Propostas prioritárias para o BNDES

As empresas de todos os setores estão enfrentando graves problemas financeiros. Nos cinco primeiros meses de 2016 ante mesmo período de 2015, os pedidos de falência e de recuperação judicial cresceram 5,5% e 95,1%, respectivamente. Além disso, metade das empresas não têm gerado caixa suficiente para as despesas financeiras.

Afim de resolver esse problema, foi apresentada um conjunto de propostas ao BNDES sobre essa questão.

Os recursos do BNDES devem ser aplicados em:

  1. Plano de Recuperação Econômico-Financeiro das Empresas (capital de giro, debêntures, restruturação de empresas)
  2. Refinanciamento de Dívidas Vencidas com o BNDES
  3. Financiamento às MPMEs (Cartão BNDES, desburocratização, desconcentração dos repasses dos bancos)

Acesso a saneamento básico é agenda velha que Brasil ainda não resolveu, diz especialista do Banco Mundial

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Marcos Thadeu Abicalil, do Banco Mundial: 'Ainda há um déficit enorme para reduzir a pobreza em relação a esgoto'. Foto: Julia Moraes

Ao menos 47% da população brasileira não tem acesso a tratamento de esgoto, um problema antigo que o Brasil ainda não resolveu por não conseguir priorizar necessidades e tratar adequadamente as distintas realidades de cada região do país.

A crítica foi feita pelo especialista sênior em água e saneamento do Banco Mundial, Marcos Thadeu Abicalil, durante o 2º Seminário de Saneamento Básico, realizado nesta terça-feira (30/10) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“A gente lida com uma agenda velha no saneamento, ainda não resolvida”, afirmou Abicalil, acrescentando que “ainda há um déficit enorme para reduzir a pobreza em relação a esgoto.”

Ao participar do painel Mecanismos de Financiamento para o Setor de Saneamento Básico, o especialista citou projeções da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib) que revelam a necessidade de investir anualmente R$17 bilhões até 2030 para universalizar o acesso ao saneamento básico.

“O Brasil tem condições de investir R$17 bilhões por ano? Sem dúvida nenhuma tem condições, sim”, afirmou Abicalil. O problema, segundo ele, é que falta ao país uma estratégia capaz de priorizar as necessidades de cada região.

“Por exemplo: é melhor investir em rede coletora ou é melhor investimento primeiro em tratamento de esgoto com impacto imediato no tratamento de água? É esse tipo de debate que tem de ser olhar em relação às distintas realidades do Brasil”, avaliou o especialista.

Mais espaço e projetos

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Luciana Jacomasse, da Caixa Econômica Federal, alega falta de projetos para saneamento básico. Foto: Julia Moraes

Se Abicalil considera o acesso ao saneamento uma agenda velha não resolvida, o novo desafio para o setor é conquistar seu espaço nas discussões econômicas e até mesmo ambientais.

“O nosso setor de saneamento não fez parte da discussão da Rio+20, por exemplo”, reivindica o especialista. “Qual o impacto que o saneamento tem na economia do país? Qual o custo econômico da ausência de esgoto no Brasil. O setor precisa ganhar espaço nessas discussões”, completou Abicalil, ao adiantar que o Banco Mundial está conduzindo um estudo relacionado a esses temas.

Na outra mão, o setor financeiro alega falta de projetos para saneamento básico. A gerente de clientes e negócios da Caixa Econômica Federal, Luciana Marques da Costa Jacomassi, afirma que de uma contratação de quase R$ 15 bilhões, considerando obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), para saneamento, apenas R$ 5 milhões já foram desembolsados.

“A gente tem uma necessidade de ter estoques de projetos para serem financiados, porque muitos dos recursos disponibilizados não foram desembolsados por falta de projeto. Às vezes, por falta de condições para viabilizar ou pela inexistência mesmo”, afirmou Luciana.

Skaf: ‘Em vez de discutir os problemas, estamos com uma agenda positiva’

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Para estimular uma agenda positiva nas relações comerciais entre Brasil e Argentina, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), promove nesta terça-feira (08/05), em sua sede, a Rodada de Negócios Brasil-Argentina. O evento, que prossegue até o final da tarde, reúne representantes de 330 empresas argentinas e 270 indústrias brasileiras.

De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a realização deste encontro atende a um pedido da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, por meio de representantes dos ministérios de Relações Internacionais, Economia e Indústria Argentina durante uma visita do presidente da Fiesp ao país vizinho, em fevereiro.

“Somos vizinhos e sempre seremos vizinhos. Em vez de discutir os problemas, estamos com uma agenda positiva. Nós temos que buscar o maior equilíbrio no comércio e eliminar barreiras. Tem que haver uma relação de amizade e camaradagem. O objetivo de todo este trabalho é o de eliminar os problemas que existem nas relações comerciais Brasil e Argentina”, avaliou Skaf.

Pesquisa

O presidente da Fiesp divulgou um estudo da federação, feito pelo Departamento de Comércio Exterior (Derex), com empresas brasileiras importadoras dos 38 produtos identificados pelo governo argentino como prioritários para aumento das vendas ao Brasil nos setores de alimentos, bebidas, autopeças, farmacêuticos, químicos e máquinas.

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Skaf: maior equilíbrio no comércio e fim às barreiras

A pesquisa aponta que 24% dos empresários brasileiros dizem desconhecer os fornecedores argentinos. “É por isso que estamos fazendo esse evento. Quase 50% das empresas brasileiras entrevistadas disseram que sim, que poderiam comprar mais da Argentina. São 6 bilhões de dólares que poderia crescer o comércio de manufatura”, destacou Skaf, que citou a realização de rodadas específicas de negócios, já nesse encontro, para as indústrias naval e de autopeças.

“Nós vamos trabalhar para aumentar o conhecimento. Os próximos encontros serão setoriais. Então, com o esforço destes eventos, as indústrias brasileiras irão conhecer mais sobre os seus clientes e as indústrias argentinas conhecerão os seus possíveis clientes”, destacou o presidente da Fiesp.

Skaf, no entanto, ressalvou que a substituição deve acontecer sem prejuízo das indústrias brasileiras. “Não queremos que uma montadora brasileira deixe de comprar peças de empresas brasileiras para comprar de indústrias argentinas, mas que as montadoras brasileiras deixem de comprar de terceiros países para comprar mais na Argentina”, exemplificou.

Ampliação de investimentos

De acordo com Paulo Skaf, a Fiesp realizará uma série de eventos para estreitar as relações comerciais entre os dois países. Entre as iniciativas está a criação de Rodadas de Negócios Setoriais. Conforme o presidente da Fiesp, a instituição está à disposição para organizar uma missão empresarial para a Argentina, onde representantes de empresas brasileiras poderão anunciar investimentos no país.

“Nós vamos naturalmente eliminar estas barreiras. Precisamos equilibrar a balança comercial. Não adianta o Brasil ficar comprando menos do que poderia comprar da Argentina e, em contrapartida, os argentinos ficarem impondo barreiras aos produtos brasileiros. Tenho certeza que desta forma nós vamos aumentar o fluxo do comércio recíproco”, afirmou Skaf.

O esforço, explicou Skaf, é uma colaboração da Fiesp ao relacionamento entre os dois países, respeitando o papel do corpo diplomático. “O nosso pacto é de colaboração. Há um compromisso recíproco de fazer um esforço para ampliar o volume do comércio e eliminar as barreiras”, finalizou o presidente da Fiesp.

Fiesp e Ministério da Justiça definem agenda comum

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

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Da esq. p/dir.: O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o procurador-geral da Justiça do Estado de São Paulo, Fernando Grella Vieira, e o ministro Sydney Sanches, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Conjur/Fiesp




O Ministério da Justiça deverá oficializar, nas próximas semanas, a criação de uma unidade específica dentro de sua estrutura para planejar e coordenar a segurança em grandes eventos esportivos, em uma ação articulada com autoridades internacionais.

O anúncio foi feito pelo ministro José Eduardo Cardozo nesta quinta-feira (15), durante jantar com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e uma delegação de empresários, na sede da federação.

O planejamento de segurança e a integração de forças policiais para preparar o Brasil para a década esportiva no País, que terá Copa e Olimpíadas, são assuntos prioritários do Departamento de Segurança (Deseg) da Fiesp, que projeta a realização de um congresso sobre o tema em junho.

“A preocupação que a Fiesp manifestou também é minha. Hoje, há uma desarticulação total dos três níveis federativos nessa questão”, disse o ministro, que se mostrou disposto ao diálogo e pediu a colaboração da entidade nesse processo. “Vamos desde já nos integrar”, sinalizou.

Paulo Skaf defendeu que o País precisa se preparar para eventos dessa magnitude, e sugeriu uma interligação permanente da Fiesp com o Ministério da Justiça em uma agenda de trabalho. “É muito importante essa abertura. De nossa parte, temos todo o interesse de construirmos isso juntos”, afirmou.

Agenda

O acompanhamento de projetos do legislativo também fará parte da agenda comum. Um dos temas que preocupam os empresários é a penhora on-line, que permite ao juiz bloquear os bens de sócios (pessoas físicas) para saldar dívidas trabalhistas, tributárias ou previdenciárias de empresas. A norma é aplicada na execução fiscal desde 2007, mas ainda carece de regulamentação.

“E aquele que não deve? Que não tem nada a ver com a dívida? Num estado de direito, isso é impensável”, defendeu o ministro Sydney Sanches, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), atual presidente do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos (Conjur) da Fiesp.

Atualmente, grande parte das questões comerciais é analisada no bojo do Código Civil, o que, para a Fiesp, leva à insegurança jurídica. José Eduardo Cardozo afirmou que o ministério criará uma comissão de juristas para trabalhar na elaboração de um anteprojeto de novo Código Comercial. O objetivo é agrupar as normas, que hoje estão dispersas.

“Queremos dar uma noção sistêmica que garanta a previsibilidade jurídica, essencial para a indústria. E aproveitaremos para modernizar as leis”, garantiu o ministro.