“Governo federal pauta ações somente para o curto prazo”, diz especialista

Agência Indusnet Fiesp 

Jorge Gerdau, membro do Conselho de Administração da Gerdau. Foto: Vitor Salgado

Há um processo maior de gestão que é o da governança, e o governo federal deixa a desejar neste quesito. Enquanto o setor privado planeja seus próximos dez anos, em um processo considerado normal, o governo traça cenários apenas para o curto prazo. É preciso acabar com improvisações e ter metas e objetivos para, no mínimo, dez anos à frente.

A observação foi feita nesta segunda-feira (21), na Fiesp, por Jorge Gerdau, membro do Conselho de Administração da Gerdau, maior produtora de aços longos do País.

O empresário participou da reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da entidade, que teve como tema “Gestão e Governança do Brasil numa visão de longo prazo”, integrando a série de debates Repensando o Brasil.

Segundo Gerdau, para garantir crescimento sustentável é preciso não só ter visão de longo prazo, o que não faz parte das políticas públicas brasileiras, mas também reduzir entraves à competitividade da nossa indústria.

“Precisamos de um ciclo virtuoso que passa pelo crescimento econômico, pela geração de empregos e pelo aumento da poupança e dos investimentos”, sinalizou.

Ele deu um exemplo prático. Comparou o alto índice da poupança chinesa (cerca de 52%) e seus investimentos de alto impacto, em relação aos dados brasileiros (17% de poupança interna frente ao Produto Interno Bruto, 2008). E considerou tímida a meta de 21% de poupança interna para o próximo ano, anunciada pelo governo.

Na avaliação do empresário, os investimentos públicos – em torno de 1,2% do PIB no acumulado de 12 meses (até abril de 2010) – são tímidos porque deveriam ser de 10%, no mínimo.

Entre os fatores que atrapalham a competitividade brasileira, Gerdau listou:

  • Falta de reforma tributária;
  • Custo do capital – o País está entre os países com mais altas taxas de juros, gerando impacto na cadeia produtiva;
  • Logística e ineficiência que onera exportações;
  • Legislação ambiental e a demora na obtenção da licença;
  • Burocracia;
  • Questões trabalhistas que necessitam de maior flexibilização e negociação;
  • Educação, hoje ancorada como a sexta prioridade para os brasileiros.Ainda na opinião de Gerdau, a equação resultante é mais do que complexa: menor prosperidade de pessoas capacitadas em momentos de maior prosperidade econômica. Resta buscar as soluções.Jorge Gerdau também é membro do Movimento Ação Empresarial e presidente-fundador do Brasil Competitivo, além de presidir o conselho de governança do Movimento Todos pela Educação.

Panorama no pós-crise é assunto principal do 21º Congresso Brasileiro do Aço

Agência Indusnet Fiesp 

A produção mundial de aço bruto foi de 1,2 bilhão de toneladas no ano passado, -8% na comparação com 2008, segundo o WorldSteel Association. Desconsiderando a participação da China, a queda chegou a 21,1%, percentual próximo ao do Brasil.

A indústria brasileira do aço foi, certamente, uma das mais atingidas pelos efeitos da crise econômica mundial, mas apresentou sistemática recuperação ao longo de 2009. O Instituto prevê para este ano forte recuperação dos níveis de atividades da indústria do aço no País. O consumo deve crescer 23,3%, as exportações 23,4%, possibilitando aumento de 25,1% na produção de aço bruto, para 33,2 milhões de toneladas.

No cenário internacional, os holofotes ainda estão nas incertezas sobre a retomada do mercado e a certeza é de que a China continua sendo a locomotiva. No Brasil, os chamados projetos especiais do governo – Copa 2014, Olimpíadas 2016, Pré-Sal, Minha Casa, Minha Vida e Trem bala – são o centro das atenções, como promessa de retomada mais forte do consumo.

O Congresso Brasileiro do Aço apresentará um painel exclusivo sobre o assunto no dia 15 de abril, com a participação do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Base e Infraestrutura (Abdib), Paulo Godoy, e do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e coordenador do Construbusiness, José Carlos de Oliveira Lima.

A 21ª edição do Congresso, que acontece de 14 a 16 de abril de 2010, no Transamérica Expo Center, em São Paulo, tem como objetivo traçar o panorama da indústria do aço no Brasil e no mundo.

O evento, organizado pelo Instituto Aço Brasil (IABr), ocorre depois do impacto provocado pela crise mundial e reunirá os principais representantes do setor, governo, fornecedores e clientes para debater as perspectivas da siderurgia no Brasil e no exterior.

Soluções em aço para a construção

Além das discussões durante as palestras, os congressistas poderão conversar pessoalmente com representantes da cadeia siderometalurgica durante a ExpoAço 2010, feira de 3.000 metros quadrados que reúne representantes da cadeia e tem entrada gratuita para visitantes.

Em espaço adicional de 1.300 metros quadrados, o IABr realizará a mostra Vila do Aço, composta por réplicas reais e cenográficas de sistemas construtivos em aço.

Serão apresentadas as possibilidades do aço em casas, prédios, equipamentos urbanos, sistema drywall, engradamento metálico, esquadrias de aço, coberturas, passarelas, ou seja, opções arquitetônicas em aço em tamanho real.

Serviço

Congresso Brasileiro do Aço
Data: 14 a 16 de abril de 2010
Local: Transamérica Expo Center
Endereço: Av. Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, São Paulo
Mais informações: www.acobrasil.org.br/congresso2010

ExpoAço 2010 e Vila do Aço
Horário de acesso dos visitantes:
15/4 – 9h às 20h
16/4 – 9h às 17h
Inscrição: www.expoaco.org.br