Senai-SP Superação: Melhor do mundo na WorldSkills é exemplo de força de vontade em Bauru

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Pai de quatro filhos, Luis Carlos Sanches Machado não pensou duas vezes quando decidiu ampliar a sua jornada como mototaxista em Bauru, no interior paulista. E passou a trabalhar das 7h à 0h para aumentar a renda da família e assim permitir que o filho Luis Carlos Sanches Machado Júnior seguisse com os estudos na escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). Isso  após o fim da bolsa do jovem como aprendiz numa empresa local. Em retribuição ao esforço do pai, o estudante, hoje com 21 anos, chegou onde nenhum outro brasileiro conseguiu ir até hoje: foi escolhido o melhor do mundo na última edição da WorldSkills, maior competição do ensino profissionalizante no mundo, realizada em São Paulo, em 2015. Isso além de garantir a medalha de ouro na modalidade Tecnologia Automotiva.

“Como eu não tive oportunidade de estudar, quis que ele tivesse”, conta o pai. “Vi que ele tinha vontade e potencial de crescer. O Luis trabalhou muito para ser o melhor do mundo na área dele”.

Estudante do Senai-SP desde os 14 anos, quando entrou no curso de aprendizagem industrial em Mecânica Automobilística, Júnior fez também o curso técnico em Manutenção Automotiva. Hoje, faz faculdade de Engenharia Mecânica. E trabalha como trainee (auxiliar) na Escola Senai João Martins Coube, em Bauru, emprego que conseguiu logo após a WorldSkills, em agosto do ano passado.

“Passei quatro anos treinando para a WorldSkills”, diz o campeão. “Nos últimos três meses antes da competição, ficava no Senai das 8h às 22h, de domingo a domingo”, lembra.

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Luis no pódio da WorldSkills 2015: medalha de ouro em Tecnologia Automotiva e melhor do mundo. Foto: Helcio Nagamine/Divulgação


Prova de que a disposição para o trabalho é uma marca de sua família, Júnior ainda conseguia trabalhar na oficina de um amigo depois dos treinamentos. “Ficava até meia-noite ajudando nos consertos”, diz.

O empenho foi recompensado com a honraria máxima na WorldSkills e com a melhoria na renda familiar, hoje mantida por um comércio de gás em Bauru.

E por falar em honraria máxima, o título de melhor do mundo na disputa é dado ao competidor cujo desempenho mais se distanciou do segundo colocado na modalidade, ou seja, aquele que mais se destacou. “A meta era conseguir o primeiro ouro na minha modalidade para o Brasil”, diz. “Cheguei lá porque tive o apoio da minha família e do Senai-SP”.

Para ajudar os outros

Agora treinador de jovens talentos, Júnior diz se sentir revigorado com a missão de ajudar outros alunos a brilharem mundo afora. “No Senai-SP existe essa cultura de ajudar, de dividir o trabalho para treinar os estudantes seja quando for”, explica.

O esforço pelos outros é confirmado pelo diretor da escola do Senai-SP de Bauru, Ademir Redondo. “O Júnior tinha o compromisso de ser o melhor para honrar a dedicação do pai dele”, afirma Redondo. “Sempre trabalhou com vontade e hoje aplica essa determinação como trainee”.

Após a vitória no WorldSkills, o vencedor foi recebido com festa em Bauru junto com os outros destaques da escola na competição. Além de uma carreata pelas ruas da cidade, os campeões ainda foram cumprimentados pelo prefeito local, Rodrigo Agostinho, entre outras autoridades. “Ele virou um exemplo para os outros alunos, uma prova da qualidade do ensino no Senai-SP”, conta Redondo.

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Luis (o primeiro a partir da esquerda), os outros dois vencedores de Bauru na WorldSkills e Ademir Redondo. Foto: Divulgação


Exatamente por ser um exemplo, Júnior foi convidado para fazer uma palestra na escola pública em que estudou, também em Bauru. “Os professores, que enfrentam muitas dificuldades para motivar os alunos, acharam ótimo tê-lo como um exemplo de que a educação é o melhor caminho para prosperar”, afirma Redondo.

Nesse sentido, Júnior não tem planos de parar de estudar. “Quero concluir a faculdade e seguir trabalhando no Senai-SP”, diz ele. “Acordo todos os dias com objetivos a vencer”.