É mito que falta crédito na praça para MPEs, diz pesquisadora em evento na Fiesp

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Não é verdade que falta acesso a crédito para micro e pequenas empresas (MPEs), segundo a professora e consultora Dariane Castanheira, pesquisadora do ProCED (Programa de Capacitação de Empresas e Desenvolvimento) da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Dariane Castanheira, pesquisadora do Proced da FIA-USP: "Existem recursos financeiros disponibilizados por instituições de crédito e de fomento". Foto: Tâmna Waqued/FIESP

A docente apresentou na manhã desta segunda-feira (17/11), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os resultados de uma pesquisa feita com 359 empresas sobre as dificuldades de acesso a crédito.

“O grande mito é que falta crédito. A linha de crédito está lá. As taxas de juros são altas, se comparar com a rentabilidade que um novo negócio traz, mas é um mito falar que elas são altas comparando com a média do mercado. Há taxas abaixo da média. Existem recursos financeiros disponibilizados por instituições de crédito e de fomento”, disse Dariane em evento realizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp.

A pesquisa, realizada pela FIA com apoio da Fiesp, apontou dificuldades de acesso das MPME às linhas de crédito. Na sondagem, feita no final de 2013, foram questionados se havia crédito e quais fatores impediam a concessão de crédito. Também foram ouvidas as instituições financeiras.

Das 359 empresas, 283 (78,8%) solicitaram crédito. Dessas, 165 disseram que uma das razões para ter sucesso no pedido foi a entrega das informações solicitadas pelos bancos.

A insuficiência de informações financeiras, segundo a pesquisadora, é uma das principais razões para não ter acesso a credito ou no valor pretendido. “É necessário que as empresas apresentem informações financeiras reais e estimativas de desempenho futuras”.

Outras recomendações são manter situação positivada, reduzir o endividamento, evitar a devolução de cheques ou o estouro do limite, não atrasar parcelas de empréstimo e manter fornecedores e impostos em dia.

Informações essenciais são apresentar o faturamento dos 12 meses anteriores e a declaração  de Imposto de Renda com faturamento real.  De acordo com a pesquisadora, também vale pedir ao contador que elabore balanço e a Demonstração de Resultados do Exercício.

Planejamento é essencial, disse Dariane. “Até para solicitar crédito mais barato é preciso de tempo. É importante saber que vai precisar do dinheiro com pelo menos de três meses de antecedência”, afirmou ela.

São itens importantes para aumentar as chances de obter financiamento, sustentou a professora, apresentar dados como previsão de faturamento, o fluxo de caixa e um plano de negócios.

Outra dica, de acordo com Dariane, é manter um funcionário apto a prestar informações sobre a empresa. E, ainda, antecipar as necessidades de caixa e o planejamento de vendas e custos.

Flavio Vital, do Dempi da Fiesp: Foto: Tâmna Waqued/FIESP

Contador deve ser parceiro

De acordo com o assessor de projetos do Dempi/Fiesp, Flávio Vital, a pesquisa mostra que as micro e pequenas indústrias precisam investir em planejamento e na organização das informações internas para ter mais chances de acesso a crédito. E o profissional de contabilidade deve ser um parceiro nesse processo.

“O contador é como um tradutor das informações. Peça para ele fazer um balanço, um demonstrativo, e explicar”, sugeriu Vital, afirmando que também é importante constituir um bom relacionamento com os agentes financeiros.

Fórum debateu administração de crise, crédito e competitividade

O Fórum “O Impacto da Crise na Micro, Pequena e Média Indústria”, realizado no dia 13 de abril na sede da Fiesp/Ciesp, em São Paulo, reuniu 700 empresários para discutir medidas de apoio ao segmento e alternativas de acesso a crédito.

O evento contou com um ciclo de palestras ao longo do dia:

  • Sala de Recursos Humanos (administração da crise pelas empresas);
  • Sala Financeira (linhas de crédito disponíveis para MPMEs, gestão do fluxo de caixa);
  • Sala de Competitividade (instrumentos de apoio e investimentos em tecnologia).

Confira todas as apresentações (arquivos em PDF):