Shakespeare, guerra e disputa por poder em espetáculo dirigido por Jô Soares no Teatro do Sesi-SP

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

As placas com os nomes dos atores já estão nas portas dos camarins. Dentro deles, araras com os figurinos devidamente organizados, nécessaires com maquiagens, garrafas de água e saquinhos de biscoito por todo o lado. Está tudo pronto para a estreia. No próximo sábado (15/10), o Teatro do Sesi-SP, no prédio da Fiesp e do Sesi-SP na Avenida Paulista, em São Paulo, recebe em seu palco uma nova peça: Tróilo e Créssida. Considerado o texto menos conhecido de Shakespeare, o espetáculo tem direção de Jô Soares e 23 atores no elenco, entre os quais Maria Fernanda Cândido e Ricardo Gelli, interpretando os protagonistas, e Adriane Galisteu, como Helena de Tróia.

A trama, considerada uma comédia “sinistra”, tem a Guerra de Tróia como pano de fundo, com muitas disputas pelo poder, traições e crueldades destiladas ao longo das cenas.

“O Tróilo vive uma grande decepção amorosa e perde um irmão”, diz Gelli. “A reflexão que fica é o valor que devemos dar às coisas efêmeras. Isso a gente sente na vida quando perde alguém que ama ou quando leva uma rasteira grande”.

A montagem é a segunda experiência do ator num projeto teatral com a marca do Sesi-SP. “Em 2012 fiz Crônicas de Cavaleiros e Dragões, uma adaptação do livro de Tatiana Belink”, conta. “Foi muito especial. Estar no Sesi-SP é muito especial”.

Protagonista ao lado de Gelli como Créssida, Maria Fernanda Cândido também destaca o que já aprendeu com a sua personagem. “A Créssida é muito interessante por ser uma mulher que se expressa, ela não aceita ficar no lugar que foi dado às mulheres em sua época”, afirma. “Ela é vivaz, tem atitude, escolhe”, diz. “Como a discussão do feminino é muito atual, a peça traz uma contribuição também nesse sentido”.

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Maria Fernanda Cândido em cena do espetáculo: Créssida é uma mulher "que se expressa". Foto: Divulgação


Na pele de Helena de Tróia, Adriane Galisteu também tem motivos para se identificar com o papel que lhe foi dado na peça. “Toda mulher tem um pouco de Helena de Tróia, da força e da sensualidade dela”, explica.

Para Adriane, Tróilo e Créssida é um trabalho “especial”. “Essa é a minha décima peça e, no teatro, já tive a oportunidade de trabalhar com pessoas importantes, como Paulo Autran e Bibi Ferreira, mas Tróilo e Créssida já mora no meu coração, principalmente pelo projeto, por ser popular de verdade, com ingressos gratuitos”, explica. “Temos um Shakespeare, de graça, num teatro no coração de São Paulo, com 23 pessoas em cena e cada um perfeito em seu papel. Sem falar no trabalho brilhante do Jô, que é muito generoso como diretor”.

O fato de o espetáculo ser gratuito, aliás, é destacado por todo o elenco. “Nunca participei de um projeto assim, com toda a temporada com ingressos grátis”, diz Ataíde Arcoverde, o intérprete de Térsito na trama. “Estou amando tudo: os funcionários do Sesi-SP nos dão todo o suporte, só faltam adivinhar pensamentos, é tudo muito tranquilo e facilitado”.

“Acho maravilhoso o caráter popular do Teatro do Sesi-SP, o fato de o espetáculo ser de graça”, reforça Gelli.

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Cena de Tróilo e Créssida: 23 atores no elenco dirigido por Jô Soares. Foto: Divulgação/Fiesp


Serviço:


Tróilo e Créssida – Uma comédia sinistra

Temporada: De 15 de outubro a 18 de dezembro de 2016

Horário: 20h30

Local: Teatro do Sesi-SP (Av. Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

Capacidade: 456 lugares

Duração: 110 minutos

Gênero: Comédia

Classificação indicativa: 14 anos

Grátis. Ingressos antecipados pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesiou remanescentes na bilheteria do teatro (quarta a sábado, das 13h às 20h30; domingo, das 11h às 20h30).

Mais informações: www.sesisp.org.br/cultura | Tel.: 3528-2000