Empresas preparadas para gerir gases de efeito estufa terão vantagens competitivas, afirma diretor da Fiesp em seminário

Ariett Gouveia e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Foi realizado nesta quarta-feira (04/09), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o seminário “Gestão dos gases de efeito estufa: um novo mercado para pequenas e médias empresas”.  O encontro foi mediado por Mario Hirose, diretor da divisão de Mudanças Climáticas do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da instituição.


Hirose abriu o seminário realizado na Fiesp

Hirose abriu o seminário realizado na Fiesp. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Durante seu discurso, Hirose ressaltou a importância do tema.  “A Fiesp  sabe que questões relacionadas à gestão dos gases de efeito estufa são de extrema importância para a competitividade de um novo mercado que está surgindo”, afirmou.

Segundo Hirose, já em 2014 muitas empresas vão exigir a contabilização dos efeitos dos gases estufa por parte de empresas fornecedoras. “Sendo assim, as empresas preparadas para essa demanda serão diferenciadas e terão vantagens competitivas”.

De acordo com o diretor do departamento, países como China e Estados Unidos começam, nesse momento, a dar mais atenção a esse tema, que “está muito próxima de toda a cadeia produtiva da indústria”.

Para ele, todas as cadeias produtivas precisam estar preparadas para o novo mercado que está nascendo. “A gestão do gás é uma das ações estratégicas das grandes empresas. Entretanto, sua implantação e difusão é ainda um desafio para as empresas de menor porte”, afirmou.

Hirose falou também sobre as ações realizadas DMA/Fiesp. “Preparar os empresários e empresas para uma atuação melhor na questão ambiental é um dos focos. A questão ambiental é uma questão de sobrevivência e competitividade para algumas empresas”.

Ao participar do seminário, Marco Antonio dos Reis, diretor titular adjunto do Departamento de Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp, explicou a atuação do departamento.

“Noventa e nove por cento  das indústrias, das 100 mil que existem no Estado de São Paulo, são pequenas e médias. Trabalhamos para representar esse setor tão importante da economia. Capacitamos empresas e sindicatos. Realizamos salas de crédito e, anualmente, fazemos o Congresso das Pequenas e Médias Indústrias, que acontece dia 10 de outubro”, disse.

Em seguida, Júlio Jemio, consultor do projeto da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de fomento e gestão dos gases de efeito estufa, explicou o funcionamento do projeto. “O projeto do ABNT/BID visa conscientizar as pequenas e micro empresas sobre a importância da gestão consciente dos gases de efeito estufa.”

Jemio: projeto do ABNT/BID visa conscientizar pequenas e micro empresas. Foto: Julia Moraes.

Jemio: projeto do ABNT/BID visa conscientizar pequenas e micro empresas. Foto: Julia Moraes.


Jemio detalhou objetivos da empreitada: “preparar a ABNT para ser o primeiro organismo para a validação e verificação de gases de efeito estufas na indústria brasileira, disseminar informações e conhecimentos do projeto e, por fim, desenvolver a implantação do Programa de Gestão dos Gases do Efeito Estufa em pequena e média empresa”.

No fechamento do encontro, Stefan Jacques David, consultor de sustentabilidade e meio ambiente da Abividro e gerente de negócios da MGM Innova, trouxe um pouco da sua experiência nas duas instituições para alertar os empresários sobre a necessidade de “fazer a lição de casa” com relação às emissões de carbono. “Muitos disseram que as mudanças climáticas eram balela, interesses de determinado país, mas isso é passado, ficou para trás. Não se discute mais isso, é irreversível. A questão, agora, é como se preparar para o cenário regulatório e para a competição internacional, em que o carbono já faz parte”, declarou.

“Se eu quiser me preparar para o futuro, eu preciso aprender a gerenciar as emissões de carbono. Não adianta só pensar em eficiência energética e melhoria de processos. Se não trabalhar na gestão do carbono, provavelmente, vai ter problemas”, concluiu.

Gás natural: especialistas sugerem medidas para desenvolver mercado no Brasil

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

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Painel destacou importância do gás natural para o desenvolvimento econômico e aumento da competitividade da indústria brasileira. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Com pontos de vista do governo federal, de representantes da indústria e empresas da área de energia, foi realizado na manhã desta terça-feira (06/08), o seminário “Aumento da oferta e desenvolvimento do mercado: quando o sonho se tornará realidade?”, para debater as perspectivas do gás natural no Brasil.

O evento fez parte do 14º Encontro de Energia, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A coordenação do seminário foi do diretor da Fiesp, José Eduardo Otero Vidigal Pontes.

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Amilcar Gonçalves: EPE projeta crescimento da produção potencial em torno de 12% ao ano. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Todos os palestrantes falaram sobre as dificuldades do mercado de gás natural no Brasil e também foram unânimes em ressaltar a importância dessa matriz energética para o desenvolvimento econômico e aumento da competitividade da indústria brasileira.

O diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Amilcar Gonçalves Guerreiro, apresentou estudos e projeções realizadas pela empresa. “A nossa perspectiva, para os próximos 10 anos, prevê o crescimento da produção potencial em torno de 12% ao ano e o aumento da oferta de 7% ao ano.”

“Diante dessas circunstâncias, não mostra uma perspectiva de sobra de recursos nos próximos anos, mas sim de uma situação de equilíbrio”, concluiu Guerreiro.

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Symone Santana: conexão entre indústria de gás e de energia elétrica é um desafio a ser enfrentado. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Trazendo a visão da gestão pública, Symone Christine Santana , diretora do Ministério de Minas e Energia (MME), enumerou ações realizadas pelo governo federal – as rodadas de leilões, entre elas.  Mas recordou que “uma indústria do gás equilibrada não requer somente a mão da União, mas tem também os aspectos que dizem respeito a uma interação com os estados.”

Com base nas rodadas, a diretora do MME também falou sobre a possibilidade de junção da indústria de gás e as termoelétricas. “As recentes mudanças empreendidas no setor elétrico demonstram uma tendência de uma intensificação da geração termoelétrica. Essa conexão entre essas duas indústrias, do gás e de energia elétrica, é um desafio grande que esse governo precisa tratar, do ponto de vista de planejar a energia.”

Quebra de monopólio

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Lucien Belmonte, da Abividro: contra a verticalização no mercado de gás natural. Foto: Julia Moraes/Fiesp

O superintendente da Associação Técnica Brasileira da Indústria de Vidro (Abividro), Lucien Belmonte, tem expectativas pessimistas, a curto e médio prazo, para o mercado de gás natural.

Ele citou o shale gas americano, usado não só de forma econômica, mas geopolítica. “Quando vocês olham as discussões de reservas internacionais de shale gas, a maior é a da China. Se a China começar a achar shale e se livrar das restrições ambientais que ela tem de produzir tudo com carvão, e se tiver um insumo barato, o que vai acontecer com o Brasil? Vai sobrar alguma coisa de indústria para gente?”, questionou.

Belmonte cobrou uma maior participação do Estado para buscar a quebra de monopólio da Petrobras. “Um player único não vai adiantar. A Petrobrás legitimamente defende seu mercado. Quem deveria proibir é o Estado, que deveria estar pensando de uma forma mais estratégica a questão dos insumos. Proibir a verticalização entre produção, escoamento, transporte e distribuição. É um ponto fundamental: a quebra desses monopólios sucessivos na mão de um agente.”

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Marco Tavares, CEO da Gas Energy: "É preciso ter a visão do gás como matriz energética." Foto: Julia Moraes/Fiesp

Marco Tavares, CEO da Gas Energy, também defendeu mudanças para o mercado de gás para garantir a sobrevivência da indústria nacional. “A gente tem um trem vindo contra nós e estamos parados olhando esse trem chamado competitividade. O Brasil está caminhando diretamente para a perda completa da competitividade industrial.”

Para Tavares, é preciso ter a visão do gás como matriz energética. “Temos uma demanda reprimida e uma oferta excedente. Temos que equilibrar e buscar esse desenvolvimento da demanda, de forma estruturada e pensada. Devemos atacar o problema com duas medidas fortes: buscar mexer na política setorial e com uma nova regulação”, afirmou. “Precisamos fazer o choque de oferta chegar ao mercado.”

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