Aliar crescimento social e distribuição de renda é desafio para o País

Agência Indusnet Fiesp

O Brasil tem uma dívida social histórica muito alta. A reflexão foi feita pelo ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, durante reunião do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) da Fiesp, na última terça-feira (24/11), que avaliou as ações governamentais na área social.

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Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

“Estamos entre os três ou quatro países com a pior distribuição de renda do mundo”, enfatizou o ministro, que por outro lado reconheceu já se ter feito muito.

Os dados da mobilidade social, por exemplo, são visíveis, na opinião de Ananias, ao afirmar que a renda dos 10% mais pobres cresceu seis vezes mais do que os 10% mais ricos, nos últimos anos. Desde 2003, segundo a Fundação Getúlio Vargas, 19,4 milhões de pessoas saíram da faixa de extrema pobreza, levando-se em consideração uma renda mensal de R$ 145.

Só o Bolsa Família, programa social com maior visibilidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva, alcança 12,4 milhões de pessoas em todos os municípios brasileiros, com um orçamento, em 2009, da ordem de R$ 11,4 bilhões. No Estado de São Paulo, 1,2 milhão de famílias são atendidas pelo Bolsa, envolvendo um montante de R$ 97,8 milhões/mês.

Para Ananias, um dos grandes benefícios do Bolsa é seu impacto na economia local. “O retorno dos programas sociais é muito maior do que o valor que o Estado gasta”, avaliou. Além da dinamização apontada, gera-se ainda a inclusão e se promove a dignidade do cidadão.

Mesmo assim, suspendeu-se quase um milhão de benefícios cujos dados cadastrais não foram atualizados e que se somarão a outros 500 mil pagamentos por conta de divergências das condicionalidades.

Para o ministro, no passivo social ainda se contabiliza um contingente de 10% de analfabetos no País, acima dos 14 anos, significando 20 milhões de pessoas que não exercem sua plena cidadania.

“O maior desafio hoje é romper o dualismo do crescimento social versus a distribuição de renda”, disparou o ministro. Os recursos da área social saíram do patamar de R$ 11 bilhões, em 2003, e alcançaram R$ 33 bilhões este ano. São investimentos que ajudam a integrar três áreas: assistência social, segurança alimentar e nutricional e transferência de renda condicionada, o Bolsa Família.

“Estamos dando ênfase às políticas de promoção da inclusão produtiva, de capacitação profissional, geração de trabalho e renda, a fim de emancipar gradativamente as famílias que atendemos, para que elas ganhem autonomia”, finalizou.