Espetáculo “Os Miseráveis” é apresentado no teatro do Sesi-SP por alunos com Síndrome de Down

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

O clássico Os Miseráveis, do romancista francês Victor Hugo (1802-1885), narra uma história muito complexa, repleta de reviravoltas, tramas paralelas, ideais políticos e sociais e muitas transformações. Além disso, os personagens não lineares tornam-se um grande desafio para qualquer intérprete de teatro.

Uma adaptação desse espetáculo foi apresentada pelos alunos com Síndrome de Down do Grupo ADID de teatro, na noite desta segunda-feira (1/6), no Teatro do Sesi-SP, sob direção de Leonardo Cortez. A montagem é resultado da parceria entre o Sesi-SP e a Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (ADID).

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Leonardo Cortez: "Como diretor, tento propor desafios que estejam ao alcance deles, mas que ao mesmo tempo não os subestime". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Com muita personalidade, os atores conquistaram e emocionaram o público, que foram testemunhas de um exercício de dedicação dos intérpretes, que cantaram, dançaram e declamaram poesia durante a peça.

Para o diretor Leonardo Cortez, o grupo está sempre em busca de aprimoramento, o que faz com que a apresentação seja um teatro muito vivo e espontâneo. “Não é um teatro burocrático, morto, que se repete. Mas sim um teatro que busca sempre a superação, e é aí que reside a força do grupo”, disse Cortez.

Atuando desde os 15 anos, Flavia Donatelli, hoje com 41 anos, faz parte do elenco interpretando a personagem Fantine. Mesmo não estando muito bem de saúde e precisando usar um tubo de oxigênio durante a apresentação, Flavia não deixou de participar do espetáculo. “O teatro é muito importante para mim. Aqui eu encontro meus amigos e faço algo que gosto muito”, afirmou.

Particularidades

Professor da ADID há quase 20 anos, Leonardo Cortez explicou que todas as peças do grupo precisam ser adaptadas, com algumas particularidades, já que a equipe é muito grande. “É preciso criar novos personagens e enredos paralelos, para que todos tenham a possibilidade de fazer um papel importante, que tenha um desenvolvimento dentro da peça também”, comentou.

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Alunos do Grupo ADID em apresentação no teatro do Sesi-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Outra característica marcante do grupo é sua heterogeneidade: alguns alunos têm muita desenvoltura para falar e interpretar, enquanto outros encontram mais dificuldades. No entanto, estão sempre entusiasmados e com muita vontade de superar esses desafios. “Como diretor, tento propor desafios que estejam ao alcance deles, mas que ao mesmo tempo não os subestime”, frisou Cortez.

Experiência Pedagógica

Os alunos são muito dedicados e comprometidos com o seu trabalho, buscando sempre se desenvolver em relação à apresentação anterior. Mesmo cometendo alguns erros, a peça é recheada de emoção, com ansiedade para acertar. “Do ponto de vista técnico e artístico, eles não são atores profissionais, mas do ponto de vista da paixão pelo teatro, pelo ofício, eles têm muito a ensinar”, afirmou o diretor.

Como experiência pedagógica, o teatro auxilia os alunos no desenvolvimento da expressividade e da criatividade, ampliando seu universo cultural. “Por meio do teatro eles têm contato com histórias, grandes autores, dramas e dilemas do ser humano”, afirma Cortez.

Para aqueles já acostumados com a obra original, a adaptação soou bem particular. Foram criados novos personagens, dramas inéditos, amores improváveis e um final feliz, diferente do que é apresentado no livro de Victor Hugo. E, segundo os alunos, é exatamente isso o que eles procuram: superar os desafios e buscar a felicidade.

A apresentação do espetáculo deu início à turnê do grupo no estado, que vai passar por mais cinco unidades do Sesi-SP até dezembro: Rio Claro (6/8), Sorocaba (10/9), São José dos Campos (8/10), Itapetininga (19/11) e Campinas – Amoreiras (6/12).

Sinopse

Na França do século 19, o ex-condenado Jean Val Jean luta para reconstruir a sua vida e é perseguido incansavelmente pelo seu algoz, o inspetor Javert. O Grupo ADID de Teatro, formado exclusivamente por alunos de teatro com Síndrome de Down, apresenta sua versão dessa narrativa de origem francesa, de forte cunho social, que conta com elementos de trama policial. Publicado pela primeira vez em 1862, o romance se transformou em um grande sucesso, percorrendo o mundo e ganhando traduções para diversas línguas.

Encenado por atores portadores de síndrome de down, espetáculo emociona no Teatro do Sesi-SP

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Mais de 400 pessoas acompanharam na noite deste sábado (23/08), no Teatro do Sesi-SP, a apresentação única do espetáculo teatral “A Viagem do Capitão Tornado”. Uma história repleta de paixões, duelos e muita comédia, os 22 atores portadores de síndrome de down do Grupo Adid [Associação para o Desenvolvimento Integral do Down] contagiaram a plateia, com o seu profissionalismo e exemplo de superação.

O ator e protagonista do filme “Os Colegas”, Ariel Goldberg, prestigiou o espetáculo. Sua presença foi muito comemorada pelo elenco, que na semana anterior protagonizara uma campanha na internet, intitulada #vemariel, para levar o ator à estreia da peça. O apresentador Rafael Cortez (ex-CQC) também compareceu.

Com direção de Leonardo Cortez, a peça é uma livre interpretação do romance “Le Capitaine Fracasse” (o Capitão Fracasso), do escritor francês Théophile Gautier, e conta a história de um miserável grupo de teatro que percorre a Europa do século XVIII em busca de novos palcos para suas apresentações. Amores, dores, disputas e aventuras acompanham as viagens desta trupe.

No final do espetáculo, Cortez agradeceu o apoio do Sesi-SP na divulgação do grupo, que já tem duas apresentações programadas para o mês de março, em unidades do Sesi-SP no interior do Estado: “A parceria com o Sesi-SP tem sido ótima para o nosso grupo. Ela nos permite apresentar o espetáculo para públicos diferentes e também divulgar o nosso trabalho”, salientou o diretor do grupo Adid.

Por trás das cortinas

De acordo com Glaucia Libertini, assistente de direção e responsável pelo cenário do espetáculo, os atores participam de ensaios semanais onde são realizadas atividades que estimulam a comunicação. “Eles são atores que já têm uma familiaridade com a linguagem teatral e, até por isso, têm a prática de decorar textos. E, quando cometem erros, têm sensibilidade de improvisar”, analisou Libertini.

Segundo ela, a formação de um ator com síndrome de down dura, em média, um ano e meio: “Os processos são longos para que possamos obter esses resultados”.

Apaixonada pela nova profissão, Ana Beatriz – que interpreta a Sr.ª Giacomelli – garante que continuará investindo na carreira de atriz. “Essa peça foi mais do que um prêmio. Foi um presente que caiu do céu. Eu sempre quis ser atriz e pretendo seguir nesta profissão, pois acho que não tem nada melhor do que aprender a ser atriz do que fazendo teatro”, afirmou.

Opinião compartilhada por sua mãe, Ana Maria Pierre Paiva, que acredita que o trabalho desenvolvido pelo Grupo Adid facilita a comunicação dos atores com a sociedade. “O teatro proporciona uma oportunidade para eles [atores com síndrome de down] se comunicarem. Além de ensinar aos meninos a importância do trabalho em equipe”, avaliou.