‘Portos podem funcionar 24 horas virtualmente’, diz diretor do Porto de Santos

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Dos temas principais, a maior agilidade e o uso da inteligência nos serviços portuários e aeroportuários, foram debatidos em painel sobre os portos e aeroportos 24 horas no Brasil, na tarde desta quarta-feira (21/05), na Semana da Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Diretor de Planejamento Estratégico e Controle do Porto de Santos, Luis Claudio Montenegro, destacou ações como o chamado Porto sem Papel, com informações disponíveis e que possam “ser compartilhadas por todo mundo”.

“Portos podem funcionar 24 horas virtualmente”, explicou. “De qualquer lugar, posso fazer a liberação de cargas e navios.”

Segundo Montenegro, os navios podem mandar as informações para serem analisadas pelo sistema antes mesmo de chegarem ao seu destino. Todos esses dados são armazenados e organizados pelo sistema. “O Porto de Santos foi o primeiro a adotar o Porto sem Papel”, disse.

Montenegro: “De qualquer lugar, posso fazer a liberação de cargas e navios”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Montenegro: “De qualquer lugar, posso fazer a liberação de cargas e navios”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Outra medida sugerida foi a adoção de etiquetas eletrônicas, inteligentes, protegidas por lacres também eletrônicos, com informações sobre as mercadorias, sempre com o foco na agilidade dos processos. “A informação eletrônica deve estar disponível”, destacou o diretor de Planejamento Estratégico e Controle do Porto de Santos.

Navio parado

Advogado da Portonave S/A – Terminais Portuários de Navegantes, Diego de Paula destacou que a Nova Lei dos Portos  veio para aumentar a eficiência nos terminais portuários. “Hoje não se aceita mais navio parado”, disse.

Conforme De Paula, no país, hoje, são necessários 17 dias para embarcar um produto. “Na Europa, são três dias, em média”. Nessa linha, o delegado-chefe da Receita Federal na delegacia de Foz do Iguaçu, Gilberto Tragancin, afirmou que o tempo médio da atracação do navio até o registro de presença da carga no porto, no Brasil, é de 2,55 dias.

Entre os pontos apontados por Tragancin como entrave para o melhor funcionamento dos portos estão a baixa demanda pelos serviços no horário noturno e o baixo aproveitamento da mão de obra. “Precisamos que exportadores e importadores se envolvam mais nas etapas que lhes competem”, disse.

Funcionamento integral

Especialista pleno em competitividade industrial e investimentos no Sistema Firjan, que inclui a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, Riley de Oliveira, lembrou que o Brasil tem “alguns dos melhores portos do mundo”, mas que é preciso pensar no funcionamento integral desses locais, não na operação parcial dos serviços.

Para isso, diz ele, o funcionamento 24 horas deve ser regra em todos os terminais. Nesse ponto, é fundamental a integração do Portal Único do Comércio Exterior com os órgãos estaduais. “A conclusão total do Portal está prevista para 2017, quando precisamos disso há duas décadas”, disse.

Oliveira: funcionamento integral dos portos e aeroportos.  Foto: Everton Amaro/Fiesp

Oliveira: funcionamento integral dos portos e aeroportos. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A ampliação do programa Aeroporto 24 Horas para os oito principais aeroportos de carga do país é, na opinião de Oliveira, outra medida essencial.

Rumo ao futuro

Consultor técnico da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e também participante do debate, Adalberto Febeliano destacou a integração proporcionada ao comércio pela internet, com transações cada vez mais individualizadas, levando em conta os comportamentos dos consumidores. Isso seguindo a lógica das “informações sobrepostas”.

O que tudo isso tem a ver com os portos e aeroportos 24 horas? “É preciso ser competitivo nesse ambiente, estar no ar 24 horas por dia, sete dias por semana”, explicou. “Boa parte das ações pode ser automatizada com o apoio da rede”.

Segundo Febeliano, o preenchimento de fichas com mil itens de informação pelos importadores no Brasil é uma forma de tratar esses agentes como “contrabandistas”.

“Será que precisamos de tudo isso?”, questionou.

L.E.T.S

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico.

O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

Presidente da EPL apresenta projetos do governo para infraestrutura brasileira

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, apresentou nesta segunda (13/05), no Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado em São Paulo, as ações do governo federal para amenizar o déficit de infraestrutura brasileiro.

Bernardo Figueiredo, presidente da EPL. Foto: Everton Amaro/FIESP

Figueiredo falou das concessões que serão realizadas nos próximos 30 anos nos sistemas de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, com investimento de U$ 121 bilhões.

“É um passo ousado para atacar os gargalos que inibem o crescimento e a competitividade,principalmente na nossa infraestrutura logística”, disse o presidente da EPL.

No sistema rodoviárioestão sendo preparadas as concessões de trechos estruturantes que, segundo ele, vão reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do país em curto prazo.

Os trechos serão ligados a outras concessões já existentes no país. O investimento será de 21 bilhões de dólares, com um aporte de 12 bilhões somente nos cinco anos iniciais. A expectativa, disse Figueiredo, é iniciar o processo de licitação de todas as rodovias a partir de julho.

Um dos projetos inéditos está na área de ferrovias com a criação de uma malha de 10 mil quilômetros, cortando o Brasil de norte a sul, articulada com outras obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). O objetivo é ligar todos os centros produtores e consumidores do Brasil em condições de interoperabilidade. Até o fim de maio, os projetos estarão disponíveis para discussão pública.

Portos e aeroportos

Assunto em destaque por causa da Medida Provisória 595, o plano para os portos é possibilitar a ampla utilização de costas e rios brasileiros de forma integrada a outros investimentos.

“Consideramos importante criar opções portuárias também nas regiões norte, nordeste e leste do Brasil”, diz Figueiredo. O investimento será de 10 bilhões de dólares em portos públicos, com licitações começando em outubro, e US$ 15 bilhões em terminais privados, nos quais já há projetos em análise.

Com relação ao sistema aeroviário, além das concessões já realizadas dos aeroportos de Brasília, Viracopos e Guarulhos, o governo está promovendo a concessão para a iniciativa privada do Galeão e de Confins, com leilões programados para setembro. Também vai promover o reaparelhamento de 270 aeroportos regionais.

Também faz parte do programa o Trem de alta velocidade (TAV) que, na primeira etapa,vai ligar as cidades do Rio de Janeiro, Campinas e São Paulo, atendendo os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Galeão.

“O governo tem absoluta convicção da viabilidade, da oportunidade e da necessidade da implantação desse sistema de transporte nesse eixo”, declarou o presidente da EPL. “Não existe uma alternativa sustentável para atender à demanda de cerca de 35 milhões de pessoas que gere o grau de qualidade de serviço aos usuários. É a solução mais indicada de acordo com todos os estudos técnicos.”

Para o TAV, o governo vai oferecer financiamento de 2,5 bilhões de dólares, o que corresponde a 70% do investimento total. O leilão da concessão do serviço está marcado para setembro.

Comparado à melhor do mundo, Brasil está 47% defasado em disponibilidade de rodovias, mostra estudo da Fiesp

Alice Assunção,  Agência Indusnet Fiesp

Para cada 10 mil habitantes, o Brasil oferece 2,53 quilômetros de rodovias, as regiões líderes em logística do mundo oferecem 4,78 quilômetros por 10 mil habitantes, aponta estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que compara performance logística do Brasil com as melhores práticas do mundo.

Segundo o Índice Comparado de Desempenho de Infraestrutura de Transporte (IDT-Fiesp),  que apurou informações referentes a 2010, a oferta brasileira de rodovias, incluindo federais, estaduais e municipais, é defasada em 47% em relação à melhor prática de infraestrutura de transporte do mundo, ou seja, está a 53% do topo do ranking mundial.

Em 2009, a oferta brasileira de rodovias estava defasada em 44%, ou a 56% do topo do benchmark internacional de melhores práticas logísticas.

A pesquisa da Fiesp apurou dados de 18 indicadores de logística praticados no Brasil e no mundo.

Aeroportos

Entre os segmentos avaliados, foi verificada a porcentagem de população a 80 quilômetros de distância, no máximo, do principal aeroporto. Neste segmento, o indicador aponta um resultado mais otimista.

Em 2010, 92% da população brasileira estava próxima em até 80 quilômetros do principal aeroporto, enquanto 94% da população do benchmark internacional, grupo de países com melhores práticas logísticas, estava próxima em até 80kms do principal aeroporto.  A cifra indica que, neste caso, o Brasil está defasado em 8%. O quadro se manteve estável desde 2009.

O cenário otimista não se repete quando o número médio de decolagens e pousos por hora é avaliado. Segundo levantamento do IDT/Fiesp, o Brasil oferece 38 pousos e decolagens por hora, enquanto o grupo dos praticantes de melhores logísticas oferece 88 decolagens e pousos por hora.

Os números indicam que o Brasil está a 43% do topo, ou seja, 57% defasado em relações aos melhores do mundo em logística.

Na contramão da sensação geral dos usuários, no quesito partidas em atraso, os aeroportos brasileiros estão 15% defasados em relação aos melhores aeroportos do mundo.  O levantamento apontou que 81% das partidas em aeroportos do país acontecem sem atraso, contra 96% nos melhores aeroportos do mundo.

Clique aqui e veja estudo na íntegra.

Logística: criação da EPL é revolucionária, afirma diretor de Infraestrutura da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Carlos Cavalcanti: 'Floresceu o marco regulatório para logística e transportes no Brasil'. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A principal mudança no setor de infraestrutura do Brasil é a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) – estatal do governo federal nascida em agosto de 2012.

A análise é de Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo ele, era uma reivindicação antiga da Fiesp a implementação de um organismo para estruturar o processo de planejamento de logística no país, integrando rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias.

“Agora você tem uma autoridade de planejamento que planeja rodovia, ferrovia, hidrovia. Está começando [os trabalhos]. Quem sabe no final do ano que vem a EPL solte o primeiro plano logístico. Porque é muito difícil –[antes] precisa mapear”, explica Cavalcanti. “Mas isso é a coisa mais revolucionária”, afirma.

O diretor da Fiesp pondera que vai levar tempo para que o sistema de transportes do país vivencie os efeitos positivos da criação da EPL e do Programa de Investimentos em Logística, pacote do governo que, na primeira fase, prevê a aplicação de R$ 133 bilhões na reforma e construção de rodovias federais e ferrovias.

“Quem sabe qual é o volume de carga que as companhias estão transportando nas rodovias e nas ferrovias? Quando é que ferrovia e rodovia vão ficar prontas em seis meses? Essas coisas em infraestrutura não são assim [tão rápidas]”, disse Cavalcanti. “O que importa é que mudou. Floresceu o marco regulatório para logística e transportes no Brasil.”

Cavalcanti também mostra otimismo com as mudanças no sistema ferroviário. “A eficiência de quando o projeto começar é muito maior porque é do setor privado. Daqui para frente as coisas tendem a ser melhores.”

Encontro de Logística

A Fiesp realiza nos dias 6 e 7 de maio a oitava edição do Encontro de Logística e Transportes. Entre temas como a integração logística da América do Sul, empresários, especialistas e representantes de governo devem discutir os desafios do país para o setor e como colocar em prática o Plano de Investimentos em Logística, anunciado pela presidente Dilma Rousseff em agosto de 2012.

Visite a página do evento para saber mais informações: 8º Encontro de Logística e Transportes da Fiesp

Governo anuncia concessão de Galeão e Confins e pacote de R$ 7,3 bilhões de investimentos em 270 aeroportos regionais

Agência Indusnet Fiesp, com informações do Blog do Planalto

A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta quinta-feira (20/12) a concessão dos aeroportos do Galeão (RJ) e de Confins (MG).

Segundo o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, a previsão de investimentos para o Galeão é de R$ 6,6 bilhões – Confins deve receber R$ 4,8 bilhões. Os leilões das novas concessões devem ocorrer em setembro de 2013. Já foram concedidos os aeroportos Brasília (DF), Campinas (SP) e Guarulhos (SP).

O governo apresentou ainda um plano de investimentos de R$ 7,3 bilhões em 270 aeroportos regionais. Os recursos fazem parte do Programa de Investimentos em Logística: Aeroportos. O Banco do Brasil ficará responsável pela gestão dos projetos e dos investimentos nos aeroportos regionais, de acordo com Wagner Bittencourt.

Outro incentivo é a isenção de tarifas aeroportuárias para terminais do interior com movimentação inferior a 1 milhão de passageiros por ano e subsídios para rotas entre cidades pequenas e médias.

As medidas, conforme o ministro, têm como objetivo melhorar a qualidade dos serviços e a infraestrutura aeroportuária para os usuários, ampliar a oferta de transporte aéreo à população brasileira e reconstruir a rede de aviação regional.

Programa de Investimentos em Aeroportos from BlogDoPlanalto

Anac: novas concessões de aeroportos devem estimular melhores práticas da Infraero

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Presidente da Agência Nacional de Aviação (Anac), Marcelo Pacheco Guaranys

Presidente da Agência Nacional de Aviação (Anac), Marcelo Pacheco Guaranys

“Nós esperamos que já no médio prazo isso gere uma absorção de melhores práticas. Ou seja, a Infraero vai poder, observando o que virá com os aeroportos concedidos para os novos parceiros, implementar algumas medidas”, afirmou Guaranys.

O presidente da Anac participou do painel “Oportunidade e Desafios nas Novas Concessões”, no segundo dia (22/05) da agenda do 7º Encontro de Logística e Transportes, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Melhorias no serviço

Guaranys espera que os passageiros dos aeroportos concedidos percebam alguma melhora da qualidade do serviço já no curto prazo. “Os investimentos vão demorar pelo menos um ano para ter algum efeito na qualidade, algo natural para qualquer investimento em infraestrutura, mas queremos que no curto prazo os passageiros tenham uma percepção da qualidade. Ou seja, as empresas podem adotar medidas de alteração na gestão, trazer uma nova visão”, afirmou o presidente da Anac, acrescentando que as concessionárias devem começar a operar os aeroportos a partir do final de outubro.

O grande desafio, destacou Marcelo Guaranys, é o gerenciamento dos contratos de concessão dos aeroportos. “No longo prazo, esperamos um novo modelo de gestão aeroportuária no Brasil. A gente espera realmente ter uma mudança de paradigma, isto é, ter concorrência fato. Esperamos um novo mundo de aeroportos para o país, e que a infraestrutura de fato atenda ao crescimento da nossa demanda”, concluiu.

As concessões

As ofertas vencedoras do leilão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília somam R$ 24,5 bilhões, segundo informações da Bolsa de Valores de São Paulo. O aeroporto de Guarulhos foi arrematado pelo consórcio Invepar por R$ 16,2 bilhões, enquanto a concessão de Viracopos, em Campinas, ficou com o consórcio Aeroportos Brasil, que ofereceu R$ 3,8 bilhões.

Já o terminal de Brasília ficou com o consórcio Inframérica Aeroportos por R$ 4,5 bilhões. A Infraero, responsável pela administração dos aeroportos leiloados, terá uma participação de 49% em cada um dos três consórcios vencedores.

Novo modelo de gestão dos aeroportos não pode secundarizar cargas, diz executivo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Apesar de não ser o principal meio logístico para as exportações e as importações brasileiras, o transporte aéreo de carga não pode ser

Dario Matsuguma, diretor técnico da ABSA Cargo

Dario Matsuguma, diretor técnico da ABSA Cargo

deixado em segundo plano por quem assumir as concessões dos aeroportos. A opinião é de Dario Matsuguma, diretor técnico da ABSA Cargo.
“Sem duvida nenhuma, o maior volume de cargas são importadas e exportadas pelo modal marítimo. É importante que não deixe os espaços operacionais para os cargueiros em segundo plano”, reivindicou Matsuguma, em sua participação no painel “Oportunidades e Desafios com as Novas Concessões” durante o 7º Encontro de Logística da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Os 34 terminais de logística de carga da Infraero fecharam o ano de 2011 com 1,19 milhão de toneladas de fluxo de cargas, enquanto o setor portuário brasileiro movimentou mais de 886 milhões toneladas, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

O diretor da ABSA informou ainda que entre 2000 e 2011 a movimentação de carga aérea internacional cresceu 5,4% por ano. Na atividade exportadora, esse crescimento foi de 3,8% ao ano durante o mesmo período, enquanto a importação registrou um avanço anual de 5,1%.

Concessão de aeroportos não desafoga demanda aquecida no setor, diz diretor da Azul

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Adalberto Febeliano, diretor de relações institucionais da companhia aérea Azul

Adalberto Febeliano, diretor de relações institucionais da companhia aérea Azul

Acompanhar o crescimento do mercado. Este é o maior desafio para o setor aéreo brasileiro, na projeção de Adalberto Febeliano, diretor de relações institucionais da companhia aérea Azul. A concessão dos aeroportos, segundo ele, foi um passo importante, mas ainda insuficiente para desafogar, isoladamente, o gargalo da demanda aquecida no setor.

“Entre 2010 e 2012, nós aumentamos 10 milhões de passageiros em nossa malha aérea doméstica. Estima-se que a Copa [do Mundo 2014] vá gerar 2,5 milhões de embarques. A Copa é café pequeno – o problema é como vamos chegar até lá”, disse o executivo da Azul ao participar do 7º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

De acordo com o diretor da Azul, a maior dificuldade está na atual legislação: “Precisamos fazer modificações em nossa legislação. As normas muito rigorosas dificultam o crescimento do setor”.

Ainda na opinião de Febeliano, a falta de concorrência no setor rodoviário abre uma janela de oportunidade para empresas de aviação que oferecem voos a preços mais populares.

Mercado brasileiro cresce mais que o da China

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Jaime Parreira, diretor da Infraero, durante reunião do Coinfra/Fiesp

O diretor de engenharia da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Jaime Parreira, participou nesta quinta-feira (6), da reunião do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra), da Fiesp. Durante o encontro, ele detalhou o plano de obras estruturais de 15 aeroportos nacionais, entre os quais o de Viracopos (Campinas), Cumbica (Guarulhos), Galeão (Rio de Janeiro) e Confins (Minas Gerais).

As reformas são essenciais para suprir o aumento de demanda que será causado pela Copa (2014) e Olimpíadas (2016), porém, algumas mudanças já se fazem necessárias para atender ao crescimento da procura doméstica, especialmente na aviação civil comercial e executiva. “Tivemos nesses últimos anos uma alteração muito importante no acesso da população ao transporte aéreo, o que acarretou na transformação de todo planejamento feito ao longo dos últimos anos”, disse Parreira.

Segundo o diretor, a média de crescimento, que circulava na faixa de 7% a 9% ao ano, em 2004 e 2005, saltou para 25% no último triênio. A China, por exemplo, apresentou alta de 16% neste mesmo período. “Nossos índices de crescimento são superiores aos chineses. É claro que isso refletiu em todo o complexo que temos no Brasil”, explicou o diretor. “[Por isso] temos que acelerar os processos de investimento e de infraestrutura, além de melhorar a gestão dos aeroportos.”

“Puxadinhos” para agilizar a otimização

Um meio de agilizar a otimização dos aeroportos é a construção de terminais remotos e módulos operacionais, conhecidos popularmente como “puxadinhos”. Parreira esclareceu que essa é uma boa solução para “trocar o pneu com o carro andando”, ou seja, dar início a obras que atendam à necessidade factual e instantânea, sem com isso atrapalhar a movimentação e atividades diárias.

De acordo com a Infraero, esse é um recurso largamente utilizado em vários aeroportos do mundo. São investimentos menores em complexidade e de execução rápida, na qual o metro quadrado custa 30% a menos do que a de um terminal definitivo, pré-moldado.

No entanto, o diretor alertou que é apenas uma solução momentânea, para dar fôlego e permitir que a expansão ocorra dentro de seu tempo. “Alguns módulos operacionais com vida útil de 10 a 15 anos não serão desfeitos, ao contrário de outros que serão desmontados para dar origem à expansão definitiva”, finalizou.

Coinfra

O Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) é um órgão técnico estratégico da Fiesp coordenado pelo Instituto Roberto Simonsen (IRS), e tem por objetivo debater, realizar estudos e propor políticas na área de infraestrutura, promovendo, assim, a permanente interação das entidades com o setor. Mensalmente, os membros do conselho – presidido pelo empresário Fernando Xavier Ferreira – se reúnem com o intuito de discutir os principais assuntos relacionados ao segmento.

Brasil precisa recuperar atraso em investimentos aeroportuários, afirmam especialistas

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Depois de décadas de instabilidade no cenário econômico brasileiro, o momento atual é mais do que oportuno para discussão sobre a infraestrutura dos aeroportos do País. E isso se deve aos grandes eventos que acontecerão nos próximos anos (Copa do Mundo-14 e Olimpíada-16), entre outros fatores positivos, como o mercado interno aquecido pelo aumento de renda e consumo da classe média.

Para discutir estas questões, a Fiesp recebeu nesta terça-feira (19) dois especialistas da Deloitte Consultoria Empresarial. Reinaldo Grasson, sócio da área de Corporate Finance, e Tomas Aranda, diretor de Aviação e Aeroportos para a Espanha, expuseram seus pontos de vista sobre o panorama do setor aeroportuário do Brasil.

Segundo Grasson, enquanto a Coreia do Sul investe de 6% a 8% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, a exemplo de China e outros países emergentes, o Brasil possui um histórico de subinvestimento de apenas 2%. “Agora, em função destes eventos esportivos e das demandas agregadas, é hora de tentar recuperar esse atraso”, salientou.

Os aeroportos de Guarulhos (Cumbica), Campinas (Viracopos), Brasília (JK), Rio de Janeiro (Galeão) e Belo Horizonte (Confins) saíram de uma média de 15 milhões de passageiros em 2006 para mais de 25 milhões em 2010, totalizando 10 milhões de usuários a mais em quatro anos no mesmo espaço físico.

Grasson destacou que as ampliações previstas em terminais de passageiros e outras melhorias alcançam a cifra de R$ 5 bilhões. Ele prevê que estes investimentos em infraestrutura mudarão a lógica urbana, o fluxo de pessoas e criarão áreas de negócios.

“No Rio de Janeiro, por exemplo, aumentará o contingente na região dos hotéis e dos locais dos jogos olímpicos. Surgirá uma série de polos importantes de negócios, que hoje são desconhecidos ou não aproveitados”, sinalizou.

Maior demanda

Na visão do diretor de Aviação e Aeroportos, Tomas Aranda, a estimativa é de que o tráfego aéreo brasileiro supere 220 milhões de passageiros em 2020, com crescimento baseado principalmente nos voos domésticos. “Mas o nível de utilização desta modalidade no Brasil ainda está abaixo do de outros países”, analisou, reforçando a necessidade de mais investimentos.

“Quase todos os aeroportos do Brasil possuem algum tipo de restrição de capacidade de infraestrutura, e os contratos de concessão deverão estabelecer mecanismos para a mitigação dos riscos mais significativos”, pontuou Aranda.

Para Ozires Silva, ex-presidente da Embraer, ex-ministro da Infraestrutura e membro do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) da Fiesp, o Brasil tem uma aviação muito menor do que precisa. Ele classificou o problema como “atrito governamental” existente na extensa e complexa legislação em vigor.

“A dinâmica do transporte aéreo atual não permite que uma legislação como a nossa proporcione uma boa administração”, alegou Ozires, que defende a privatização dos aeroportos para uso público como solução para o déficit no setor.

O ex-ministro não aceita o fato de que apenas 59 dos 5.500 municípios brasileiros sejam atendidos por serviços aéreos. “Precisamos cobrar do ministro da Defesa [Nelson Jobim] o cumprimento da promessa que fez em setembro do ano passado, de regulamentar os aeroportos privados de uso público”, ressaltou.

Concessão de aeroportos anunciada pelo governo é detalhada no Encontro de Logística

Priscila Della Bella, Agência Indusnet Fiesp

Rogério Coimbra: Infraero será sócia minoritária na concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília

O secretário de política regulatória da Secretaria de Aviação Civil, Rogério Teixeira Coimbra, afirmou nesta terça-feira (14), durante o 6º Encontro de Logística e Transportes da Fiesp, que a concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília terão a participação da Infraero como sócia minoritária.

Ao contrário do modelo adotado na primeira concessão ocorrida no Aeroporto Gonçalo de Amarante, que contou com participação zero da Infraero, desta vez a empresa poderá participar com até 49% do controle do aeroporto; o restante ficará sob o domínio privado. “Outros modelos de concessão estiveram em estudo, mas optamos pelo modelo de concessão tradicional”, informou Coimbra.

Fernando Osório, membro da Worldwide Airports Lawyers Association – Wala (Associação Mundial de Advogados de Aeroportos), não acredita que este modelo anunciado na última semana pelo governo seja definitivo. “Talvez semana que vem seja um modelo diferente. O governo tenta manter a Infraero de qualquer forma”, pontuou Osório.

A decisão em abrir concessão dos aeroportos não se deu somente pelos eventos esportivos próximos, que acontecerão no Brasil (Copa do Mundo e Olimpíadas). “Independentemente dos eventos, toda essa infraestrutura deve ser mudada, pela demanda de hoje e não de 2014”, afirmou Teixeira. E também não deverá parar por aí. Segundo Teixeira, o governo já estuda a possibilidade dos aeroportos de Galeão e Confins serem os próximos.

O professor do Departamento de Engenharia de Transportes da USP, Jorge Medeiros, concorda que esta é uma atitude que deve ser tomada pensada na situação atual e não futura.

Medeiros lembrou o crescimento da fatia que corresponde a classe C na economia mundial, o aumento de poder aquisitivo que ela tem adquirido dia após dia e que viagem de avião já faz parte do cotidiano dessas pessoas: “Hoje, 80% das viagens da classe C são de lazer ou vista a amigos e familiares. Apenas 14% ocorrem por motivo de trabalho”.

Alternativas legais para privatização de aeroportos no Brasil

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

Cultura de múltiplos aeroportos pode ser solução para caos aéreo

Agência Indusnet Fiesp

Anderson Correia, do ITA: “Os aeroportos de SP não foram planejados para crescer”

Uma das soluções levantadas para a questão aeroviária brasileira, durante o 6º Encontro de Logistica e Transportes da Fiesp, foi o aumento do número de aeroportos no interior do estado São Paulo.

Anderson Correia, coordenador do Curso de Engenharia Aeronáutica do ITA, usou como exemplo a quantidade de aeroportos de algumas metrópoles como Londres, Tóquio, Boston e Paris. “Estas cidades têm múltiplos aeroportos, mas cada um atende um mercado específico”, apontou Correia.

Para o professor, a ampliação dos aeroportos de São Paulo não é viável e nem a solução. “O projeto da terceira pista de Guarulhos já existe há 30 anos, mas nesta região existem aproximadamente cinco mil famílias. E mesmo que não houvesse esse impasse, a terceira pista não resolveria o problema”, argumentou.

Problema semelhante acontece no entorno do Aeroporto de Congonhas, o que limita a ampliação da pista e faixa de escape. “Os aeroportos de São Paulo não foram planejados para crescer”, observou Correia.

Os aeroportos no interior paulista também não possuem capacidade para se tornarem mega aeroportos, na visão do especialista. Nem mesmo o de Viracopos, em Campinas. Com base em um estudo feito pelo ITA, foram analisadas doze possibilidades em outras cidades de São Paulo, como Franco da Rocha, Atibaia e Caieras, além da região de Suzano, com potencial para abrigar um aeroporto internacional.

Algumas das soluções sugeridas são: ampliação de Viracopos, novo aeroporto em São Paulo e investimento em transporte rodoviário para os aeroportos no interior do estado.

Análise do Sistema de Aeroportos da Região Metropolitana de São Paulo

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

Brasil será um dos maiores mercados de aviação civil do mundo em 2014

Agência Indusnet Fiesp

Daqui a três anos, o Brasil será um dos maiores mercados de aviação do mundo, integrando 90 milhões de passageiros (32% a mais que o volume atual), de acordo com levantamento da International Air Transport Association (Iata).

Aeroporto de Congonhas

 

Seguindo a tendência (crescimento de quase 12% a cada ano), em 2014, o Pais ficará entre os que mais transportam passageiros em vôos domésticos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (671 milhões), China (379 milhões) e Japão (102 milhões).

Para atender a essa demanda, o Brasil terá que “voar” contra o tempo e ampliar seus investimentos no setor. O primeiro passo será a anunciada privatização dos aeroportos. Os de Guarulhos e Viracopos (em São Paulo) e Juscelino Kubistchek (Brasília) devem ser operados e administrados pela iniciativa privada, já no segundo semestre de 2012, de acordo com o ministro da Secretária de Aviação Civil, Wagner Bittencourt.

O planejamento da infraestrutura aeroportuária será um dos temas no 6º Encontro de Logística e Transportes “Brasil Sem Medo de Crescer”, que acontece dias 14 e 15 de junho, em São Paulo. O evento discutirá o que País precisará fazer em sua infraestrutura para suportar o crescimento econômico já esperado de 4% a 6% para a próxima década.

Ausência de um marco regulatório freia a expansão dos aeroportos do País

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

Alberto Febeliano, diretor de Relações Institucionais da Azul Linhas Aéreas. Foto: Vitor Salgado

A falta de um marco regulatório ainda é o principal obstáculo para tirar do papel projetos de expansão aeroportuária, inclusive a viabilização de uma Parceria Pública Privada (PPP) na administração de alguns aeroportos, apontou o diretor de Relações Institucionais da Azul Linhas Aéreas, Alberto Febeliano, durante reunião com empresários da indústria da construção, na segunda (20), na Fiesp.

“A gestão pública é lenta face à demanda que vem crescendo muito rapidamente”, disse o executivo. Segundo ele, o aeroporto de Viracopos, em Campinas, a 100 km da capital paulista, é o melhor exemplo deste aumento quase que desenfreado. Para se ter uma ideia, em 2008, Viracopos transportou cerca de 920 mil passageiros. Com o início das operações da Azul, esse número triplicou e o aeroporto fechou 2009 com a movimentação de mais de três milhões de pessoas e, para este ano, a empresa prevê o transporte de seis milhões de passageiros.

Apesar da expansão, a empresa teme não acompanhar a demanda. De acordo com Febeliano, mais de 70 mil metros quadrados, em Viracopos, seriam necessários para acompanhar o aumento. Procurada pela Azul, a Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) afirmou que o espaço ainda não foi concedido, pois o órgão não sabe como ficará a estrutura do aeroporto após a aprovação do Plano Diretor de Desenvolvimento Aeroportuário.

O diretor da empresa aérea participou do encontro do Grupo de Trabalho de Infraestrutura do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp, que se reúne semanalmente para debater propostas do estudo que será lançado em novembro, durante a 9ª edição do Construbusiness.

Para o sistema aeroportuário, a LCA Consultoria – empresa responsável pela compilação dos dados – apresentou algumas propostas já aprovadas pelo Grupo de Trabalho. Dentre elas, destacam-se:

  • Acelerar os procedimentos da ANVISA e da Receita Federal;
  • Despacho de cargas no final de semana;
  • Transação DAC-Anac e Defesa-Secretaria Nacional de Aviação precisa ser acelerada;
  • Avanço/Revisão da legislação que rege o setor para agilizar investimentos;
  • Agilidade na aprovação de licenciamentos ambientais

Especialistas internacionais participam de Conferência sobre aeroportos brasileiros

A Conferência Internacional sobre Capital Privado em Aeroportos, realizada na sede da Fiesp nesta quinta-feira (23) contou, também, com a presença da especialista internacional Anne Graham (University of Westminster–Reino Unido). Ela tratou dos “Fundamentos para as Políticas de Privatização e Concessão”, além da atual onda de privatização global, citando o exemplo pioneiro do Reino Unido, em 1987.

“Há dois pontos a considerar em relação aos aeroportos: a privatização ocorre porque é necessário obter capital, além de assegurar a infra-estrutura, encorajando operações comerciais mais eficientes. A palavra-chave é financiamento”, traduziu Graham.

No Reino Unido, os aeroportos controlados pelo governo foram privatizados nos últimos 15 anos. Em compensação, nos Estados Unidos não se vê uma privatização em escala plena, devido ao relacionamento extremamente formal com as linhas aéreas e as várias regulamentações locais, o que não impede a existência de um projeto piloto em Chicago.

Anne Graham enfatizou que há modelos variados de concessão e cada aeroporto é único. Portanto, um modelo não serve necessariamente a outro.

A especialista explicou o perfil dos investidores quando da privatização dos aeroportos:

  • Empresas tradicionais, a maioria européia;
  • Companhias do ramo de construção, como a alemã Hochtief, BAA e o aeroporto de Vancouver, por exemplo, que opera outros ao redor do mundo.
    Meio acadêmico colabora com discussão

    “Há muita pesquisa sobre privatização de aeroportos nas academias”, afirmou Bijan Vasigh (Embry-Riddle Aeronautical University, EUA), ao tratar sobre a Regulação Político-Econômica das Privatizações na América Latina e no Mundo.

    Vasigh alertou que é preciso “pensar a longo prazo”, pois vários casos vão parar nos tribunais: há operadores que não conseguem gerenciar os aeroportos. Portanto, é preciso pensar nas entidades regulatórias para investimentos controlados. E aponta outros riscos: exploração monopolística, questões envolvendo segurança e serviços ruins.

    Segundo Vasigh, há as dificuldades técnicas a serem superadas: a avaliação do aeroporto para concessão. “É um critério extremamente técnico, que envolve valor potencial e infraestrutura, além de outros fatores”, disse.

    O lado positivo é que as empresas privadas têm mais facilidade na captação de recursos do que o setor público.

    Já Steve Morris, da Parsons, ao tratar dos casos de destaque, na Europa, Ásia-Pacífico e América Latina, elencou outros fatores positivos: criação de empregos e incremento de parceiros locais.