“Com boa vontade, o acordo pode sair”, diz Fiesp sobre negociações com a UE

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

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Após o jantar com diretores da Fiesp, o comissário europeu Karel de Gucht ouviu propostas da entidade para mudanças na postura comercial do bloco econômico. Foto: Kênia Hernandes



O comissário europeu Karel de Gucht ouviu na noite da terça-feira (14), na Fiesp, que a entidade apoia conclusão do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. Em negociação desde 2004, a Fiesp pede algumas mudanças de postura comercial dos europeus, principalmente na flexibilização do setor agrícola, principal entrave nas relações comerciais.

A França, por exemplo, já anunciou que não abrirá o setor agrícola nos termos exigidos pelo Mercosul e que possíveis aberturas deverão ser tratadas nos moldes propostos durante a Rodada Doha.

Para o diretor de Relações Internacionais da Fiesp, Thomaz Zanotto, apesar de a União Europeia passar por um período turbulento com sinais reais de recessão econômica, o mercado europeu ainda continua a ser o maior do mundo e de interesse prioritário para o Brasil. “Há falhas nas propostas que estão sendo negociadas, mas não é nada que não possa ser resolvido com um tempo de adaptação”, disse Zanotto após o jantar com de Gucht e empresários, na sede da Fiesp.

O comissário europeu chegou ao País determinado a voltar à Europa já com o escopo das negociações. Uma vez que a União Europeia está sem perspectivas em relação, conclusão da famigerada Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), o bloco econômico busca entendimentos bilaterais e tenta reviver acordos.

Segundo Thomaz Zanotto, Karel de Gucht chegou à Fiesp com um tom bem burocrático, mas saiu da entidade animado com a receptividade dos empresários.

“Estamos abertos para negociar lista de exceções, calendário de desgravações (…) Com boa vontade o acordo pode sair”, afirmou Zanotto.

A próxima rodada de negociações está prevista para a terceira semana de outubro, mas tratará apenas de questões normativas e técnicas, sem previsão de uma etapa decisiva rumo à conclusão do acordo.

Recentemente, em reunião na Fiesp, o chefe do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty, Evandro Didonet, sinalizou que há uma enorme vontade do governo brasileiro em concluir ou tentar chegar à etapa decisiva até o final do ano. Na ocasião, Didonet chegou a dizer que as negociações entre os dois blocos representam “uma equação difícil de ser solucionada”.