Câmbio e comércio internacional: quais são as perspectivas do Brasil para 2013?

Rose Matuck, Agência Indusnet Fiesp

As exportações brasileiras vêm caindo este ano ante um cenário externo incerto. A China, principal parceiro comercial brasileiro, está desacelerando. Diante disso, o que o Brasil precisa fazer para garantir, em 2013, um fluxo de comércio exterior e crescimento econômico? As repostas para essas e outras dúvidas em relação à condução da política cambial serão apresentadas no Seminário Impactos do Câmbio sobre Comércio Internacional.

O Seminário que acontece nesta sexta-feira (30), a partir das 8h30, na sede da Fiesp, é uma parceira com o Instituto dos Analistas Brasileiros de Comércio Internacional (ABCI) e espera identificar soluções para elevar a posição comercial do Brasil no mundo. Veja aqui a programação.

Política cambial

A volatilidade do câmbio no Brasil tem se mostrado sistematicamente superior à média de emergentes que também adotam regime de câmbio flutuante, causando imprevisibilidade para os agentes econômicos. Em 2011, a volatilidade do câmbio no Brasil representou 187% da média dos seus pares e no acumulado de 2012, até 10 de outubro, foi de 122%.

Para a Fiesp, uma solução ante a esse ambiente externo incerto é uma atuação mais firme por parte do Banco Central na condução de uma política cambial ativa. “Só assim o Brasil conseguirá mitigar a volatilidade cambial e garantir previsibilidade para exportadores, importadores e investidores”, afirma Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp.

Regras multilaterais

Outro tema preocupante e que faz parte da agenda é a questão quanto à ausência de regras multilaterais sobre o câmbio e comércio, que acarreta ações unilaterais de alguns países prejudicando a isonomia competitiva entre os Estados.

Os recorrentes afrouxamentos monetários utilizados no mundo desenvolvido, por exemplo, provocam efeitos colaterais, afetando a taxa real de câmbio em outros países como o Brasil. Para Giannetti, a solução passa pela criação de mecanismos/regras multilaterais sobre câmbio e comércio que visem corrigir distorções nos fluxos comerciais provocadas pela manipulação cambial.

“Nesse sentido, o Brasil já apresentou três propostas à OMC sobre o tema. Isso é de fundamental importância para o setor industrial e precisa ser inserido na pauta da agenda multilateral do comércio. A Fiesp já enviou carta ao ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, apoiando a iniciativa brasileira, e, sem dúvida, insistimos na criação de mecanismos eficientes que corrijam os efeitos danosos do câmbio no comércio internacional.”

Serviço
Seminário Impactos do Câmbio sobre Comércio Internacional
Local: Av. Paulista, 1313 – 4º andar, capital
Data/horário: 30/11/2012, sexta-feira, às 8h30