Empresários: pacote do Governo deixa a desejar

Presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto: solução passa também pela política cambial

O pacote de incentivos para aumentar a competitividade da indústria, anunciado ontem (03/04) pelo governo federal, não trouxe medidas efetivas para combater a desindustrialização em curso no país. Esta é a avaliação de empresários que participaram do Grito de Alerta, manifesto realizado nesta quarta-feira (04/04) em São Paulo.

Luiz Aubert Neto, da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), disse sentir falta de mais detalhes sobre as ações relacionadas à política cambial. “Com o câmbio desvalorizado entre 1% e 2% ao mês, por exemplo, no final do ano teríamos uma taxa razoável”, sugeriu.

Para Carlos Frederico Faé, empresário do setor têxtil e diretor-titular do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Americana, os incentivos anunciados são válidos, mas ainda são insuficientes para atender às necessidades da indústria.

“Desonerar a folha de pagamento é bom, mas não vai alavancar as vendas e incentivar novos investimentos. Eu deixo de pagar imposto na folha, mas devo pagar sobre o faturamento. O necessário é uma medida mais drástica de redução da carga tributária e simplificação do sistema de tributação. A carga é muito alta e fica impossível competir com os produtos importados”, afirmou Faé.

De acordo com o diretor regional do Ciesp de Botucatu, Edinho Batistão, que atua no segmento de reciclagem, o pacote é uma medida paliativa. “O que a gente reivindica é que o governo mexa em questões estruturais do país. A energia, que é o item mais básico da indústria, é uma das mais caras do mundo. O custo dos transportes também é muito alto”, assinalou. “A indústria pede igualdade de condições para competir com o mercado externo, completou.

Os presidentes da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato; da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa; e do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo (Sinditêxtil-SP), Emílio Bonduk, estiveram entre os milhares de empresários e trabalhadores que participaram do ato no estacionamento da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Setor privado investiu R$ 3,5 bi em crianças e adolescentes, diz Abrinq

Agência Indusnet Fiesp,

O presidente da Fundação Abrinq/Save the Children, Synésio Batista da Costa, afirmou nesta terça-feira (27), na sede da Fiesp, que no ano passado o total de investimentos do setor privado, voltados ao desenvolvimento da criança e do adolescente, ultrapassou R$ 3,4 bilhões.

Durante evento para divulgar o impacto dos 15 anos do programa Empresa Amiga da Criança, Costa explicou que o sucesso se deve à grande aderência das empresas ao projeto. “Atualmente, mais de mil empresas possuem parceria com a Abrinq.”

De acordo com ele, o objetivo da entidade para os próximos quatro anos é acolher mais de 500 mil jovens e quadruplicar o orçamento, que hoje gira em torno de R$ 12 milhões. “Vamos incomodar todos os nossos amigos ricos e, pelo amor ou pela dor, atingiremos nossas metas”, garantiu.

Conforme esclareceu Costa, a tarefa de angariar e fazer bom uso dos recursos não nada fácil. Em sua opinião, o segredo é saber lidar com as duas pontas do processo: “o capitalismo duro e frio e a responsabilidade social humana”.

“Nós sabemos falar dois idiomas. Um é o do empreendedorismo selvagem, para negociarmos com as empresas; o outro é o dócil e humano, para lidarmos com as necessidades dos jovens”, brincou.

Para o presidente da Abrinq, o sucesso do projeto se deu pela transformação de uma falsa solução em um problema a ser enfrentado. Em 1995, quando o programa nasceu, lembrou, ainda existia a ideia de que o trabalho infantil, em vez da educação, era a base à formação do cidadão.

“Ao mudarmos esse paradigma, partimos para o enfrentamento da questão, juntamente com outras organizações da sociedade civil, governos, empresários conscientes de seu papel social e cidadãos indignados”, ressaltou.


Identificação
Além da garantia de um cenário socioeconômico mais próspero e equilibrado, as empresas têm outros motivos para apostar no investimento infantil, argumentou o diretor da Área de Responsabilidade Social (ARS) do Ciesp, Vitor Seravalli. Em sua avaliação, atualmente o público se identifica com produtos e marcas ligadas à sustentabilidade.

“As pequenas e micro empresas, principalmente, devem entender que participando desse tipo de projeto incrementam sua competitividade. Já as de grande porte agregam valor ao seu nome, pois as pessoas acreditam que a responsabilidade social é, também, dever da indústria”, ponderou Seravalli.

Apoiado nos dados que expôs durante o encontro, o diretor do Ciesp acrescentou que a iniciativa privada já começou a perceber as vantagens que pode conseguir com a solidariedade. “Em 2009, 880 empresas se credenciaram no programa da Abrinq, espalhadas por 22 estados e 293 municípios.”

Na opinião da diretora do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, Eliane Belfort, a atuação da Abrinq tem sido fundamental para a abordagem dos temas relativos à garantia e manutenção dos direitos das crianças e dos adolescentes. “Suas iniciativas funcionam como pauta e fiscalização para o poder público, antes relegados a segundo plano”, sublinhou.

O mais importante, porém, foi o fato de a entidade conseguir “abrir os olhos” dos empresários e de seus colaboradores para problemas sérios, como o trabalho infantil, destacou Belfort. “O selo fez com que todo cidadão se transformasse em fiscalizador direto das empresas, valorizando a compra de produtos ligados à responsabilidade social”, concluiu.