Momento é bom para estimular negociações entre Brasil e Japão, diz cônsul japonês

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Com a intenção de iniciar negociações de acordos bilaterais, empresários e autoridades do Brasil e do Japão se encontraram na tarde desta quarta-feira (19/03),  no seminário “Brasil-Japão – Parceria para o Desenvolvimento da Infraestrutura Brasileira”, para discutir o uso de tecnologias no desenvolvimento, sobretudo, de transportes nas cidades brasileiras.

O encontro aconteceu na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Seminário Brasil - Japão tratou de parcerias entre os dois países para desenvolvimento de infraestrutura. Foto: Everton Amaro/FIESP

“O objetivo não é fazer só mais um evento, mas iniciar processo de entrosamento entre nossas economias, sempre visando um acordo de comércio entre Japão e Brasil”, explicou José Augusto Corrêa, diretor titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp.

Thomaz Zanotto, diretor do Departamento de Relações Internacionais da Fiesp. Foto: Everton Amaro/FIESP

Também participou do encontro o cônsul geral adjunto do Consulado japonês em São Paulo, Hiroaki Sano. Segundo ele, este é um “bom momento para estimular as negociações entre os dois países.

Em seu discurso de abertura do encontro, o diretor-titular do Derex, Thomaz Zanotto, lembrou que a Agenda de Integra Externa, lançada pelo departamento da federação em meados de 2013, propunha a busca mais efetiva de um acordo de livre comércio com o Japão.

“Entendemos que a indústria brasileira precisa absorver novas tecnologias e, para isso, precisamos nos integrar mais com esses países de tecnologia de ponta nos quais se inclui o Japão”, completou.

Tomoya Sato, diretor da Divisão de Cooperação Financeira do Ministério da Economia do Japão. Foto: Everton Amaro/FIESP

Ainda durante abertura do seminário, o diretor da Divisão de Cooperação Financeira do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Tomoya Sato, afirmou que seu país “está preparado para oferecer tecnologia, cooperação e apoio para que o Brasil seja um país industrial”.

Infraestrutura brasileira

Ao apresentar panorama da infraestrutura no Brasil, o diretor-titular-adjunto da Divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da entidade, Lucien Belmonte, citou a crise do setor elétrico provocada pela escassez de chuvas.

“Quando a gente tem um momento de crise, temos que fazer a maior parte dos questionamentos e buscar respostas e construir melhor o futuro, inclusive com o uso de tecnologia, evitando que os erros sejam repetidos. É nesse aspecto que a gente gostaria de discutir com o Japão, um país que tem um posicionamento de tecnologia absolutamente invejável para qualquer país”, afirmou Belmonte.

Representantes da NEC do Brasil, Hitachi e Mitsubishi apresentaram experiências bem sucedidas de suas empresas na produção de transportes de cargas, monotrilhos e tecnologias para operação de três e metrôs em grandes metrópoles.

Massato TAka, da NEC, contou a trajetória da empresa para estruturar um terço da rede de comunicação do Brasil. Já Roberto Endo, da Hitachi, trouxe para a discussão a experiência da companhia no desenvolvimento do monotrilho em metrópoles como Tóquio, no Japão, Dubai, nos Emirados Árabes, e Chong Quing, na China.

E Takayuki Nakajima, da Mitsubishi, apresentou o Sistema de Transporte Automatizado de Pessoas (APM) em transportes urbanos no Japão, Cingapura e Estados Unidos.