Indústria paulista corta 25.500 vagas em novembro

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Novembro foi mês ruim para o emprego na indústria de São Paulo, com 25.500 demissões a mais que admissões no período, variação de -1,14% (sem ajuste sazonal) em relação a outubro. Os dados são da Pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo, feita pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp (Depecon) e divulgada nesta quinta-feira (15/12).

Pela primeira vez em 2016 foram mais de 20.000 cortes de vagas num mês. O número ficou acima do que era esperado, parte em função de demissões no setor de açúcar e álcool, provocadas pelo fim da safra de cana.

A expectativa, explica Guilherme Moreira, gerente do Depecon, era de novembro seguir o movimento de outubro, com uma atenuação da queda do nível de emprego, mas isso não aconteceu. “Jogou um balde de água fria.”

Na variação acumulada do ano a situação de 2016 (-5,03%) é um pouco melhor que a do mesmo período de 2015 (-7,18%).

Somando as perdas de 2014 e 2015 e a expectativa para o fechamento do ano de 2016, temos mais de 500.000 demissões na indústria paulista. “E não enxergamos uma forte recuperação ano que vem”, diz Moreira.

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Só um setor, o de informática, produtos eletrônicos e ópticos, teve saldo positivo de vagas, com 1.477 contratações a mais que demissões (variação de 2,54% em relação a outubro).

Regiões

O levantamento feito seguindo o agrupamento das diretorias regionais do Ciesp mostra queda do nível de emprego em 31 delas, de um total de 36. Houve alta em apenas 2 (Jacareí, 1,25%, e Santo André, 0,87%), e 3 ficaram estáveis. As maiores quedas ocorreram em Jaú (-8,12%) e em Sertãozinho (-7,24%).

Clique aqui para ter acesso a todos os dados do levantamento.

Trimestre tem fechamento de 31.000 vagas na indústria paulista, mostra pesquisa da Fiesp e do Ciesp

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

O nível de emprego industrial paulista teve novo recuo em março, de 0,61% (com ajuste sazonal) em relação a fevereiro. O levantamento, feito pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp (Depecon) e divulgado nesta quinta-feira (14/4), mostra que neste ano já houve a perda de 31.000 postos de trabalho, dos quais 3.500 em março.

Quando não são considerados fatores sazonais, o mês de março registra a menor eliminação (-0,15%) de postos de trabalho desde maio de 2015, graças, em parte, à antecipação da safra do setor de açúcar e álcool. Segundo o diretor titular do Depecon, Paulo Francini, com a previsão da chegada do período de seca é normal a contratação de mão-de-obra para a colheita, que envolve logística e transporte. “Isso atenuou, evidentemente, a queda apontada pela pesquisa, mas os outros setores também perderam menos vagas em relação aos meses anteriores”, explicou. “Então, foi um mês que não dá para ter alegria, mas a quantidade de choro não fica tão grande.”

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Setores

Em março, 14 setores, dos 22 pesquisados, tiveram queda no nível de emprego, 6 apresentaram crescimento, e 2 ficaram estáveis.

De forma semelhante ao cenário do mês de fevereiro, os setores que se destacaram com a ampliação de vagas foram produtos alimentícios (6.819 postos), coque e biocombustíveis (3.333 postos) e couro e calçados (1.322 postos) – que contrata há três meses consecutivos.

Esse último, segundo Francini, foi beneficiado pela desvalorização do real. “É um setor que tem se dado melhor que outros. Não significa que eles estejam felicíssimos, mas o câmbio fez com que empresas tivessem mais condições de exportar, enquanto determinados calçados importados que penetravam no mercado brasileiro não o fazem mais, pois não competem mais em preço com a produção doméstica. É um duplo efeito da taxa de câmbio”, explica.

Entre os setores que mais demitiram em março estão os ligados à produção de veículos. É o caso do setor de produtos de borracha e de material plástico, o que teve maior perda de vagas (3.422, variação negativa de 1,85%).

Regiões

O resultado do segmento de açúcar e álcool contribuiu para que o Interior do Estado registrasse taxa de variação positiva no mês de março, de 0,41% em relação ao mês anterior. Foram 12 as regiões que registraram expansão do nível de emprego. Entre elas, destaque para Jaú (3,43%), seguida de São Carlos (1,57%) e São José do Rio Preto (1,23%). Na contramão, das 24 que registraram queda, as maiores delas foram verificadas em Cubatão (-3,28%), Mogi das Cruzes (-3,04%) e Santos (-2,76%).

Na Fiesp, secretário José Aníbal debate novos projetos para a geração de energia

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

José Aníbal, secretário de Energia do Estado de São Paulo

O governo de São Paulo sinalizou nesta quinta-feira (7) que deve fechar um acordo com os produtores de açúcar e álcool para adaptar até 15 usinas por ano com o objetivo de aproveitar ao máximo a energia proveniente do bagaço e da palha de cana.

Hoje, a capacidade instalada para a cogeração em São Paulo é de 3 mil megawatts. Segundo o secretário de Energia, José Aníbal, que participou de reunião do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) da Fiesp, o estado tem um grande potencial de geração de eletricidade a partir da biomassa.

“Nossa meta é chegar a 20 mil MW de cogeração em 2020 só com esse tipo de fonte. A palha da cana ainda é mal utilizada. Temos muita disponibilidade, só precisamos aprimorar a tecnologia”, garantiu o secretário.

A proposta é adaptar o método utilizado nas caldeiras, no processamento da cana, para queimar a biomassa de forma a gerar excedente de energia. José Aníbal informou ainda que o governo estuda autorizar o diferimento do pagamento de ICMS na compra dos equipamentos necessários para a modernização das usinas.

O Conselho Estadual de Política Energética apresentou, na semana passada, um estudo sobre a evolução da oferta e da demanda em São Paulo até 2035. A previsão é que a demanda por energia aumente de 51 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (2005) para 130 milhões. A tendência também aponta crescimento da participação de fontes limpas na geração, como o bagaço de cana (de 18,9% para 23,5%).

Segurança energética

Carlos Cavalcanti, diretor de Energia da Fiesp

O secretário de Energia reconheceu que é preciso fiscalizar de perto os contratos de concessão de transmissão e distribuição de energia, e administrar conflitos para afastar o risco de apagões.

“A Secretaria terá uma relação direta com transmissores e distribuidores. É preciso definir bem as responsabilidades para poder cobrar”, disse Anibal.

Fernando Xavier, presidente do Coinfra/Fiesp, cobrou que as agências – no caso do setor elétrico, a Aneel – tenham um corpo técnico eficiente que não se perca na burocracia e ajude efetivamente a regular o sistema.

José Aníbal afirmou que um de seus objetivos é mudar a relação do governo federal com os estados nessa questão – a proposta é que o Fórum Nacional de Secretários de Estado para Assuntos de Energia (FNSE), presidido por ele, participe ativamente das comissões do Senado e da Câmara Federal que discutem políticas e soluções para a área energética. “É preciso descentralizar algumas decisões para dar agilidade à resolução das questões”, disse.

Discutir o custo da energia é um dos pontos defendidos pela Fiesp para elevar a competitividade das cadeias produtivas paulistas. Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da entidade, pediu apoio do secretário de Energia para “combater o sistema perverso de cálculo de ICMS sobre a tarifa de energia elétrica, feito por dentro”, e enfrentar o grave problema do preço do gás.

“Mesmo com o aumento de oferta, o gás não chegará à indústria porque não há investimento suficiente na distribuição”, defendeu Cavalcanti.