Brasil investe em infraestrutura esportiva, mas gargalo está na gestão dos equipamentos

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Sediar as Olimpíadas em 1976 levou Montreal a arcar com um déficit de US$ 223 milhões, zerado apenas no ano de 2000. Desta forma, a gestão eficiente dos equipamentos é fundamental quando se trata de grandes eventos esportivos.

A opinião partiu de José Montanaro, Gestor Técnico de Voleibol do Sesi-SP, que supervisiona as categorias de base e integrou a equipe brasileira nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984). O esportista participou do 2º Congresso Ibero-Americano de Instalações Esportivas e Recreativas (Cidyr), na quarta-feira (19).

Como mediador da mesa-redonda Planejamento e administração esportiva e recreativa–Foco na gestão dos serviços em consonância com a construção de instalações, Montanaro questionou as condições atuais dos equipamentos após o Pan de 2007, no Rio de Janeiro: “faltam escolas no entorno dos aparelhos projetados para esportes de alto rendimento”.

Já Alexandre Pflug, à frente do Departamento de Esportes e Lazer do Sesi-SP, frisou a necessária adaptação da metodologia às especificidades de cada região com foco na qualidade dos serviços oferecidos.

Pflug citou como exemplo o Programa Atleta do Futuro (PAF), idealizado pelo Sesi em parceria com a Unicamp, em 1991, e remodelado com a Unesp, em 2002. O resultado atual, além da forte parceria estabelecida com diversas prefeituras, é o atendimento de 40 mil alunos, na faixa de 6 a 17 anos, em 53 unidades do Sesi-SP e em 82 cidades paulistas, envolvendo 60 empresas industriais. Pflug dimensionou o maior ganho do projeto: envolvimento da comunidade e inclusão devido às práticas esportivas.

O arquiteto urbanista Juan-Andrés Hernando López, envolvido com o novo Módulo Desportivo do Centro de Alto Rendimento de Sant Cugat del vales (Barcelona/Espanha), lembra que os problemas de gestão não estão restritos ao Brasil. Na Espanha também se investe pouco em manutenção. “Nós comemos todos os dias e a instalação também se desgasta” e precisa de atenção permanente, disse López, fazendo uma analogia.

Nos últimos oito anos, o governo federal investiu cerca de R$ 2,9 bilhões em infraestrutura esportiva, segundo informou Ricardo de Avellar Fonseca, gerente de ação de implantação de Centros de Treinamento do Ministério do Esporte.

O gargalo, segundo o especialista, está na gestão e capacitação de profissionais, apesar do potencial competitivo e de marketing que o esporte oferece. Outro problema detectado é o comprometimento da sustentabilidade do equipamento construído, além dos serviços oferecidos aos usuários.

Profissionalização de ex-atletas de alto rendimento é discutido em congresso

Celso Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Giovane Gávio, bicampeão olímpico e mundial de voleibol, e José Alves dos Santos Neto, auxiliar técnico da seleção brasileira masculina de basquete, participaram nesta quarta-feira (19) da mesa redonda sobre Planejamento e Administração Esportiva e Recreativa. O foco do debate foi a profissionalização de ex-atletas e o tema é parte do 2º Congresso Ibero-americano de Instalações Esportivas e Recreativas, que acontece na Fiesp até sexta-feira (22).

Gávio, que começou a atuar como técnico a partir de 2005, após um período bem-sucedido de conquistas na seleção brasileira, acredita que a valorização desses profissionais no mercado é de extrema importância, pois não são apenas ex-atletas, mas pessoas com uma extensa bagagem prática no esporte e que podem agregar conhecimento teórico por meio de faculdade ou cursos.

Neto concorda com o colega e acrescenta que o governo deve potencializar condições para que o atleta possa ter conhecimento teórico a fim de seja um profissional do esporte em sua totalidade.

Giovane observa que a profissionalização é uma iniciativa própria do atleta. Complementou dizendo que órgãos como o Ministério dos Esportes e o COB vem desenvolvendo ferramentas que viabilizam oportunidades a esses profissionais: “É fundamental para o futuro do atleta ter uma formação de base. Assim ele colherá frutos do seu esforço”.

Formação

Questionado sobre seu futuro daqui a dez anos, Giovane disse que pretende continuar atuando como técnico, porém com maior experiência teórica embasada pelo curso de educação física que faz atualmente na faculdade paulista Uninove:

“Conhecimento é um fator que precisa constantemente ser adquirido, independentemente de idade e da atividade que desenvolvemos. Com certeza, o curso me proporcionará mais segurança nas questões técnicas que aparecerão a todo momento. Eu aprenderei muita coisa que ainda não vi por meio da universidade. Importante é investir em si mesmo, sempre”.