Cadeia produtiva da construção tem definições de propostas para o 11º ConstruBusiness

Dulce Moraes,  Agência Indusnet Fiesp

Na manhã desta terça-feira (27/05), o Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizou sua reunião plenária que contou com presença a maciça de representantes de associações e sindicatos dos diversos segmentos que compõem a cadeia produtiva da construção.

Reunião Plenária do Deconcic da Fiesp. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

 

O principal objetivo da reunião foi dar um alinhamento final ao estudo que será apresentado no 11º Construbusiness, evento bienal programado para novembro deste ano.

De acordo com o diretor titular do Deconcic, Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio, o que norteará esse trabalho é uma visão mais prática, apontando o que precisa ser feito para alavancar o setor. “Pretendemos mostrar as ações em andamento do Programa Compete Brasil, cujos resultados sejam exemplo para o aumento da competitividade e para desburocratização do setor, indo além da lógica do diagnóstico adotadas nas últimas edições”, afirmou.

Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio, diretor titular do Deconcic. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

Auricchio também destacou que uma apresentação preliminar desse estudo servirá de base para interlocução com os candidatos à Presidência da República. A ideia é que o documento possa ser entregue a todos até o final de junho.

A reunião plenária contou também com apresentações e informes. Uma das novidades é a participação do Deconcic da Fiesp no Conselho Consultivo Técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP), mais especificamente na escola do Tatuapé, especializada na área da construção civil.

Outra ação apresentada foi a série de debates realizados na Fiesp em torno do novo Plano Diretor proposto pela Prefeitura de São Paulo.  Com a colaboração de diversos departamentos da entidade, foi realizado estudo sobre os impactos dessa medida ao setor, o que culminou no documento com propostas de mudanças ao projeto de lei municipal que trata da matéria (PL 688/2013).

O advogado Luiz Arthur Gemelgo Lucas, do Núcleo de Assuntos Legislativos (NAL) da Fiesp, apresentou os principais tópicos do PL 688/2013, destacando os dois itens que comprometeriam o setor: o desestímulo à atividade industrial no município e a redução da atratividade de investimento no mercado de construção civil.

“Conseguimos que o Projeto não fosse aprovado naquele curto período de tempo e conseguimos apresentar as propostas da indústria. E além da proposta da indústria foram apresentadas 400 novas emendas”, relatou o advogado.

“Nosso trabalho despertou nos vereadores essa consciência de que o projeto de Plano Diretor precisa ser melhor estudado. E eles [vereadores] já estão falando que a indústria não pode sair de São Paulo e que a questão dos eixos de desenvolvimento urbano, com reflexos para construção civil, não pode ser engessada”, completou.

Foco na inovação

Também foi anunciada, durante o encontro, a criação de um novo grupo de trabalho: o GT da Construção Industrializada. O grupo será coordenado pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais para Construção (Abramat), Walter Cover, que também integra o Grupo de Trabalho homônimo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (Mdic). O grupo, que já tem adesão de 25 entidades da cadeia produtiva, terá sua primeira reunião no próximo dia 4 de junho.

O segmento da construção industrializada, segundo Cover, é relevante para o desenvolvimento do país, sobretudo nos programas habitacionais e também pelo seu aspecto sustentável, já que reduz significativamente a quantidade de resíduos da construção. Contudo, segundo ele, precisa de maior incentivo do governo. “Há falta de isonomia tributária. Em alguns países europeus é o contrário: a legislação tributária favorece a utilização de sistemas industrializados, pois eles têm impostos menores do que os meios tradicionais”, afirmou.

Para valorizar iniciativas e soluções inovadoras para o setor, o coordenador do Grupo de Trabalho Responsabilidade com Investimento, Manuel Carlos de Lima Rossitto, propôs a criação de um prêmio.

Como exemplo, foi apresentado o projeto  “Banheiro 360°” , desenvolvido pelo engenheiro Rubens Benbassat, um dos vencedores da 4ª edição do concurso Acelera Startup, promovido pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp.

O projeto, que já tem patente requerida no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), é composto de painéis giratórios na parede, onde bacia, chuveiro e pias são afixados e podem ser utilizados, alternadamente, no mesmo espaço, bastando girar os painéis por meio de um puxador. “O espaço de conforto aumenta. Você tem uma área maior para utilizar. Isso otimiza a redução da área construída, reduz custo de obra e é para industrializar a construção”, explica Benbassat.

Representantes das associações do setor presentes no encontro, elogiaram a criatividade e inovação do projeto e demonstraram interesse na sua viabilização. Detalhes do “Banheiro 360°” estão  disponíveis no blog “Ideias para Construir um Futuro Sustentável”, de autoria do engenheiro Rubens Benbassat. Para acessar, clique aqui.