Com presença de presidente da AEB, reunião do Coscex debate comércio exterior sustentável

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Os principais temas do último Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), realizado em agosto deste ano no Rio de Janeiro, foram discutidos na 72ª reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta terça-feira (16/10).

Da esquerda para a direita: deputado estadual Itamar Borges, deputada federal Perpétua Almeida, embaixador Rubens Barbosa, José Augusto Castro (AEB) e embaixador Adhemar Bahadian. Foto: Mauren Ercolani.

 

A reunião contou com a apresentação do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Entre os convidados também estiveram o embaixador Adhemar Bahadian, coordenador das atividades dos Conselhos Superiores Temáticos da Fiesp, Celso Monteiro de Carvalho, vice-presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, a deputada federal Perpétua Almeida, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Credin) e o deputado estadual Itamar Borges.

Em sua apresentação, o presidente da AEB ressaltou a grandeza do 31º Enaex – que contou com 4.200 inscritos, além dos 3.000 espectadores online –, mas lamentou a ausência de autoridades governamentais. Segundo ele, falta mais interação entre governo e empresariado que, destacou, “tem feito muito pelo comércio exterior brasileiro”.

Castro alertou para o fato de o comércio exterior brasileiro ser massivamente focado em commodities e não em produtos manufaturados. “Numericamente, nosso comércio exterior é excelente, mas qualitativamente deixa a desejar. Hoje, 70% do que o Brasil exporta são commodities ”, afirmou.

Também comentou  que hoje o desempenho do comércio exterior brasileiro está diretamente ligado ao cenário financeiro internacional e que isso pode, eventualmente, tornar-se um problema. “Enquanto o mundo tiver uma boa saúde financeira, o comércio exterior brasileiro vai ter um bom desempenho, mas sempre dependendo do cenário internacional, pois a margem de manobra do governo, em termos de produtos manufaturados, é atualmente muito pequena”, explicou.

Ao se referir a presença do Brasil em rankings mundiais – é o 7º PIB do mundo e 21º país exportador – Castro afirmou que há um espaço muito grande para crescer. Ele explicou que os 13 primeiros países exportadores são todos exportadores de manufaturados. Para ele, isso faz parecer que o Brasil é um país importador e não um país que quer ser exportador. “Exportar manufaturados promove estabilidade e permite que você crie condições internas de crescer mais”, concluiu.

Veja a seguir algumas declarações do presidente da AEB  sobre os principais painéis do Enaex:

José Augusto de Castro, presidente da AEB, participa da Reunião do Coscex Fiesp. Foto: Helcio Nagamine.

Infraestrutura (gargalos e soluções para transportes e logística de comércio exterior):

“Temos uma expectativa em relação às medidas de investimentos anunciadas, de R$ 133 milhões de logística terrestre e aquaviária sejam, de fato, consumadas”, afirmou.

“Exportamos 97% via marítima, ou seja, temos a obrigação – não é alternativa, é obrigação – de ter uma logística portuária excepcional, mas não temos isso”, enfatizou ao ressaltar que o Brasil cresceu de 200 milhões de toneladas embarcadas no ano 2000 para 500 milhões de toneladas em 2011.

“Precisamos muito aumentar a exportação e, principalmente, criar internamente novas infraestruturas para que possamos aumentar a produção de agronegócio e, também, a produção de outras commodities.”

Propostas para o comércio exterior

Castro explicou que o 31º Enaex ressaltou que um dos principais problemas é a grande quantidade de órgãos governamentais.

“Precisamos ter uma política integrada de comércio exterior e não políticas isoladas em diversos ministérios. É preciso falar a mesma língua”, afirmou.

O presidente da AEB lembrou que as pequenas e médias empresas são as que mais sofrem com as dificuldades, pois a tributação da operação é absurda e torna o processo inviável. “Se não eliminarmos as barreiras internas das pequenas e médias empresas, elas não vão aparecer.”

China

O presidente da AEB, alertou que falta exportar produtos manufaturados para a China, que depende do Brasil para obtenção de matéria-prima [as commodities representam 80% dessa exportação].

“Temos que buscar um acordo com a China em que nos comprometemos a exportar para a China as commodities de que precisa, mas em contrapartida, a China tem que abrir o mercado para determinados produtos manufaturados”, afirmou.

Exportação de serviços de engenharia

Durante um dos painéis do 31º Enaex foram discutidos os mitos e verdades sobre a exportação de serviços de engenharia e facilitar esse processo.

“Essa exportação é um canal natural de exportação de produtos manufaturados e deveríamos estar estimulando isso”, afirmou. “O mundo todo briga para exportar serviços, especialmente de engenharia, e nós colocamos dificuldades internas. Temos um viés protecionista conta nós mesmos”, concluiu.

 

Fiesp quer fortalecimento da Camex

Elcio Cabral, Agência Indusnet Fiesp

Empresários exportadores se reuniram na quinta-feira (18) na sede da Fiesp e defenderam que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) deve ser fortalecida. Para isso, a principal sugestão foi que o órgão passe a se reportar diretamente à Presidência da República.

Assim, a Camex teria mais relevância em relação a estratégias para buscar acordos comerciais e atuar com mais eficácia na defesa comercial, evitando medidas contrárias aos interesses brasileiros, como as questões tributária e cambial.

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, disse que a Camex precisa ser reestruturada com apoio dos ministérios que são influentes para o comércio exterior: “Assim teremos um meio para pressionar a redução de tributos e avançar a competitividade dos produtos brasileiros”.

Proposta

A Fiesp, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) já entregaram sugestão sobre o assunto para a equipe da presidente eleita Dilma Rousseff.

Segundo o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, hoje há aproximadamente 40 órgãos ligados à administração do governo federal que interferem no setor.

“A coordenação desse grupo é fundamental, do contrário não há como ter uma gestão eficiente da Camex”, afirmou o embaixador, que classificou a desejada mudança como “sutil”, pois ela apenas daria à Camex status de ministério, desvinculando-a do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior.

Ameaça

Para os palestrantes, a situação atual paralisou o setor e já representa uma ameaça real ao futuro da relação comercial brasileira com o resto do mundo. O vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, apresentou dados que apontam que, pela primeira vez em 32 anos, as exportações brasileiras de commodities serão maiores que as de manufaturados.

“Setenta por cento da pauta de exportações brasileiras são de commodities. O Brasil não tem qualquer arbítrio sobre os preços desses produtos”, defendeu, complementando que superávit comercial brasileiro pode se converter em déficit caso haja alguma mudança de humor do mercado internacional.