Países beneficiados pela queda no preço do petróleo devem ser prioridade para as negociações comerciais do Brasil

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Abrindo os trabalhos de 2016, a primeira reunião do Conselho Superior do Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp discutiu as prioridades nas negociações e promoções comerciais brasileiras, na manhã desta terça-feira (16/2).

Chamado a discursar, o subsecretário Geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Carlos Marcio Cozendey, afirmou que agora o Brasil deve prestar atenção nos países que foram afetados pela queda no preço das commodities e, especialmente, do petróleo. “México e Índia, por exemplo, estão se beneficiando com essas quedas”, explica. “São países que estão crescendo e abriram espaço na sua capacidade de importação. Por isso merecem um olhar especial.”

Outro país com forte potencial, diz, é o Irã, que “acaba de sair de sanções muito fortes”. Embora sempre tenha demonstrado interesse em negociar com o Brasil, o país não era muito atrativo, principalmente sob o ponto de vista do mercado financeiro brasileiro, que temia sofrer sanções norte-americanas caso operasse naquela região. “O fim das sanções dos Estados Unidos ao Irã deve remover esse obstáculo, e eles ainda têm interesse em intensificar as relações com a gente. Há, inclusive, um movimento importante de visitas de alto nível nos dois países, uma preparação para essa aproximação”, destaca Cozendey. “Acho que o setor privado deve prestar bastante atenção nessas oportunidades.”

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Reunião do Conselho Superior do Comércio Exterior da Fiesp, com a participação do embaixador Carlos Marcio Cozendey. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Acordos em negociação

A grande expectativa para este ano é a evolução nas negociações entre Mercosul e União Europeia. As conversas para se avançar na formulação de um acordo de livre comércio entre as duas regiões foram paralisadas em meados de 2015, quando alguns países europeus mais protecionistas “emperraram as conversas, especialmente, no âmbito agrícola”.

“No momento o Mercosul está pronto, fez reuniões técnicas para transmitir os parâmetros gerais à comunidade europeia. Mas eles reclamam que a oferta deveria ter 90% de abrangência. Oferecemos 87% para começar a negociar. A alegação que eles fazem é uma desculpa”, argumenta Cozendey.

Ele ainda acrescenta que por parte dos europeus não houve nenhum sinal concreto sobre o aumento de cotas e as ofertas agrícolas. “Não houve nenhuma indicação mais precisa sobre qual o tamanho da oferta comunitária. Tem-se usado isso como certa desculpa para não terem feito a troca de oferta. O que nós observamos é que eles não estavam prontos nas pesquisas agrícolas.”

O presidente do Coscex, embaixador Rubens Barbosa, alertou ainda para o fato de o governo brasileiro precisar de uma alternativa, caso essa negociação continue emperrada. “O Brasil é protagonista nesta história, então qual seria nossa reação se chegar a primavera e isso ainda não for resolvido? Se essa negociação não sair, precisamos começar a ver um plano B. E essa é uma possibilidade bem concreta.”

De acordo com o subsecretário geral, outros acordos também devem estar em evidências nos próximos meses, entre eles Colômbia, Peru, México, Canadá e EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça).

Participaram também da reunião o embaixador Adhemar Bahadian, coordenador das Atividades dos Conselhos Superiores Temáticos da Fiesp; o deputado estadual Itamar Borges (PMDB-SP), presidente da Comissão de Atividades Econômicas da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo; Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) e  vice-presidente do Coscex; Geraldo Haenel, diretor titular adjunto do Derex; Elias Miguel Haddad, vice-presidente da Fiesp; Rafael Cervone, primeiro vice-presidente do Ciesp.