Mundo globalizado exige das empresas mais tecnologia e iniciativa, afirma diretor da ABRH

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Wolnei Tadeu Ferreira, diretor jurídico da ABRH. Foto: Julia Moraes

Ao discorrer sobre os impactos do RH no desenvolvimento de pessoas e competitividade das empresas, Wolnei Tadeu Ferreira, diretor jurídico da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), considerou que o choque de qualificação se faz necessário a cada dia.

“Temos um problema sério em relação à classificação do Brasil em termos mundiais. O mundo globalizou e os mercados estão cada vez mais próximos”, afirmou Ferreira durante sua participação no Fórum Capital Humano – Ferramentas de Desenvolvimento e Competitividade, realizado nesta terça-feira (02/10) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para ele, a competitividade está em todos os lugares a todo o momento, fator que exige preocupação permanente com custos e adaptabilidade urgente das companhias e dos consumidores. “As empresas buscam saídas para suprir suas necessidades investindo em tecnologias e administrando exigências legais (cotas, novas leis, insegurança jurídica), movendo-se para ambientes mais amistosos ao capital”, comentou o diretor.

Wolnei Ferreira considera que as regras legais mínimas, incluindo as elaboradas e defendidas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), tornam o ambiente hostil ao investimento e trazem insegurança jurídica crescente. “Essas regras exigem derrubar dogmas e avaliar constantemente as condições e imposições para suas iniciativas”, adicionou.

Relações sindicais

A organização sindical tenderá a reconhecer as dificuldades das empresas e a participar das soluções nas questões trabalhistas. Segundo Wolnei Ferreira, as negociações devem desviar-se diretamente para o local de trabalho, dispensando o modelo tradicional. “Como reflexo, as relações de trabalho se darão por meio do fortalecimento sindical, das negociações coletivas e afastamento do judiciário”, sublinhou.

Ferreira analisou ainda os impactos no desenvolvimento de pessoas e na competitividade, que acabam levando a uma inversão de valores: a produtividade no Brasil ainda é praticamente a mesma dos anos 70. “Pesquisas recentes mostram que o trabalhador brasileiro rende em média 22 mil dólares/ano para uma empresa que investe. Nos Estados Unidos esse valor chega a 100 mil dólares/ano, apesar de termos jornadas de trabalho até mais elevada do que em alguns países europeus”.

O diretor considerou que é preciso avançar neste sentido e promover uma inversão de valores, isto é, atentar-se menos aos números e muito mais com o desenvolvimento de carreira e promoção, o que seria muito mais valioso.

“O desenvolvimento das empresas está acontecendo de forma precipitada. As pessoas estão sendo elevadas muitas vezes na posição de chefia por falta de mão de obra qualificada, o que resulta em uma má gestão e acarreta em conflito dentro das empresas”, avaliou.