Essa é uma das conclusões do “Outlook Fiesp 2027 – Projeções para o Agronegócio Brasileiro”, levantamento elaborado pelo Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp, que reúne as projeções do setor para a próxima década, em termos de produção, produtividade, área plantada, consumo doméstico e exportações.

O documento, divulgado nesta sexta-feira (15/12), destaca que o cenário brasileiro para 2018 é de retomada mais consistente da economia. “O desemprego deve continuar a trajetória de queda e a taxa básica de juros tende a ficar em patamar historicamente baixo. No curto prazo, o setor de alimentos estará entre os mais beneficiados pela recuperação do poder de compra da população, com impacto positivo no consumo de produtos que dependem mais do mercado interno. É o caso das proteínas animais, como as carnes e os derivados do leite, e também dos alimentos mais elaborados”, aponta o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Para Skaf, no horizonte projetado, as reformas estruturais já feitas e as que ainda virão darão maior eficiência ao Estado e abrirão caminho para implementar políticas públicas mais eficazes. “A agrícola, por exemplo, poderá iniciar sua migração para um modelo mais robusto. Com novos cortes na taxa básica de juros – e sua permanência em nível adequado –, o custo do governo para a equalização do crédito rural tenderá a cair, o que abrirá espaço para finalmente haver um seguro de renda”.

Por outro lado, o estudo aponta que neste cenário, o real tende a ficar mais valorizado em relação ao dólar, o que deve significar margens apertadas aos produtores, como ocorreu em 2017, exigindo investimentos cada vez maiores em tecnologia e gestão.

Nesta edição do Outlook Fiesp, o cenário foi marcado pela grande variação entre as safras 2015/2016 e 2016/2017. Na primeira, as baixas produtividades tanto da soja quanto, principalmente, de milho, provocaram escassez no mercado interno. No caso do milho, os preços explodiram, prejudicando as cadeias das carnes. Na safra 2016/2017, a oferta foi abundante, fruto das excelentes produtividades em praticamente todas as principais regiões produtoras do País, que proporcionaram uma safra recorde. Também houve boas safras em outros países importantes, como os EUA, o que pressionou para baixo os preços internacionais.

Da mesma forma, no açúcar, as cotações recordes em 2016 passaram para um cenário de preços mais baixos em 2017. A valorização da moeda brasileira em relação ao dólar também não contribuiu para uma melhor precificação dos produtos agrícolas em geral.

“Apesar do risco climático inerente ao setor, projetamos uma menor volatilidade externa nos mercados agrícolas, após uma estabilização dos preços das commodities em geral. No mercado interno, apesar do risco político devido às incertezas quanto as eleições de 2018, trabalhamos com o cenário de retomada do crescimento econômico”, observa o gerente do Deagro, Antonio Carlos Costa.

Segundo o estudo, a produção brasileira de carne bovina deve alcançar 11,2 milhões de toneladas em 2027, alta de 21% no período projetado. A perspectiva para o produto é também positiva em relação ao consumo doméstico, que deve atingir 8,7 milhões de toneladas e às exportações líquidas, com 2 milhões de toneladas, aumentos de 14% e 53% na próxima década. Já o segmento de lácteos deve alcançar a produção de 46,2 bilhões de litros de leite, o que representa um incremento de 37%.

Para a soja, uma das principais culturas do país, a projeção do Outlook Fiesp para a safra 2026/2027 é de crescimento de 27% na produção. O consumo doméstico e as exportações também devem se manter em ascensão, com 15% e 43% de crescimento, respectivamente.

Se o documento avalia que a continuidade da agenda reformista tende a manter a moeda brasileira valorizada, alguns produtos como o açúcar, o café e o suco de laranja não sentirão tanto o efeito da valorização do real, posto que seus preços internacionais tendem a subir em dólar com o fortalecimento da moeda nacional, dada a alta participação das exportações brasileiras no mercado mundial. Para essas culturas, esse cenário tende a manter os insumos com preços mais baixos, além de promover a desalavancagem das empresas que detêm dívidas cotadas em dólares. Nesse sentido, as margens podem até melhorar”, observa Costa.

Sobre o Outlook Fiesp

O Outlook Fiesp é uma produção do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Devido à possibilidade de alteração nas estimativas em razão dos fatores de risco inerentes ao setor agrícola ou a mudanças nas expectativas macroeconômicas, a partir desta edição as previsões serão revisadas de forma periódica ao longo do ano ou caso algum evento mais relevante signifique uma modificação importante das perspectivas para as commodities analisadas. As atualizações realizadas poderão ser acompanhadas e estarão disponíveis para consulta e download, só clicar aqui.

No Rally da Pecuária, Skaf destaca avanço e eficiência do setor

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Na apresentação, nesta quinta-feira (24 de agosto), dos resultados do Rally da Pecuária 2017, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, destacou o avanço da tecnologia empregada pelos criadores e a eficiência do setor. “Os milhões de envolvidos na pecuária sabem investir, produzir e ultrapassar as barreiras da economia brasileira” afirmou na abertura da cerimônia, realizada no prédio da Fiesp.

“Temos muitas vantagens competitivas e temos que aproveitá-las”, disse o presidente da Fiesp e do Ciesp. “Como não ser otimista em relação ao Brasil, com este território, clima, e especialmente o povo do país? Apesar de estarmos debaixo de tempestade, precisamos olhar para a frente, com otimismo.” Em sua avaliação, o “pensamento positivo vai atuar como catalisador da retomada do crescimento”, criando depois um ciclo virtuoso que levará à geração de empregos e ao aumento da arrecadação.

Skaf destacou avanços no último ano, com a reforma trabalhista, nova lei do petróleo, teto dos gastos, inflação sob controle.

Mario Sergio Cutait, diretor titular do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), também destacou o otimismo em relação ao setor, que tanto na agricultura quanto na pecuária apresenta enorme resiliência. “Produzimos alimento seguro, de qualidade, competitivo.”

André Pessôa, membro do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), lembrou que o ano foi difícil, com eventos fora do setor que tiveram impacto sobre sua cadeia produtiva, mas que foram superados.

No Rally da Pecuária, equipes técnicas realizam um levantamento completo de informações in loco sobre as condições das pastagens e da bovinocultura nas áreas de cria, recria, engorda e confinamento do país.

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Cerimônia de apresentação dos resultados do Rally da Pecuária 2017, na Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Skaf participa de homenagem ao Dia do Agricultor

Agência Indusnet Fiesp

Em cerimônia nesta segunda-feira (31 de julho) na Assembleia Legislativa de São Paulo em homenagem ao Dia do Agricultor, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, disse que o setor sucroalcooleiro é muito importante para o Brasil e principalmente para o Estado, que concentra usinas.

O setor sucroalcooleiro, “este entrelaçamento que deu certo [entre indústria e agricultura] está presente em mais de metade dos municípios de São Paulo”, destacou. “Temos que dar apoio ao agricultor, ao produtor, porque assim estamos dando apoio ao desenvolvimento do Brasil.”

Skaf defendeu o seguro rural, “uma segurança de renda”, para permitir o planejamento dos produtores, “porque se não fica muito arriscado”. Há necessidade de buscar certa estabilidade e estimular ainda mais a produção, defendeu.

Também é fundamental o papel das cooperativas no financiamento do agronegócio, destacou o presidente da Fiesp e do Ciesp.

Referindo-se ao setor produtivo ali reunido, Skaf disse que “o Brasil que funciona é este aqui, o Brasil da seriedade, o Brasil do emprego, o Brasil do desenvolvimento, o Brasil da paixão. Não se constrói uma Nação a não ser com muito trabalho, com muita competência”.

Skaf destacou que quem desenvolve uma nação é o suor da testa de cada um, o conjunto das pessoas. “Precisamos apenas de oportunidade, tirando as pedras do caminho daqueles que querem trabalhar, querem produzir, querem se desenvolver”, afirmou. “O resto as guerreiras e guerreiros como vocês, milhões por aí, em São Paulo e no Brasil, sabem dar conta do recado. É só deixar a estrada livre.”

O Brasil, afirmou Skaf, precisa no momento prioritariamente da retomada do crescimento, para combater o desemprego. “Temos que fazer que o país saia deste momento de pessimismo”, colocá-lo outra vez nos trilhos e novamente enxergar o espírito empreendedor, natural do brasileiro. “É hora de olharmos o Brasil como ele merece”, defendeu. “Os problemas, administramos e resolvemos. O que não é possível mais é continuar com uma agenda negativa no Brasil.”

Skaf defendeu também a continuidade das reformas, como a da Previdência, a política e a tributária. “Temos que modernizar estruturalmente o país”, disse, reforçando os alicerces para que a retomada do crescimento se dê sobre base mais firme, “por décadas”.

O presidente da Fiesp e do Ciesp afirmou ser gratificante participar das homenagens prestadas a pessoas que se destacaram por serviços prestados à agricultura.

O evento ocorreu por iniciativa do deputado estadual Itamar Borges (PMDB), presidente da Comissão de Atividades Econômicas da Assembleia, e teve a participação do presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp, Jacyr Costa.

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Skaf com homenageados pela Assembleia Legislativa de São Paulo no Dia do Agricultor. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Confiança do Agronegócio cede 3,9 pontos no 1º tri, para 100,5 pontos, e se mantém em nível otimista

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro), medido pelo Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), caiu 3,9 pontos no 1º trimestre deste ano em relação ao 4ª trimestre de 2016, ficando em 100,5 pontos. Na comparação com o 1º trimestre de 2016, o índice é 17,9 pontos superior, o que mostra que a mudança no patamar de confiança em relação ao ano anterior se mantém.

Apesar da oscilação para baixo do ICAgro no trimestre analisado, os produtores e empresas que compõem o agronegócio mantiveram-se na faixa acima de 100 pontos. De acordo com a metodologia do estudo, pontuação acima de 100 pontos corresponde a otimismo e resultados abaixo disso indicam baixo grau de confiança.

Ainda que tenha ocorrido uma queda no índice geral, as indústrias de insumos mantiveram-se em um patamar elevado de confiança, em 109,4 pontos. “O resultado positivo advém de uma safra recorde de grãos, que tende a elevar a demanda deste segmento, como foi possível observar nos resultados de entregas de fertilizantes, bem como nas vendas de máquinas agrícolas, em recuperação em relação aos anos anteriores”, aponta Antonio Carlos Costa, gerente do Deagro da Fiesp. De acordo com os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de janeiro a março deste ano foram vendidos, no mercado brasileiro, 9,5 mil tratores de rodas, cultivadores e colhedeiras, um crescimento de 45% sobre o mesmo período do ano passado.

Para a indústria Depois da Porteira, em especial as de “Alimentos”, a queda no 1º trimestre deste ano em relação ao 4º trimestre de 2016 foi de 2,6 pontos, para 102,0 pontos, mantendo o patamar otimista. A percepção dessas empresas sobre a economia brasileira melhorou no período avaliado, mas houve uma relativa perda de otimismo com as condições do negócio. O sentimento é reforçado pelos dados de vendas no varejo de alimentos e bebidas divulgados pelo IBGE, que registrou recuo de 3,1% no mesmo trimestre pesquisado.

O índice do Produtor Agropecuário também recuou no fechamento do 1º trimestre – queda de 7 pontos, para 95,5 pontos. Esse cenário foi impactado especialmente pelo Produtor Agrícola, que ficou em 97,5 pontos, 8,2 pontos abaixo do último trimestre de 2016. Apesar da constatação de uma preocupação muito menor que o usual do produtor em relação ao clima e das ótimas avaliações quanto à produtividade, o resultado foi fortemente afetado pela queda nos preços dos principais produtos agrícolas.

A percepção é que o período de alta nas cotações de soja, milho, açúcar e etanol – cujos picos foram registrados de maio a novembro do ano passado – ficou para trás. Os preços da laranja, ainda em alta, e do café, relativamente estáveis, são as exceções.

Márcio Lopes de Freitas, presidente da OCB, aponta que “o resultado deste início de 2017 poderia ser pior, não fosse o excelente desempenho das safras de soja e milho, que apresentam ganhos de produtividade de 16,3% e 28,8%, respectivamente, em relação à safra anterior, segundo a Conab”. A liderança cooperativista esclarece, ainda, que o indicador de produtividade atingiu o valor mais elevado da série histórica, ajudando a segurar uma queda mais acentuada no otimismo dos produtores agrícolas.

Por fim, o índice de Confiança do Produtor Pecuário fechou em 89,5 pontos, 3,7 pontos abaixo do 4º trimestre do ano passado. Assim como ocorreu com os produtores agrícolas, os preços estão entre os aspectos sobre os quais a percepção dos criadores mais piorou. Entre dezembro de 2016 e março deste ano, as cotações do boi caíram 4% – a queda acumulada em doze meses é de 8%. Esses números explicam a desconfiança dos pecuaristas de corte. No caso do leite, os preços neste ano subiram 4% de dezembro do ano passado a março deste ano. Ainda assim, estão quase 20% abaixo do pico registrado em agosto de 2016.

Segundo o Presidente da Fiesp, Paulo Skaf, “o nível de otimismo está em linha com os dados divulgados na última semana pelo IBGE, que apontou um crescimento de 13,4% do PIB da agropecuária no primeiro trimestre de 2017. Ainda que ocorram oscilações naturais de humor fica evidente a competência e a capacidade do agronegócio em gerar bons resultados para a economia e a sociedade brasileira, tão necessários para impulsionar a retomada do crescimento e a geração de empregos”.

Clique aqui para ter acesso ao estudo completo.

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: BIOSEV – MULHERES DO AGRONEGÓCIO


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Por Karen Pegorari Silveira

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócios (ABMRA) aponta que nos últimos dez anos, a presença da mulher no campo saltou de 3% para 10%. Algumas das indústrias ligadas ao agronegócio também tiveram seu quadro de funcionárias ampliado. Na Biosev, por exemplo, mais de 1000 mulheres ocupam cargos nas 11 unidades em todo o Brasil, além do escritório-sede em São Paulo. Desse total, cerca de 11,5% têm funções de liderança (diretora ou superintendente) e 22% atuam em cargos de gerência (ano passado eram 18%).

No Polo de Lagoa da Prata (MG) são 103 mulheres, 40 no setor agrícola, 18 na indústria, nas áreas de laboratório/qualidade são 13, nas áreas de saúde, segurança e meio-ambiente são 12, na área administrativa 7, além de 13 menores aprendizes.

Essa preocupação surgiu após um diagnóstico sobre diversidade e fez a empresa criar um grupo multidisciplinar de trabalho sobre o tema a fim de levantar o contexto da empresa no que diz respeito à atração e à retenção de talentos com esse perfil. De acordo com informações da empresa, as diretrizes levantadas estão sendo trabalhadas com o objetivo de promover a igualdade de gênero.

Silvanira Souza está há quase 8 anos na empresa, e começou na Biosev como auxiliar agrícola. Em três anos passou a exercer a função de fiscal agrícola no plantio mecanizado no Polo MS (unidades Passa Tempo, Rio Brilhante e Maracaju). Desde 2013, atua como líder de Desenvolvimento Agronômico, sendo responsável pelo controle químico e biológico das pragas e por rotinas administrativas como gestão de pessoas.

A alta liderança da unidade Lagoa da Prata (MG) também é de uma mulher. Tania Fernandes, assumiu o cargo de superintendente e em sua gestão a unidade registrou a maior safra da história, com recorde de moagem e produção de açúcar. Além de investir em tecnologia agrícola e realizar uma colheita 100% mecanizada, o trabalho da Tânia também aproximou ainda mais a empresa da comunidade local, por meio de programas sociais e ambientais.

“Acredito que posso inspirar outras mulheres. Quando elas me veem em uma posição estratégica, vislumbram a real possibilidade deste caminho”. Tânia ressalta que não se trata de uma escolha simples e requer algumas renúncias. “Para quem realmente gosta do que faz e deseja fazer a diferença na sua área de atuação, a liderança é muito gratificante”, declara a executiva.

Como reconhecimento pelo esforço da empresa na promoção da igualdade de gênero, o IFC (International Finance Corporation) – instituição membro do Grupo Banco Mundial, convidou a Biosev para participar de um estudo sobre a atuação de mulheres em áreas operacionais agrícolas. A publicação foi divulgada no início de março deste ano e reúne as principais práticas de diferentes setores e países.

Sobre a Biosev

Segunda maior processadora global de cana-de-açúcar, a Biosev produz açúcar, etanol, ração animal, levedura, melaço em pó e energia. Comercializa seus produtos em mais de 30 países na América do Norte, América do Sul, África, Europa, Ásia e Oriente Médio. Tem capacidade de produzir 1,6 milhão de metros cúbicos de etanol e exportar até 1.346 GWh de energia elétrica proveniente de biomassa.

Na Fiesp, Maílson da Nóbrega fala em revolução no financiamento do agronegócio

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

“Estamos no limiar de uma revolução no financiamento agrícola, que nem todos perceberam”, disse nesta segunda-feira (6 de março) na Fiesp o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega. Ele participou de reunião do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), fazendo exposição com o tema “Financiamento da Agricultura Brasileira”.

Nóbrega explicou a nova tendência para as fontes de recursos do crédito rural. A letra de crédito do agronegócio tende a se tornar a principal fonte de financiamento do setor, disse. Já responde por 12% e experimenta crescimento muito grande. O mercado de capitais será o grande financiador, por meio de equity e de debt, afirmou. Nos EUA, ele responde por mais de 80% do crédito. A securitização, segundo o ministro, também ganhará participação.

O BB continuará por muito tempo como líder, na opinião de Nóbrega, pela tradição, experiência, capilaridade e capacidade de captação de recursos.

Ele apresentou ideias para um novo sistema de financiamento rural. Uma delas é o Estado atuar nas falhas de mercado. Subsídios ao crédito rural deveriam existir em casos específicos, com valores inscritos no Orçamento da União e avaliação permanente.

A fonte básica deve ser o mercado de capitais, sem direcionamento oficial.

Nóbrega defende ainda o fim do crédito obrigatório, em contexto de redução substancial do direcionamento de depósitos compulsórios dos bancos e de busca de nível civilizado para a taxa Selic.

O Plano de Safra deve se transformar em conjunto de políticas para incentivar as atividades rurais, em vez de ser voltado ao crédito, disse.

Jacyr da Costa Filho, presidente do Cosag, ressaltou a importância do tema discutido na reunião, que teve também a participação, como debatedores, de outros especialistas em crédito rural.

Tarcisio Hübner, vice-presidente de Agronegócios e Micro e Pequenas Empresas do Banco do Brasil – e, a convite de Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, membro do Cosag -, disse que o crédito subsidiado caminha para o fim, o que pode demorar alguns anos. Explicou que o banco busca novas opções, como a letra de crédito do agronegócio, que já representa carteira de R$ 130 bilhões no BB. Lembrou que os bancos são capazes de suprir apenas uma pequena parte do que o agronegócio precisa para se financiar. “É um desafio para os bancos acompanhar esse aumento de produtividade.”

Fabiana Alves, diretora executiva do Rabobank Internacional Brasil S/A – Área Rural, explicou que o banco, com origem em cooperativas na Holanda, opera há mais de 100 anos. No Brasil está no agronegócio há 10 anos, com R$ 3 bilhões para 1.200 agricultores dentro da porteira e R$ 5 bilhões fora da porteira. O segundo capítulo da história do agronegócio, disse, será a absorção da tecnologia de gestão, disse Alves, com a adoção de controles e governança.

Alexandre Figliolino, diretor da MBAgro – MB Associados, considera que ainda falta uma rede de proteção para a agricultura, o que permitirá tornar o crédito rural mais próximo do crédito normal. Destacou a necessidade de um banco de dados, para conhecer as condições financeiras dos produtores, e a adoção de planos plurianuais de safra. Para aumentar a oferta de seguro, defende a criação de um fundo de catástrofes, para haver interesse das seguradoras. Essa rede de proteção, disse Maílson da Nóbrega, é fundamental para a transição de sistemas de financiamento. É preciso estabilizar a renda do agricultor e reduzir seus riscos.

Ivan Wedekin, da Wedekin Consultores, lembrou que o crédito rural sempre foi tratado como prioridade pelos diferentes governos, mesmo nas crises. Os títulos do agronegócio, com destaque para o certificado de recebíveis do agronegócio, já não são novidade. Wedekin projeta crescimento de 1 milhão de hectares por ano na área plantada.

Também participante da reunião, como debatedor, Marco Aurélio Borges de Almada Abreu, diretor-presidente do Bancoob, destacou a importância do sistema de crédito cooperativo. Há 20 anos os bancos cooperativos crescem ininterruptamente, disse. Em 1995 tinham 0,35% do mercado, e agora têm 5% (10% no financiamento à agricultura). Maílson da Nóbrega acha que em algum momento vai haver um banco cooperativo de crédito no Brasil com as características dos similares do Japão, França e Holanda, com a fusão das instituições atuais.

O ex-ministro Maílson da Nóbrega durante reunião do Cosag, da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O ex-ministro Maílson da Nóbrega durante reunião do Cosag, da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


História do crédito rural

Nóbrega lembrou que sua carreira é ligada ao crédito rural. Explicou a evolução do crédito rural, a partir da década de 1930, com o penhor rural da safra pendente, de 1936. Em 1938 surgiu a Carteira de Crédito Rural e Industrial do Banco do Brasil. Sem ter as mesmas condições, houve a tentativa de imitar o Farm Credit System dos EUA.

De 1945 a 1964 o BB se torna o centro do sistema, com empréstimos rurais descontados na Carteira de Redescontos. Com o surgimento do Banco Central, implantado em 1965, há profundas mudanças no setor financeiro.

A lei 4829/65 institucionalizou o crédito rural, com a obrigatoriedade de aplicação de depósitos à vista em financiamento à agricultura. O BC criou a Diretoria de Crédito Rural e Industrial, o que Nóbrega considera uma distorção.

Só que no crédito rural a reforma não aconteceu, por problemas na interpretação da lei. Depois foi institucionalizada a “conta de movimento” do BC no BB, que por mais de 20 anos foi a mais importante fonte de financiamento rural. O BB passou a ter suprimento automático de recursos.

Explodiu a expansão do crédito rural, com a atuação do BB, do BC e de bancos comerciais. Para haver recursos para os bancos oficiais, o crédito passou a alimentar a dívida pública.

O sistema acabou ficando insustentável. O crédito rural tinha o foco total, e outros mecanismos de incentivo à agricultura foram negligenciados. Nos anos 1980, com juros fixos em meio a uma inflação crescente, o volume de subsídios se agigantou. A tentativa de correção não funcionou.

O governo passou a estudar o crédito rural em outros países, especialmente EUA e França.

Depois da crise da dívida e dos acordos com o FMI, 150 técnicos liderados por Nóbrega sugeriram seis medidas saneadoras, entre elas a autorização para o BB funcionar como um banco normal, podendo captar recursos em caderneta de poupança rural. Foram implantadas em 1986 e 1987. E o BB, disse Nóbrega, se tornou uma excelente instituição financeira, competitiva e moderna.

A existência da Embrapa e o sistema Embrater tiveram papel essencial numa revolução no campo, assim como a expansão da infraestrutura no Centro-Oeste.

Falido, o sistema de crédito rural pouco deixou em seu lugar, mas o agronegócio se saiu bem com o pouco que havia no país – e com baixíssima intervenção do Estado. Em 50 anos a área cultivada dobrou, e a produção se multiplicou por 4 a 5. Com a tecnologia da Embrapa e de outras instituições, com o plantio direto, a agricultura de precisão, liderança do empreendedorismo, o Brasil se tornou potência rural, e o agronegócio se converteu em fonte relevante de crescimento econômico e de geração de superávit na balança comercial.

Clique aqui para ter acesso à apresentação de Maílson da Nóbrega no Cosag.

Indústria e agricultura precisam estar juntas na busca de soluções, afirma Skaf

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, disse nesta segunda-feira (6/2) que a agricultura e a indústria têm que andar lado a lado. “Agronegócio é agricultura e indústria, indústria e agricultura. Temos que estar juntos buscando soluções”, afirmou.

Skaf participou de reunião do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), em evento que comemorou 10 anos de sua criação. Skaf ressaltou a importância do trabalho, voluntário, do conselho. Chamou de importantíssimo o agronegócio brasileiro e lembrou a força de produtos como a cana e a laranja no Estado de São Paulo.

O agronegócio, disse Skaf, foi o primeiro setor da economia brasileira a recuperar a confiança, no segundo trimestre de 2016, o que foi identificado pelo Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro), estudo feito pela Fiesp e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Da apresentação do ministro Blairo Maggi (Agricultura), convidado para uma palestra no Cosag, ressaltou a atenção dada à busca de eficiência nos produtos em que o Brasil não é competitivo. Também o fato de estar alerta às oportunidades criadas pelas mudanças, sob o governo Trump, do mercado mundial. A pasta da Agricultura está em boas mãos, graças à visão de Maggi, disse.

“Estamos num momento de oportunidade no Brasil”, afirmou Skaf. Como exemplo, lembrou que parou de se falar em aumento de impostos, e foi aprovada emenda constitucional para limitar o crescimento de gastos do governo.

Várias reformas são debatidas, algumas que não saíam do papel durante anos, e agora deverão ser aprovadas. Os juros começaram a cair, lembrou Skaf, e agora é necessário destravar o crédito. O BNDES, disse, não está operando. Está recebendo, mas não está emprestando. “Está errando.”

“O pato está de prontidão”, disse Skaf, quando Maggi ressaltou a importância de não permitir o aumento da carga tributária sobre o agronegócio. O pato surgiu como símbolo da campanha contra o aumento de impostos promovida por diversas entidades a partir de setembro de 2015.

“Nossa confiança no Brasil é muito grande”, disse Skaf. Acima de tudo, somos brasileiros e nos orgulhamos muito disso. Precisamos pôr o país no trilho, com políticas acertadas. E deixar a iniciativa privada trabalhar. A queda do PIB parou, deve haver crescimento de cerca de 0,5% este ano, e o emprego deve ter um início de retomada adiante.

O agronegócio tem papel fundamental para a retomada do crescimento econômico, necessário para a recuperação da arrecadação e a geração de empregos, destacou Skaf.

É semelhante a análise do ministro Blairo Maggi. O setor, disse, pode responder rapidamente, o que aumenta sua importância. “A balança comercial do agro é muito interessante”, destacou. Maggi fez apresentação intitulada Mercado Internacional do agro – análise. O ministro disse que, como primeiro ponto de sua atuação à frente da pasta da Agricultura, tem tentando incentivar os agricultores e industriais a aumentar sua produção e sua produtividade. Procura criar um ambiente favorável ao negócio.

Lembrou que há graves problemas no setor que o poder público deveria resolver e disse que a redução da burocracia interna de seu ministério está em curso, para que essas questões sejam sanadas, segundo item de sua atuação. Um terceiro ponto é a ampliação dos negócios mundo afora. O Brasil tem cerca de 6,9% do mercado mundial agrícola, participação que vem caindo. Para realavancar o processo de exportação é preciso criar mercado, afirmou.

Negociações sanitárias e fitossanitárias (SPS) internacionais são o grande entrave à exportação, não as barreiras comerciais, explicou. São cerca de 600 questões em discussão.

O volume de produção do Brasil tem aumentado, mas o preço dos produtos, em queda, recuou ao nível de 2010. Maggi destacou a diversidade de produtos exportados e de mercados, o que diminui a vulnerabilidade brasileira, mas 12 produtos agrícolas representaram, em 2016, 88,3% das exportações, com destaque para a soja.

O Brasil precisa chegar a 10% de participação no mercado agrícola mundial, disse o ministro. Parte das iniciativas para mudar o panorama é estudar as fraquezas do país no setor e saná-las. E a contratação de adidos para o setor (25, em 21 postos) deve ajudar.

Há um problema de competitividade do Brasil (42% de produtos competitivos, contra 81% dos Estados Unidos e da União Europeia), que precisa ser identificado e combatido. E o Brasil se concentra muito em poucos produtos. Em pescados, por exemplo, o país é insignificante. Em frutas, representa muito pouco.

A criação de um selo brasileiro está entre as iniciativas do governo, afirmou Maggi. A sustentabilidade tem que ser o foco da mudança de narrativa em relação à produção do agro no país. Destacou que só 8% do território é dedicado à agricultura, e 17%, à pecuária – dos quais metade pode ser revertida, sem redução do rebanho.

O exemplo da China

Em sua apresentação, Maggi mostrou atenção ao comportamento da China. Grande importadora e exportadora, a China compra mais produtos primários e menos processados (proporção de 44% para 56%), e vende mais produtos processados e menos primários (75% contra 25%). A China pretende, disse, controlar as cadeias mundiais de fornecimento agrícola. Seu foco é a Ásia, o mesmo do Brasil. A população do continente é grande, e o poder aquisitivo dela está crescendo.

O ministro considera o investimento em pesquisa, em conhecimento, um grande acerto do Brasil. O ganho para o país foi enorme, permitindo aumento de produtividade. Houve uma revolução nos últimos 40 anos, feita pelo conjunto da sociedade brasileira, disse, projetando conquistas nos próximos 40 anos. E sem afetar a Amazônia, frisou.

O governo Trump já abriu oportunidades, como com o México, que vinha se recusando a dialogar sobre negócios no setor e agora se dispõe a conversar. E outras deverão surgir, disse.

Maggi também disse que está na pauta do governo a inclusão do açúcar e a reinclusão do álcool na troca de ofertas do Mercosul com a União Europeia. Esta semana o presidente argentino Maurício Macri visita o Brasil.

O ministro disse estar convencido da necessidade de importar café. Os números, fornecidos pela Conab, são muito ruins. “Eu deveria estar defendendo os agricultores”, disse o ministro, mas sem produto para processar a indústria se enfraquece, e não há agricultura forte se a indústria não for forte. “Somos carne e unha”, respondeu o ministro Maggi.

Em relação à venda de terras para estrangeiros, Maggi disse que o assunto não é tabu e está em discussão no governo. Revelou preocupação pessoal a respeito de terras para culturas anuais.

Paulo Skaf, ao lado de Blairo Maggi e Jacyr da Costa Filho na reunião de 10 anos do Cosag - Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Paulo Skaf, ao lado de Blairo Maggi e Jacyr da Costa Filho na reunião de 10 anos do Cosag - Foto: Everton Amaro


10 anos do Cosag

Jacyr da Costa Filho, presidente do Cosag, abriu a reunião agradecendo o comparecimento do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, do secretário do setor em São Paulo, Arnaldo Jardim, do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e outros representantes do Executivo e do Legislativo, além de dirigentes de diversos setores da economia.

Costa Filho lembrou a iniciativa de Paulo Skaf de inserir o agronegócio na Fiesp e ressaltou o acerto do convite a Roberto Rodrigues para ser o primeiro presidente do Cosag. Depois, João Sampaio assumiu. No evento foi feita homenagem a ambos. Também foi lembrado o ministro Blairo Maggi, cuja homenagem foi feita por Skaf.

O agronegócio, ressaltou o presidente do Cosag, se apoia fortemente na pesquisa, feita por exemplo pela Embrapa. Em São Paulo, além das culturas como laranja, cana e borracha, há indústrias de máquinas e implementos e produtos químicos de uso agrícola.

Costa Filho elogiou iniciativas do ministério da Agricultura, como a defesa da sustentabilidade do etanol, e convidou Maggi a ser presença frequente no Cosag.

A pedido de Costa Filho, Roberto Rodrigues relatou as discussões do Conselhão. A seu pedido, o agronegócio foi incluído entre os grandes temas em discussão. Virou tema prioritário do governo, disse Rodrigues – o que, afirmou, não acontecia havia 40 anos.

Dentro do tema agronegócio, os pontos prioritários foram definidos como:

Plurianualidade

Sustentabilidade

Abertura comercial por meio de acordos bilaterais

Infraestrutura e logística

Renda na agricultura, com destaque para o seguro rural

Mario Sergio Cutait, diretor do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), listou estudos da casa, como o Outlook Fiesp e o IC Agro), ambos entregues ao ministro Blairo Maggi.

José Eduardo Camargo, diretor da Divisão de Nozes e Castanhas do Deagro, mencionou o potencial de crescimento do Brasil no setor. Se tivesse tido nos últimos anos a mesma evolução do Chile, exportaria atualmente US$ 153 milhões, disse. Pediu atenção para esses produtos.

>> Ouça boletim sobre a reunião do Cosag

Ásia é fronteira promissora para o agronegócio brasileiro

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil deve mirar a Ásia, que hoje responde por mais de 50% da demanda do agronegócio brasileiro; a China sozinha representa mais de 25%. Com esses números robustos, é preciso coligar os setores produtivos em duplo esforço de ampliação de acesso aos mercados internacionais e de mudança da imagem da agricultura brasileira. A afirmação partiu de Roberto Jaguaribe, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), como expositor do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, que se reuniu nesta segunda-feira, 5/12, cujo tema central foi a imagem e a comunicação do agronegócio.

Para Jaguaribe, a Apex-Brasil encontra-se hoje no “local correto” por ter saído do contexto do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e estar abrigada no âmbito do Itamaraty.  Em sua avaliação, a Agência ganha positivamente com a experiência do Ministério de Relações Exteriores em promoção comercial. Corrige-se, portanto, a dissociação que existia permitindo à Apex a penetração necessária. “Agora, haverá sinergia de capacidade de acesso aos mercados e inteligência comercial com papel importante de apoio às negociações comerciais”, avaliou.

Com grande peso em termos comerciais com o Brasil, a China é mercado complexo a ser melhor compreendido. A Apex criou um núcleo específico voltado à China que, apesar de grande economia mundial, não é autossustentável em algumas áreas, carregando demandas claras quanto à alimentação e energia, por exemplo, onde o Brasil pode contribuir efetivamente. “Os chineses são competitivos, cuja produção agrícola é a maior do mundo, mais do que o dobro da segunda colocada, que é a Índia. Mas a China faz opções estratégicas e valoriza a agregação de valor e a consequente geração de empregos”, segundo o presidente da Apex. Portanto, “o Brasil deverá fazer um esforço concentrado para penetrar esse mercado com bens de valor agregado, o que envolverá a internacionalização de empresas brasileiras dentro da China, o que já vem ocorrendo, uma tendência inclusive para o setor agroindustrial”. O movimento oposto já é real: a China está cada vez mais presente no Brasil por meio das subsidiárias adquiridas.

Imagem a ser trabalhada

Com o reposicionamento da Apex, o Brasil necessita trabalhar sua imagem no exterior. Apesar de sua produção competitiva – fruto de esforço de modelo de negócio e de pesquisa nos últimos 40 anos – ainda predomina uma imagem negativa, embora essa imagem seja completamente equivocada na avaliação de Jaguaribe. “A área plantada cresceu cerca de 20%, menos do que a produção de grãos com crescimento registrado de quase seis vezes nos últimos 40 anos. Em termos líquidos, o Brasil não está em processo de devastação, mas requer vigilância permanente. A preservação da mata nativa é superior a 60%; a devastação da Amazônia foi estancada, apesar de os números desse ano não serem bons.

Como inverter essa imagem? Especialmente na Europa, onde ocorrem os debates sobre sustentabilidade e será possível desmontar esse discurso, segundo indicou o expositor da Apex. A favor, o fato de o Brasil ser o maior produtor de sustentabilidade do mundo e ter um Código Florestal ambicioso: “temos quase 200 milhões de hectares de pasto que podem ser convertidos em grãos e agricultura”, afirmou. Nesse sentido, Jaguaribe sinalizou que está em andamento acordo comercial do Mercosul com União Europeia com o alinhamento do Brasil e da Argentina. “O Brasil está preparado para oferecer muito na área industrial”, finalizou.

Opinião concordante tem Marcos Sawaya Jank, consultor internacional de agronegócio e VP da assessoria corporativa da BRF Ásia-Pacífico. “O governo está alinhadíssimo, diferente do que ocorria no governo anterior, mas é preciso organizar o setor privado”, disse, reforçando que é preciso mudar a geografia da representação, ou seja, o Brasil é exportador de commodities e não player.

Ao avaliar que hoje existe o reconhecimento do agronegócio pela sociedade brasileira, inclusive por ser central na balança comercial, Jank elencou os cinco desafios internacionais a serem enfrentados: competitividade (o que envolve custos e infraestrutura); acesso a mercados; valor adicionado; melhoria de imagem (comunicação institucional e sustentabilidade) e internacionalização, pois “nossa presença lá fora é muito tímida e somos defensivos no debate”. Segundo informou, a soja entra sem dificuldade na China, mas o milho e a carne encontram barreiras.

Jank frisou a necessidade de se trabalhar temas transversais: segurança alimentar; qualidade e sanidade do alimento; sustentabilidade; energia renovável; modelos de produção, produtividade e coordenação de cadeias de suprimento.

Para mudança desse cenário atual, o estabelecimento de uma narrativa baseada em dados e fatos sólidos com base científica e a customização de conteúdos para diferentes temas e países com a construção de sites de alta qualidade com informações, apostando-se na síntese curta e didática, além de participar regularmente de eventos-chave.

Por exemplo, nos Estados Unidos quem decide sobre o agronegócio, além dos políticos, são as multinacionais, os grupos organizados e as coalizões. Na Ásia, além do governo, os grupos familiares e as etnias dominantes, ou seja, são cenários bem diversos. Essas ações devem ser complementadas por ações de Relações Governamentais (GR) e Relações Públicas (PR) no exterior.

Na mesa de discussões, também esteve presente o CEO da agência publicitária Lew’Lara/TBWA, Luiz Lara. Para ele, a comunicação deve alavancar a categoria de produtos e serviços e “deve-se criar marcas no mercado interno, mas também marcas globais”. Como iniciativas, citou a campanha de valorização do agronegócio por parte do TV Globo, a criação da Academia da Carne Friboi. “Na ausência de imagem, alguém impõe uma imagem a você; é o que acontece com o Brasil”, avaliou o publicitário. Em sua análise, o agro está no mundo conectado. O Brasil foi o primeiro a ratificar o Acordo de Paris, entre os países em desenvolvimento, e esse fato é muito relevante e precisa ser comunicado. O expositor frisou a necessidade de se construir estratégia de comunicação permanente.

Feira na França

Também na reunião do Cosag, o Cônsul Geral da França em São Paulo, Brieuc Pont, apresentou a experiência com o Salão Internacional da Agricultura (SIA) de Paris, além da Competição Agrícola (CGA) que há 50 anos fortalece a imagem setorial no país. Os números do Salão são robustos: de 600 a 700 mil visitantes, o que representa 1% da população francesa com grande impacto comercial e midiático. A SIA será realizada em fins de fevereiro e início de março de 2017.

Segundo Pont, hoje, mais de 900 empresas francesas estão presentes no Brasil, com mais de 100 filiais nos setores da agropecuária, da indústria agroalimentar, dos insumos e dos equipamentos, empregando 500 mil brasileiros.

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Reunião do Cosag, da Fiesp, que teve como tema central imagem e comunicação do agronegócio. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp