‘Os brasileiros me ajudam todos os dias, nem que seja com uma palavra’, diz refugiado sírio em palestra no Congresso do CJE

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Hora de aprender com quem veio de longe e precisou empreender na marra, fora de seu país. Na primeira palestra da tarde no Congresso do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp, foi aberto espaço para que quatro imigrantes falassem sobre “A reinvenção na adversidade”. O evento segue até o final desta terça-feira (01/11) na sede da Fiesp, em São Paulo. O debate foi moderado pelo membro do CJE Henrique Olivan.

Thái Quang Nghiã, fundador da fabricante de bolsas e calçados Goóc, falou sobre o seu passado de dificuldades no então Vietnã do Norte, o que levou sua família a enviá-lo para fora, por medo que suas posições críticas ao regime lhe causassem problemas.

Isso foi em 1978. Na viagem, seu navio teve que ser resgatado. A ajuda veio de um barco brasileiro. Depois de um período em Cingapura esperando a liberação de documentos, chegou ao Brasil em 1979, em pleno Carnaval. E isso sem estrutura para receber imigrantes. Aos 21 anos, sem família e sem falar português, sendo o vietnamita diferente de todos os outros idiomas.

“Sempre gostei de estudar e de ler”, disse Nghiã. Sem saber o que fazer, e como falava um pouco de francês, começou a fazer a chamada tradução triangular:  do vietnamita para o francês e então para o português. Depois, foi atrás dos cursos do Sesi-SP e do Senai-SP, pelo que agradeceu aos paulistas. E então entrou na USP, quatro anos depois de chegar ao Brasil. Até que veio o Plano Cruzado, em 1986. “Um amigo para quem tinha emprestado dinheiro quebrou, não conseguiu saldar a dívida e me deu máquinas em troca”, afirmou. “Foi então que me senti empurrado a começar um negócio, mesmo sem ter planejado”. Assim, vendeu a sua produção inicial de bolsas rapidamente e concluiu que seria melhor empreender, ganhando mais do que deixando o dinheiro no banco e, de quebra, não tendo chefe.

Tantos anos depois, ele reflete que muito aprendeu sobre tolerância e diversidade no Brasil. “Mesmo com a crise, tudo segue bem na minha família”, contou. “Até a minha ex convive bem com a minha mulher”, brincou. “Com os meus parentes que vivem fora do Brasil não é assim, não há tanta tolerância e diálogo”.

‘O Brasil me escolheu’

Refugiado sírio vindo de Damasco, Talal Altinawi tem um restaurante de comida árabe na capital paulista. Prestes a completar três anos no Brasil, ele fugiu da guerra e veio com a mulher e os filhos. Tinha somente noções do que é o país e veio para cá porque as portas estavam abertas para a entrada de sírios sem documentos. “Por isso escolhi o Brasil. Ou o Brasil me escolheu”. Antes, fez uma escala de dez meses em Beirute, no Líbano.

Decidiu ficar em São Paulo e foi recebido por três meses por um brasileiro descendente de sírios. Começou em fevereiro de 2014 um negócio de roupas para vender na Feira da Madrugada, no Brás, o que durou até agosto. Em maio já trabalhava como engenheiro, sua área de formação, mas meses depois a empresa fechou. Agora trabalha como cozinheiro. “Fiz uma festa de aniversário e recebi a sugestão de fazer comida árabe como negócio”, afirmou. “Comecei com eventos como a Festa da Imigração e aniversários”.

O dinheiro para abrir seu restaurante, seu próximo passo, num total de R$ 72.000, foi arrecadado num site de crowdfunding, mais que os R$ 60.000 de sua meta inicial. Em janeiro de 2016, com os recursos em mão, escolheu o Brooklin para instalar o restaurante, porque em outubro tinha feito palestra num colégio do bairro, que ofereceu bolsa de estudos para os seus filhos.

“Minha vida é boa, mas eu quero que fique melhor”, afirmou Altinawi.

Também sírio, Anas Obeid é outro empreendedor que diz ter sido escolhido pelo Brasil. Depois de ter ido para o Líbano sem passaporte, foi ao consulado brasileiro e conseguiu passaporte do país. Um ano e quatro meses depois, sente-se bem aqui. Jornalista, começou a enviar reportagens para uma publicação em Londres. Paralelamente, cozinhava. “Indo a um evento, aluguei um box para vender produtos árabes, ainda sem saber o que seria”, contou. “Na Síria é comum fazer na hora os perfumes, misturando as essências e o fixador. Quis fazer o mesmo aqui e trabalho com isso até hoje”.

Para ele, o segredo é “trabalhar mais e gastar menos”. “Os brasileiros me ajudam todos os dias, nem que seja com uma palavra”, disse.

Direto do Bênim

Vinda do Bênim, na África, Ozias Japhette La Blessed chegou aqui num programa de estudos para a graduação em Design Gráfico. Além disso, estudou português. Encontrou no Brasil estereótipos sobre a África com as quais não se identificava.

Assim, juntou-se a outras meninas conterrâneas e começou a apresentar em Bauru, no interior paulista, desfiles culturais. O próximo passo foi abrir a sua marca, a Modukpê, confecção especializada em roupas de inspiração africana.

“Tinha um sonho de menina de trabalhar com moda”, contou. “E faltava um trabalho com moda africana no Brasil”.

Os próximos planos? Voltar para casa e abrir a sua confecção lá depois de formada, em 2017, mas “sempre mantendo o Brasil como uma base de comercialização”.

Para o coordenador do debate, foram apresentadas quatro histórias inspiradoras aos participantes do congresso. “Vimos quatro exemplos de pessoas que vieram, venceram, estão vencendo e encontrando novas formas de vencer”, afirmou Olivan.

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Os empreendedores que se estabeleceram no Brasil: lições de tolerância e superação. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

No Brasil Econômico, vice-presidente da Fiesp analisa crescente integração do Brasil com África

Agência Indusnet Fiesp

É oportuno intensificar a integração entre Brasil e África, afirma o segundo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Guilherme Sabino Ometto, em artigo publicado pelo Brasil Econômico nesta quinta-feira (13/09).

No texto, Ometto lembra que organizações brasileiras já oferecem cursos de aprimoramento para africanos, e compartilha uma “simpática definição” que ouve de chefes de Estado africanos que visitam a Fiesp: “O Brasil é a África que deu certo.”

De acordo com o segundo vice-presidente da Fiesp, a produção de biocombustíveis de energia renovável é um dos setores mais atrativos no continente. “As obras energéticas têm custo estimado de US$ 40 bilhões e o programa de transportes, US$ 22 bilhões”, informa o executivo citando números do Banco Africano de Desenvolvimento. “Faz muito sentido intensificar a integração brasileiro-africana.”

Clique aqui para ler o artigo na íntegra.


Na Jovem Pan, presidente do Coscex/Fiesp fala sobre investimentos chineses na América Latina e África

Agência Indusnet Fiesp

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, desta quarta-feira (05/09), sobre a competitividade industrial chinesa, o presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), embaixador Rubens Barbosa, afirmou que novo mapa dos negócios mundiais está em curso e que o Brasil será afetado.

A China é o maior comprador de produtos brasileiros e deverá ultrapassar os Estados Unidos também como maior vendedor. Segundo pesquisas, o país asiático terá crescimento de 7,5% neste ano, abaixo do nível histórico em torno de 10%.

“Nesse novo mapa a China aparece de maneira importante, não só como grande produtor industrial e grande exportador, mas também como grande investidor. E esses investimentos aqui na América Latina e na África vão produzir produtos chineses, que vão mais à frente e até poder competir com o Brasil, porque eles estão comprando terras, minas e poços de petróleo que vão produzir pra China e para exportar para o mundo, e vão ser daqui 20 ou 30 anos concorrentes no Brasil”, explicou Rubens Barbosa.

A reportagem ouviu ainda o professor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antonio Correia de Lacerda, o professor da Universidade de São Paulo (USP), Gilmar Masiero, e o ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan.

Agenda: Fiesp promove nesta 4ª feira (05/09) seminário sobre investimento em Portugal

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realiza, nesta quarta-feira (05/09), seminário “Oportunidades de Investimento em Portugal”, com a presença do ministro de Estados e Negócios Estrangeiros do país, Paulo Portas.

Portugal busca, no Brasil, atrair investimentos para seu setor de construção civil e, principalmente, para seu programa de privatização, já que o governo colocou à venda as empresas estatais EDP e Galp (do setor de energia), a companhia aérea TAP e a operadora aeroportuária ANA.

Durante o seminário, o ministro Paulo Portas apresentará os detalhes das desestatizações e as vantagens do país europeu como porta de entrada para as indústrias que querem se internacionalizar com foco na África.

Esta é a terceira vez que o governo de Portugal envia um representante à Fiesp. O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moeda, e o ministro da Economia do país, Álvaro Santos Pereira, também estiveram na entidade em busca de capital estrangeiro.

Missão de empresários do Senegal vem à Fiesp para buscar cooperação em agronegócio

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Presidente da Confederação das Indústrias do Senegal, Mansour Cama, na Fiesp. Foto: Everton Amaro

Presidente da Confederação das Indústrias do Senegal, Mansour Cama, na Fiesp

Em missão no Brasil, uma comitiva de empresários senegaleses se reuniu nesta quarta-feira (11/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com representantes de empresas brasileiras para negociar acordos de cooperação, principalmente em agenda relacionadas a maquinários agrícolas e tecnologia para desenvolvimento de sementes de soja, milho, trigo e outras commodities agrícolas.

O diretor-titular-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Newton de Mello, apresentou ao grupo – liderado pelo presidente da Confederação das Indústrias do Senegal, Mansour Cama – as áreas de atuação da entidade, incluindo os centros de formação básica e profissional da entidade, o Serviço Social da Indústria (Sesi-SP) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP).

“Tivemos a oportunidade de visitar o Sesi de Indaiatuba, é realmente uma coisa admirável. Qualidade em recursos humanos é importante para nós. Temos a esperança de ter o mesmo modelo Sesi e Senai no Senegal”, afirmou o presidente da Confederação das Indústrias do Senegal, que está no Brasil desde segunda-feira (09/07) apresentando oportunidades de negócios do país da África Ocidental para empresários e autoridades brasileiras.

“Queremos promover uma cooperação maior entre Brasil e África, sendo o Senegal a porta de entrada de um mercado com 200 milhões de consumidores, e aproveitar a experiência da Fiesp para melhorar certas práticas da indústria”, completou Mansour Cama, também CEO da Senegal Investment Company, organismo que supervisiona negócios desde a pesca até a distribuição de água.

Feira

Também faz parte da agenda de negociações a realização de uma feira cujo foco é apresentar a produção brasileira ao Senegal. “Nesta missão estamos com o projeto de organizar uma feira de produtos brasileiros no Senegal. Queremos conversar com a Fiesp sobre um possível apoio à essa feira”, afirmou o presidente da Confederação das Indústrias do Senegal.

Newton de Mello, do Derex, ofereceu apoio da entidade aos projetos do grupo senegalês: “Estamos aqui na Fiesp abertos a colaborar com vocês”.

Fiesp aposta na relação Brasil-África para promoção das energias renováveis

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp está seguindo à risca a orientação do governo brasileiro de que o relacionamento com a África precisa adquirir caráter estratégico. Tanto que o diretor de Infraestrutura da instituição, Carlos Cavalcanti, terá assento em dois importantes eventos que acontecerão, em Durban, paralelamente à Conferência do Clima da ONU.

Nesta segunda-feira (5), às 15h, no pavilhão da União Africana (em Durban), o Banco Africano de Desenvolvimento e a Fiesp apresentarão o estudo Mercados Energéticos na África, elaborado pelas duas organizações e a Eletrobras, que identifica o potencial energético do continente africano.

Qualidade de vida

“O principal objetivo é mostrar que o acesso à energia, além de melhorar a qualidade de vida da população, contribui efetivamente no processo de desenvolvimento sustentável do continente”, explica Cavalcanti. As experiências brasileiras em energias renováveis, especialmente hidríca e biomassa (gerada a partir do bagaço da cana-de-açúcar), também terão lugar especial neste debate.

Ainda na África do Sul, Cavalcanti participará, na terça-feira (6), de um encontro promovido pelo Centro Internacional para Comércio e Desenvolvimento Sustentável (ICTSD, em inglês), em parceria com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e com o Departamento de Comércio e Indústria (DTI a) da República da África do Sul.

Acordo plurilateral

A ideia é discutir como a promoçao do comércio de energias sustentáveis pode contribuir na mitigação da mudança do clima. Na ocasião, será proposta a criação de um acordo plurilateral de comércio de energia sustentável.

O evento em Durban pretende destacar a importância de reduzir o comércio e as barreiras relacionadas com o mercado de bens e serviços de energia sustentável (SEGS, em inglês), e o papel que elas podem desempenhar para facilitar a mitigação da mudança do clima e na transição para uma economia de ‘baixa emissão de carbono “.

Histórico

A Fiesp, o Instituto Lula e a Febraban realizaram no dia 16 de novembro, em São Paulo, o encontro “Brasil e África”, que reuniu empresários brasileiros que investem (ou têm intenção de investir) no continente africano, representantes do governo brasileiro e embaixadores de países africanos. Estiveram presentes ainda o vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento para Infraestrutura, o presidente do BNDES e o presidente da organização “Global Alliance for Improved Nutrition”.

Processo democrático anuncia crescimento para África nos próximos 10 anos

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp

A prospecção de parceria com a África, onde existem 1 bilhão de habitantes, é muito interessante. O Brasil é especialista em várias áreas como biocombustíveis, energia limpa e agrícola, o que para os africanos seria muito importante, tanto quanto para os brasileiros.

A afirmação de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, foi feita durante entrevista coletiva após o Seminário Brasil-África, realizado nesta quarta-feira (16) pela entidade em parceria com o Instituto Lula e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

“Sinto que o presidente Lula priorizou as ações do Instituto Lula, com o qual temos ótimo relacionamento, às questões relacionadas à África como sequência das inúmeras missões que ele fez ao continente durante seu governo”, completou Skaf.

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, destacou que não há país que se assemelhe à África como o Brasil.

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Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Derex/Fiesp

Ele revelou que os países africanos que mais têm atraído a atenção brasileira são Angola, Moçambique (já com presença maciça de investimentos brasileiros), Nigéria, Gana e África do Sul (maior economia do continente).

Para Gianetti, o grande concorrente do Brasil com a África é a China, que tem muito apetite pelos recursos naturais da África.

“A esperança da África é o Brasil. O africano se comporta em relação ao brasileiro de uma forma mais legítima, honesta e transparente do que com os outros, com os quais tem ressentimento ou desconfiança. Com o brasileiro ele se sente seguro, o Brasil transmite a ele uma esperança melhor do que com qualquer outro país”, declarou.

Brasil, parceiro generoso

Luciano Coutinho, presidente do BNDES, fez um balanço positivo do evento e frisou que a África, continente com PIB de US$ 1,7 trilhão, vai crescer muito nos próximos dez anos e que este valor pode chegar a US$ 2,7 trilhões.

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Luciano Coutinho, presidente do BNDES

Analisou que a África passa por um processo de equilíbrio com o aprofundamento da democracia em várias sociedades com maior estabilidade política.

“É uma sociedade ainda pobre, jovem e com taxa de crescimento populacional alta, que quer oportunidade de emprego e renda. O Brasil pode ser um parceiro generoso no desenvolvimento da África com o desenvolvimento da agricultura familiar, que contribui para gerar mais segurança alimentar para o continente”, avaliou.

O presidente do BNDES considerou ainda que, por meio do etanol e de outras fontes de energia, a África é também uma grande oportunidade para o Brasil. “Podemos contribuir criando mais segurança energética, outro fator de vulnerabilidade para a África. O interesse das empresas brasileiras é crescente.”

Segundo Coutinho, existem muitas chances para desenvolvimento e projetos de infraestrutura. “A África está lançando agora um programa de integração da infraestrutura africana, e o Brasil felizmente tem empresas de engenharia muito competitivas que podem exportar serviços. E o BNDES pode apoiar, entre outras áreas interessantes como serviços, telecomunicações, turismo e varejo”.

Ele ressaltou que a presidente Dilma Rousseff, após uma visita recente a vários países africanos, determinou uma priorização do relacionamento com o continente. “Na próxima semana, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, vai liderar uma comitiva para os países do sul da África”, anunciou.

Debate sobre investimentos na África reúne mais de 100 empresários na Fiesp

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp (ao centro), abriu o Seminário Brasil-África, realizado na sede da entidade em parceria com o Instituto Lula e a Febraban

Oportunidade foi a palavra de ordem do Seminário Brasil-África, realizado nesta quarta-feira (16) em São Paulo pelo Instituto Lula, em parceria com a Fiesp e a Febraban, com a participação de especialistas, representantes do governo, de universidades, empresários brasileiros e africanos.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, abriu o encontro destacando a importância de se intensificar a cooperação e o relacionamento entre o Brasil e os países da África. “Temos de identificar seis ou sete pontos prioritários e organizar missões daqui para lá e de lá pra cá. É importante focarmos nesses setores selecionados e observarmos aquilo que os africanos priorizam e que também seja do interesse dos brasileiros”.

Rubens Sardenberg, economista-chefe e diretor de Assuntos Econômicos, representou o presidente da Febraban, Murilo Portugal. E lembrou que a atuação dos bancos no exterior estava voltada, até há pouco tempo, exclusivamente para a captação de recursos. “A partir de agora, os bancos começam a procurar novos centros de negócios e oportunidades de internacionalização. Nesse contexto, o continente africano é visto como grande e nova fronteira. Esse movimento já está em desenvolvimento na América Latina e agora começa a olhar para a África.”

Pelo Instituto Lula, Paulo Okamoto leu mensagem enviada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos presentes, por meio da qual pede que o Brasil assuma seu papel de país desenvolvido e contribua de forma decisiva para o desenvolvimento da África. Para ele, é preciso ampliar o consumo naquele continente – bem como na América Latina – com mais produtores e mais produtividade, conhecendo, nos engajando na cultura e atendendo aos anseios locais.

“O Brasil é o país com a segunda maior população negra do mundo. Boa parte da riqueza do país foi construída pelas mãos dos africanos e seus descendentes. Nunca podemos nos esquecer da dívida histórica que temos com os povos da região por conta da iniquidade do escravismo. E, a melhor forma de compensarmos isso é olharmos pra frente e nos empenharmos em conhecer os desafios e as necessidades atuais para podermos nos associar e contribuir na melhoria das condições de vida dessa população.”

BNDES

Após a abertura, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho e os africanos Bobby Pittman (Banco Africano de Desenvolvimento) e Jay Waydoo (Global Alliance for Improved Nutrition) falaram sobre projetos, planos, iniciativas e oportunidades entre Brasil e África.

Coutinho informou que, em 10 anos, o continente terá mais oportunidades a serem aproveitadas do que dificuldades. “Hoje são 55 países, população de aproximadamente um bilhão, e 60% das terras aráveis não aproveitadas do planeta. O PIB da região passa de R$ 1 trilhão e 90 milhões de pessoas já pertencem à classe média local”, disse.

Segundo ele, dados do FMI mostram que a África vem crescendo mais do que qualquer outra região no mundo, a taxas que, até a crise de 2008, passavam de 6,5% na média dos países. Após uma queda nos últimos dois anos, o continente já está novamente crescendo acima de 5% e deverá fechar 2012 com média de 5,8%. “Essa performance não vem dos estímulos comerciais provenientes dos países ricos, mas principalmente dos Brics. Com o Brasil como um dos mais importantes vetores desse crescimento”, afirmou.

O presidente do BNDES citou as áreas nas quais o Brasil poderia ampliar sua atuação na África, como: Agricultura (clima e solo muito similares); Biocombustíveis (Etanol e Biodiesel); Energia Elétrica (Eólica, hídrica); Petróleo e Gás; Mineração e Infraestrutura (urbana e logística).

Coutinho mencionou ainda as oportunidades inexploradas pelo Brasil no continente africano, como: Serviços Bancários, Telecomunicações (móvel), Comércio (varejo e atacado) e Turismo. No setor industrial, o presidente do BNDES citou Alimentos Processados, Têxteis, Cosméticos, Proteínas, Calçados, Medicamentos e Farmoquímicos.

O diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, falou sobre as dificuldades logísticas daquele continente, onde já esteve mais de 70 vezes. Ele propôs a criação de um “hub” em um dos países africanos por onde as mercadorias pudessem entrar e ser distribuídas pelos demais.

Luciano Coutinho anunciou que o BNDES está interessado em financiar projetos na área de integração logística entre Brasil e África.

Convidados africanos

Os dois representantes do continente africano, Jay Waydoo (GAIN) e Bobby Pittman (Banco Africano de Desenvolvimento) deram ênfase ao protagonismo do Brasil no cenário econômico mundial e sua liderança em commodities minerais, agrícolas e energéticas (renováveis, principalmente).

Para Waydoo, a África precisa da ajuda do Brasil para desenvolver esses setores a partir de transferência de tecnologia e conhecimento, além dos modelos de políticas sociais brasileiras que tiraram milhões de pessoas da pobreza nos últimos anos. Ele não esqueceu os esforços que estão em andamento tanto lá quanto aqui para combater a corrupção e dar mais segurança jurídica aos negócios.

“Todos os anos, US$ 160 bilhões são roubados da África com evasão tributária. O combate a esse mal já começou com a Primavera Árabe. Vai haver um Verão Africano e vamos responsabilizar nossos líderes, gostem eles ou não”, observou.

Já Pittman fez uma análise macroeconômica da África e apontou para a evolução da região nos últimos dez anos. “Metade das economias que mais cresceram no mundo na última década estão na África. Isso se deve a três pontos principais: crescimento da atividade econômica; melhoria nas condições de governança (transparência, respeito a contratos, combate à corrupção); e Crise Global (África foi menos atingida pela crise).

Encontro com empresários brasileiros aborda investimentos na África

Agência Indusnet Fiesp

Em parceria com a Fiesp e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o Instituto Lula realizará na próxima quarta-feira (16), às 9h, na sede da Fiesp, reunião reservada com empresários brasileiros de diversos setores. O objetivo do encontro é discutir investimentos que tenham como meta o desenvolvimento dos países da África.

O encontro reunirá empresários que já investem ou que tem interesse em fazer negócios no continente africano. Também contará com a participação de representantes de organismos multilaterais, do governo brasileiro e embaixadores de países africanos em Brasília, além de técnicos e acadêmicos.

Para falar sobre o papel do setor privado e o desenvolvimento do Continente Africano, está prevista a participação do vice-presidente para Infraestrutura do Banco Africano de Desenvolvimento, Bobby Pittman, do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e do presidente da organização Global Alliance for Improved Nutrition, Jay Naidoo. A presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não está confirmada.

Publicação sobre África reforça potencial mercado de energia da região

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

No último dia do 12º Encontro Internacional de Energia, a Fiesp lança um estudo sobre os caminhos disponíveis para aumentar o acesso à energia no continente africano.

De acordo com Pedro Jatobá, gerente de prospecção de novos negócios no exterior da Eletrobras, a publicação Mercados Energéticos na África, produzida pela Fiesp em parceria com o Banco Africano de Desenvolvimento e a Eletrobras, reforça, com informações mais aprofundadas do que as oferecidas pelos governos locais da região, a grande oportunidade mercadológica que é o continente.

“A África tem alguma coisa a nos ensinar. Se no Brasil somos tão bons para integrar sistemas, não somos muito bons em integrar sistemas de energia regionalmente. Nesse aspecto a África está na nossa frente”, disse Jatobá.

A grande extensão territorial do continente africano tem sido uma oportunidade para interconexões elétricas na região. O setor energético do continente opera com cinco modelos de interconexão para distribuição:

  • Sistema Elétrico Central (CAPP);
  • Sistema Elétrico do Nordeste da África (EAPP);
  • Sistema Elétrico do Sul da África (SAPP);
  • Sistema Elétrico do Norte da África (Comelec).

“São grandes oportunidades de interconexões de caráter regional, integrando países com objetivos semelhantes, como desenvolvimento econômico e aumento do acesso a energia”, completou Jatobá. Ele ressaltou que o sistema Norte da África (Comelec) já está integrado com a Europa, e essa pode ser “uma região certamente atrativa no curto prazo”.

Mais do que informações

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Sebastian Veit, economista do Banco Africano de Desenvolvimento

O economista sênior Sebastian Veit, do Banco Africano de Desenvolvimento afirmou que a publicação oferece mais do que “simplesmente informações”, mas também um  contexto sobre o setor energético do continente africano que vai além dos dados gerais disponíveis.

Além de traçar um panorama sobre as características das matrizes energéticas do continente e dos 27 países analisados, o livro aborda a questão da pobreza, da produção energias renováveis e biocombustíveis e as possibilidades de integração elétrica.

Constituído por 54 países, o continente africano abriga 900 milhões de habitantes e gera um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1,6 trilhão. E apenas 25% da população tem acesso à energia elétrica. “Procuramos atingir esse desenvolvimento social e econômico que vocês atingiram aqui no Brasil e esperamos levar os brasileiros para a África conosco”, afirmou Veit.

Leia mais:

Acompanhe a cobertura do 12º Encontro Internacional de Energia

Infraestrutura consolidada é atrativo para empresários investirem na África

Agência Indusnet Fiesp 

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Tjekero Tweya, vice-ministro do Comércio e Indústria da Namíbia. Foto: Vitor Salgado

Um dos poucos países africanos com economia estável e sistema político democrático, a Namíbia se move para atrair mais investimentos externos. Nesta sexta-feira (28), o vice-ministro do Comércio e Indústria, Tjekero Tweya, esteve na Fiesp, acompanhado por uma comitiva de empresários, para apresentar as principais oportunidades negócios no país africano.

“Temos um grande potencial de crescimento. Contamos com uma boa localização portuária e acesso ao mercado internacional. Nosso sistema democrático e o setor de telecomunicações são um dos mais estáveis do continente. Além disso, contamos com uma das taxas de inflação mais baixas”, afirmou o vice-ministro.

A Namíbia não só possui um mercado consumidor em expansão como é porta de entrada para União Sul-Africana (Sacu). De acordo com Tweya, são cerca de 47 milhões de consumidores que geram aproximadamente US$ 135 bilhões.

“Os solos férteis, com recursos hídricos e temperaturas quentes, tornam a agricultura o principal motor da economia na região. Estamos ligados através de bacias hidrográficas, rodovias e contamos com uma boa infraestrutura em telecomunicação”, informou o vice-ministro.

Nas exportações, o principal parceiro da Namíbia é a África do Sul, que absorve 31% das exportações e 69% das importações. O Reino Unido, em segundo lugar, representa 15% das exportações e 8% das importações. Ainda conforme o vice-ministro, o governo incentiva o financiamento para comercialização de produtos químicos e alimentos complementares para animais.

Oportunidade de negócios

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Thomaz Zanotto, diretor do Derex da Fiesp. Foto: Vitor Salgado

Para o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comercio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, aos poucos o Brasil percebeu a importância dos africanos na balança comercial. “O Brasil finalmente descobriu a África. Os empresários brasileiros e até os políticos estão vendo o continente com uma grande oportunidade de negócios”, salientou.

Na avaliação de Zanotto, o que chama atenção na Namíbia é a estabilidade do sistema financeiro e a infraestrutura de trabalho. “Há grandes incentivos de bancos e das companhias brasileiras”, pontuou, lembrando que o Brasil tem criado tecnologias sofisticadas no setor do agronegócio que podem ser implementadas pelos africanos.

“Através da Embrapa, desenvolvemos técnicas que podem auxiliar no plantio em diferentes situações de solo e clima”, destacou o diretor da Fiesp. Por meio da Política Direta de Investimento, os empresários podem investir na área da agricultura de irrigação para o cultivo de uva, azeitona e algodão.

Outro ponto a ser desenvolvido na Namíbia, segundo Tjekero Tweya, é a exportação do gado de corte. No entanto, disse ele, algumas áreas de seu país precisam de matadouros certificados para exportar o produto. A parte norte, por exemplo, tem um vasto rebanho de gado que não pode ser comercializado, por não responder às normas internacionais de exportação.

Serra Leoa incentiva entrada de capital estrangeiro

Agência Indusnet Fiesp

O governo de Serra Leoa está facilitando o acesso para investimento de capital estrangeiro no país, com a intenção de desenvolver frentes econômicas pouco exploradas e acelerar seu crescimento.

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Fiesp recebe empresários de Serra Leoa

Agronegócio, infraestrutura, mineração e pesca são alguns dos setores que a Agência de Promoção Comercial e de Investimentos (Sliepa) busca ampliar por meio de negociações internacionais.

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Patrick Cauker, de Serra Leoa

“Auxiliamos empresas estrangeiras em todas as etapas de consolidação de negócios. Somos a porta de entrada para investimentos e a garantia de crescimento interno”, destacou o CEO da instituição, Patrick Caulker, durante reunião nesta terça-feira (30), na sede da Fiesp.

Ele ressaltou o grande potencial não explorado da agricultura: são 5,4 milhões de hectares disponibilizados, sendo que a prioridade é o investimento no segmento sucroalcooleiro. Segundo Caulker, toda a estrutura para a exploração já está montada e o plantio é barato. “O arrendamento para terras produtivas custa entre US$ 5 e US$ 20 por ano, cada hectare”.


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Oluniyi Robbin-Coker, assessor da presidência da República de Serra Leoa

Para contemplar o crescimento esperado nos próximos anos, estima-se a geração de 1.200 MW de energia por hidrelétricas.A infraestrutura é outra área de alta prioridade para o governo. De acordo com o CEO, um montante de US$ 500 milhões foi revertido à construção de estradas.

Oluniyi Robbin-Coker, assessor da Presidência da República de Serra Leoa, lembrou da atividade pesqueira do país e da região, onde há uma demanda de mais de US$ 700 milhões.

Além disso, garantiu, todas as oportunidades de investimento oferecidas não sofrem nenhum tipo de tributação. “Nossa política fiscal isenta os investidores estrangeiros de qualquer taxa, pois este é o caminho para crescermos”, enfatizou.


Defasagem logística

Nesse sentido, intensificar o comércio com Serra Leoa é um aporte estratégico à relação com o continente.Para o Brasil seria interessante fortalecer o comércio com a África Ocidental, principalmente no agronegócio, cuja troca seria favorecida pelo clima similar, afirmou o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti.

Na avaliação do diretor, atualmente as trocas entre Brasil e Serra Leoa ficam comprometidas devido à falta de transporte aéreo direto entre os países, principalmente de voos comerciais.

A pequena quantidade de linhas marítimas também prejudica a logística e encarece os fretes. “É uma verdadeira epopeia viajar daqui para lá e vice-versa; gastamos muito tempo e dinheiro no processo”, explicou Giannetti.
“Este Seminário com Serra Leoa é muito significativo, porque marca o esforço mútuo de fomentar um promissor relacionamento para os dois lados”, pontuou Giannetti.O diretor do Derex/Fiesp informou que a entidade da indústria e o Governo Federal estão empenhados em melhorar a eficiência do acesso à África Ocidental, para que as trocas entre as regiões sejam viabilizadas.

O secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ivan Ramalho, também ressaltou a importância do encontro, pois enxerga boas oportunidades comerciais com a nação africana.

“Hoje, junto com a Fiesp, abrimos neste Seminário um espaço importante ao Brasil e aos representantes de Serra Leoa, já que temos muitas empresas prontas para investir em produtos e serviços necessários ao desenvolvimento de sua economia”, concluiu Ramalho.


Veja a apresentação da Agência de Promoção Comercial e de Investimentos  de Serra Leoa (Sliepa) em arquivo PDF (versão em inglês): Sierra Leone – It´s Time do Think Again