Deconcic da Fiesp realiza workshop sobre Avaliação do Ciclo de Vida

Agência Indusnet Fiesp

O Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou no dia 10 de setembro o Workshop “Avaliação do Ciclo de Vida – Ampliação da Análise Ambiental de Materiais e Componentes da Construção”. No evento se discutiu como a avaliação de ciclo de vida (ACV) e a declaração ambiental de produto (DAP) podem atuar como ferramentas de apoio à sustentabilidade na cadeia produtiva da construção.

Cristiane Sampaio, pesquisadora-tecnologista da Diretoria de Avaliação da Conformidade do Inmetro, apresentou a implantação do PBACV e o desenvolvimento da Declaração Ambiental de Produto. Gil Anderi, professor do departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica da USP e Presidente da Associação Brasileira de Ciclo de Vida, relacionou o conceito de sustentabilidade com a ACV e listou as etapas necessárias para realizar a avaliação.

Alessadra Caiado, arquiteta e coordenadora da área de Materiais Sustentáveis no Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), mostrou a importância da transparência nas informações a serem consideradas para ACV de um elemento ou componente da construção, buscando resultado o mais real possível. O diretor executivo do Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre), Antônio Maschietto, fez apresentação sobre o processo e os resultados da AVC de tubos de cobre

O evento foi iniciativa do Procobre em parceria com o Sindicel – Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não-Ferrosos do Estado de São Paulo.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545222249

Workshop “Avaliação do Ciclo de Vida – Ampliação da Análise Ambiental de Materiais e Componentes da Construção”,na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Grupo de trabalho

O Deconcic coordena juntamente com a Abramat – Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção, o Grupo de Trabalho de Materiais e Componentes da Construção Civil, dentro do âmbito do Programa Brasileiro de Avaliação do Ciclo de Vida (PBACV) coordenado pelo Inmetro. O Grupo apoia o desenvolvimento de nova metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida Modular – ACVm para blocos de concreto, desenvolvida pela Escola Politécnica da USP.

Na 11º edição do Congresso Brasileiro da Construção – ConstruBusiness, em março de 2015, foram inseridas propostas provenientes dos debates do Grupo de Trabalho, como regulamentar metodologia para ACVm para materiais de construção, e ampliar a aplicação da metodologia para outros segmentos produtivos.

Indústria de plástico investe em ações para derrubar imagem de vilã do meio ambiente

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Não é mais uma certificação. Empresas têm investido na Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), um recurso que avalia o impacto ambiental de produtos industrializados para ganhar, inclusive, participação de mercado. Entre os setores, os que mais se destacam são os fabricantes de plástico, avaliou na manhã desta terça-feira (03/06) o engenheiro Pedro Márcio Munhoz. Ele é professor de Tecnologia em Processos Ambientais e Tecnologia em Polímeros da Faculdades Senai –SP.

“A indústria de polímeros (matéria-prima do plástico) está buscando fazer  a Avaliação de Ciclo e Vida justamente mostrar que o plástico não é esse vilão para o Meio Ambiente como todo mundo imagina que é”, afirmou Munhoz ao participar de uma rodada de palestras durante a 16º Semana de Meio Ambiente da Fiesp.

O professor avaliou ainda que a aplicação de ferramentas com a ACV é um recurso a mais para a empresa que quer competir no mercado uma vez que ela pode ganhar vantagem com um produto com design e função sustentável.

“Se eu tenho uma empresa que faz um produto mais sustentável, eu posso comparar e comprovar que esse produto é mais sustentável em relação ao meu concorrente”, explicou. “Também posso usar a avaliação para desenvolver o ecodesign, ou seja, produtos inovadores que sejam mais sustentáveis para a sociedade”, disse Munhoz.

Munhoz: ecodesign e produtos mais sustentáveis. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Munhoz: ecodesign e produtos mais sustentáveis. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Ele explicou ainda que a fase mais complexa da ACV é o fazer o levantamento do inventário, um balanço da massa e energia empreendida na produção. Embora haja softwares dedicados a esse cálculo, outro obstáculo se coloca a frente desse processo: a base de dados desses programas recomendados é formada segundo a realidade de empresas norte-americanas e europeias.

“Nem todas as profissões têm essa competência para fazer esse balanço, então as empresas usam softwares com uma base de dados não brasileiras. Mas com uma pequena adaptação consegue-se fazer esses inventários”, disse.

Apesar dos desafios, Munhoz afirmou que um número expressivo de empresas de grande porte tem incorporado a Avaliação de Ciclo de Vida em seus processos. Ele destacou a Rede Empresarial de Avaliação de Ciclo de Vida, criada em outubro do ano passado e formada por nove corporações, entre elas a petroquímica Braskem, o grupo Bosch, a indústria de alimentos Danone e outras.

“A Bosch, por exemplo, fez a Avaliação de Ciclo de Vida do seu ferro de passar e mostrou que poderia reduzir a massa em 30%, tendo uma economia em matéria-prima, no transporte e na logística”, exemplificou.

A 16º Semana de Meio Ambiente é promovida pela Fiesp e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com o apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). Aberta nesta segunda-feira (02/06), a Semana terá prosseguimento até sexta-feira (06/07).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp