‘A gente só dá um passo que a nossa perna consiga sustentar’, diz ACM Neto em encontro na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Foi realizado, na manhã desta quinta-feira, 17/11, na sede da Fiesp, em São Paulo, o road show “Corredores de Transporte Coletivo Integrado de Salvador”. O encontro, que contou com a presença do prefeito da capital baiana, ACM Neto, apresentou os aspectos técnicos do projeto, explicando ainda o processo licitatório para a execução das obras. A iniciativa foi organizada pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da federação, sendo coordenado pelo diretor titular da área, Carlos Cavalcanti.

“A Fiesp está sempre se posicionando em nome do crescimento econômico”, disse o prefeito. “Agradeço a oportunidade de estar aqui e apresentar um projeto tão importante para Salvador”.

Nesse sentido, ACM Neto apresentou as linhas gerais do que a sua cidade vem fazendo na área de mobilidade. “Em 2012, quando disputei a eleição e venci, tínhamos cenários menos claros sobre os projetos de mobilidade em Salvador”, disse. “O projeto de linha de metrô sofria um impasse há 12 anos por problemas de concepção, estava paralisado e foi retomado graças à união entre prefeitura, estado e governo federal”.

Assim, a capital baiana tem duas linhas de metrô: a Linha 1, que  liga o Centro à BR 324 e a Linha 2, que sai do Centro em direção à Avenida Paralela, onde houve a expansão recente de Salvador, com conexão com o aeroporto da cidade e com os municípios da região metropolitana.

“O principal corredor da empregabilidade de Salvador precisava de uma solução de mobilidade”, afirmou Neto. “Na principal estação de transbordo da cidade, no Centro, passam 500 mil pessoas por dia”.

Para o prefeito, essa integração teria que ser feita “a partir de uma solução que estivesse de acordo com a geografia local, com pontos que não comportam metrô”. “Por isso fizemos estudos para a implantação do BRT”. A sigla significa Bus Rapid Transit ou transporte rápido de ônibus em inglês.

Neto: soluções para o transporte público de acordo com a geografia da capital baiana. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Outro foco, conforme Neto, era o cuidado com o pagamento do projeto. “Me envolvi na busca da equação de financiamento da obra. Só iríamos licitar esse projeto quando a equação de financiamento estivesse resolvida”, disse. “Por isso 100% dos recursos são de financiamento e a prefeitura tem capacidade de pagamento dos R$ 408 milhões envolvidos”.

Com todas essas medidas, Salvador terá 42 quilômetros de metrô. “Seremos a terceira cidade brasileira com a maior linha de metrô e três corredores de BRT”, disse. “Uma estrutura compatível com as nossas necessidades, afinal a gente só dá um passo que a nossa perna consiga sustentar”, explicou. “Fizemos um trabalho de equilíbrio das contas para honrar os nossos pagamentos e fazer sobrar dinheiro para garantir investimentos com recursos próprios”.

Segundo Neto, a licitação para o BRT de Salvador deve ser autorizada pela Caixa Econômica Federal até o começo de dezembro. “Queremos convidar todos vocês, empresários, a participar da licitação”, afirmou. “Por isso fizemos um road show em Salvador e esse agora aqui em São Paulo”, disse. “Queremos fazer a mais moderna linha de BRT do Brasil”.

Arquiteto responsável pelo projeto, Lourenço Prado Valladares destacou que a capital baiana tem uma população de 3 milhões de habitantes, com 40,7 milhões de passageiros transportados por mês. “Pensamos sempre na integração dos sistemas”, explicou. “E sem perder o foco no sistema viário, no transporte público e na drenagem e demais interferências para lidar com questões como as enchentes na cidade”.

Participou ainda do encontro o diretor da Unidade de Parcerias com a Iniciativa Privada da Prefeitura de Salvador, Roberto Moussalem.