Necessidade de mudança no sistema aeroportuário é unanimidade para o setor

É unanimidade a necessidade de se promover mudanças e melhorias em relação à infraestrutura aeroportuária no País. A afirmação foi feita por Silvia Rodrigues P. Pachikoski, diretora do Departamento Jurídico da Fiesp, que organizou a Conferência Internacional sobre Capital Privado em Aeroportos, encerrada nesta sexta-feira (24).

“Não existe um modelo padrão e nem definitivo que seja útil para todos os aeroportos. A experiência dos aeroportos já privatizados demonstra que tratar todos de uma maneira única inviabiliza as operações e a Anac, Ministério da Defesa e Secretaria da Aviação manifestaram esta postura preocupante no evento”, afirmou Pachikosk.

Existe hoje um movimento que envolve governos, empresas aéreas e clientes que sabem da necessidade de existir melhorias, colocando em pé de igualdade os serviços brasileiros em relação aos oferecidos no mundo todo, sinalizou.

As empresas brasileiras carecem de infraestrutura, e a Conferência trouxe à baila a forma de gestão dos aeroportos. Na avaliação dos especialistas presentes à Conferência, não adianta as empresas de carga realizarem investimentos isolados em equipamentos e aviões se os aeroportos não estão preparados para isso.


A mudança é necessária e está em andamento

Representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) afirmaram estar dispostos e preparados para auxiliar o Brasil no avanço desse processo.

O segundo dia da Conferência, realizado pela Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), foi aberto com a apresentação de modelos de financiamento por parte do BNDES e BID.

Ricardo Cunha da Costa, assessor da Superintendência do BNDES, fez um estudo do setor de transporte aéreo no Brasil, em função da chamada pública BNDES/FEP nº 03/2008, que avalia a situação do transporte aéreo no País, em relação à governança, competitividade e infraestrutura.

A chamada pública contempla estudos de caso, da expansão de Guarulhos, construção de novo aeroporto em São Paulo, expansão de Viracopos, expansão e modernização do Galeão e construção do aeroporto internacional de São Gonçalo do Amarante (RN).


Cenário de crise

A globalização exige demanda crescente do transporte internacional de mercadorias, mas com a atual crise espera-se diminuição do volume de cargas na Argentina, concentrada no Aeroporto de Ezeiza.

Ao tratar dos Terminais de Cargas do país vizinho, Juan Carlos Lomaglio enfatizou que o modelo de concessão é de sociedade anônima com participação estatal majoritária (55%) e os Aeropuertos Argentina 2000 S.A. têm 45%, que reverteu o quadro de colapso existente antes do processo de cessão à iniciativa privatizada.


Impacto ambiental

A representante da Senasa (Servicios y Estudios para la Navegación Aérea y la Seguridad Aeronáutica), Virginia Peces Julían (Espanha), tratou da experiência espanhola e da gestão eficiente de riscos ambientais em aeroportos, incluindo mudanzas climáticas, ruídos, qualidade do ar e licenças ambientais.