Emprego na indústria paulista cai 0,26% em agosto e deve fechar o ano com queda de 3%

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Francini, diretor do Depecon da Fiesp, comenta situação do emprego na indústria

A indústria paulista fechou o mês de agosto com 8,5 mil vagas a menos em relação a julho e deve encerrar 2012 com ao menos 80 mil demissões, projetou o diretor do Departamento de Economia da Fiesp, Paulo Francini. Apesar da recuperação, ainda modesta, o emprego é o último item da indústria a refletir tanto a retomada de força quanto a desaceleração, avaliou o diretor.

A pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo, divulgada nesta quinta-feira (13/09) pela Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), apurou que o emprego no setor industrial apresentou queda de 0,26% no mês, com ajuste sazonal.

Na leitura dos 12 meses, o índice apurou 84 mil demissões, um recuo de 3,13% em relação ao mesmo período imediatamente anterior.

No acumulado do ano de 2012, a indústria gerou 23,5 mil empregos, com uma variação praticamente estável, positiva em 0,9% com relação ao mesmo período de 2011. Esta é a variação percentual mais baixa, com exceção de 2009, ano da crise, quando o indicador registrou queda de 2,9% no acumulado daquele ano.

“Nós acreditamos que o segundo semestre pode ser melhor do que o primeiro, porém, a recuperação ocorre numa intensidade, força e velocidade bem menor do que aquela que chegamos a pensar que teríamos”, afirmou Francini, diretor-titular do Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiesp.

Segundo ele, a indústria de transformação tem condições de incrementar a sua produção sem aumentar o emprego, uma vez que trabalha com folga no que diz respeito à mão de obra existente. Além disso, o emprego industrial é o item que demora a sentir reflexos de perda ou ganho de força do setor produtivo em geral.

“O emprego demora a cair quando a indústria começa a fraquejar e demora a voltar quando a indústria começa a se recuperar”, concluiu Francini.

Direção correta, mas tempo insuficiente

A federação manteve projeção de crescimento de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 e uma queda de 2,5% do PIB da indústria no mesmo ano.
“Nós estamos projetando crescimento de 1% para os dois outros trimestres para poder fechar o ano com 1,4%”, acrescentou o diretor do Depecon/Fiesp.

Para Francini, a redução da taxa básica de juros Selic, o câmbio em patamares mais competitivos e medidas como desoneração de folha e redução do custo de energia estão na direção correta para “mitigar a moléstia adquirida pela indústria de perda de competitividade”.

Ele adverte, no entanto, que as ações foram tomadas sem tempo suficiente para reparar os prejuízos e salvar 2012. “Isso foi suficiente? Eu diria que não, mas tudo vai ser resolver por medidas que estão em curso”, disse Francini, acrescentando que a inflexão da economia, sinalizada por alguns indicadores econômicos, tem sido “pequena”.

“Já vimos, em outras ocasiões, pontos de inflexão onde se sai de uma situação e passa para outra com boa força. Isso pudemos perceber, recentemente, no ano de 2010. Se compararmos, podemos dizer que a nossa inflexão agora não tem a mesma força”, explicou o diretor.

Setores e regiões

Nível de Emprego – Agosto 2012 from Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

O setor de açúcar e álcool foi responsável pelo fechamento de 1.596 vagas em agosto, uma contribuição negativa para o índice geral em 0,06%. Os demais setores, incluindo a indústria de transformação, responderam por 6.904 demissões do número total no mês passado, o que equivale a -0,27% no mês.

Das atividades analisadas no levantamento, 12 apresentaram efeitos negativos, oito fecharam o mês em alta e duas ficaram estáveis.

O segmento de Produtos Têxteis apurou perdas de 3,3% no mês. No campo positivo, o indicador de emprego no setor de Couros e Fabricação de Artigos de Couro, Viagem e Calçados foi destaque com ganhos de 1,2% em agosto.

A pesquisa mostra ainda que das 36 regiões analisadas, 21 apresentaram quadro negativo, nove ficaram positivas e seis encerraram o mês estáveis.

Cotia foi a cidade que apresentou a maior alta, com taxa de 0,98% em agosto, impulsionada principalmente por Produtos Alimentícios (4,07%). A região de Botucatu registrou ganho de 0,82%, sob influência positiva dos setores de Veículos Automotores e Autopeças (2,08%) e Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (2%).

O índice de emprego na cidade de Presidente Prudente também registrou alta em agosto, 0,74%, motivado pelo bom desempenho do mercado de trabalho no setor de Artefatos de Couro, Calçados e Artigos de Viagem (1,73%) e Produtos Alimentícios (1,69%).

Entre as cidades com desempenho negativo, destaque para Americana, que computou a queda mais expressiva do mês com 3,98%, abatida pelas perdas no segmento de Produtos Têxteis (-7,53%) e Confecção de Artigos do Vestuário (3,23%).

O emprego na indústria de Matão fechou o mês com baixa de 1,6%, pressionado pelo desempenho ruim dos setores de Produtos Alimentícios (-5,37%) e Confecções de Artigos do Vestuário, (-2,59%). São Carlos encerrou agosto também em queda, de 1,38%, com perdas em Celulose, Papel e Produtos de Papel (-9,27) e Produtos Alimentícios (-4,77%).

Indústria paulista: Fiesp e Ciesp divulgam nível de emprego referente a agosto

Agência Indusnet Fiesp

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) divulgam nesta quinta-feira (13/09), às 11h, o Índice de Nível de Emprego da Indústria Paulista de Transformação – Estado e Regiões, referente ao mês de agosto.

Os números serão anunciados pelo diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, durante coletiva de imprensa, na sede das entidades (Av. Paulista, 1313, 10º andar, auditório).

Informativo COMDEFESA: Workshop CRIMT

Workshop

“Promovendo vantagens competitivas institucionais e inovações em gestão de Recursos Humanos como forma de fomento à indústria: estudos sobre o cluster aeronáutico.” O evento ocorre em parceria com o CRIMT (Centre de Recherche lnteruniversitaire sur la Mondialisation et le Travail), um centro de pesquisas integrado à três centros universitários no Québec: Université de Montréal, Université de Lavalet HEC-Montréal. O CRIMT possui uma rede de pesquisadores associados a universidades em diversas regiões da Europa, América do Norte, América do Sul e Ásia.

 

Para acessar o informativo, clique no menu ao lado.