Safra Mundial de Soja

Mensalmente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulga boletins com os indicadores do agronegócio e da indústria de alimentos. Entre esses informes está o Safra Mundial de Soja.

Em seu quarto levantamento para a safra mundial de soja 2018/19, o USDA reduziu sua estimativa anterior, divulgada em julho, para o consumo global da oleaginosa, enquanto que elevou para produção, exportação e estoque final do produto. Veja os destaques.

Para ter mais informações acesse a última versão.

Os outros informativos periódicos  produzidos pela Fiesp sãoIPCA Alimentação e Bebidas (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Balança Comercial do Agronegócio, Safra Brasileira de Grãos, Safra Mundial de Milho e Preços das Principais Commodities do Agronegócio.

Crédito Rural Brasileiro

O informativo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, traz o acompanhamento mensal do Crédito Rural Contratado no Brasil, com as informações disponibilizadas pelo Banco Central do Brasil.

Esse boletim apresenta uma síntese das informações oficiais disponibilizadas sobre o volume financeiro contratado do crédito rural para o período e acumulado na safra.

Para ter mais informações acesse a última versão.

Os outros informativos periódicos  produzidos pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo sãoIPCA Alimentação e Bebidas (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Balança Comercial do Agronegócio, Safra Brasileira de Grãos, Safra Mundial de Milho e Preços das Principais Commodities do Agronegócio.

Secretário da Agricultura fala na Fiesp sobre simplificação do licenciamento ambiental

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Agricultura precisa estar em harmonia com o meio ambiente, afirmou o secretário Arnaldo Jardim, em reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema) realizada nesta terça-feira (25 de abril). “A sustentabilidade é exigência norteadora do desenvolvimento da produção, das atividades e chancela do setor para se legitimar junto à sociedade”, afirmou. De acordo com Jardim, há quatro pilares que hoje dão sustentação à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, da qual é titular:

  • Alimentação saudável, uma tendência atual da sociedade. E está sendo desenvolvido programa de controle de agroquímicos e controle de toxinas, inclusive por exigência internacional.
  • Diversidade de culturas e produção, privilegiando o pequeno produtor, que precisa de mais apoio, inclusive de crédito.
  • Aproximar a pesquisa da produção, pois há formidável acervo de conhecimento que poderia estar à disposição, inclusive o da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp) que, além da pesquisa científica também deveria ter foco no desenvolvimento tecnológico. Já há parcerias com diversos institutos estaduais que podem ser incrementadas em função do know-how. Por exemplo, o Instituto Agronômico de Campinas, com mais de cem anos de existência, o Biológico, o de Zootecnia, o de Tecnologia de Alimentos, de Pesca, de Economia Agrícola, mas que deveriam ter produção orientada e não dissociadas do cotidiano da produção.

Entre as recentes ações da secretaria, além da preocupação com o Código Florestal, o secretário citou o mutirão para preenchimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) que alcançou 97% das propriedades rurais do Estado inscritas. Há 328 mil unidades produtivas agropecuárias e a maioria é de pequenas unidades.

Para o secretário, é fundamental estratégia que promova a manutenção e proteção do meio ambiente e, entre esses mecanismos, citou a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF); além da Agricultura de Baixo Carbono, personificada no Plano ABC, dispositivo nacional que mereceu desdobramento estadual, inclusive com linhas de financiamento.

Entre outras ações citadas, a conclusão da recuperação de 263,23 km de estradas vicinais em 37 municípios (dados da Companhia de Desenvolvimento Agrícola-Codasp) e o Programa Nascentes, destacado em função da grave crise hídrica vivida por São Paulo. O secretário citou a iniciativa do Nascentes em Holambra, que integra a Bacia PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), área onde a crise se estabeleceu de forma acentuada. “Financiamos os produtores de plantas, flores, sementes. Foi feita a reservação de água de chuva para irrigação”, explicou, lembrando que a mesma atenção receberam os municípios de Botucatu e Pardinho. Também foi dada atenção à instalação de fossas sépticas em todas as propriedades rurais a fim de se evitar o uso das fossas negras, que ainda são predominantes.

Desburocratização e simplificação

O Agrofácil SP – programa de modernização e desburocratização da agricultura – facilitou o licenciamento ambiental, na opinião do secretário Arnaldo Jardim e, ainda, foi destravada a piscicultura, setor que enfrentava burocracia. Para o secretário, essa agilização proposta não significa que as exigências estejam sendo abrandadas: “os produtores são os maiores interessados em manter o meio ambiente”, enfatizou. Ele ainda reforçou que as normas estabelecidas para compras públicas auxiliam o produtor.

Entre diversos outros assuntos tratados pelo titular da pasta, o PTV – Permissão de Trânsito Vegetal para o transporte de mudas e sementes, as parcerias na área de biotecnologia e a capacitação por meio do Programa Aplique Bem com foco na pulverização adequada.

Mas o secretário deu destaque ao programa São Paulo Livre de Agrotóxicos Obsoletos, perigosos e condenados, que foram localizados em todo o Estado e se procederá à queima de 486 toneladas até junho deste ano. “Essa queima é controlada porque é complexo manuseá-los e está sendo auditada pela Cetesb”, explicou.

Para encerrar, Arnaldo Jardim tratou da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que se desdobrou em plano estadual e frisou norma relativa à compostagem com a utilização de resíduos orgânicos, “pois jogamos muita riqueza fora”, criticou, lembrando que essa medida colaboraria com o combate à mudança do clima. E sugeriu que também fossem integrados os resíduos animais, que possibilitam a produção de biogás.

Em sua avaliação, os bons números registrados quanto à coleta de latas de alumínio igualmente se obtêm com o retorno de embalagens de defensivos agroindustriais graças à iniciativa de diversas entidades como o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV).

Na conclusão do secretário, “o setor agropecuário vive permanente desafio em relação ao meio urbano, porque é visto como um setor atrasado, predatório quanto ao meio ambiente, atrasado em termos de tecnologia, com relações de trabalho feudais… Mas a formalização é alta, no setor, e amigável com o meio ambiente, incorporando princípios de sustentabilidade e inovação”.

Em reunião do Cosema, secretário Arnaldo Jardim defende sustentabilidade da agricultura. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ministério da Agricultura apresenta na Fiesp meta de 10% do comércio mundial agrícola para o Brasil em 10 anos

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O ministro da Agricultura em exercício, Eumar Novacki, afirmou na manhã desta quinta-feira (28/7), durante reunião com representantes do setor na Fiesp, que a pasta está empenhada em traçar objetivos claros, melhorar a eficiência e manter aberto o diálogo com o setor privado a fim de melhorar a excelência do agronegócio brasileiro.

Novacki afirmou que o ministro Blairo Maggi e toda a equipe do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento estão trabalhando fortemente em duas frentes: abertura de mercados e sustentabilidade e que, para alcançá-las é preciso modificar alguns processos internos, além de contar com a ajuda dos servidores e da indústria que move todos os elos do setor.

“Queremos alcançar 10% do mercado internacional. É [meta] ousada, mas é possível. No entanto, só conseguiremos isso se fizermos a lição de casa, e essa lição é a desburocratização do ministério”, dizendo que por isso é importante o envolvimento de todos, a começar pelos funcionários do próprio órgão. A participação do Brasil no comércio mundial agrícola hoje é de 6,9%. O ministério pretende chegar à meta estabelecida nos próximos dez anos.

“Fizemos um levantamento interno de processos desnecessários e um grupo específico para trabalhar nisso. [Encontramos] muitas coisas desnecessárias, como a duplicidade de fiscalização, por exemplo, que é um processo desnecessário. O dinheiro gasto com isso vai para o lixo, já que esse processo não serve para aquecer a economia.”

Sobre a bandeira da sustentabilidade, ele diz que, apesar de o Brasil ser “o único país no mundo com quase 62% de vegetação nativa intacta”, é preciso agregar esse “selo” à produção nacional. “Dizer ao mundo que temos qualidade com sustentabilidade”, defende. “Queremos produzir, mas com respeito ao meio ambiente, e hoje já não dá mais para fugir disso.”

Mario Cutait, diretor do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), foi o mediador da reunião, que permitiu às entidades representativas da indústria (sindicatos e associações) apresentarem suas demandas ao ministro em exercício. Cutait apresentou os números do Outlook e defendeu o trabalho em conjunto e o estabelecimento de metas que possam ajudar de fato o setor, inclusive a longo prazo.

“Nosso objetivo aqui é unir a indústria e o ministério e tentar construir uma agenda comum e, se possível, um plano de ação”, resumiu. “Temos que fazer um planejamento estratégico para 10, 20 anos. E não só para o agronegócio. O Brasil também precisa disso, precisamos pensar qual país queremos ser daqui a uma década. ”

Cerca de 40 entidades estiveram representadas durante o encontro e também contribuíram com o diálogo ao expor as dificuldades que encontram em suas áreas específicas. Entre os temas abordados estão questões ligadas à facilitação de comércio, defesa agropecuária, fiscalização, rotulagem, política agrícola, problema de desabastecimento de matéria-prima, crédito agropecuário, normas da Anvisa, dupla anuência, Código Florestal e Regularização Ambiental.

Ministro em exercício da Agricultura, Eumar Novacki, participou de reunião na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Agronegócio deve continuar dependente de rodovias pelos próximos 15 anos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

José Vicente Caixeta Filho, da Esalq/USP: não faz sentido que planos de médio e longo prazo sejam interrompidos com a troca de mandatos. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A safra 2013/14 de grãos do Brasil, que está terminando, deve ultrapassar as 191 milhões de toneladas enquanto a produção da temporada 2014/15 pode chegar a 200 milhões de toneladas, segundo estimativas do Ministério da Agricultura.

Em meio a um forte incremento da produção brasileira, inclusive com promessa de recordes nos próximos anos, o produtor ainda vai precisar escoar sua produção por meio de rodovias, com custo logístico muito acima dos praticados em países como os Estados Unidos da América (EUA).

Essa dependência do modal rodoviário deve continuar pelos próximos 15 anos, de acordo com José Vicente Caixeta Filho, professor pós-doutor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).

“Então, na forma de organizar o negócio, eu preciso me organizar para fazer também o bom uso do transporte rodoviário. Agora, é importante que ferrovias e dutos cresçam, que os portos melhorem e que tenha armazém”, disse Caixeta. “Isso é clássico, e esperado há um bom tempo, mas pelo que observamos as coisas tem um passo muito peculiar e muitas dessas obras não cabem dentro de um mandato político de quatro anos”, criticou.

Para Caixeta, não faz sentido “nas trocas de cadeiras seja na esfera municipal, estadual ou federal, interromper planos que digam respeito a médio e longo prazo”.

Cobrar o governo

Edeon Vaz Ferreira, coordenador do Movimento Pró-Logística da Aprosoja: iniciativa privada não realiza uma cobrança organizada ao governo por projetos de eficiência. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Na avaliação de Edeon Vaz Ferreira, coordenador do Movimento Pró-Logística da Aprosoja, a culpa pelos elevados custos logísticos pela precária infraestrutura é da prioridade do país às rodovias e do descaso com as ferrovias. E, segundo ele, também da iniciativa privada, que não realiza uma cobrança organizada ao governo por projetos de eficiência.

“É muito fácil sentar e falar mal do governo. Mas se não formos proativos, fica difícil mudar esse jogo”, provocou.

Segundo Ferreira, uma carga de soja do Mato Grosso roda mais de 2,5 mil quilômetros por rodovia de Sorriso até o Porto de Santos para então ser exportada a um custo médio de mais de US$ 140 por tonelada no período de safra. Para chegar a um destino como Xangai, na China, é acrescido um custo de US$ 45 dólares. “Tudo isso em função da matriz que o Brasil escolheu.”

“O produtor do Meio-Oeste norte-americano roda três mil quilômetros por ferrovia e paga US$ 33 dólares a tonelada. É difícil competir com um país como esse que, além de outras facilidades, tem uma infraestrutura privilegiada”, afirmou.

Ele acrescentou ainda que o Brasil usa 61% de rodovias para escoar sua produção, enquanto os Estados Unidos utilizam 5% do mesmo modal.

O problema da armazenagem também trava o Mato Grosso, que detém cerca de 30% da produção nacional de soja. Segundo Ferreira, a capacidade de armazenagem existente no estado é de 30,1 milhões de toneladas, enquanto a safra 2013/14 de soja pode chegar a 41,4 milhões de toneladas e o volume necessário de armazém é de 49,7 milhões de toneladas.

“Falta armazenagem para 19 milhões de toneladas no Mato Grosso”, completou.

Segundo Caixeta, todas as reinvindicações do setor são bem conhecidas há mais de 20 anos, “e não tem mudado nada. Ou somos muito ruins de comunicação ou de fato nada tem sido feito. Todos somos culpados por isso.”

Antônio Carlos Costa, gerente do Deagro da Fiesp: IC Agro aponta que avaliação do governo para resolver problemas de infraestrutura é uma das piores do índice. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Moderador do painel sobre gargalos do escoamento da produção agropecuária, o gerente do Departamento de Agronegócio da Fiesp (Deagro), Antonio Carlos Costa, observou que o tema está há muitos anos na pauta do setor. “Infelizmente, muito mais pelos problemas do que pelas soluções.”

“Questões de infraestrutura e escoamento da produção são sistematicamente apontadas pelos produtores como alguns dos maiores gargalos para o negócio. E a avaliação do que o governo tem feito é uma das piores do índice”, disse Costa, referindo-se ao Índice de Confiança do Agronegócio, o IC Agro, desenvolvido pela Fiesp.

Também participaram do painel o gerente de operação de logística do Grupo Cosan, Fernando Odihel, e a diretora de Logística da Odebrecht, Juliana Baiardi.

Segundo Baiardi, o Brasil precisa investir pelo menos 4% do Produto Interno Bruto (PIB) em logística pelos próximos 20 anos para alcançar níveis como os do Chile.

“A gente tem que buscar essa recuperação. O investimento em percentual do PIB deveria ser 4% e não 2%. A média de todos os países gira em torno de 5%”, comentou.


L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico.

O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

Empreendedores do agronegócio premiados pelo Rally da Safra na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A noite desta terça-feira (01/04) foi de reverência aos empreendedores do agronegócio nacional. Para fechar as atividades do Rally da Safra 2014, levantamento com projeções da safra de grãos no país, foram premiados os destaques do setor em cerimônia realizada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento teve a participação do diretor da Agroconsult, André Pessoa, que apresentou os resultados do estudo de campo realizado este ano. A consultoria é a responsável pela iniciativa.

Além disso, estiveram presentes na ocasião o segundo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Nery Geller, o membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues e o diretor titular do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Benedito da Silva Ferreira.

“O André Pessôa, como um verdadeiro bandeirante, adentrou as áreas de plantio do país para fazer o Rally da Safra”, disse Ometto.

De acordo com o segundo vice-presidente da Fiesp, 24% da representação da entidade está ligada à indústria de insumos e alimentos. “Temos uma grande vocação na área”, disse. “Estamos aqui para trabalhar para o Brasil, todas as nossas posições são construtivas”.

Ometto: “Estamos aqui para trabalhar para o Brasil, todas as nossas posições são construtivas”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Ometto: “Estamos aqui para trabalhar para o Brasil”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Segundo diretor titular do Deagro, as condições enfrentadas pelos produtores rurais muitas vezes são “adversas”. “Por isso a importância de iniciativas como essa: a cada edição do Rally da Safra nos sentimos mais motivados a estreitar essa parceria”.

Em sua apresentação, Pessôa lembrou que o Rally é um esforço no sentido de “reduzir a assimetria das informações no agronegócio”. “Percorremos 65 mil quilômetros de praticamente todas as regiões do país, mobilizando uma equipe de 112 pessoas e envolvendo 2,2 mil produtores”, afirmou.

Ao longo do levantamento feito pelo Rally da Safra, conforme Pessôa, até mesmo as condições das estradas e as características físicas e nutricionais da soja no Brasil foram consideradas.

Quem tem compromisso

Para o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é preciso ajudar a “reduzir os gargalos que atrapalham o desenvolvimento”. “Temos que trazer para dentro do agronegócio quem tem compromisso com a produção”, disse Geller.

Geller: para promover a inovação tecnológica. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Geller: foco na inovação tecnológica. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“No ministério, estamos focados em trazer conhecimento para ajudar a resolver problemas”, afirmou. “Não é só disponibilizar recursos, mas também promover programas de acesso à inovação tecnológica”.

O homem que empurra o barco

Alvo da homenagem especial do prêmio Rally da Safra 2014, o fundador do Grupo Manah, de fertilizantes, Fernando Penteado Cardoso, emocionou a plateia ao destacar a “força humana” do agronegócio. “Parabenizo todos os premiados pela sua eficiência”, disse. “Que continuem a representar a força humana da nossa agricultura. A qualidade do homem que empurra o barco é muito importante”.

Representante do Grupo Bom Jesus, do Mato Grosso, na cerimônia, Nelson Vígolo recebeu o prêmio de “Produtor do Ano”. “Essa é uma grande satisfação para mim e para a minha família, que acreditou no cerrado e na produção de soja”, disse. “O Brasil é gigante na agricultura e pode crescer bem mais”.

Já a jornalista Sônia Bridi, da Rede Globo, destacada com o “Prêmio Especial Régis Alimandro de Jornalismo”, fez questão de citar a sua história pessoal com o campo. “Fiquei mais do que envaidecida e orgulhosa com esse prêmio: sou da primeira geração da família Bridi que nasceu fora da lavoura”, contou. “Foi a expansão da lavoura no país que mudou o meu destino”.

Para Sônia, é importante lembrar que existe um Brasil agrícola “eficiente e de altíssima produtividade”.

Confira abaixo a relação completa de premiados pelo Rally da Safra 2014:

Produtividade

Irmãos Cambruzzi (SC)

Excelência Agronômica

Geraldo H. Morsink (PR)

Gestão da Propriedade Agrícola

Fazenda Progresso (PI)

Produtor do Ano

Grupo Bom Jesus (MT)

Prêmio Régis Alimandro de Jornalismo

Gustavo Bonato – Thomson Reuters

Prêmio Especial Régis Alimandro de Jornalismo

Sônia Bridi – Rede Globo

Homenagem Especial

Fernando Penteado Cardoso (Fundador do Grupo Manah, de fertilizantes)

O Rally da Safra

Iniciado em 2004, o Rally da Safra vai a campo, todos os anos, para avaliar as condições das lavouras de soja e milho no Brasil. A expedição é realizada entre janeiro e março. O roteiro é escolhido com o objetivo de percorrer os principais polos produtores.

Brasil já é uma referência internacional em sustentabilidade, diz representante da FAO

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Promover a agricultura e a segurança alimentar sustentável não é só tarefa do Estado, mas também dos produtores rurais e das empresas. É necessário o alinhamento entre políticas de longo prazo e responsabilidade conjuntas, afirmou nesta terça-feira (11/03) o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic.

Ele participou da segunda rodada sobre os Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura (PEAA) do Pacto Global das Nações Unidas, promovida pela Rede Brasileira do Pacto Global, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O relatório, que já foi avaliado por nove países na primeira rodada de consulta pública realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de setembro a novembro de 2013, traz na segunda rodada seis sugestões para promover uma produção agrícola sustentável. São eles a promoção da segurança alimentar, saúde e nutrição; ser ambientalmente responsável; garantir viabilidade econômica e compartilhar valores; respeitar os direitos humanos; incentivar a boa governança e responsabilidade e aprimorar o acesso e a transferência de conhecimento, habilidades e tecnologia.

Empresários e representantes do setor fizeram sugestões para a formulação do documento com objetivos para agricultura e produção de alimentos sustentáveis. Os princípios devem ser lançados oficialmente em setembro deste ano, durante a Assembleia Geral da ONU.

“A ONU é um plataforma para fazer o alinhamento entre as necessidades da população, das indústrias, e as necessidades também de crescimento econômico e suas implicações ambientais”, explicou Bojanic.

Bojanic: alinhamento de necessidades variadas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Quanto às ações do Brasil para promover agricultura sustentável, Bojanic afirmou que “o mundo tem muito que aprender” com o país.

“O Brasil já uma referência internacional em termos de sustentabilidade, tem muitos avanços feitos em termos de controle de desmatamento, em termos de legislação de trabalho”, afirmou Bojanic. “Mas temos boas práticas para acrescentar”, ponderou.

ONU faz consulta pública na Fiesp sobre princípios para indústria de alimentos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Empresários e representantes do setor agropecuário avaliaram nesta terça-feira (11/03) os seis tópicos da versão preliminar dos Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura (PEAA), elaborado pelo Pacto Global das Nações Unidas. Essa consulta pública, iniciativa da Rede Brasileira do Pacto Global, apresentou o documento com os objetivos do setor para uma agricultura mais sustentável. E deve ser lançado oficialmente em setembro deste ano.

O relatório, que já foi avaliado por nove países na primeira rodada de consulta pública realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de setembro a novembro de 2013, traz na segunda rodada seis sugestões para promover uma produção agrícola sustentável. São eles a promoção da segurança alimentar, saúde e nutrição; ser ambientalmente responsável; garantir viabilidade econômica e compartilhar valores; respeitar os direitos humanos; incentivar a boa governança e responsabilidade e aprimorar o acesso e a transferência de conhecimento, habilidades e tecnologia.

Segundo a gerente do Pacto Global das Nações Unidas, Adrienne Gardaz, essas diretrizes foram levantadas durante a primeira consulta com os nove países. “O objetivo dessas reuniões não é desenvolver os princípios, mas propor resultados. Esses resultados foram traduzidos para uma base que agora temos para elaborar os princípios”, afirmou.

De acordo com Adrienne, os princípios devem ser finalizados em abril deste ano. “O lançamento oficial será em setembro, durante a assembleia geral da ONU”.

Ela explicou que os fundamentos para elaborar o documento estão baseados no conceito do Fome Zero e nos compromissos com a sustentabilidade da agricultura firmados durante a Rio+20.

A reunião para discutir a versão preliminar dos Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Isabella Freire Vitali, gerente no Brasil e coordenadora na América Latina da Proforest, e mediadora do encontro, afirmou que “essa consulta vai ser compilada com todas as outras. A ideia é consolidar o que é consensual”.

Até março, o órgão vai realizar consultas públicas no Brasil, Estados Unidos, Turquia, Reino Unido e outros países. O presidente da Rede Brasileira do Pacto Globa, Jorge Soto, também participou da consulta na Fiesp.

Sugestões do Brasil

A consulta pública desta terça-feira (11/03)  foi realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).  O ex-ministro Roberto Rodrigues, membro do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da entidade, participou do encontro e contribuiu para algumas alterações na redação do documento.

Rodrigues sugeriu que a liberação dos mercados esteja presente no documento com um dos objetivos.  “O único mecanismo justo seria liberar o mercado para todo mundo”, afirmou ao avaliar um dos seis tópicos propostos para a formação dos princípios do Pacto Global.

Ele também pediu mais clareza no que se refere ao pequeno produtor, citado em todos os seis itens que devem compor o documento. “Outra questão é sobre a defesa do pequeno produtor. O que é pequeno produtor? Qual o conceito que vamos ter universalmente sobre o pequeno produtor? Por tamanho? Por faturamento?”, questionou.

Embora tenha reconhecido que a questão é importante, Isabella, da Proforest, afirmou que é difícil padronizar esse entendimento de maneira global.

O diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, também participou da consulta. Segundo ele, o evento é uma oportunidade para avaliar todas as implicações da agricultura na economia e na sociedade.

“Acho até que demorou um pouco para o tema da agricultura chegar a uma discussão mais detalhada e aberta dentro do Pacto Global”, disse ele.

Entre outros colabores para a produção do documento, o head de Responsabilidade Socioambiental do Rabobank, Luiz Fernando do Amaral, sugeriu uma atualização da abordagem do tema e uma simplificação da linguagem.

Amaral afirmou ainda que o primeiro passo para aplicação desses princípios é que eles sejam incorporados na missão e nos valores das corporações. “Isso é algo que a gente negligencia”, alertou.

Segundo ele, outro ponto de atenção é “definir e esclarecer para que serve esse documento e principalmente para o que não serve. É muito importante alinhar as expectativas”. “Um relatório, para ser inovador, tem que ser simples o suficiente, sistematizado para diferentes tipos de consultas, automatizado, mas também flexível”, sugeriu.

Perfil: João de Almeida Sampaio Filho, presidente do Cosag da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

João Almeida Sampaio, presidente do Cosag da Fiesp

João de Almeida Sampaio Filho é o presidente do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Desde maio de 2012 exerce a vice-presidência de Relações Institucionais do Grupo Marfrig e estão sob sua gestão as relações da companhia com o governo, entidades de classe e associações de produtores rurais, além das diretorias de Comunicação Corporativa e Marketing Institucional e de Sustentabilidade.

Formado em Economia pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP-SP), Sampaio Filho foi secretário de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo entre os anos de 2007 e 2011 e presidente da Sociedade Rural Brasileira, da Associação dos Produtores de Borracha de Mato Grosso e da Comissão Nacional da Borracha da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Exerceu a vice-presidência da Associação Comercial de São Paulo e da Associação Paulista dos Produtores de Borracha Natural. A atuou como conselheiro da Associação Brasileira do Agronegócio de Ribeirão Preto.

Retrospectiva 2012 – As principais ações da Fiesp na área de agronegócio

Agência Indusnet Fiesp

No ano de 2012, como forma de contribuição para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio de seu Departamento do Agronegócio (Deagro), apoiou iniciativas, estimulou debates e elaborou estudos.

Outlook Brasil 2022

Outlook Brasil 2022. Foto: Divulgação

Em maio, especialistas da Fiesp, em parceria com o Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), elaboraram as projeções para o agronegócio brasileiro para os 10 anos seguintes. O documento, intitulado Outlook Brasil 2022, analisou 16 produtos agroindustriais – entre eles milho, soja, carnes e fertilizantes – e traçou projeções para o consumo doméstico, produção, exportação, importação, estoques, área plantada e consumo de fertilizantes. Impactos futuros desses segmentos na economia e infraestrutura de transporte do país também foram mensurados.

Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Jorge Alberto Portanova Mendes Ribeiro Filho. Foto: Helcio Nagamine

O tema ganhou destaque no seminário Segurança Alimentar e Sustentabilidade no Agronegócio, realizado em junho, no Rio de Janeiro, como parte da programação do megaevento Humanidade 2012 – iniciativa da Fiesp e de parceiros para realçar o papel do Brasil no debate mundial sobre sustentabilidade durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

O seminário teve a participação do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Jorge Alberto Portanova Mendes Ribeiro Filho, do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Geraldo Coutinho e do presidente da Organização das Cooperativas Brasileira (OCB), Márcio Lopes de Freitas. E discutiu meios para garantir o cumprimento das Metas do Milênio, que prevê a produção de alimentos para sete milhões de habitantes no planeta sem prejudicar o meio ambiente.

Também no Humanidade 2012, a entidade organizou uma reunião entre ministros da Agricultura e autoridades governamentais estrangeiras para debater a experiência brasileira em agricultura tropical.

Na sequência, o Deagro da entidade divulgou um levantamento sobre o peso dos tributos sobre os alimentos no Brasil. Na ocasião, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, enfatizaram a necessidade de se desonerar os alimentos, lembrando que são os pobres os mais atingidos pela carga tributária.

Rally da Pecuária

André Pessoa, coordenador do rally da pecuária e sócio-diretor da Agroconsult. Foto: Júlia Moraes

A edição 2012 do Rally da Pecuária registrou uma melhoria significativa nas informações coletadas em nove unidades da federação brasileiras. Durante a cerimônia de encerramento, realizado na sede da Fiesp, o diretor da Agroconsult e membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da entidade,  André Pessoa, afirmou ter chegado a “conclusões heroicas”, já que a avaliação apontou números mais consistentes.

Apesar de estar sob pressão devido à competição com outras atividades, como a agricultura, Pessoa afirmou que as perspectivas para o setor no Brasil são mais favoráveis, mas há necessidade de investimentos em tecnologia e aumento de produtividade.

China

Subdiretor-geral do Departamento de Cooperação Internacional da China, Xie Jianmim, quer conhecer as demandas do mercado brasileiro. Foto: Everton Amaro

Em novembro, durante visita ao Brasil, o subdiretor-geral do Departamento de Cooperação Internacional da China, Xie Jianmim, participou de um encontro empresarial promovido pela Fiesp. Acompanhado por uma comitiva de 20 pessoas, entre representantes do governo e de grupos empresariais do setor de agronegócio chinês, Jianmim afirmou que o principal objetivo da vista foi conhecer as demandas do mercado brasileiro e, também, prospectar ações e projetos de cooperação comercial no setor de agronegócio entre os países, contemplando as áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica.

Homenagem

Em outubro, o diretor-titular do Deagro/Fiesp, Benedito da Silva Ferreira, recebeu, no Rio de Janeiro, o prêmio Destaques – A Lavoura, concedido pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). Benedito da Silva Ferreira foi reconhecido na categoria Informação.

Comitiva chinesa visita Fiesp em busca de oportunidades de negócios no setor de agronegócio

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Subdiretor-geral do Departamento de Cooperação Internacional da China, Xie Jianmim, quer conhecer as demandas do mercado brasileiro. Foto: Everton Amaro

Em visita ao Brasil, o subdiretor-geral do Departamento de Cooperação Internacional da China, Xie Jianmim, participou nesta quinta-feira (29/11) de um encontro empresarial promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) .

Jianmim veio acompanhado por uma comitiva de 20 pessoas, entre representantes do governo e de grupos empresariais do setor de agronegócio chinês.

De acordo com Jianmim, a visita da comitiva chinesa tem como principal objetivo conhecer as demandas do mercado brasileiro e, também, prospectar ações e projetos de cooperação comercial no setor de agronegócio entre os países, contemplando as áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica.

“Nós queremos ouvir o empresário brasileiro e tenho certeza de que este encontro organizado pela Fiesp vai aprofundar o nosso conhecimento sobre o mercado. Vamos saber de que forma podemos cooperar com o país”, salientou o representante do governo chinês.

O interesse da comitiva na área de inovação e tecnologia foi visto com bons olhos pelo presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, João Sampaio Filho.

João Sampaio Filho, presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag): China e Brasil têm um potencial enorme neste campo – pesquisa, tecnologia e inovação agrícola. Foto: Everton Amaro

“A China e o Brasil têm um potencial enorme neste campo [pesquisa, tecnologia e inovação agrícola] e tenho certeza que, se juntos encararmos este desafio, muito conseguiremos fazer em busca da segurança alimentar e do alimento seguro”, afirmou.

Neste sentido, o diretor de assuntos comerciais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Benedito Rosa, ressaltou a importância deste processo de aproximação comercial entre os países. “Hoje se abre uma oportunidade histórica nas relações comerciais entre Brasil e China. E o governo federal e a Fiesp passaram informações para os empresários chineses sobre o potencial de crescimento e expansão da agricultura para novas áreas no Brasil”, avaliou Rosa.

Durante o encontro, os empresários chineses manifestaram interesse em futuras parcerias comerciais no setor de insumos agropecuários – o que coincide com uma prioridade nacional, tendo em vista a grande dependência do Brasil nas importações – e, ainda, em logística, armazenamento de portos e processamento dos produtos agrícolas.

Valor agregado

Embaixador Sérgio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China: parceria em crescimento. Foto: Everton Amaro

De acordo com o presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, embaixador Sérgio Amaral, a parceria comercial entre os países registrou um franco crescimento nos últimos anos. Prova disto, segundo o embaixador, é que nós últimos dois anos a China investiu US$ 24 bilhões no mercado brasileiro.

No entendimento de Amaral, o Brasil pode ampliar a oferta de produtos manufaturados para o mercado chinês – principalmente no setor de alimentos. Atualmente, 90% das exportações brasileiras para China são de soja, ferro e petróleo – produtos estes mais baratos se comparados aos importados que o Brasil traz do gigante asiático.

Benedito da Silva Ferreira, diretor-titular do Departamento do Agronegócio também participou do evento. Foto: Everton Amaro

“A exportação de produtos primários, por si só, tem um alto valor de produto agregado. Mas nós temos a intenção de ampliar um pouco este nível de agregação de valor. Então, vamos começar pelos setores em que somos mais competitivos. E a competitividade da agricultura e da pecuária brasileira é inegável”, afirmou o embaixador.

Na avaliação de Amaral, o encontro na Fiesp apresentou uma série de oportunidades de novas parcerias entre os setores produtivos dos dois países: “Acredito que esta visita foi muito oportuna e servirá como o primeiro passo na identificação de parcerias extremamente importantes entre empresas brasileiras e chinesas, que, a meu ver, devem envolver todo o espectro das relações de agronegócio brasileiras”.

Missão empresarial à China

No final do encontro, o presidente do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da Fiesp, João Sampaio Filho, respondendo favoravelmente a um convite oficial de Xie Jiammim, sugeriu que a federação organizasse uma missão empresarial para a China no primeiro semestre de 2013. O encontro, de acordo com o presidente do Cosag, dará continuidade ao processo de aproximação entre os empresários dos dois países.

“O desafio é muito grande e temos uma grande gama de oportunidades. Então, a gente está incentivando isso: que as empresas do agronegócio lideradas pela Fiesp possam ir à China e, quem sabe, possam concretizar bons negócios” , concluiu Sampaio Filho.

Balanço do Rally da Pecuária 2012 aponta perspectivas favoráveis para produtores

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

O Rally da Pecuária 2012 registrou uma melhoria significativa nas informações coletadas em nove Estados brasileiros. Durante a cerimônia de encerramento, que aconteceu na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta terça-feira (23/10), o diretor da Agroconsult e membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da federação,  André Pessoa, afirmou que avaliação deste ano teve foco qualitativo e quantitativo das estatísticas, avaliadas pelas cinco equipes das consultorias Agroconsult e Bigma.

André Pessoa, diretor da Agroconsult e membro do Cosag/Fiesp. Foto: Everton Amaro

“Tiramos conclusões heroicas, e hoje estamos felizes por mostrar números com mais consistência na avaliação realizada. Demos um passo importante no levantamento dessas informações”, afirmou Pessoa. Foram medidas as condições das pastagens e das fazendas de criação de gado do país, bem como os índices zootécnicos e a qualidade do rebanho nacional.

O diretor da Agroconsult revelou que a pecuária está sob pressão por causa da competição com outras atividades, como a agricultura. “Nos próximos 10 anos, as atividades de produção de grãos, açúcar e reflorestamento demandarão 15,3 milhões de hectares, e nossa expectativa é de que 82% venha da pastagem. É um desafio enorme”, comentou.

Entretanto, as perspectivas são muito favoráveis para a pecuária brasileira, que necessita de investimentos em tecnologia e aumento de produtividade, recuperação de venda via tecnificação e levantamento de informações do setor. “O sucesso depende da genética, estratégia de nutrição do gado, sanidade, reprodução, manejo e fertilização das pastagens, integração com lavoura e florestas, além de gestão e sucessão”, listou André Pessoa.

Metodologia realista

Maurício Nogueira, sócio-diretor da Bigma. Foto: Everton Amaro

Para Mauricio Nogueira, sócio-diretor da Bigma, o Rally da Pecuária 2012 foi muito mais conclusivo que o do ano anterior. “Conseguimos ir a campo com metodologia mais realista e conseguimos levantar dados inéditos”, opinou.

Os métodos utilizados, segundo ele, foram: registro fotográfico e anotação do ponto com GPS, avaliação das condições e uso da pastagem, homogeneidade do pasto, volume de massa, tipo de capim e invasoras presentes.

Nogueira apontou o perfil da amostra do Rally da Pecuária 2012:

  • Rebanho médio: 3.400 cabeças;
  • Rebanho total: 1,3 milhão;
  • Área média da pecuária: 2.356 hectares;
  • Ocupação média: 1,44 cabeças por hectare.
  • Rebanho total confinado: 549 mil cabeças;
  • Produtividade média estimada: 6,96 hectares por ano.

 

“Concluímos que a amostra foi muito mais rigorosa e realista esse ano. Não podemos dizer que a pecuária piorou”, avaliou Mauricio Nogueira, ao informar que o rebanho dos produtores vem aumentando em 52,1% dos casos, enquanto se manteve estável em 39,3% e reduziu em 8,6% dos avaliados.

“Os pecuaristas pretendem reformar mais de 14% das pastagens ao ano, o que nos permite concluir que há um espaço enorme de oportunidades para o produtor economizar, adotando técnicas mais eficientes para lidar com as pastagens. A demanda por tecnologia do pecuarista é maior que a do agricultor”, completou.

Entrega de Homenagens

Durante o evento também foi feita a entrega de homenagens aos apoiadores e patrocinadores do Rally 2012.  As empresas que patrocinam a iniciativa são Dow AgroSciences, Vale, Marfrig, MSD e Heringer. São apoiadoras do Rally 2012, instituições como a Fiesp, Embrapa e INPE, além das indústrias Mitsubishi Motors, Famato, Famasul e BeefPoint.

Patrocinadores e apoiadores do Rally 2012 recebem troféu. Foto: Julia Moraes

 

 

 

 

 

Ex-presidente da Embrapa: país precisa levar mecanização agrícola também aos deixados de lado

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Ex-presidente da Embrapa Eliseu Alves em reunião do Cosag na Fiesp

O Brasil modernizou sua agricultura, mas ainda não conseguiu descentralizar a renda bruta. Pelo contrário, esta se mostra extremamente concentrada. A avaliação é de Eliseu Roberto de Andrade Alves, um dos fundadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“Também não conseguimos manter a população no meio rural. E ainda temos grande parte do problema da agricultura familiar por resolver”, afirmou o ex-presidente da empresa, ao participar na segunda-feira (13/08) da 50ª reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para Alves, um sinal de saúde do agronegócio brasileiro é a migração rural urbana. A agricultura, segundo ele, pode ser feita por poucos produtores e muita tecnologia, como é o caso da Europa, por exemplo, que optou por uma agricultura baseada em ciência e poucos empregos diretos.

De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentadas pelo fundador da Embrapa, a população rural caiu de 41,6% nos anos 1970 para 29,8% em meados de 2010. “Eu acho que o Brasil está caminhando para isso e já fez uma grande parte da travessia.”

Na avaliação de Eliseu Alves, o aspecto mais positivo da modernização agrícola é a queda expressiva do preço dos alimentos. “O preço da cesta básica reduziu substancialmente. E para quem é o maior benefício? É para os consumidores mais pobres, que gastam a maior parte do orçamento doméstico na compra de alimentos”, afirmou ele, mostrando dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) que demonstram uma baixa anual de 2,02% do preço da cesta básica entre 1977 e 2007 e uma forte queda de 62,8% no período.

“Houve uma enorme distribuição de renda que nenhuma política pública fez. Inclusive, todos esses programas do governo de transferência de renda estão funcionando muito bem exatamente porque a agricultura brasileira tem sustentado preços decrescentes dos alimentos”, avaliou.

Concentração de renda

Eliseu Alves alertou que se nada for feito para descentralizar a renda bruta no meio rural, essa população vai continuar optando migrar para as grandes cidades brasileiras. O pesquisador sugeriu como alternativa o acesso mais facilitado à tecnologia por parte dos pequenos produtores.

“Nós não conseguiremos aumentar a renda agrícola se [o país] não modernizar a agricultura. Com tecnologia rudimentar, não há como aumentar a renda da agricultura familiar”, afirmou.

Levantamentos do IBGE revelam que, em 2010, a maior parte (47,8%) da população concentrava-se na área rural.
“Já imaginou se esses 47% de repente aportassem aqui em São Paulo?”, questionou o ex-presidente da Embrapa. “São 17 milhões de pessoas. É importante – tendo a consciência de que essa é uma medida paliativa – a gente ter uma política para tentar mecanizar a agricultura dos que são mais deixados de lado”, concluiu.

Brasil precisa reforçar externalidades positivas do seu etanol

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

É preciso reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, apostar em novas tecnologias na agricultura e na mitigação de Gases de Efeito Estufa (GEE). A bioenergia moderna também deve gerar renda.

As observações feitas pela embaixadora Mariângela Rebuá, do Ministério das Relações Exteriores, abriram o debate sobre “Mercado de Combustíveis no Mundo”. O painel foi mediado pelo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, em São Paulo.

embaixadora Mariângela Rebuá, do Ministério das Relações Exteriores

Mariângela Rebuá tratou de importantes indicadores que auxiliam na tomada de decisão de políticas públicas e que passam pelo tripé econômico, social e ambiental.

“O Brasil tem produtividade altíssima e trabalhamos mais em desenvolvimento tecnológico”, ressaltou. Ao apontar que a produção de biocombustíveis promove mudanças sociais, somou o fato de que também garante empregos bem pagos.

Atento ao desenvolvimento sustentável e aos países mais vulneráveis, o Banco Interamericano de Desenvolvimento Econômico e Social (BID) investiu em projetos U$ 12 bilhões/ano, em 2007-2001, volume que representa o dobro de empréstimos no período anterior.

Marco Aurélio Castro, especialista em energia do BID para a América Latina e o Caribe, exemplificou o apoio com o financiamento de Tauá, a primeira usina fotovoltaica no Brasil, mais 1MW ao sistema.

Castro também sinalizou com o financiamento de estudos de mecanização da colheita de cana-de-açúcar, que requer requalificação da mão de obra. Por outro lado, apresentou pontos do Scorecard do BID para a sustentabilidade quanto aos biocombustíveis com foco no setor privado.

Ele citou experiências recentes de voos da Azul e da Gol com biocombustível para aviação, em 19 de junho, durante a realização do Humanidade 2012, no Rio de Janeiro. A vantagem é redução de 82% na emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).

João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp

Na avaliação de João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-ppresidente da Fiesp, a exigência de maior carga de biodiesel no diesel, 25% em São Paulo, deverá gerar mais empregos.

No campo internacional, os maiores consumidores de petróleo, Estados Unidos, países desenvolvidos e integrantes do BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) dependem de políticas públicas no incentivo aos biocombustíveis, segundo Eduardo Leão, diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Para ele, os Estados Unidos têm programa audacioso de consumo com uso da segunda geração de biodiesel e de elevação de 10 para 15% da adição de etanol até 2013.

Missão de empresários do Senegal vem à Fiesp para buscar cooperação em agronegócio

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Presidente da Confederação das Indústrias do Senegal, Mansour Cama, na Fiesp. Foto: Everton Amaro

Presidente da Confederação das Indústrias do Senegal, Mansour Cama, na Fiesp

Em missão no Brasil, uma comitiva de empresários senegaleses se reuniu nesta quarta-feira (11/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com representantes de empresas brasileiras para negociar acordos de cooperação, principalmente em agenda relacionadas a maquinários agrícolas e tecnologia para desenvolvimento de sementes de soja, milho, trigo e outras commodities agrícolas.

O diretor-titular-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Newton de Mello, apresentou ao grupo – liderado pelo presidente da Confederação das Indústrias do Senegal, Mansour Cama – as áreas de atuação da entidade, incluindo os centros de formação básica e profissional da entidade, o Serviço Social da Indústria (Sesi-SP) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP).

“Tivemos a oportunidade de visitar o Sesi de Indaiatuba, é realmente uma coisa admirável. Qualidade em recursos humanos é importante para nós. Temos a esperança de ter o mesmo modelo Sesi e Senai no Senegal”, afirmou o presidente da Confederação das Indústrias do Senegal, que está no Brasil desde segunda-feira (09/07) apresentando oportunidades de negócios do país da África Ocidental para empresários e autoridades brasileiras.

“Queremos promover uma cooperação maior entre Brasil e África, sendo o Senegal a porta de entrada de um mercado com 200 milhões de consumidores, e aproveitar a experiência da Fiesp para melhorar certas práticas da indústria”, completou Mansour Cama, também CEO da Senegal Investment Company, organismo que supervisiona negócios desde a pesca até a distribuição de água.

Feira

Também faz parte da agenda de negociações a realização de uma feira cujo foco é apresentar a produção brasileira ao Senegal. “Nesta missão estamos com o projeto de organizar uma feira de produtos brasileiros no Senegal. Queremos conversar com a Fiesp sobre um possível apoio à essa feira”, afirmou o presidente da Confederação das Indústrias do Senegal.

Newton de Mello, do Derex, ofereceu apoio da entidade aos projetos do grupo senegalês: “Estamos aqui na Fiesp abertos a colaborar com vocês”.

Desenvolvimento sustentável: especialista defende subsídio a atividades da comunidade amazônica

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

A biodiversidade da Floresta Amazônica e o subsídio às atividades que conduzam a comunidade amazônica ao desenvolvimento sustentável foram o foco do painel Biodiversidade – Perspectiva para o Panorama Global e Brasileiro, do seminário Biodiversidade no Contexto da Sustentabilidade Agricultura, realizado nesta segunda-feira (18/06), no Humanidade 2012 – iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e parceiros em paralelo à Rio+20.

Paulo Dallari Soraes, do DMA/Fiesp, conduziu os debates

Moderado pelo diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA), Paulo Dallari Soares,  o evento teve a participação do professor emérito do Instituto de Biologia da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretário especial do Meio Ambiente do Brasil, Paulo Nogueira Neto,  da representante da Plataforma de Líderes para o Capital Natural (Universidade de Cambridge, UK), Margaret Adey, da diretora de Relações Corporativas da Conservação Internacional-Brasil, Helena Boniatti Pavese, e da gerente de Biodiversidade, Biológicos e Propriedade Intelectual (Gebio-Abifina), Ana Cláudia Dias de Oliveira.

Veja o resumo do evento:

Paulo Nogueira Neto (USP) – O professor emérito da Faculdade de Biologia da Universidade de São Paulo (USP) defendeu que o subsídio às atividades que conduzam a comunidade amazônica ao desenvolvimento econômico e social contribui para a preservação da biodiversidade presente na região. “Se outros países subsidiam abertamente os seus agricultores, nós podemos fazer isso por aqueles que conservam as unidades de preservação. Precisamos criar condições para que a população local tenha condições de ter uma vida economicamente aceitável”, afirmou.

De acordo com Nogueira Neto, na falta de recursos naturais que possam ser comercializados, a população Amazônia optou pelo cultivo de pequenas criações de gados. “Esta é a única maneira que a população encontrou para não morrer de fome. Eles não destroem a floresta porque gostam, mas porque esta é a única alternativa apresentada para que possam sobreviver”, alertou.

Paulo Dallari Soares (DMA/Fiesp) – Para o diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, a conservação da biodiversidade brasileira é fator estratégico para geração de emprego, renda e o combate efetivo da pobreza na região amazônica. “Articulação entre o governo e o setor privado pode garantir a criação de um projeto de infraestrutura que permita a utilização comercial destes recursos de uma forma sustentável”, avaliou Soares.

Helena Boniatti – A diretora de Relação Corporativas da Conservação Internacional destacou que os consumidores estão cada vez mais atentos aos impactos ambientais ocasionados durante o processo de fabricação de um determinado produto. Além disso, a especialista alertou para a importância de as empresas incluírem o valor da biodiversidade no projeto de gestão.

“Se uma empresa quiser manter seu crescimento a médio e longo prazo, atrair novos investidores e consumidores, terá de incluir a biodiversidade em sua gestão estratégica. E as empresas estão cada vez mais conscientes. Uma pesquisa realizada com CEOs de empresas brasileira constatou que 70% consideram práticas de sustentabilidade uma coisa importante na hora de contratar fornecedores”, afirmou.

Ana Claudia Dias de Oliveira (Gebio-Abifina) Segundo a gerente de Biodiversidade, Biológicos e Propriedade Intelectual, a morosidade para concessão de patente e o formato atual da lei de proteção ao patrimônio genético são dois grandes empecilhos para fabricação de novos medicamentos fitoterápicos. “Nós temos a maior biodiversidade do planeta, temos tecnologia e know how para fabricação de medicamentos, mas sofremos com os entraves na legislação. Há falta de mecanismo de regularização, multas desproporcionais, lucratividade dos produtos, atraso no processo de desenvolvimento e na análise do pedido de patente… Dessa forma, muitas pesquisas ficam paradas durante anos por falta de resposta”, alertou.

Humanidade 2012

O Humanidade 2012 é uma iniciativa é resultado de uma realização conjunta da Fiesp, Sistema Firjan, Fundação Roberto Marinho, Sesi-Rio, Sesi-SP, Senai-Rio, Senai-SP, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Sebrae e da Caixa Econômica Federal. O evento acontece no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, até 22 de junho, paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O objetivo é realçar o importante papel que o Brasil exerce hoje como um dos líderes globais no debate sobre o desenvolvimento sustentável.

Ha-Joon Chang: ‘Desafio do Brasil é desenvolver indústria de tecnologia para agricultura’

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Ha-Joon Chang ressalta a necessidade do Brasil ter uma política industrial sólida

A indústria brasileira tem o desafio – e a oportunidade – de agregar tecnologia de ponta à produção de alimentos e energia e fortalecer um nicho de mercado.

O alerta é do economista e professor da Universidade de Cambridge, Ha-Joon Chang, em encontro com empresários e diretores na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta terça-feira (08/05).

“O Brasil poderia tentar desenvolver indústrias de tecnologia de ponta que aproveitem melhor a terra, aumentem a produtividade da safra e melhorem o aproveitamento da água”, sugeriu Chang logo após um comentário do diretor-titular de Relações Internacionais da Fiesp, Roberto Giannetti.

De acordo com Giannetti, o mundo espera que o Brasil se torne a principal solução para o abastecimento de alimentos e energia no futuro próximo. Se por um lado existe uma forte demanda para o país, ressalvou Giannetti, por outro a indústria brasileira tem a ambição de diversificar cada vez mais sua base de produção e torná-la competitiva no mercado local e internacional.

Na opinião de Ha-Joon Chang , tal pressão do mundo sobre o Brasil é decorrente da capacidade exibida pelos brasileiros em momentos anteriores. “[Ela] veio do que vocês demonstraram poder fazer, sendo o Brasil o primeiro país a desenvolver o etanol”, exemplificou o sul-coreano ao final da sua palestra “Por que o Brasil precisa de uma Sólida Política Industrial”.

Brasil mostra seu protagonismo na questão ambiental

Agência Indusnet Fiesp

Marcos Jank, presidente da Unica: "Temos três Belo Monte adormecidas nos canaviais"

Durante o evento Diálogo sobre Economia Verde e Cidades Sustentáveis: Rumo à Rio+20, realizado nesta terça-feira(21), na Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da entidade, relembrou o protagonismo brasileiro na questão ambiental em relação ao mundo: “A participação do Brasil nesta Conferência e em todos fóruns internacionais será a de contribuir com sua própria experiência.” Reis destacou que a tecnologia deve ser um ponto crucial para a sustentabilidade.

A desembargadora federal do Tribunal Regional da 3ª Região, Consuelo Yasuda Yoshida, enfatizou a importância da regulação para se estabelecer a sustentabilidade, por exemplo, com a eficiência energética. Ela também afirmou que a indústria tem papel fundamental nesse processo e pode contribuir na questão ambiental e social. “É importante que o setor legislativo não se flexilize ao ponto de se afetar o equilíbrio econômico e ambiental. Temos de combater tudo o que degrada o desenvolvimento humano, como trabalho escravo e desmatamento.”

Zoneamento estratégico

Diante do grande desenvolvimento do agronegócio brasileiro, Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açucar (Unica), destacou a necessidade de se pensar estrategicamente a questão de zoneamento, como tem sido feito pelo setor sucroalcooleiro: “É preciso definir onde devem ficar cidade, floresta e agricultura”.

Marcio Macedo Costa, do BNDES: "É preciso pensar a economia verde como uma trajetória de desenvolvimento e de forma estratégica"

Outra questão levantada por Jank é que devemos avançar em agroenergia. “Temos que sair das armadilhas das hidrelétricas, e há condições para isso. Temos três Belo Monte adormecidas nos canaviais, se pensarmos na produção de energia com a biomassa do bagaço da cana”, afirmou o presidente da Unica, relembrando que esse é um exemplo típico do imenso potencial que o Brasil dispõe e não está aproveitando, assim o como a energia eólica e solar.

Marcio Macedo Costa, chefe do departamento de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), citou uma série de projetos sustentáveis pelo País apoiados pelo banco, inclusive de pequenos empresários e cooperativas. Para ele, que esteve presente na Eco 92 quando ainda era um jovem recém-formado, é preciso pensar a economia verde como uma trajetória de desenvolvimento e de forma estratégica.

Pensar no Brasil

Desenvolvimento sustentável não pode ser confundido com crescimento econômico a todo custo. Com esse ponto de vista, Laura Vicente Machado, diretora de produção e consumo sustentável da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), afirmou que, antes de se pensar no interesse de um setor ou outro, deveria se priorizar os interesses do País e da sociedade, dando como exemplo a questão do Código Florestal. “Se for aprovado o Código do jeito que está hoje, nossas metas não serão atingidas”.

Ela destacou ainda que a inovação, embora esteja sempre nos discursos sobre sustentabilidade, muitas vezes, tem sido ignorada na prática. Para a representante do MMA, a primeira coisa a se fazer é reduzir o desperdício. “Com essa atitude todos ganham. É preciso sermos corresponsáveis pela qualidade de recursos ambientais e humanos do País. Melhorar a qualidade das pessoas não só na questão do consumo, mas em se tornar pessoas melhores como um todo”, disse.

Brasil tem postura proativa nas negociações internacionais, afirma Fiesp

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Nelson Pereira dos Reis, diretor de Meio Ambiente e vice-presidente da Fiesp

Durante o Encontro Empresarial Brasil-Suécia, realizado nesta quarta-feira (18) na sede da Fiesp, o diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) e vice-presidente da entidade, Nelson Pereira dos Reis, apresentou os ativos ambientais brasileiros.

Com o objetivo de inserir as iniciativas e o desempenho do setor privado nacional, em especial a indústria, no contexto da economia verde embasado no conceito original do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o diretor esclareceu que os ativos ambientais podem ser naturais, empresariais, governamentais e público-privados.

Aos membros da delegação sueca, ele ressaltou ainda que existem conselhos com representatividade no governo, setor produtivo e sociedade, que legislam sobre meio ambiente.

Reis lembrou também que as atividades econômicas são desenvolvidas em áreas restritas, limitadas, e o aumento da produção se dá com o avanço da competitividade e tecnologia. “Mesmo assim, tivemos uma expressiva redução do desmatamento desde 2004 em mais de 60%, somos um grande ‘pulmão’”, afirmou.

A proatividade brasileira ocorre nas negociações internacionais, com a assinatura de mais de 60 tratados ambientais. “É por isso que a Fiesp tem trabalhado nestas questões, participando de fóruns de todas as abrangências com o mesmo engajamento”, reiterou o diretor do DMA, antes de anunciar os preparativos da participação da entidade na próxima Convenção do Clima (Cop-17), em Durban, na África do Sul, de 28 de novembro a 9 de dezembro.

Reciprocidade

João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp.

O vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, indicou que sem a tecnologia sueca, a agricultura não seria possível no Brasil. “Falamos muito do agronegócio brasileiro, mas essa movimentação do Brasil no setor não seria possível sem os motores produzidos pela Suécia, que movem caminhões e tratores, fundamentais nesta atividade”, declarou.

Ometto salientou ainda que a Suécia é o único país europeu que adotou o etanol brasileiro, além de promover os principais fóruns internacionais e levantar a bandeira do meio ambiente com o Brasil. “Precisamos nos aproximar mais da Europa, pois temos muita sinergia cultural com seus países, uma vez que o Suécia direciona suas atenções para a América do Sul”, concluiu.

Documento propõe equilibrar produção agrícola e conservação ambiental

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

André Nassar, diretor do Icone

Elaborado pela necessidade de debater a reforma do Código Florestal, o Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone) apresentou o documento Agricultura, Conservação Ambiental e a reforma do Código Florestal, durante a reunião com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, nesta segunda-feira (4), na sede da Fiesp.

Propostas e sugestões para que a ocupação e o uso da terra sejam feitos de forma a equilibrar conservação ambiental, produção agrícola e desenvolvimento econômico compõem o texto.

Segundo André Nassar, diretor-geral do Icone e um dos autores do documento, se forem consideradas as previsões da Organização Mundial para Agricultura e Alimentos (FAO), a produção de oleaginosas, no Brasil, terá que dobrar até 2050 e a de carnes, aumentar até 70%.

“É esperado pelo mundo que o Brasil cresça. Não que o Código Florestal vá impedir este crescimento, mas deve-se levar em conta que o crescimento da agricultura é uma externalidade positiva para o mundo”, afirmou Nassar. Para ele, a produção atual de soja, no País, de 62 milhões de toneladas terá que crescer mais 105 milhões de toneladas, assim como a produção de frango em mais 16 milhões na mesma medida.

Impacto

Em projeções para o desempenho da agricultura para 2022, o efeito na área de produção de grãos sairia de 37 milhões de hectares para 43 milhões, mas se houvesse a restauração do passivo em área produtiva, o diretor do Icone afirmou que a mesma área cairia em 8,4%. Cana de açúcar sofreria queda de 6%; pastagens 26% e a área agrícola total cairia 21,8%, ou seja, 40 milhões de hectares.

“O restauro em área produtiva traria um impacto enorme em termos de área plantada e, principalmente, em termos de preço. Por exemplo, o preço real da soja até 2022 cresceria 2% e, com o restauro, o preço subiria 25%”, alertou Nassar. Para o diretor, quando há expansão da agricultura com forte intensificação das pastagens, há redução do impacto.

“É na combinação da expansão da fronteira com as intensificações de pastagens é que se obtêm os melhores níveis de produção e os menores impactos em preço, o melhor resultado para o produtor agrícola e para os consumidores”, ponderou Nassar.

Para visualizar o documento elaborado pelo instituto Icone, clique aqui.