“Para o consumidor comprar, tem que valer muito a pena”, afirma especialista em varejo têxtil

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Os desafios da cadeia fornecedora brasileira foram debatidos, na tarde desta terça-feira (12/4), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), durante a reunião de seu Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil), coordenado por Elias Miguel Haddad.

O encontro teve como palestrante convidado o diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), Edmundo Lima. A associação representa as principais redes do varejo nacional que comercializam vestuário, bolsas e acessórios de moda, além de cama, mesa e banho. A entidade apoia ações que visem a responsabilidade social, a formalização nas relações comerciais e o combate à concorrência fraudulenta.

Durante o encontro, Edmundo falou da realidade do setor e das tendências. “O consumidor está mais arredio e exigente, preocupado com a qualidade e com o preço”. Para atender melhor o setor, o especialista sugere foco no produto: desenvolvimento, agilidade e flexibilidade (no conceito de fast fashion).

Ele ainda enumera outras ações, como a gestão de fornecedores; substituição dos produtos importados pelo nacional; busca pela eficiência operacional; construção de relacionamento com a cadeia de fornecedores; olhar aprofundado para a sustentabilidade; dentre outras.

“Em tempos de crise econômica, para o consumidor comprar, tem que valer muito a pena”, afirmou. De acordo com Edmundo, é fundamental que os empresários apostem nesta tendência para ampliar o seu futuro no mercado.

Edmundo enfatizou na reunião que o consumidor não aceita mais comprar produtos iguais e que as novelas muitas vezes dita a moda lá fora. “O que a televisão mostra em um dia, o consumidor procura no dia seguinte nas lojas. O nosso diferencial é justamente a flexibilidade da moda e com propostas que façam sentido para o consumidor.”

O especialista conta que o varejista valoriza o produto nacional e que é muito rigoroso com prazos. No entanto, em tempos de fast fashion, tudo deve ser adaptado. “Temos que ter a capacidade de resposta às mudanças no consumo, flexibilidade na produção de novos modelos e agilidade em prazos. Tudo com baixo custo de produção e alta produtividade, sem perder o alto padrão de qualidade”, concluiu.

Também participaram da reunião os coordenadores adjuntos do Comtextil Francisco Ferraroli, Paulo dos Anjos e Ramiro Sanches.

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Reunião do Comtexti, da Fiesp, com a participação de diretor da ABVTEX. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Tendências de investimentos estrangeiros no setor têxtil são debatidas na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Reunião debate investimentos estrangeiros no setor. Foto: Everton Amaro

Tendências e cenários dos investimentos estrangeiros no Brasil na área têxtil. Estes foram os temas principais apresentados na tarde desta quinta-feira (19/08) por Adalberto Bueno Neto, diretor da consultoria OCO Global, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O convidado foi um dos participantes da reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtextil) da entidade, em encontro moderado por Elias Miguel Haddad, coordenador do  comitê.

Durante a exposição, Bueno Neto ressaltou a necessidade de a investimentos da indústria têxtil brasileiro para desenvolver polos de exportação que favoreçam o comércio exterior. Além disso, o diretor acredita que a integração e a parceria entre indústrias com maior agressividade na negociação de acordos comercias sejam caminhos para a melhoria do desempenho do setor.

“O Brasil é um mercado que passa a ser cada vez mais visado por multinacionais. Dessa forma, as empresas nacionais passam a ser pressionadas a implantar novos modelos de negócio”, afirmou o representante da OCO Global.

Na visão do diretor da consultoria, a indústria têxtil brasileira passará a sofrer forte concorrência de países vizinhos como Colômbia e Peru, que começam a priorizar esforços de exportação para o Brasil.

“A cadeia precisa de integração e parceria entre indústrias, com maior agressividade na negociação de acordos comerciais. Países estrangeiros passam a focar no Brasil e empresas nacionais precisam se preparar estrategicamente, com internacionalização e fortalecendo a governança”, recomendou Bueno Neto.


Certificação de Fornecedores

Em seguida, o convidado Edmundo Lima, diretor da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), que congrega as principais empresas de varejo de vestuário, calçados, camas, mesa e banho e acessórios, apresentou a metodologia da Certificação de Fornecedores, programa desenvolvido pela associação que tem como objetivo permitir ao varejo certificar e monitorar seus fornecedores quanto às boas práticas de responsabilidade social e relações do trabalho.

Para Lima, o programa une varejo e indústria, com “significativos” resultados.

“O programa atende a indústria de confecção, entre elas micro, pequenas e médias”, disse. Visamos estabelecer princípios para a condução das auditorias em fornecedores. E desenvolver uma certificação única que permita aos varejistas controlar fornecedores quanto ao cumprimento de regulamentos”, explicou o diretor da Abvtex.

Atualmente, segundo Lima, são 8 mil as empresas cadastradas e o próximo passo é estruturar uma certificação nacional.