Indústria precisa crescer para que a economia brasileira volte a expandir

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A retomada do crescimento econômico brasileira pode ficar fora do “alcance de nossa vista” se o Brasil priorizar a discussão de reformas (política, tributária, previdenciária, entre outras). A avaliação é do diretor do Departamento de Economia da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mario Bernardini.

Bernardini: é uma deformação ter a taxa Selic seis pontos acima da inflação. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

“Para [a economia] se desenvolver é preciso fazer a indústria voltar a crescer e, por outro lado, precisa haver um investimento forte em infraestrutura”, disse o representante da Abimaq ao participar da reunião mensal do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), presidido por Antônio Delfim Netto.

Bernardini reiterou que os dois principais entraves à retomada de crescimento da indústria são o desalinhamento cambial e a elevada taxa de juro.

“Para crescer, eu preciso de um câmbio administrado não para baixo como foi nos últimos 30 anos, mas administrado para cima. E por que reduzir a Selic? Primeiro porque é uma deformação ter uma Selic seis pontos acima da inflação, nenhum país do mundo a tem”, afirmou o diretor da Abimaq.

Ele também engrossou o coro do setor produtivo de que a queda da taxa de investimento no país é um forte indício de arrefecimento da economia. A Fiesp estima que a taxa de investimento deve encerrar perto de 17% do Produto Interno Bruto (PIB), inferior ao patamar de 18,4% registrado em 2013 e bem abaixo do projetado no Plano Brasil Maior, o qual apontava para 22,4% do PIB.

“O fato de as empresas não ganharem dinheiro faz com que elas não invistam. E isso reduz fortemente o investimento, mais que a Poupança”, reiterou.

O presidente do Cosec, Delfim Netto, afirmou ser importante insistir na retomada do crescimento da indústria como principal via de expansão econômica do país.

“Acredito que o Bernardini insistiu no que deve insistir mesmo. Sem que a gente volte a expandir a indústria, não há solução”, concluiu o ex-ministro.