Brasil precisa retomar agenda comercial com EUA interrompida pela crise, diz ministro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Alessandro Teixeira, ministro interino do Mdic, durante seminário na Fiesp

O ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, afirmou na tarde desta segunda-feira (17) que a agenda de comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos foi interrompida pela crise financeira global e precisa ser retomada.

Teixeira participou do seminário “A Nova Agenda Brasil-Estados Unidos: Comércio, Negociações e Mecanismos de Defesa da Indústria”, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na sede da entidade.

“Nós temos uma nova agenda ou temos que retomar a agenda que interrompemos em determinado momento com a crise que castigou o mercado americano e europeu?”, questionou o ministro. Ele acrescentou que o Brasil deve bater o recorde em investimentos bilaterais. De janeiro a setembro de 2011, o valor já chega a US$ 42 bilhões.

“Na área de investimento, os Estados Unidos vinham perdendo espaço para economias emergentes. Este ano o Brasil vai ter recorde de atração de investimentos provavelmente acima da casa de 60 bilhões de dólares”, acrescentou a autoridade. Inve

Teixeira pontuou, no entanto, que o principal desafio para a indústria do País continua sendo fortalecimento da comercialização de produtos importados no mercado doméstico. “Quase 90% da pauta de importação é manufaturada. Isso é um problema? Não, desde que a gente consiga construir uma agenda forte. Este é um desafio.”

“Temos uma agenda a ser construída que inclui pontos fundamentais como as questões energética e de sustentabilidade, centrais para a economia norte-americana”, concluiu o ministro.

Susan Schwab classifica Doha como “deserto que impede o progresso”

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A ex-representante comercial da Presidência dos Estados Unidos, Susan Schwab, afirmou nesta segunda-feira (17) que as negociações da Rodada de Doha – das quais o Brasil faz parte desde a sua formação, em 2001 – estão congeladas e que o País precisa encontrar uma maneira de seguir em frente.

“Os políticos nunca vão conseguir declarar que Doha morreu, a não ser que insistamos nisso. Nós temos que ir além desse deserto que está impedindo o progresso e o desenvolvimento”, afirmou Schwab, atualmente consultora estratégica de Comércio Internacional e Relações Governamentais da consultoria Mayer Brown LLP.

“Não importa se existe desde 2001. Doha está congelada e, como resultado, todas as questões muito importantes que a Organização Mundial do Comércio (OMC) deveria estar discutindo também estão congeladas. Os países estão tendo que lidar com esses problemas que não se prestam a soluções unilaterais”, argumentou.

Schwab participou do seminário “A Nova Agenda Brasil-Estados Unidos: Comércio, Negociações e Mecanismos de Defesa da Indústria”, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na sede da entidade.

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Da esq. p/ dir.: o embaixador dos EUA, Thomas Shannon, o presidente do Coscex da Fiesp, Rubens Barbosa, e a negociadora Susan Schwab

Ela reconheceu oportunidades de negócios bilaterais entre EUA e Brasil na pauta de segurança alimentar, energética e cooperações em formulação de política no Fundo Monetário Internacional (FMI). “São segmentos em que vemos potencial na relação comercial Brasil-Estados Unidos.”

A consultora alertou, no entanto, sobre as principais preocupações globais: a fracassada recuperação da crise financeira internacional e o consequente desequilíbrio global. “A liquidez de mercado afeta a todos nós. Formuladores de política têm trabalhado para conter isso.”

Obstáculos

Schwab avaliou ainda que o Brasil impõe alguns obstáculos para o progresso das relações bilaterais e multilaterais de comércio. “Temos 73 países que assinaram o acordo de Tecnologia da Informação, mas o Brasil não é um deles. Eu diria que isso atrapalhou a competitividade do País”, afirmou a consultora.

O Acordo da Tecnologia da Informação, de 1996, eliminou as tarifas entre os 73 países que respondem por mais de 97% do comércio mundial de produtos de tecnologia da informação.

“Nós temos a impressão que os exportadores brasileiros não são bons parceiros de negociação. O Brasil tem liberdade e acesso livre como exportador, mas se pune como consumidor”, disse Schwab.

Mais cedo, o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, informou que quase 90% da pauta de importação é manufaturada. A Fiesp divulgou, em agosto, que a participação de produtos importados no mercado brasileiro chegou a um patamar recorde na série histórica iniciada em 1997, com 22,9%, indicando a dificuldade de concorrência dos produtos nacionais.