Acordo de Paris: nova revolução industrial passa pela menor emissão de carbono

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O debate sobre o Acordo de Paris, que prevê ações para a redução das emissões de carbono, encerrou a 18ª Semana do Meio Ambiente, realizada desde a terça-feira (07/06), na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), em São Paulo. Participaram do workshop a presidente da Indústria Brasileira de Árvores (IBA), Elizabeth de Carvalhaes, o ambientalista Fábio Feldman, o engenheiro e professor da USP Luis Gylvan Meira Filho e o diplomata Everton Lucero.

O Acordo de Paris foi estabelecido na 21ª Conferência das Partes (COP21), em Paris, em 2015, com o objetivo de dar uma resposta global às mudanças no clima, principalmente no que se refere ao aumento da temperatura. A iniciativa foi aprovada por 195 países e visa reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa.

“Temos aqui na Fiesp um comitê interno de mudanças do clima”, explicou Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente da federação e diretor titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da federação. “O Acordo de Paris estabelece que os países signatários possuem a mesma responsabilidade sobre a emissão de carbono”, disse. “Uma responsabilidade vinculada às capacidades nacionais nesse momento de tomada de decisões”.

Moderador do debate, o diretor executivo de Projetos da Fiesp e tenente brigadeiro do Ar Aprígio de Moura Azevedo, destacou que o tema “entrou de forma definitiva na agenda”. “O mundo passou a dar atenção à mudança do clima”.

Segundo Meira Filho, as implicações da assinatura do Acordo de Paris é que são importantes. “Vamos precisar de mudanças mais profundas do que aquelas a que estamos acostumados”, afirmou. “Temos que reduzir em mais de 70% as emissões de dióxido de carbono, é necessário que a indústria se prepare”.

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O workshop sobre o Acordo de Paris que encerrou a 18ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para Feldman, a mudança na discussão representada pelo Acordo de Paris traz o desafio de colocar na agenda de cada país uma nova governança de clima. “Nem sempre esse foi um tema prioritário no Brasil”, disse. “Precisamos pensar em como isso vai repercutir aqui, em como estabelecer políticas públicas nesse sentido”.

O envolvimento nesse sentido, para viabilizar uma “nova revolução industrial”, deve incluir o “presidente da república” e esferas como o “Itamaraty e ministérios variados, como o de Ciência e Tecnologia”, entre outros. “Que modelo de governança nós vamos ter para cumprir as nossas metas, para viabilizar essa nova revolução industrial feita com baixa emissão de carbono?”, questionou.

Uma única árvore

A implementação imediata do Código Florestal no Brasil também foi citada no workshop. “Isso é fundamental para o cumprimento das metas no Acordo de Paris”, disse Elizabeth. “O Código trata da agricultura, da energia”, afirmou. “É o maior benefício para essa nação dentro do que foi estabelecido pela Conferência do Clima, o Código seria um reforço importante para a recuperação de áreas”.

Conforme Elizabeth, a indústria precisa de políticas de longo prazo para se preparar para esse cenário novo, de novos mercados. “Precisamos migrar todos para esse conceito de indústria sustentável, que só vai se desenvolver se houver demanda”, explicou. “O consumidor tem que querer consumir dessa forma, dizer que não paga por aquilo que pode atrapalhar o meio ambiente”.

Entre as formas de chegar lá, ela citou opções como o investimento em nanotecnologia, que é aquela que trabalha em escala manométrica, produzindo dispositivos com as dimensões de átomos ou moléculas, entre outras opções. “Acredita-se que uma árvore pode oferecer ao homem mais de 5 mil usos pelo simples fato de existir”, disse. “Esse é um desafio maior do que reduzir em dois graus celsius a temperatura no planeta”.

Nessa linha de preparação, Lucero destacou que o momento é de “facilitação” para a implementação das medidas que vão garantir o cumprimento do Acordo de Paris, em 2020. “Muitos aspectos do acordo ainda precisam ser regulamentados”.

Entre os destaques do Acordo, Lucero citou o artigo 6º, que prevê “mecanismos de mercado, de desenvolvimento sustentável”. “Isso envolve definir regras, modalidades de crescimento dos países”, afirmou.

Para isso, “regras de transparência são relevantes para a implantação de mecanismos de mercado”. “Precisamos de uma conjunção de esforços, ouvir representantes dos governos e da sociedade civil”.

Finlandeses discutem integração externa, produtos transgênicos e educação na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A integração do Brasil e do Mercosul com os mercados da União Europeia e dos Estados Unidos foi um dos principais temas da reunião entre representantes da indústria paulista e membros do parlamento finlandês na manhã desta segunda-feira (27/01).

Durante o encontro com membros do Comitê de Relações Exteriores do Parlamento, cônsul e embaixador da Finlândia, o diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Thomaz Zanotto, afirmou que “para que a indústria e a economia brasileiras sejam competitivas de novo, temos que tentar alcançar acordos com países da Europa e também com os Estados Unidos”.

Zanotto apresentou a Agenda de Integração Externa, um documento enviado à Brasília em meados do ano passado com a posição da Fiesp sobre a relações econômicas internacionais do Brasil. “O Brasil deveria se engajar mais em acordos regionais de comércio. Temos pressionado o governo nesse aspecto”, afirmou Zanotto.

A reunião com os finlandeses na Fiesp nesta segunda-feira (27/01): mais acordos  Foto: Everton Amaro/Fiesp

A reunião com os finlandeses na Fiesp nesta segunda-feira (27/01): mais acordos Foto: Everton Amaro/Fiesp


Os empresários também questionaram a posição da entidade sobre o cultivo de alimentos transgênicos e sobre a  educação no país.  Segundo o diretor do Derex, “a maior barreira que o Brasil precisa ultrapassar é a da qualidade da educação”.

O presidente do Comitê de Relações Exteriores do Parlamento finlandês, Timo Soini, o embaixador da Finlândia no Brasil, Jari Luoto, e a cônsul-geral honorária da Finlândia em São Paulo, Jan Jarne, participaram da reunião.

Negócio com chineses é 60% pautado por relacionamento, segundo escritório de advocacia especializado

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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José Ricardo dos Santos Luz Júnior: 'Demora para fechar negócio com chineses desestimula o empresário'. Foto: Everton Amaro

Parceiros comerciais chineses são muito ágeis em desfazer negócio. No entanto, para celebrar um acordo, é necessário tempo e dedicação em um relacionamento interpessoal, destacou nesta terça-feira (06/11) o consultor José Ricardo dos Santos Luz Júnior, sócio da Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra Advogados.

“Detalhes são imprescindíveis para celebrar o negócio: são 60% relacionamento e 40% contrato”, disse Luz Júnior, ao participar do seminário Mercado Foco China, realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O objetivo do encontro é explorar estratégias e soluções para empresas brasileiras que desejam exportar para a China, ou ampliar a sua presença naquele mercado. Um dos obstáculos para fechar negócio com chineses, na avaliação do advogado, é a demora, que acaba desestimulando o empresário.

“Por que muito dos contratos celebrados entre chineses e brasileiros não são respeitados? Quando a gente leva em consideração o custo para prestação judicial e o tempo disso, muitos empresários brasileiros se sentem frustrados, porque é inviável”, afirmou José Ricardo Luz Júnior.

Fiesp participa das negociações climáticas pré-COP18

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

A Convenção-Quadro da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (para a sigla em inglês UNFCCC) voltará a se reunir, nesta semana, com a árdua tarefa de construir as bases de um acordo para o segundo período de compromissos do Protocolo de Quioto (KP).

O resultado deverá ser validado pelos países-membros da ONU no final deste ano, durante a COP18, que será realizada no Qatar.

“É preciso acompanhar as circunstâncias em que se dará o acordo do novo período de Quioto e os possíveis impactos para o setor produtivo brasileiro”, afirma o segundo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e presidente do Comitê de Mudança do Clima da entidade, João Guilherme Sabino Ometto.

A reunião em Bangkok também deverá definir a extensão do mandato dos grupos de trabalho que discutem o Protocolo de Quioto e os Compromissos de Longo Prazo (LCA, em inglês) dos países e a implementação da Plataforma de Durban, definida na última Conferência do Clima, realizada em dezembro do ano passado, na África do Sul.

“Vamos acompanhar as discussões da implementação das iniciativas previstas na Plataforma de Durban e analisar a posição do Brasil na construção deste futuro acordo”, destaca Ometto.



‘O Mercosul está sendo abandonado pela América Latina’, afirma especialista da FGV

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

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Vera Helena Thorstensen, coordenadora do Centro do Comércio Global e Investimento da FGV

“Vim aqui para partilhar minha angústia e preocupação com vocês”, declarou a coordenadora do Centro do Comércio Global e Investimento da Fundação Getúlio Vargas, Vera Helena Thorstensen, na manhã desta terça-feira (19/06), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, ao participar da reunião mensal do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da entidade.

O desabafo da especialista diz respeito à posição do Brasil ante a manutenção e criação de novos acordos de livre comércio – apreensão compartilhada pelo presidente do Coscex, o embaixador Rubens Barbosa. De acordo com ele, o regionalismo ganhou força dentro da globalização. “Todas as regiões estão negociando acordos de livre comércio, com exceção da América do Sul”, alertou.

Barbosa observou que está ocorrendo, na Ásia, um movimento muito mais dinâmico quanto a essa questão, e que até países como China e Japão estão abrindo seus mercados, “algo impensável há pouco tempo atrás’. E ressaltou a importância de o setor privado discutir o tema, uma vez que há ‘uma paralisia total do ponto de vista do governo brasileiro’.

Segundo Vera Helena, alguns países – encabeçados especialmente por Estados Unidos e a União Europeia – estão avançando significativamente em relação às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e criando novas normas, principalmente na área de serviço, propriedade intelectual, salvaguarda e regra de origem. Isso, em sua avaliação, apesar de gerar conflito de regras, proporciona o fechamento de diversos acordos, à margem da OMC.

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Da esq. p/ dir: Marcus Vinicius Pratini de Moraes, Daniel Marteleto Godinho, Rubens Barbosa e Vera Helena Thorstensen

“O centro do mundo hoje é a Ásia. Todos querem ser parceiros do Asean+6 [organização regional de Estados do sudeste asiático constituída com o objetivo de acelerar o crescimento econômico]. Se [o acordo com Estados Unidos] for para frente, será uma máquina de produção industrial que não terá ninguém para deter”, explicou a especialista.

O embaixador Barbosa acrescentou que a Parceria Trans-Pacífico (TPP) – proposta de livre comércio que visa liberalizar as economias da região Ásia-Pacífico – será a maneira pela qual os países asiáticos entrarão no continente Sul-americano, já que o Chile, México, Peru e Colômbia farão parte do bloco. “O Mercosul está sendo abandonado pela América do Sul”, complementou Vera Helena.

Desacordos

Também presente à reunião, o diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Daniel Marteleto Godinho, afirmou que a média de importações brasileiras amparadas por acordos comerciais (14,5%) não fica muito abaixo da União Europeia (17%) e Estados Unidos (23%), por exemplo.

Godinho ressaltou que a ordem da presidente Dilma Rousseff é avançar e concluir o acordo Mercosul-União Europeia, mas o Ministério tem enfrentado dificuldades no diálogo com a indústria. “Todo dia recebo representantes do setor privado dizendo que esse acordo é suicídio. A reação setorial contra é muito forte”, relatou o diretor. “Preciso compartilhar essa dificuldade [de um consenso], porque desejamos avançar, mas se o MIDC não ouvir a indústria, cria-se outro problema.”

Para o presidente do Coscex, a oposição do setor privado ao acordo se deve ao Custo Brasil: “Tão logo o governo comece a tomar medidas pontuais quanto à desoneração, esse posicionamento irá mudar” rebateu Barbosa, argumentando que o ideal seria ter regras permanentes, que ajudassem a todos, como por exemplo, redução da carga tributária, custo da energia e infraestrutura. “Nossa posição tem que ser entendida dentro desse contexto. Se mudar o Custo Brasil, mudamos de posição”, concluiu.

Senai-SP vai exportar modelo de capacitação profissional para a Nigéria

Danusa Etcheverria, Agência Indusnet Fiesp

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Walter Vicioni, diretor regional do Senai-SP (esq.) e Longmas Wapmuk, diretor-geral do ITF na Nigéria assinam acordo de cooperação

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) firmou na manhã desta segunda-feira (24) acordo de cooperação educacional com a Nigéria. A assinatura ocorreu durante reunião da Diretoria Regional do Senai-SP com representantes do governo e empresários nigerianos.

A partir de 2012, a entidade da indústria paulista vai exportar seu modelo de ensino profissional e capacitação tecnológica em mais de dez segmentos industriais para aquele país – que é o mais populoso da África.

Em fevereiro de 2012, gestores nigerianos do ITF (Industrial Training Fund) desembarcarão em São Paulo para receber treinamento com foco em gestão de centro de formação profissional em diversas áreas do setor industrial como automação, construção civil, eletrônica, têxtil, cerâmica, costura industrial entre outras modalidades.

Há ainda previsão de consultoria do Senai-SP para implementação de quatro escolas, atualização de três unidades de formação profissional em Jos, Kano e Lagos e a aquisição de escolas móveis.

“A ideia principal é ajudar países que estão em processo de crescimento e desenvolvimento como o Brasil”, ressaltou o diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni, que defende a divisão das experiências bem sucedidas para a multiplicação de bons resultados na formação profissional. Para ele, a cooperação técnica exporta não só equipamentos, mas, também pessoas que criam espaços e oportunidades para brasileiros. “Essas trocas marcam a presença brasileira no cenário internacional”, acrescentou.

O diretor-geral do ITF na Nigéria, Longmas Sambo Wapmuk, destacou que o desenvolvimento da educação profissional na Nigéria é um sonho e elogiou o engajamento das empresas com os alunos do Senai após a conclusão dos cursos.

Durante a última semana, uma comitiva de empresários e membros do governo da Nigéria visitou algumas unidades escolares do Senai-SP do interior e da capital, além de empresas como Industrias Romi, Kraft Foods e Voith Brasil para conferir in loco as experiências da instituição que forma mão de obra qualificada para as indústrias brasileiras.

“Como estratégia comercial, países desenvolvidos usaram a cooperação no campo da formação profissional como forma de posicionar o seu país em outros territórios”, observou Vicioni.

A Nigéria é o maior produtor de petróleo do continente africano e também detentor de um dos déficits educacionais mais expressivos do mundo – cerca de 50% das crianças estão fora da escola, de acordo com dados da Unesco.