Brasil cresce pouco porque modelo de 2005 a 2010 não existe mais

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Mendonça de Barros disse crer que China mantém pelo menos uma taxa de crescimento em 7% anuais e que, por isso, a demanda por alimentos vai continuar forte, o que beneficia o agronegócio brasileiro. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O crescimento da economia brasileira desacelerou porque está esgotado o modelo que deu base à forte expansão da atividade econômica entre 2005 e 2010. A análise é do economista e fundador da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros.

“O governo insiste em uma medicação para uma doença que mudou, o cenário é outro agora e nós não temos a China crescendo a 12%, não temos, e nem teremos, um crescimento acelerado da demanda interna porque o grande efeito da inclusão já passou e as famílias estão endividadas”, afirmou Mendonça de Barros nesta segunda-feira (02/06) ao participar de reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado São Paulo (Fiesp).

Segundo Mendonça de Barros, a consultoria MB Associados deve revisar para baixo sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2014. “Provavelmente o crescimento deve ficar abaixo de 1%”, disse ele no encontro que reuniu empresários e especialistas, sob a condução do presidente do Cosag, João de Almeida Sampaio Filho.

Por outro lado, o economista afirmou que está otimista com a retomada de crescimento da economia norte-americana. “Esse é o fenômeno mais importante porque vai puxar o crescimento global.”

Ele também mostrou otimismo com a demanda chinesa por alimentos, apesar de expectativas com PIB menos vigoroso, abaixo dos dígitos que a China chegou a apresentar.

“Acreditamos que a China segura os 7% [de PIB] e, sendo verdade, a demanda por alimentos vai continuar forte, o que nos beneficia.”

Ao reiterar a necessidade de revisão do modelo de crescimento do Brasil, Mendonça de Barros afirmou ainda que um dos maiores desafios para o país retomar sua rota de expansão é aumentar a taxa de investimento do PIB.

O economista explicou que “o modelo de consumo estimulou uma forte queda na poupança”. Adicionado a isso, a queda da taxa de investimento do PIB desde 2010 compromete o crescimento da economia brasileira.

“A taxa de investimento tem caído sistematicamente e quem não investe, não cresce”, alertou. No primeiro trimestre de 2014, a taxa de investimento referente ao PIB caiu para 17,7%, a mais baixa para primeiros trimestres do ano desde 2009.

Produção de soja

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André Pessoa, da Agroconsult: consultoria revisou para cima a estimativa de área plantada de soja. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ao apresentar perspectivas para a produção de soja do Brasil, durante a reunião do Cosag, o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessoa, afirmou que a consultoria revisou para cima a estimativa de área plantada da oleaginosa para a safra 2014/15.

“Estávamos trabalhando com 1,2 milhão de hectares, mas subimos para 1,5 milhão de hectares para o crescimento de área plantada”, disse Pessoa. “O grande contribuinte com mais de 90% da área acrescida esse ano será, mais uma vez, a conversão de áreas de pastagem em lavoura, especialmente nas regiões leste e norte do Mato Grosso, oeste de Tocantins, sul do Pará, e sul de Tocantins.”

A Agroconsult projeta uma safra de soja de mais de 94 milhões de toneladas em 2014/2015. Pessoa reiterou, no entanto, que se houvesse uma aceleração dos investimentos em infraestrutura, para escoamento de grãos por exemplo, os produtores do setor poderiam ganhar bem além do que ganham com os avanços da produtividade da safra.

“A grande oportunidade do agronegócio, mesmo no ambiente de redução de preços internacionais, reside na logística, ou seja, na aceleração do processo de investimento em logística, o que pode dar uma contribuição para o resultado de nossos produtores muito maior que a produtividade tem dado nos últimos anos”, explicou.

Cana

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Plínio Nastari, da Datagro: subsídio do governo aos preços da gasolina importada desestimula a produção de cana-de-açúcar e provoca endividamento de produtores. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, também participou da reunião do Cosag. Ele reiterou a necessidade de mudança na política, sobretudo nos subsídios favoráveis ao preço da gasolina, para que os produtores enfrentem o que ele classificou como “a pior crise” da cana-de-açúcar.

Segundo os cálculos da Datagro, o subsídio do governo aos preços da gasolina importada chegou a 19,52% em 28 de maio. Para Nastari, trata-se de “uma política distorciva à gasolina” que desestimula a produção de cana-de-açúcar e investimentos em novas tecnologias para o setor, além de provocar um endividamento de produtores que comercializam etanol abaixo do seu preço de oportunidade.

“O endividamento só na região Centro Sul estimamos em R$66,3 bilhões na safra 2013/14, o que representou 112% do faturamento”, informou Nastari.

A Datagro estima uma moagem de mais de 616 milhões de toneladas de cana na safra 2014/15, enquanto a região Centro-Sul do país deve ser responsável pela maior parte desse volume, 560 milhões de toneladas. A volume é inferior aos 574,6 milhões de toneladas projetado anteriormente pela consultoria para a região.

Empreendedores do agronegócio premiados pelo Rally da Safra na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A noite desta terça-feira (01/04) foi de reverência aos empreendedores do agronegócio nacional. Para fechar as atividades do Rally da Safra 2014, levantamento com projeções da safra de grãos no país, foram premiados os destaques do setor em cerimônia realizada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento teve a participação do diretor da Agroconsult, André Pessoa, que apresentou os resultados do estudo de campo realizado este ano. A consultoria é a responsável pela iniciativa.

Além disso, estiveram presentes na ocasião o segundo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Nery Geller, o membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues e o diretor titular do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Benedito da Silva Ferreira.

“O André Pessôa, como um verdadeiro bandeirante, adentrou as áreas de plantio do país para fazer o Rally da Safra”, disse Ometto.

De acordo com o segundo vice-presidente da Fiesp, 24% da representação da entidade está ligada à indústria de insumos e alimentos. “Temos uma grande vocação na área”, disse. “Estamos aqui para trabalhar para o Brasil, todas as nossas posições são construtivas”.

Ometto: “Estamos aqui para trabalhar para o Brasil, todas as nossas posições são construtivas”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Ometto: “Estamos aqui para trabalhar para o Brasil”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Segundo diretor titular do Deagro, as condições enfrentadas pelos produtores rurais muitas vezes são “adversas”. “Por isso a importância de iniciativas como essa: a cada edição do Rally da Safra nos sentimos mais motivados a estreitar essa parceria”.

Em sua apresentação, Pessôa lembrou que o Rally é um esforço no sentido de “reduzir a assimetria das informações no agronegócio”. “Percorremos 65 mil quilômetros de praticamente todas as regiões do país, mobilizando uma equipe de 112 pessoas e envolvendo 2,2 mil produtores”, afirmou.

Ao longo do levantamento feito pelo Rally da Safra, conforme Pessôa, até mesmo as condições das estradas e as características físicas e nutricionais da soja no Brasil foram consideradas.

Quem tem compromisso

Para o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é preciso ajudar a “reduzir os gargalos que atrapalham o desenvolvimento”. “Temos que trazer para dentro do agronegócio quem tem compromisso com a produção”, disse Geller.

Geller: para promover a inovação tecnológica. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Geller: foco na inovação tecnológica. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“No ministério, estamos focados em trazer conhecimento para ajudar a resolver problemas”, afirmou. “Não é só disponibilizar recursos, mas também promover programas de acesso à inovação tecnológica”.

O homem que empurra o barco

Alvo da homenagem especial do prêmio Rally da Safra 2014, o fundador do Grupo Manah, de fertilizantes, Fernando Penteado Cardoso, emocionou a plateia ao destacar a “força humana” do agronegócio. “Parabenizo todos os premiados pela sua eficiência”, disse. “Que continuem a representar a força humana da nossa agricultura. A qualidade do homem que empurra o barco é muito importante”.

Representante do Grupo Bom Jesus, do Mato Grosso, na cerimônia, Nelson Vígolo recebeu o prêmio de “Produtor do Ano”. “Essa é uma grande satisfação para mim e para a minha família, que acreditou no cerrado e na produção de soja”, disse. “O Brasil é gigante na agricultura e pode crescer bem mais”.

Já a jornalista Sônia Bridi, da Rede Globo, destacada com o “Prêmio Especial Régis Alimandro de Jornalismo”, fez questão de citar a sua história pessoal com o campo. “Fiquei mais do que envaidecida e orgulhosa com esse prêmio: sou da primeira geração da família Bridi que nasceu fora da lavoura”, contou. “Foi a expansão da lavoura no país que mudou o meu destino”.

Para Sônia, é importante lembrar que existe um Brasil agrícola “eficiente e de altíssima produtividade”.

Confira abaixo a relação completa de premiados pelo Rally da Safra 2014:

Produtividade

Irmãos Cambruzzi (SC)

Excelência Agronômica

Geraldo H. Morsink (PR)

Gestão da Propriedade Agrícola

Fazenda Progresso (PI)

Produtor do Ano

Grupo Bom Jesus (MT)

Prêmio Régis Alimandro de Jornalismo

Gustavo Bonato – Thomson Reuters

Prêmio Especial Régis Alimandro de Jornalismo

Sônia Bridi – Rede Globo

Homenagem Especial

Fernando Penteado Cardoso (Fundador do Grupo Manah, de fertilizantes)

O Rally da Safra

Iniciado em 2004, o Rally da Safra vai a campo, todos os anos, para avaliar as condições das lavouras de soja e milho no Brasil. A expedição é realizada entre janeiro e março. O roteiro é escolhido com o objetivo de percorrer os principais polos produtores.

Com irregularidades climáticas, produção de grãos do Brasil não será recorde

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A safra 2013/2014 de grãos do Brasil deve ficar em 188,1 milhões de toneladas, contra 189,5 milhões de toneladas produzidas no ano passado, segundo números do levantamento Rally da Safra 2014.  O resultado é menor que o projetado por especialistas do setor, cujas expectativas apontavam para até 200 milhões de toneladas, e se distanciou do esperado recorde de produção do país. Os números foram apresentados na tarde desta terça-feira (01/04), em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Não é safra recorde, bateu na trave. A gente chegou a especular 200 milhões de toneladas e esse ano não chegará a 190 milhões”, afirmou André Pessôa, sócio diretor da Agroconsult, ao divulgar os resultados do Rally da Safra 2014. A consultoria é a responsável pela iniciativa.

Este ano, o Rally levou cinco equipes para analisar amostras de soja e três dedicadas à avaliação do milho no verão e na safrinha. Foram percorridos 65 mil quilômetros pelo país, com 112 pesquisadores. Ao menos 2,2 mil produtores foram ouvidos. O Rally colheu 726 amostras de soja e 224 amostras de milho.

A apresentação dos resultados do Rally da Safra na Fiesp: 2,2 mil produtores ouvidos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A apresentação dos resultados do Rally da Safra na Fiesp: 2,2 mil produtores ouvidos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Pessoa explicou que o resultado bem abaixo do esperado é reflexo de problemas climáticos, como irregularidades de chuva e menor uso de tecnologias para produtividade.

“A principal característica dessa safra foi a irregularidade do clima. Em uma distância muito pequena de uma lavoura para outra houve ocorrência de diferenças significativas de produtividade por conta de uma chuva a mais que um produtor pegou e o outro não”, afirmou.

De olho na soja

A safra 2013/2014 de soja deve chegar a 86,9 milhões de toneladas, 5,7% maior que a safra de 82,2 milhões de toneladas no ano passado. O número ficou abaixo, no entanto, da expectativa inicial do Rally da Safra, de 91,6 milhões de toneladas, e da Agroconsult, realizadora da expedição, de 88,5 milhões de toneladas.

No caso da safra de soja, o número é recorde, mas não coloca o Brasil como maior produtor de soja do mundo. “Não passamos os Estados Unidos e vai ficar difícil passar depois que eles divulgarem aquele aumento de 6% da produção”, confirmou Pessôa.

Pessôa: safra de soja abaixo das expectativas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Pessôa: safra de soja abaixo das expectativas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ele acrescentou ainda que o aumento foi mais influenciado pela expansão da área plantada, que cresceu 7,6%, de 27,7 milhões de hectares para 29,8 milhões de hectares, do que pela produtividade.

A queda no volume de soja foi motivada principalmente pela estiagem prolongada no norte do Paraná, sul do Mato Grosso do Sul, sul de São Paulo e de Minas Gerais, sudoeste de Goiás, Bahia, e do Piauí.

Na contramão, o excesso de chuvas no Mato Grosso, um dos mais importantes produtores da oleaginosa no país, prejudicou a produtividade. O Rally da Safra anotou uma produtividade de 53 sacas por hectare no estado, com uma produção de 27,1 milhões de toneladas.

Menos milho

A safra 2013/2014 de milho do Brasil deve ficar em 30 milhões de toneladas, o que significa uma queda de 13,3% com relação ao ano passado, quando a produção do grão chegou a 34,6 milhões de toneladas.

A produtividade do milho caiu 8,2% de 85 sacas por hectare para 78 sacas por hectare. A área também diminuiu, de 6,8 milhões de hectares para 6,4 milhões de hectares, o equivalente a uma taxa negativa de 5,9%.

De acordo com Pessôa, a estiagem prolongada no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás foi a principal responsável pela queda de produtividade.  Por sua vez, o excesso de chuvas no Mato Grosso prejudicou o plantio de milho safrinha.  Além das complicações climáticas, a equipe do Rally da Safra notou uma redução do uso de tecnologias no plantio de milho na safrinha em todas as regiões do país.

Pragas

Outro empecilho para o crescimento da produção de grãos no Brasil foi a elevada incidência de pragas e doenças em boa parte das regiões produtoras do país, apontou Pessôa.  “A gente verificou não só a ocorrência de alta infestação de ferrugem na maior parte das regiões, mas também a baixa eficiência de muitos produtos que são tradicionais no mercado”, afirmou. “Vamos ter um problema tão sério quanto o que enfrentamos em 2003, 2004, quando a ferrugem chegou ao Brasil”, alertou.

O Rally da Safra

Iniciado em 2004, o Rally da Safra vai a campo, todos os anos, para avaliar as condições das lavouras de soja e milho no Brasil. A expedição é realizada entre janeiro e março. O roteiro é escolhido com o objetivo de percorrer os principais polos produtores.

Produtores devem enfrentar ‘situação caótica’ para escoar produção de soja

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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André Pessoa: escoamento da produção não será tranquilo. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

De acordo com projeções da consultoria agrícola Agroconsult, o Brasil deve colher pelo segundo ano consecutivo o maior volume de soja de sua história, ao menos 91,6 milhões de toneladas, o que significa um aumento de 11% em comparação com a safra 2012/13, quase 10 milhões de toneladas a mais.

Segundo o diretor da Agroconsult, André Pessoa, a maior parte da produção adicional de soja este ano com relação à passada deve ser colhida até o final de fevereiro de 2014. Com o volume maior, surge um problema também maior para ser administrado: o escoamento da produção.

“Talvez a eficiência de administração do problema possa ter aumentado. Agora achar que nós vamos ter uma safra tranquila, sem fila de navios esperando no porto para embarcar, em relação a isso, não tenho nenhuma dúvida que vamos ter situação caótica de novo”, alertou Pessoa na manhã desta terça-feira (14/01), durante o lançamento da edição de 2014 do “Rally da Safra”, organizado pela consultoria.

A Agroconsult estima que 42% da soja no Brasil deverá estar em condições de ser colhida até o final de fevereiro. “Tudo que vai crescer – dos mais de 82 milhões de toneladas do ano passado para a safra desse ano – está concentrado nesse período”.

De acordo com a consultoria, a área plantada para soja deve crescer 7% com relação a passada e alcançar 29,7 milhões de toneladas.

“Não compartilho da ideia que vamos ter uma situação tranquila de escoamento da soja até porque o problema vai começar na região de produção”, afirmou Pessoa. “O volume de soja que nós temos para colher até o final de fevereiro é quase de 10 milhões de toneladas a mais na produção concentrado nesse período de fevereiro”, completou.

“[O problema] vai começar pela capacidade de beneficiamento e armazenagem. E uma hora tem que tirar essa soja dos armazéns e vai mandar para onde? Para o porto”, finalizou.

Brasil deve produzir 194,8 mi de toneladas de grãos na safra 2013/2014

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A produção brasileira de grãos deve atingir 194,8 milhões de toneladas na safra 2013/2014. A estimativa foi feita nesta terça-feira (14/01) pelo diretor da Agroconsult, André Pessoa, em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ele disse acreditar que, nos próximos dois anos, o país possa produzir ao menos uma tonelada de grãos para cada habitante.

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André Pessoa. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“É uma safra extraordinária. Temos a chance muito grande no ano que vem chegar a 200 milhões de toneladas. Mais um ou dois anos e vamos chegar a uma tonelada de grãos por habitante”, afirmou Pessoa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira ultrapassou a marca de 200 milhões em 2013.

Ainda de acordo com a projeções da Agroconsult, o país deve colher pelo segundo ano consecutivo o maior volume de soja de sua história, ao menos 91,6 milhões de toneladas, o que significa um aumento de 11% em comparação com a safra 2012/13, quase 10 milhões de toneladas a mais. A área plantada com o grão deve chegar a 29,7 milhões de hectares, um crescimento de 7% em relação a área utilizada no período anterior.

Pessoa explicou ainda que a maior parte da produção adicional de soja com relação à safra passada deve ser colhida até o final de fevereiro deste ano.

“Tudo que vai crescer – dos mais de 82 milhões de toneladas do ano passado para a safra desse ano – está concentrado nesse período até o final de fevereiro. A nossa expectativa é que 42% da soja no Brasil já estará em condições de ser colhida até o final de fevereiro”, sinalizou.  Segundo ele, a antecipação de colheita da soja é de quase um mês nos últimos três anos.

Os números foram divulgados durante o lançamento do “Rally da Safra 2014”, a 11ª edição do evento. A partir desta quinta-feira (16/01), oito equipes devem percorrer as regiões produtoras de grãos do país para avaliar amostras de lavouras.

Organizado pela Agroconsult, o “Rally da Safra” tem agendadas duas largadas: a primeira em 16 de janeiro em Chapecó (SC), e no dia 20 de janeiro, em Campo Grande (MS).

Milho

Entrevista Coletiva sobre o 'Rally da Safra 2014'. Na foto, da esquerda para a direita: Gunther Knak, André Pessoa e Mauro Alberton, Everson Zin.

Entrevista coletiva sobre o 'Rally da Safra 2014'. Na foto, da esquerda para a direita: Gunther Knak, André Pessoa e Mauro Alberton, Everson Zin. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

De acordo com Pessoa, os organizadores do“Rally da Safra” deste ano devem dedicar mais atenção ao cultivo de milho. “Vamos ficar mais focados este ano”, afirmou. Ele acrescentou que no “Rally” de 2014 três equipes serão destinadas para avaliar as amostras das lavouras do grão.

A projeção da consultoria para a primeira safra de 13/14 (verão) é de 32,1 milhões de toneladas, o equivalente a uma queda de 8% em relação ao período 2012/2013. A área plantada também sofreu uma redução, de 6%, sobre a safra passada chegando a 6,4 milhões de hectares.

Já para o milho de segunda safra (safrinha), a produção é estimada em 44,1 milhões de toneladas, uma queda de 7% em comparação com a safra anterior, enquanto as estimativas para área plantada continuam praticamente a estáveis em 9,2 milhões de hectares.

Renda

De acordo com o diretor da Agroconsult, a renda por hectare plantado para o produtor deve ser menor que o registrado em 2013 por conta de uma “presença de lagarta quase de forma generalizada” nas lavouras do país, cujo controle faz aumentar o custo da produção. No entanto, o plantio ainda será “bastante produtivo” para o agricultor.

“O custo por hectare subiu de forma significativa. Então, a margem que fica para o produtor este ano deve ser menor que em 2013. Mas ainda assim é significativo. Há uma presença da lagarta, mas o controle até o momento é bastante satisfatório”, explicou.

Brasil terá safra recorde de soja 2012/13, aponta estudo Rally da Safra

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

O desempenho histórico das lavouras do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul contribuíram para que o Brasil registrasse uma safra recorde de soja 2012/13. O volume alcançará 84,4 milhões de toneladas de soja – contra 66,4 milhões de toneladas em 2011/12, totalizando um aumento de 27,7%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26/03) durante a coletiva do estudo Rally da Safra 2013, em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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André Pessôa, coordenador geral do Rally da Safra: 'Logística mais cara é aquela que não existe. Estamos no limite do uso da que temos. Precisamos de medidas emergenciais para não penalizar o setor pelo nosso sucesso'. Foto: Julia Moraes/Fiesp

A expedição técnica percorreu mais de 60 mil quilômetros entre os dias 28 de janeiro e 13 de março, coletando amostras nas lavouras de milho e soja em 12 unidades da federação: Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Estas unidades representam 96,6% da área cultivada da soja e 72,3% da área de milho no Brasil.

Com o registro de uma colheita recorde, o Rio Grande do Sul foi o destaque desta edição. De acordo com André Pessôa, coordenador geral do Rally da Safra e diretor da Agroconsult, apesar da estiagem do mês de dezembro, o estado produziu 49 sacas por hectares de soja e safra de 13,5 milhões de toneladas. “Este número é espetacular. É mais do que o dobro da produção da temporada passada [6,5 milhões de toneladas]. Tanto na colheita de soja quanto na de milho, o estado teve uma safra muito boa. O desempenho do sul do país contribuiu para que a gente tivesse uma safra de soja acima do esperado”, avaliou Pessôa.

Já o Paraná registrou a maior produtividade do Brasil, com 56 sacas por hectares e produção de 15,8 milhões de hectares – em 2011/12 foi de 10,9 milhões de toneladas. Santa Catarina chegou a 54 sacas por hectares e 1,6 milhões de toneladas.

Na região centro-oeste, o destaque positivo é Goiás, com 54 sacas por hectares. Mato Grosso ficou pouco abaixo do esperado, com média de 52 sacas por hectares. Um dos motivos, apontados por Pessôa, foi o excesso de chuvas no processo da soja tardia.

A região nordeste registrou uma queda significativa na colheita, com destaque para Piauí, que teve a pior produtividade no país, em função da estiagem de 45 dias, totalizando 31 sacas por hectares. A Bahia também teve um desempenho abaixo do esperado, com uma produção de 42 sacas por hectares.

Outro problema que assolou as lavouras brasileiras, de acordo com o coordenador geral do Rally da Safra, foi a incidência de pragas, que aumentou os custos da produção de soja e milho brasileira.

Milho verão

O milho verão alcançou 36,7 milhões de toneladas na safra 2012/13, com produtividade média de 85 sacas por hectares. Na safra 2011/12 o número foi de 75 sacas por hectares. Com destaque para o Paraná, cuja produção recorde chegou a 145 sacas por hectares. Santa Catarina registrou 120 sacas por hectares e o Rio Grande do Sul atingiu 97 sacas por hectares. Goiás de também apresentou uma ótima produtividade, com 144 sacas por hectares, seguido por Minas Gerais, que registrou 102 sacas por hectares.

Década de crescimento

De acordo com Pessôa, o Brasil registrou um crescimento significativo no setor do agronegócio nos últimos 10 anos. Segundo coordenador geral do Rally da Safra, neste período a área de plantio de soja brasileira cresceu 50% – de 18,5 milhões de hectares em 2002/03 para 27,8 milhões de hectares em 2012/13, uma expansão de 4,1% ao ano. Neste mesmo período, a produção aumentou 62%, de 52 milhões de toneladas (2002/03) para 84,4 milhões de toneladas (12/13).

No caso do milho, a área plantada foi ampliada em 18% – de 13,2 milhões de hectares em 2002/03 para 15,6 milhões de hectares em 2012/13, uma elevação de 1,7% ao ano.

Porém, no entendimento de Pessôa, a falta de investimento em logística e o apagão da mão de obra no setor agrícola são grandes empecilhos para o crescimento da agricultura brasileira.

Segundo o coordenador do Rally da Safra, apenas 16% do volume de exportações de soja e milho brasileiro é realizado pelos portos do nordeste, o que, no seu entendimento é pouco funcional, tendo em vista que a região norte/nordeste é responsável por 83,5% da produção de soja e milho do país.

De acordo com Pessôa, os custos para exportação do produto pelos portos da região sul/sudeste provocam morosidade e ônus para os produtores da região norte/nordeste, com um custo médio de US$ 100 por frete.

“A logística mais cara é aquela que não existe. E nós estamos no limite do uso da que temos. E precisamos de medidas emergenciais para não penalizar nosso setor pelo nosso sucesso”, alertou.


Aumento do frete vai consumir parte do ganho com exportação da safra 12/13 de milho, diz diretor da Agroconsult

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O elevado patamar dos preços internacionais do milho e a desvalorização da taxa de câmbio no Brasil vão trazer rentabilidade para as exportações brasileiras do grão no próximo ano, mas parte desse ganho deve ser consumida pelo aumento do custo pago pelo frete e outras despesas com logística para escoar a produção, avaliou nesta segunda-feira (10/12) o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessoa, ao participar da reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp.

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André Pessoa, da Agroconsult: 'O nosso grande problema do ano que vem é logística'

O especialista espera um recorde de área plantada do milho safrinha de mais de 8 milhões de hectares, o que permite uma produção total (safrinha e safra) de mais de 70 milhões de toneladas no próximo ano.

“O nosso grande problema do ano que vem é logística. Vamos continuar exportando milho em grande volume nos primeiros meses do ano, depois uma safra de soja que tende a ser muito grande, mas não temos nenhum investimento novo de logística nesse período e temos um problema gravíssimo com os caminhões”, afirmou Pessoa sobre a Lei 12.619/2012, que prevê novas normas para a profissão de motorista.

“Nós já estamos com a redução da frota circulante de caminhões exercendo uma pressão muito grande sobre o frete de açúcar. A expectativa é que se tenha uma majoração na safra que vem, no auge da exportação da soja 2012/13 em relação ao que foi em 2011/12, de 30% do frete”, afirmou o diretor da Agroconsult.

Segundo Pessoa, o clima chuvoso no segundo trimestre do ano e a quebra da safra norte-americana de milho por condições climáticas ruins permitiram ao Brasil ter um desempenho robusto em exportações do grão, e as exportações para o começo de 2013 devem seguir fortes.

“O Brasil talvez seja um dos poucos lugares que tenham disponibilidade de milho hoje para exportar. E a gente vai seguir com exportações elevadas até fevereiro”, afirmou o especialista.

Preços

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Reunião do Cosag discutiu perspectivas para o ano de 2013. Foto: Everton Amaro.

Desde junho deste ano, uma forte seca e elevadas temperaturas – as maiores desde 1985 – têm reduzido as projeções para a colheita do Cinturão de Milho, no centro-oeste dos Estados Unidos, o maior produtor mundial da commodity.

Em resposta aos prognósticos mais pessimistas, os contratos futuros do grão negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) – principal do mundo – já atingiram o patamar recorde de US$ 8,3875 por bushel.

O executivo da Agroconsult acredita que os preços elevados do milho devem continuar, ao menos, durante o primeiro trimestre de 2013. “Há perspectiva de alguma redução do preço de milho no segundo trimestre do ano que vem, mas, mesmo assim, será muito pequena”, projetou.

Pessoa acredita que o preço do milho deve ficar em US$ 7 por bushel para a média da safra 2012/2013, enquanto a soja deve operar na faixa de US$13,5 por bushel, também em 2012/2013. “Mas são cenários conservadores, levando em consideração a concretização de uma safra brasileira e argentina dentro da normalidade.”

Balanço do Rally da Pecuária 2012 aponta perspectivas favoráveis para produtores

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

O Rally da Pecuária 2012 registrou uma melhoria significativa nas informações coletadas em nove Estados brasileiros. Durante a cerimônia de encerramento, que aconteceu na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta terça-feira (23/10), o diretor da Agroconsult e membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da federação,  André Pessoa, afirmou que avaliação deste ano teve foco qualitativo e quantitativo das estatísticas, avaliadas pelas cinco equipes das consultorias Agroconsult e Bigma.

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André Pessoa, diretor da Agroconsult e membro do Cosag/Fiesp. Foto: Everton Amaro

“Tiramos conclusões heroicas, e hoje estamos felizes por mostrar números com mais consistência na avaliação realizada. Demos um passo importante no levantamento dessas informações”, afirmou Pessoa. Foram medidas as condições das pastagens e das fazendas de criação de gado do país, bem como os índices zootécnicos e a qualidade do rebanho nacional.

O diretor da Agroconsult revelou que a pecuária está sob pressão por causa da competição com outras atividades, como a agricultura. “Nos próximos 10 anos, as atividades de produção de grãos, açúcar e reflorestamento demandarão 15,3 milhões de hectares, e nossa expectativa é de que 82% venha da pastagem. É um desafio enorme”, comentou.

Entretanto, as perspectivas são muito favoráveis para a pecuária brasileira, que necessita de investimentos em tecnologia e aumento de produtividade, recuperação de venda via tecnificação e levantamento de informações do setor. “O sucesso depende da genética, estratégia de nutrição do gado, sanidade, reprodução, manejo e fertilização das pastagens, integração com lavoura e florestas, além de gestão e sucessão”, listou André Pessoa.

Metodologia realista

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Maurício Nogueira, sócio-diretor da Bigma. Foto: Everton Amaro

Para Mauricio Nogueira, sócio-diretor da Bigma, o Rally da Pecuária 2012 foi muito mais conclusivo que o do ano anterior. “Conseguimos ir a campo com metodologia mais realista e conseguimos levantar dados inéditos”, opinou.

Os métodos utilizados, segundo ele, foram: registro fotográfico e anotação do ponto com GPS, avaliação das condições e uso da pastagem, homogeneidade do pasto, volume de massa, tipo de capim e invasoras presentes.

Nogueira apontou o perfil da amostra do Rally da Pecuária 2012:

  • Rebanho médio: 3.400 cabeças;
  • Rebanho total: 1,3 milhão;
  • Área média da pecuária: 2.356 hectares;
  • Ocupação média: 1,44 cabeças por hectare.
  • Rebanho total confinado: 549 mil cabeças;
  • Produtividade média estimada: 6,96 hectares por ano.

“Concluímos que a amostra foi muito mais rigorosa e realista esse ano. Não podemos dizer que a pecuária piorou”, avaliou Mauricio Nogueira, ao informar que o rebanho dos produtores vem aumentando em 52,1% dos casos, enquanto se manteve estável em 39,3% e reduziu em 8,6% dos avaliados.

“Os pecuaristas pretendem reformar mais de 14% das pastagens ao ano, o que nos permite concluir que há um espaço enorme de oportunidades para o produtor economizar, adotando técnicas mais eficientes para lidar com as pastagens. A demanda por tecnologia do pecuarista é maior que a do agricultor”, completou.

Entrega de Homenagens

Durante o evento também foi feita a entrega de homenagens aos apoiadores e patrocinadores do Rally 2012.  As empresas que patrocinam a iniciativa são Dow AgroSciences, Vale, Marfrig, MSD e Heringer. São apoiadoras do Rally 2012, instituições como a Fiesp, Embrapa e INPE, além das indústrias Mitsubishi Motors, Famato, Famasul e BeefPoint.

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Patrocinadores e apoiadores do Rally 2012 recebem troféu. Foto: Julia Moraes






Safra brasileira registra recorde em volume e produtividade

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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André Pessôa, coordenador geral do Rally e diretor do Agroconsult

O bom desempenho das lavouras de soja precoce no Centro-Oeste e a alta produtividade dos estados do Paraná e Rio Grande do Sul contribuíram para o crescimento recorde da produção do grão acima de 50 sacas por hectare. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (29) pela Agroconsult, na sede da Fiesp, durante a apresentação dos resultados do Rally da Safra 2011.

A expedição técnica percorreu 55 mil quilômetros e avaliou lavouras de soja e milho de 11 estados, entre os dias 31 de janeiro e 27 de março de 2011. Destaque da safra 2010/2011, a soja alcançou 72,7 milhões de toneladas, contra 68,9 milhões da última colheita. Já a produção de milho chegou a 34,8 milhões de toneladas, ultrapassando os 34 milhões registrados na safra passada.

Segundo André Pessôa, coordenador geral do Rally e diretor do Agroconsult, o Paraná registrou a melhor produtividade de soja de todo o País, com 54 sacas por hectares.

O excesso de chuvas e o atraso no plantio dos grãos causaram a queda da produtividade dos estados do Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. “Mesmo não tendo sido verificado recorde da produtividade nesses estados, ainda sim é uma safra rentável, entre as mais rentáveis já registradas”, analisou Pessôa.

O coordenador mostrou otimismo com os resultados parciais das colheitas do Piauí, Tocantins, Bahia e Maranhão, cuja previsão é de crescimento da produção de soja de 44 sacas/ha para 51 sacas/ha.

Transgênicos

O investimento em sementes de grãos geneticamente modificados cresceu na última safra. Segundo dados do Rally, a média de área plantada de soja no Brasil passou de 72% (2009/201) para 86% (2010/2011). No mesmo período, o milho verão aumentou de 45% para 83% do plantio das lavouras avaliadas. Já os indices de pós-colheita foi de 4%, equivalente a duas sacas de soja por hectare.