Sul-africanos pedem aproximação com Brasil em visita à Fiesp

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

A fim de promover uma cooperação mais intensa entre o Brasil e a África do Sul, o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) recebeu em 8 de junho uma delegação sul-africana para identificar novas oportunidades de intercâmbio.

Segundo o diretor titular adjunto do Derex Newton de Mello, ambos os países possuem raízes multiculturais fortes e mais pontos em comum do que divergências, o que facilita a perspectiva de novos acordos.

Na visão do embaixador da África do Sul no Brasil, Ntshikiwane Mashimbye, é importante que as duas economias encontrem negócios de benefício mútuo. “Já temos uma boa interação com brasileiros, seja para estudos ou turismo; temos em comum nações bonitas e vibrantes. Além disso, a África do Sul é a economia mais sofisticada de seu continente, sabemos que podemos oferecer parcerias interessantes e queremos estar mais próximos”, afirmou.

O diretor titular adjunto do Derex Antonio Fernando Bessa, por sua vez, apresentou os dados econômicos brasileiros dos últimos anos, destacando as preocupações da Fiesp com uma agenda de integração regional consistente.

Do Ministério da Agricultura da província de Northern Cape, a mais extensa de sua região, Norman Shushu elencou seus principais setores industriais. São mineração, fabricação e desenvolvimento de equipamentos automotivos, desenvolvimento de cidades e processamento agropecuário focado em segurança alimentar no longo prazo, conectando os produtores e os mercados, por exemplo.

Já Saki Zamxaka, da agência de desenvolvimento da província de Gauteng, falou da possibilidade da África do Sul usar serviços e companhias brasileiras como um complemento para sua indústria. Nesse sentido, o gerente de relações institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Casemiro Taleikis, introduziu representantes de mais dez empresas brasileiras do segmento de maquinário agrícola, interessadas em obter novas oportunidades de negócios com o país.

Para além dos acordos comerciais, o diretor de Relações Externas do Senai-SP, Roberto Spada, detalhou as experiências de cooperação técnica do serviço de formação profissionalizante da indústria no exterior. De acordo com Spada, um novo projeto do Senai, desenvolvido especialmente para sul-africanos, irá receber novos alunos no Brasil para trabalhos com duração de até 10 meses.

Atualmente, a África do Sul figura como principal indústria e economia da região, é responsável por 24% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente e possui 11 línguas oficiais, com o inglês para negócios. O país também faz parte da cúpula dos países em desenvolvimento, os chamados Brics, e figura como único país africano no grupo das 20 maiores economias do mundo, o G20.

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Newton de Mello: África do Sul e Brasil possuem raízes multiculturais fortes (Foto: Everton Amaro/Fiesp)

Diretor da Fiesp diz que burocracia restringe abertura de mercado brasileiro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Diretor adjunto do Derex, Newton de Melo (dir.) e embaixador Mbete em encontro da África do Sul com Brasil. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A razão de o mercado brasileiro ser restrito às parcerias comerciais internacionais é o excesso de burocracia dos órgãos reguladores, avaliou o diretor adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Newton de Mello.

Ele participou de um seminário sobre oportunidades de investimento e negócios entre o Brasil e a África do Sul, organizado por uma missão sul-africana, e apresentou o panorama da economia brasileira.

“Eu penso que a razão para essa abertura comercial pequena se deve ao excesso de regulamentação em todos os setores. O país é muito grande e complexo. Então, para importar ou exportar determinado produto precisa de autorização de vários órgãos”, disse Newton de Mello.

De acordo com o diretor, “não é algo intencional do governo, nem da iniciativa privada brasileira, mas uma característica do funcionalismo brasileiro”.

O diretor do Derex também criticou o elevado patamar da taxa básica de juros, a Selic. Ele afirmou que as altas taxas “têm acarretado um problema para o setor industrial”. Outro entrave para a atividade da indústria brasileira, ressaltou, são os custos trabalhistas.

“Temos o segundo maior encargo social do trabalho do mundo. Cada R$ 100 pago ao funcionário, custa à empresa R$ 200”, disse.

Ele reiterou ainda que, por essa razão, a indústria brasileira não consegue competir com mercados como a China.

“A indústria brasileira não teme concorrência com produtos europeus, nem com produtos norte-americanos. A questão que tememos é o comércio com a China, que tem um nível de remuneração de mão de obra muito baixo”, afirmou.

Melhora em 10 anos
Apesar de mostrar um cenário negativo da economia brasileira, Newton de Mello relembrou a boa fase econômica do Brasil em anos anteriores. O diretor apresentou dados sobre o crescimento da renda per capita no país.

Segundo ele, a renda per capita, que em 1995 chegava US$ 6,3 mil, em 2012 alcançou o patamar de US$ 11,7 mil. A taxa de desemprego também diminuiu ao longo dos últimos 10 anos, de pouco menos de 12% em 2004 para 5% em 2014.

“Foi criada no Brasil uma nova classe média. Embora isso seja muito discutido, de fato houve uma distribuição de renda muito grande no país”, ponderou.

Ebola
O seminário sobre oportunidades de negócios entre Brasil e África do Sul também contou com a presença do embaixador do país africano no parceiro sul-americano, Mphakama Nyangweni Mbete.

A autoridade sul-africana aproveitou a ocasião da abertura do seminário para desmistificar algumas ideias sobre a epidemia do Ebola em países vizinhos da África do Sul. Mbete lamentou que a falta de informação correta faça com que seu país seja às vezes incluído no surto do vírus.

“O Ebola afeta apenas três países e não se moveu além disso. Gostaria de dizer que temos que realmente passar a mensagem correta. Todas as medidas estão sendo tomadas pelos países e acreditamos que a questão do Ebola será resolvida.”

Um surto devastador do vírus Ebola atingiu pelo menos cinco países africanos: Libéria, Serra Leoa, Libéria, Nigéria e Senegal. A doença já matou mais de 2,5 mil pessoas.

Na manhã desta terça-feira (21/10) a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que a Nigéria venceu oficialmente o surto.

Fiesp recebe vice-ministra de Comércio e Indústria da África do Sul

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Após participar de um seminário sobre oportunidades de negócios na África do Sul, organizado pela representação diplomática sul-africana em São Paulo, a vice-ministra do Comércio e Indústria da Elizabeth Thabethe visitou a sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na manhã desta quarta-feira (23/10).

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Vice-ministra Elisabeth Thabethe. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

No encontro, conduzido pelos diretores titulares adjuntos do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Eduardo Ribeiro e Newton de Mello, as autoridades sul-africanas discutiram oportunidades de parceria em projetos de educação profissional com o Serviço Nacional de Aprendizagem de São Paulo (Senai-SP).

O diretor de relações externas do Senai-SP, Roberto Monteiro Spada, participou do encontro e falou sobre a participação da instituição em projetos educacionais na África.

Em agosto, o Senai-SP formou ao menos 10 gestores de departamentos técnicos pelo programa Nigeria Industrial Revolution Plan, fruto de uma cooperação entre a escola e autoridades nigerianas para realinhar a educação profissional no país africano.

“Estamos totalmente abertos para discutir oportunidades na África do Sul, como fizemos na Nigéria”, afirmou Spada.

O diretor do Senai-SP deve se reunir com a cônsul geral da África do Sul em São Paulo, Mmaikeletsi M. Dube, na próxima semana para discutir maneiras de colocar a parceria em prática.

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Roberto Monteiro Spada, Newton de Mello e Eduardo Ribeiro na reunião com comitiva sul-africana liderada pela vice-ministra Elisabeth Thabethe. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Cônsul sul-africana vê crescimento consistente na relação comercial entre Brasil e África do Sul

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Foto: Helcio Nagamine

Uma delegação de ao menos 40 empresários e autoridades da África do Sul participou na manhã desta quarta-feira (03/10) de um seminário na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre oportunidades de negócios naquele país.

“Na área de negócios e comércio, nossa relação evolui de bases regulares para uma agenda positiva em que estamos experimentando um crescimento consistente”, afirmou a cônsul geral da África do Sul, Mmaikeletsi Dube.

Frederico Arana Meira, gerente do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, abriu o seminário e afirmou que “características em comum das empresas brasileiras e sul-africanas devem facilitar essa aproximação entre os setores” de ambos os países.

Para a cônsul sul-africana o desafio está em explorar ainda mais o comércio bilateral, beneficiando Brasil e África do Sul com investimentos.

Seminário na Fiesp recebe delegação da África do Sul para discutir oportunidades de negócios

Agência Indusnet Fiesp

Acontece nesta quarta-feira (03/10) o Seminário Oportunidades de Negócios com a África do Sul, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital.

Como objetivo de promover oportunidades de negócios entre os dois países, o evento contará com a presença da Cônsul Geral da África do Sul em São Paulo, Mmaikeletsi Dube, e da delegação empresarial e institucional do Departamento de Indústria e Comércio da República da África do Sul (DTI).

Para mais informações, clique aqui.

Fiesp participa das negociações climáticas pré-COP18

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

A Convenção-Quadro da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (para a sigla em inglês UNFCCC) voltará a se reunir, nesta semana, com a árdua tarefa de construir as bases de um acordo para o segundo período de compromissos do Protocolo de Quioto (KP).

O resultado deverá ser validado pelos países-membros da ONU no final deste ano, durante a COP18, que será realizada no Qatar.

“É preciso acompanhar as circunstâncias em que se dará o acordo do novo período de Quioto e os possíveis impactos para o setor produtivo brasileiro”, afirma o segundo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e presidente do Comitê de Mudança do Clima da entidade, João Guilherme Sabino Ometto.

A reunião em Bangkok também deverá definir a extensão do mandato dos grupos de trabalho que discutem o Protocolo de Quioto e os Compromissos de Longo Prazo (LCA, em inglês) dos países e a implementação da Plataforma de Durban, definida na última Conferência do Clima, realizada em dezembro do ano passado, na África do Sul.

“Vamos acompanhar as discussões da implementação das iniciativas previstas na Plataforma de Durban e analisar a posição do Brasil na construção deste futuro acordo”, destaca Ometto.



Delegação da Fiesp vislumbra acordo ao final da Conferência do Clima

Lucas Alves, de Durban, África do Sul, para Agência Indusnet Fiesp

A delegação da Fiesp que acompanha as negociações do clima em Durban visualiza um resultado positivo no encerramento da COP17, nesta sexta-feira (9). Até o momento, existem duas grandes linhas de discussões que levarão à criação de um acordo, possivelmente nos moldes do Plano de Ação de Bali (2007).

Para a delegação da Fiesp, formada por três técnicos e pelo diretor de Infraestrutura, Carlos Cavalcanti, este possível plano aponta para o estabelecimento de diretrizes e regras para um período de transição onde será negociado um grande acordo, com a participação de todos os países que terão obrigações a cumprir a partir de 2020.

Nesta quinta-feira (8), o Brasil defendeu, por meio de discurso da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a continuidade do Protocolo de Quioto (no período de transição) e que um novo acordo a partir de 2020 seja legalmente vinculante. Isso significa dizer que, neste novo entendimento, os países terão metas obrigatórias de redução de gases de efeito estufa.

As duas grandes linhas de discussão que podem gerar este acordo são:

  • Prorrogação do mandato dos grupos de trabalho de Compromissos de Longo de Prazo (AWG-LCA, em inglês) e do Protocolo de Quioto (AWG-KP), conforme proposta da União Europeia. Para que seja negociado um novo acordo em que os países desenvolvidos e aqueles em alto grau de industrialização (como o Brasil e China) teriam compromissos vinculantes. Os demais países assumiriam compromissos voluntários para serem cumpridos após 2020 e, paralelamente, seria viabilizado o Fundo Verde do Clima para financiar ações de adaptação nos países com baixo grau de industrialização, de 2012 a 2020.

  • A segunda opção, mais viável no momento e que está sendo defendida pelo Brasil é a prorrogação do mandato do Protocolo de Kioto para 2020, e, ainda nesta década, seria negociado um novo grande acordo onde todos os países terão obrigações legalmente obrigatórias a serem cumpridas a partir de 2020. Esta proposta tem o apoio também da China, mas alguns países com baixo de grau de industrialização (como a Índia) discordam, pois alegam que a erradicação da pobreza não tem o mesmo alcance que em países como o Brasil e China. Desta maneira, eles teriam obrigações sem estarem emitindo GEE intensivamente.

Consenso

Entretanto, a delegação da Fiesp entende que qualquer uma das propostas que estão na mesa podem apresentar dúvidas quanto à sua eficiência na manutenção da integridade ambiental do planeta, conforme, os princípios do Protocolo de Quioto.

Isso porque no período de transição, China e Estados Unidos, responsáveis por 52% das emissões globais, ficariam de fora, assim como Japão, Canadá, Rússia e Austrália. A princípio, somente União Europeia (que representa 17% das emissões) é que teria obrigações vinculantes.

A única certeza observada entre os negociadores dos países é que haverá um acordo ao final da COP17, como foi expressado pela secretária da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês), Christiana Figueras. Segundo ela, “teremos um plano de negócio para todos os países cumprirem na próxima década”.

Já o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, alertou que “devemos baixar a expectativa a respeito de um acordo em Durban neste momento, pois os países passam por sérios problemas financeiros, o que impactará nos compromissos adotados ao final da COP17”.

Fiesp defende maior cooperação energética entre Brasil e África

Lucas Alves, de Durban, África do Sul, para Agência Indusnet Fiesp

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Kurt Lonsway, gerente de Mudança do Clima e Energia do Banco Africano de Desenvolvimento (à esq.) e Carlos Cavalcanti, diretor de Infraestrutura da Fiesp, falam durante evento em Durban. Foto: Lucas Alves



“Na área de energia, já começamos um trabalho para fortalecer a cooperação entre Brasil e África”, disse o diretor de Infraestrutura da Fiesp, Carlos Cavalcanti. Ele acredita que essa parceria contribuirá com o crescimento das economias africanas e fortalecerá a segurança energética para enfrentar os desafios das alterações climáticas e da redução da pobreza no continente.

As afirmações foram feitas na abertura do evento realizado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta segunda-feira (5), em Durban, África do Sul. Até sexta-feira (9), a cidade é sede da 17 Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP17).

Em sua apresentação, Cavalcanti explicou como a pobreza se relaciona com a falta de acesso à energia. “Hoje, cerca de um bilhão e meio de pessoas no mundo não têm acesso à eletricidade e três bilhões dependem da biomassa primária para cozinhar e aquecer. As pessoas mais pobres, que vivem com menos de um dólar por dia, gastam até um terço do seu orçamento com esta energia de baixa qualidade.”

Mercados energéticos na África

Em seguida, ele comentou os resultados do estudo “Mercados Energéticos na África”, realizado pela Fiesp, AfDB e a Eletrobras. A análise dos dados apresentados demonstra que o baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países africanos está diretamente relacionado com o consumo de biomassa primária, que representa mais de 50% do consumo de energia final.

“Torna-se óbvio que, quanto maior o desenvolvimento do país, menor é o uso da biomassa primária em sua matriz energética. Isto porque a biomassa primária é ineficiente, poluente e um combustível de uso perigoso”, observou Carvalcanti.

Outra importante conclusão do estudo é que o número de países da África dependente do petróleo para geração de energia é significativo. Este recurso é caro e coloca esses países à mercê das flutuações dos preços dos combustíveis dentro de seus sistemas de energia já vulneráveis.

“Uma conclusão igualmente notável no mercado africano de energia é o potencial impressionantemente grande para as energias renováveis”, destacou o diretor da Fiesp. O material mostra que a capacidade instalada total é de apenas 68 GW em toda a África Subsaariana, não mais do que a da Espanha.

Um último ponto relevante é que a energia hidrelétrica é, de longe, o maior potencial para o desenvolvimento do continente. Ela é praticamente inexplorada e poderia desempenhar um papel fundamental no acesso à energia em todo o continente. Apenas 11% do potencial hidroelétrico da África está sendo explorado atualmente.

Modelo do Brasil é exemplo

Cavalcanti ofereceu ainda um panorama sobre o mercado energético do Brasil e destacou a necessidade de incrementar a cooperação Brasil e África. Segundo o diretor, o Brasil tem dado grandes saltos no desenvolvimento econômico e social, e tem sido um exemplo de sucesso na redução da pobreza por meio do investimento em infraestrutura. “O setor energético tem desempenhado um papel fundamental neste desenvolvimento e, neste sentido, o Brasil apresenta-se como um importante parceiro para o desenvolvimento da África”.

Como mensagem final, o diretor da Fiesp lembrou que energia é crucial para o desenvolvimento. Ele defendeu que os recursos locais precisam ser explorados antes da importação de tecnologias caras de países industrializados, que não enfrentam os mesmos desafios como países em desenvolvimento.

“A África precisa de energia. A África precisa de energia elétrica. A África é rica em energia hidrelétrica”, afirmou. “Este recurso deve ser explorado não apenas a nível nacional, mas compartilhada com todo o continente. Os dirigentes políticos devem centrar-se no desenvolvimento desses projetos de energia e promover acordos de comércio de energia para maximizar os investimentos todo o continente”, pontuou Cavalcanti.

O gerente de Mudança do Clima e Energia do Banco Africano de Desenvolvimento, Kurt Lonsway, avaliou positivamente o trabalho realizado em conjunto com a Fiesp e com a Eletrobras. “Vamos continuar trabalhando em parceria porque a Cooperação Sul-Sul é essencial para o desenvolvimento da África”.

Fiesp espera por um acordo ambicioso na COP17

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

“Diante das incertezas da economia mundial, percebemos que boa parte dos países, especialmente os desenvolvidos, estão reticentes quanto a tomar uma decisão sobre a mudança do clima”, afirma o presidente do Comitê de Mudança do Clima e segundo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto.

Os países-membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês) voltarão a se reunir no período de 28 de novembro a 10 de dezembro para a 17ª Conferência das Partes (COP17), que acontecerá na cidade de Durban, na África do Sul.

Representante do maior parque industrial brasileiro – cerca de 42% do PIB da indústria do País – a Fiesp está enviando representantes para acompanhar as negociações. A entidade espera que os países cheguem a um acordo que garanta um segundo período de compromissos do Protocolo de Quioto, com números ambiciosos e que preservem a integridade ambiental do planeta.

A Fiesp acredita que a COP17 será decisiva para o sucesso ou para o fracasso do segundo período do Protocolo de Quioto. “Apoiamos a posição do governo brasileiro, que segue engajado nas negociações por um compromisso estruturante e multilateral, que estabeleça compromissos de mitigação claros e ambiciosos, mantendo o conceito das responsabilidades comuns, porém diferenciadas entre os países”, explica Ometto.

A entidade defende que o Brasil tem condições de assumir, mais uma vez, o papel de liderança que o seu peso ambiental e político lhe conferem. Desta maneira, será possível contribuir para que os países cheguem a um acordo que mantenha os princípios da Convenção e os compromissos do Protocolo de Quioto.

Para a Fiesp, também é igualmente importante que sejam mantidos os mecanismos de flexibilização de mercado, tal como os projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), e os instrumentos previstos no Plano de Ação de Bali, Acordo de Copenhague e Acordo de Cancun.

Fifa não pode impor restrições ao plano de segurança do País para Copa, diz Ben Groenewald

Alice Assunção, Agência Fiesp Indusnet 

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Major-general Ben Groenewald, da Polícia da África do Sul

Para um evento seguro é necessário que o país anfitrião mantenha sua própria legislação, mesmo que exigências de alterações no modelo partam da Fifa, afirmou o major-general Ben Groenewald, da Polícia da África do Sul, que foi alto membro da Comissão de Segurança da Copa do Mundo 2010.

“A Fifa é um comitê muito exigente. Os regulamentos da Fifa não podem obrigar mudanças porque são, na verdade, diretrizes”, disse Groenewald ao participar como palestrante do Congresso de Segurança Brasil São Paulo 2011, nesta segunda-feira (12), na Fiesp.

Ele alertou que o governo e outros setores envolvidos na estratégia de segurança da Copa do Mundo 2014 devem agir contra a imposição de regras por parte da Fifa. “Ouvi dizer que a Fifa está alterando suas normas. É importante que o governo e outros segmentos se aliem para evitar regulamentos que restrinjam ações de segurança.”

Segurança Privada

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General Luiz Guilherme Paul Cruz, 5º subchefe do Estado-Maior do Exército

O general Luiz Guilherme Paul Cruz, 5º subchefe do Estado-Maior do Exército e Force Commander da Missão de Estabilização da ONU na Haiti (Minustah), que também participa do Congresso de Segurança da Fiesp, acrescentou que, para a Copa 2014, é necessária a criação de regras que definam um padrão de treinamento por parte de empresas particulares de segurança.

Em sua experiência com a Copa 2010 na África do Sul, o major-general Ben Groenewald notou despreparo dos agentes de segurança privada.

“Há regras definidas pela instituição que vai liderar o processo de segurança que podem facilitar o treinamento dessas organizações privadas. Pode ser criado o mecanismo que facilita, mas não cabe a eles [instituição] executar esse treinamento, pelo simples fato de que seria algo fora da sua missão final”, disse Paul Cruz.

Planejamento estratégico

O planejamento estratégico de segurança da Copa 2014 deve ser baseado no marco legal do país, no cenário previsto pelas instituições envolvidas no processo e nas ações táticas previstas, afirmou o general Paul Cruz.

Ele usou como exemplo a missão que comandou no Haiti entre abril de 2010 e abril 2011, e conclui: “É impossível resolver questões de paz e estabilidade em um país sem um fortalecimento das estruturas politicas, sociais e econômicas”.

Fiesp lança missão empresarial para a África do Sul e Moçambique

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Da esq. p/ dir.: Yusuf Omar, Newton de Melo, Jacob Moatshe e Rodrigo Iglesias, em reunião na Fiesp

“Precisamos olhar um pouco para os lados, e não somente para o norte como os brasileiros tem feito”. A frase de Newton de Melo, diretor-titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, revela que o continente africano tem muito a oferecer ao Brasil. Para ele, a visão de afinidades com a África do Sul, ao contrário dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), contempla a cultura e a localização geográfica, fatores que aproximam os dois países.

Também estiveram presentes ao lançamento Yusuf Omar, cônsul geral da República da África do Sul em São Paulo, e Jacob Moatshe, cônsul comercial da África do Sul em São Paulo.

Convidado a elaborar um trabalho para auxiliar a definição de setores, organização e estrutura, Rodrigo Iglesias, da Unidade de Inteligência Comercial e Competitiva da Apex-Brasil, apresentou um resumo com informações relacionadas ao mercado sul-africano e moçambicano.

Segundo o representante da Apex, as perspectivas de negócios para o Brasil nestes dois mercados são promissoras, visto que o potencial econômico, principalmente da África do Sul, é muito grande. “A economia do País, em relação a outras nações desenvolvidas, recuperou-se da crise financeira mundial com muito mais rapidez”, afirmou Iglesias.

Indicadores

Moçambique importou em 2010 cerca de US$ 4 bilhões, o que representa uma participação de 1,1% de todo o continente africano, e há perspectiva de alta de 18% até 2014. Um dinamismo intermediário em relação aos países africanos, mas enérgico perante o mundo. Já a África do Sul, que importou cerca de US$ 82 bilhões no mesmo ano, representa expressivos 20% do total das importações.

Além dos números apresentados, Rodrigo Iglesias detalhou destaques e tendências para o próximo quadriênio em Moçambique e os grupos de produtos com maior potencial de negócios. Destacam-se carnes de aves, amendoim e sementes oleaginosas (exceto soja), alimentos para animais, móveis, máquinas e equipamentos, motores geradores e transformadores, tratores, artigos de couro e chassis para automóveis.

Sul-africanos querem internacionalizar suas empresas

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Thandi Thobias Pokolo

e Newton de Mello

Em meio a crise econômica internacional, representantes de cerca de 40 empresas sul-africanas desembarcaram nesta terça-feira (7) em São Paulo, liderados pela vice-ministra de Indústria e Comércio Exterior da África do Sul, Thandi Tobias Pokolo. A iniciativa faz parte da estratégia do governo sul-africano de internacionalizar suas empresas.

Assim como o Brasil, a África do Sul quer graduar sua pauta exportadora ao País com vendas de autopeças, produtos químicos, eletrotécnicos e sistemas de segurança.

“Estamos com um governo democrático, o que facilitará o acesso aos recursos para as empresas sul-africanas”, disse Thandi Tobias durante encontro na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A vice-ministra também destacou a importância do acordo entre o Mercosul e seu país como forma de fomentar a relação entre as nações. A parceria já foi aprovada pela presidência brasileira, mas espera votação pelo Congresso Nacional.

A medida permitirá que a África do Sul, Botsuana, Lesoto, Namíbia e Suazilândia, que formam a União Aduaneira da África Austral (Sacu), ampliem as trocas comerciais com o bloco econômico sul-americano.

O acordo de comércio preferencial permitirá que cada bloco elabore uma lista de produtos que pagarão menos impostos de importação, que varia entre 10% a 100%.


União de esforços



A vice-ministra também destacou a importância da parceria Índia-Brasil-África do Sul (IBAS). Para ela, esta iniciativa é uma oportunidade para as economias emergentes juntar esforços em resposta à crise global.

Para o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Newton de Mello, o Brasil tem grandes perspectivas no mercado sul-africano em diversos segmentos, como máquinas e equipamentos, alimentos, energia e mineração.

“Precisamos aumentar a participação brasileira no continente, e a economia sul-africana oferece grades oportunidades ao Brasil”, explicou o dirigente da Fiesp.


Comércio

A troca comercial entre os dois países vem apresentando sucessivos aumentos. As vendas externas do Brasil à África do Sul saltaram de US$ 300 milhões em 2000 para US$ 1,7 bilhão em 2008. No entanto, nos primeiros cinco meses do ano, o Brasil viu suas vendas para o país africano caírem em 20%, em relação ao mesmo período do ano passado.

As vendas sul-africanas também apresentaram forte ritmo de crescimento a partir de 2002, passando de US$ 181 milhões para US$ 770 milhões, em 2008. Porém, os sul-africanos viram suas vendas despencarem em quase 50%, durante os seis primeiros meses de 2009, em comparação ao mesmo período do ano passado. A título de comparação, esta queda representa quase o dobro da redução das importações totais do Brasil, de 27%.