Após acomodação, indústria de SP recupera ritmo de crescimento

Agência Indusnet Fiesp,

A indústria paulista de transformação voltou a crescer no mês de julho, após dois meses seguidos de queda. A alta de 0,6% no indicador, divulgado nesta quinta-feira (26), confirma a interpretação da Fiesp/Ciesp de que, passado o período de ressaca pós-benefícios tributários, a atividade produtiva voltaria à normalidade.

“Os três primeiros meses do ano foram exuberantes. Depois, o período de ‘ressaca’ acabou representando uma acomodação da atividade e, agora, tudo voltou ao normal como nós prevíamos”, avaliou Paulo Francini, diretor de Economia da Fiesp/Ciesp. “A indústria continuará crescendo: não com o mesmo vigor de antes, porém, a uma taxa de variação bastante razoável”, projetou.

Segundo Francini, o Indicador de Nível de Atividade (INA) não deverá fazer muito esforço para obter um crescimento de dois dígitos em 2010. Apesar de o acumulado janeiro-julho computar alta de 12,7% sobre mesmo período do ano passado, o indicador deverá fechar próximo de 11%.

O diretor explicou que setembro e outubro são os meses de “ouro” da atividade industrial, mas a base de comparação também deverá ficar mais elevada no segundo semestre, período que registrou boas taxas de aceleração em 2009.

“As taxas mensais, até o fim do ano, deverão variar entre 0,5% e 1%, e certamente ficaremos próximos de 11%. Isso nos dará um nível de atividade produtiva bastante agradável em relação a 2009”, sublinhou Francini. Para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a Fiesp e o Ciesp mantêm a projeção de 7,5% neste ano.


Variações
Sem ajuste sazonal, o INA subiu 2,6% na passagem mensal. Foi o melhor julho em cinco anos, sem contar 2009, cuja medição (+4,6%) carrega o efeito da retomada pós-crise.

Entre as variáveis, destaque para horas trabalhadas na produção e total de vendas reais, ambos com alta de 1,2%. Já o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) ficou estável em 82,7% no período.


Setores
Seis dos 17 setores que compõem o levantamento já operam em um nível superior se comparados ao patamar pré-crise (setembro/outubro de 2008). Destacam-se três: alimentos e bebidas (+1,6%), produtos químicos, petroquímicos e farmacêuticos (+2,7%) e minerais não-metálicos (+0,4%).


Expectativa
pesquisa Sensor – que aponta a perspectiva dos empresários em relação ao cenário econômico do mês corrente – mostra que a atividade paulista continua em processo de crescimento.

O Sensor geral passou de 52,4 para 53,8 pontos de julho a agosto. O item vendas saltou de 50,8 pontos para 54,8, e o emprego também subiu para 56,3 pontos, contra 54,2 no mês anterior. O mesmo efeito foi sentido em Investimentos (56,9), que subiu 4 pontos em relação a julho.

Mercado também registrou ligeira alta fechando agosto com 56,5 pontos. Em contrapartida, o estoque está alto, com 43,1.