Fiesp e Ciesp trazem ao Brasil treinamento de advogados para arbitragem

Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias

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Silvia Pachikoski, vice-presidente do núcleo de Mediação e Arbitragem da Câmara Ciesp/Fiesp

Começou na tarde desta quarta-feira (23), na sede da Fiesp/Ciesp, em São Paulo, o workshop da Foundation for International Arbitration Advocacy (FIAA) sobre advocacia na arbitragem internacional. Inédito no Brasil, o programa tem o objetivo de preparar advogados para atuarem em casos de disputas internacionais.

Este é o primeiro workshop da FIAA fora da Europa, viabilizado com o esforço da Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem de São Paulo do Centro e da Federação e das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp). O evento tem apoio institucional do Comitê Brasileiro de Arbitragem (CBAr).

“Os advogados terão uma formação de primeiro mundo participando desse workshop. O nosso objetivo é justamente criar uma massa pensante com qualidade para desenvolver a arbitragem no País”, afirmou Silvia Pachikoski, vice-presidente do núcleo de Mediação e Arbitragem da Câmara Ciesp/Fiesp. A FIAA é uma instituição internacional que atua pelo desenvolvimento intelectual de advogados, com sede na Suíça.

Qualificação

O evento prossegue até sexta-feira (25) e será baseado em simulações. Durante o treinamento, ministrado em inglês por especialistas de renome do Brasil e do exterior, os participantes receberão diversas orientações sobre as técnicas, posturas e formas de elaborar perguntas às testemunhas em um tribunal arbitral.

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David Roney, co-fundador da Foundation for International Arbitration Advocacy

O co-fundador da instituição suíça, David Roney, ressaltou que a advocacia no contexto da arbitragem internacional apresenta desafios únicos: “Estes começam com a elaboração do pedido de arbitragem, e continuam até a execução da sentença final”. A proposta, para tanto, é capacitar os praticantes com habilidades e técnicas avançadas para o interrogatório de testemunhas e a estruturação dos argumentos.

Para Silvia Pachikoski, o principal trunfo do programa é ensinar a técnica do cross-examination, aplicada à arbitragem internacional. Trata-se de um sistema adotado nos países de “common law”, como Estados Unidos e Reino Unido, onde os juízes têm autoridade para decidir com base em um conjunto de precedentes, sem depender da interpretação das leis.

Nessa técnica, as perguntas são feitas diretamente pelas partes às testemunhas, de forma a convencer o tribunal e “ganhar o caso” – ainda que o caminho buscado pela arbitragem seja sempre o da harmonização dos interesses em jogo.

“O intuito de trazer o workshop ao Brasil foi o de qualificar os nossos advogados. Em casos internacionais, os estrangeiros, na outra ponta, são sempre muito bem preparados, porque estão acostumados com o sistema common law”, alertou Silvia.