Artigo: O setor têxtil e o compromisso com a Responsabilidade Social

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foto: MARCELO SOUBHIA/AG/FOTOSITE

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Rafael Cervone Netto

Antes de iniciar a leitura deste artigo, sugiro uma breve reflexão para observar o ambiente a seu redor e perceber o quanto a indústria têxtil e de vestuário está presente em nossas vidas. Muito além das nossas roupas, os nossos produtos revestem móveis, protegem-nos do sol, estão em nossos calçados. Para além das fronteiras de nossa visão, percebemos que materiais têxteis estão presentes nos meios de transporte, nas edificações, no agronegócio e em muitos outros processos industriais. Se expandirmos ainda mais nossa observação, é possível notar que, não importa o tamanho de uma cidade, sempre haverá algum negócio relacionado ao setor, seja uma oficina de costura ou uma pequena loja de bairro. Seria difícil imaginar um mundo em que não houvesse produtos têxteis a nosso dispor para criarmos as mais variadas soluções e atendermos a diversas necessidades essenciais.

É por isso que nos orgulhamos tanto de representar um setor que conta com mais de 33 mil empresas em todo o território nacional e emprega, direta e indiretamente, cerca de 6 milhões de pessoas, é o quarto maior parque industrial do mundo e abriga a maior cadeia produtiva integrada do hemisfério ocidental. Tamanha capilaridade só demonstra a importância do setor em termos de empregabilidade, bem-estar social e responsabilidade ambiental.

Diante destas ordens de grandeza e de outros números conhecidos, torna-se evidente a importância do compromisso do setor com o desenvolvimento sustentável, norteado pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e por nossa Visão de Futuro para 2030. É preciso muito engajamento para tornar a agenda positiva uma realidade presente em todas as regiões do país – e vontade de mudar para melhor é o que não falta.

Com o propósito de fazer com que a responsabilidade social seja cada vez mais presente na atuação das empresas, a Abit vem trabalhando em uma série de iniciativas para discussão e disseminação de melhores práticas. Nos últimos 5 anos, nota-se um aumento relevante na percepção de conceitos mais amplos de sustentabilidade por parte das empresas, assim como o interesse destinado a projetos e iniciativas que contemplam melhorias nas relações de trabalho e com o entorno, mesmo nossas empresas concorrendo, frequentemente e de maneira desleal, com países que não respeitam conceitos básicos de sustentabilidade e de trabalho decente. Algumas dessas iniciativas, são:

Condições de trabalho

É esperada a correta conduta de uma empresa em relação a tópicos relacionados a direitos trabalhistas, procedimentos contra a discriminação (por motivos de gênero, idade, nacionalidade, etnia, orientação sexual, origem social) abusos, assédios (moral e sexual) e permissão de livre associação. Todas as empresas do setor devem estar atentas às condições de trabalho que oferecem a seus funcionários.

Trabalho forçado ou análogo ao escravo

O combate ao trabalho forçado ou análogo ao escravo é realizado por meio do monitoramento das relações de trabalho internas e em fornecedores. Devem existir ferramentas capazes de detectar jornadas exaustivas (em que o trabalhador é submetido a esforço excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarreta danos à sua saúde ou risco de vida), trabalho forçado (manter a pessoa no serviço por meio de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas), servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele) e contratação de trabalho estrangeiro irregular. Este tema é de estrema relevância, principalmente no segmento de confecção, uma vez que as empresas estão pulverizadas pelo território nacional, o que dificulta a fiscalização pelo poder público.

Trabalho infantil

O combate ao trabalho infantil parte do monitoramento das relações internas de trabalho, assim como dos fornecedores. Empresas de qualquer setor devem atender à legislação brasileira, que determina a proibição de contratação de menores de 16 anos, salvo na condição de contratos de aprendizagem.

Responsabilidade Social

Ações e projetos voluntários, internos e externos, devem gerar impactos sociais positivos. Programas de capacitação e desenvolvimento, estímulo à promoção de exercícios físicos, doações de produtos e recursos financeiros para organizações da sociedade e mobilização do trabalho voluntário são exemplos destas ações. O engajamento de todas as empresas do setor é essencial para a garantia do bem-estar coletivo.

Comunidade

Considera-se essencial o mapeamento e o monitoramento dos impactos da empresa em seu entorno, uma vez que ruídos e odor, por exemplo, podem afetar a vida nas comunidades vizinhas, além de representar riscos para a imagem da empresa. O tema do trabalho decente é prioritário para a Abit, por questões de dignidade humana e econômicas, principalmente em relação ao setor de vestuário, visto que é intensivo em mão de obra.

Conferências Anuais da Organização Internacional do Trabalho

A sensibilidade do setor de vestuário em relação a condições de trabalho é evidenciada em espaços de enorme relevância sobre o tema, como as Conferências Anuais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que teve como principal tema, em 2014, o Trabalho Forçado e, em 2016, as Cadeias Globais de Valor. Ainda em 2014, a OIT organizou um Fórum de Diálogo Global sobre salários e tempo de trabalho nos setores de têxteis, vestuário, couro e calçados.

A Abit teve a oportunidade de participar desses encontros e reforçar que, em um setor intensivo em mão de obra, no qual há grande concorrência e os produtos são cada vez mais globais, é fundamental que as condições sociais, trabalhistas e ambientais de produção respeitem um patamar mínimo internacional, considerando o nível de desenvolvimento de cada país.

Manufatura Avançada ou 4.0

A indústria e o varejo de produtos têxteis e confeccionados estão passando por grandes mudanças, e é sabido que a competitividade das empresas dependerá de novos padrões de produção, assim como novas relações de trabalho e comercialização ao longo da cadeia de valor. Entre outros benefícios, estratégias de sustentabilidade proporcionarão processos mais eficientes, redução de custos, diferenciação no mercado e relacionamentos mais sólidos e de longo prazo entre empresas de diferentes elos da cadeia. Isto é, o potencial da sustentabilidade como impulsionadora da competitividade é incontestável.

A indústria têxtil e de confecção já deu início a um grande salto qualitativo em direção às categorias de maior emprego de ciência e tecnologia, capacitando-se para desenvolver sistemas cyberfísicos, Internet das Coisas e dos Serviços, e automação modular em suas linhas fabris, inserindo-se no novo universo da manufatura avançada e da economia digital.

A diversidade de produtos com tecnologias vestíveis e o emprego de biotecnologias e materiais inovadores criarão demandas por têxteis inteligentes e funcionais, aumentando exponencialmente a diversidade e a intensidade tecnológica de fios, tecidos e roupas, exigidos para atender às novas necessidades de consumo, para as quais devem convergir cadeias produtivas economicamente viáveis, socialmente justas, politicamente corretas e ambientalmente sustentáveis, agregando valores ao planeta e à sociedade.

Entretanto, este enorme esforço de nada adiantará se não nos valermos de toda esta tecnologia para valorizar e alçar a um novo patamar aquele que é, certamente e de longe, o nosso maior patrimônio : o ser-humano – aquele que faz e continuará fazendo toda a diferença para o sucesso e o futuro da nossa humanidade. Que tenhamos a consciência e a sensibilidade de sempre valorizá-lo e agradecê-lo por todas as nossas conquistas!

*Rafael Cervone Netto é 3º vice-presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP), engenheiro têxtil, membro do ITMF -International Textiles Manufactures Federation, membro do CONEX – Conselho de Comercio Exterior (MDIC), que assessora o Comitê Executivo de Gestão do Conselho de Ministros da CAMEX, presidente emérito do Conselho de Administração, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – ABIT.

Comitê do setor têxtil da Fiesp discute agenda para acelerar crescimento

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O Mapa Estratégico da Indústria: 2018-2022 foi o tema da apresentação feita nesta terça-feira (24 de abril) durante reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário da Fiesp (Comtextil) por Rafael Cervone Netto, 3º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, e por Haroldo da Silva, chefe do Departamento de Economia da Abit.

“Precisamos de uma espécie de plano real da nossa competitividade”, disse Silva, que mostrou a perda de posições do país no ranking de competitividade.

Sem as ações recomendadas pelo Mapa, o Brasil levaria 50 anos para chegar a US$ 30.000 de PIB per capita, contra 24 anos com Mapa, que indica crescimento do PIB de 4% ao ano (contra 2% no cenário sem Mapa). Para atingir os US$ 50.000 de renda per capita dos EUA, seriam 85 anos sem Mapa e 38 com.

O estímulo à indústria pode corrigir um desvio de rumo do país. “Estamos deixando o Brasil se desindustrializar com PIB muito menor do que tinham outros países quando passaram por esse processo. E os outros setores não respondem”, explicou Cervone.

Vários temas são considerados no Mapa, como segurança jurídica, educação, indústria 4.0, recursos naturais e meio ambiente, corrupção, que afasta investimentos e impede que as indústrias sejam competitivas.

Desburocratização passou a ser um dos temas, porque lembrou Silva muitas empresas têm departamentos jurídicos maiores que os de vendas, por conta das obrigações acessórias.

As cinco prioridades do estudo são:

Sustentabilidade fiscal: Previdência e gastos (para que o governo não concorra por crédito escasso);

Ambiente de negócios: desburocratização;

Reforma tributária;

Governança e segurança jurídica;

Reindustrialização via produtividade e inovação

Em relação ao aumento da segurança jurídica, um dos pontos é a previsibilidade e qualidade das normas. Cervone destacou a existência em outros países de duas janelas anuais para adoção de normas. Também a previsibilidade em sua aplicação, e a redução da judicialização. Silva ressaltou que o Brasil perde continuamente posições no ranking de segurança jurídica.

Perspectivas para o setor

O setor têxtil em 2017 faturou R$ 144 bilhões e pagou R$ 16 bilhões em impostos e teve R$ 1,9 bilhão em investimentos. Para 2018 a previsão é 2% de crescimento no vestuário e de 4% na produção têxtil, com a criação de 16.000 empregos, em ano caracterizado pela alta velocidade de importação e pelo varejo andando de lado.

Pesquisa conjuntural da Abit mostra melhora no ambiente de negócios (março de 2018 comparado a março de 2017). Neste ano 49% (contra 38%) veem produção acima do nível esperado, e 54% (contra 42%), vendas acima do esperado. Apenas 4%, contra 14%, pretendem demitir. Para 36%, os investimentos devem ser acima do planejado (20%). Para 21% a inadimplência está acima do esperado (contra 39%). E 79% (contra 75%) indicaram intenção de inicia processo de exportação.

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Reunião do Comtextil com a participação de Rafael Cervone. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Projetos da Abit atacam 10 frentes de trabalho que podem impulsionar o setor. Um deles é a evolução da cadeia de valor, pela maximização do valor adicionado. Outro é a capacitação, para por meio de programas de qualificação melhorar habilidades e produtividade. Cervone destacou ações para auxiliar as indústrias na migração para a Indústria 4.0. Financiamento, matérias-primas, marketing, integração global também fazem parte das frentes. São temas com um projeto ou mais cada, explicou.

Tendo como objetivo chegar à indústria 4.0, há a passagem por por programas como o Brasil mais Produtivo, que podem ajudar muito na produtividade, com baixo custo. É um plano de futuro para a indústria têxtil, explicou Cervone, reforçando o elo mais fraco, que é a confecção.

Silva recomendou a leitura do livro A quarta revolução industrial, disponível para download no site da Abit.

Legislativo

Cervone e Silva também falaram sobre assuntos de interesse do setor em discussão no Congresso. CNI e Abit têm em sua pauta mínima da agenda legislativa a desconsideração da personalidade jurídica. O PLC em debate traz clareza ao tema e deve entrar em pauta esta semana.

No PL 6897 são estabelecidos requisitos objetivos para o embargo ou interdição de estabelecimentos.

Outro tema é a nova proposta de reforma tributária (PEC 31/2007). A PLS-C298/2011 reduz a excessiva fragilidade do contribuinte diante do Fisco e diminui a insegurança jurídica quanto a obrigações e direitos tributários, funcionando como uma espécie de Código de Defesa do Contribuinte.

Elias Miguel Haddad, diretor titular do Comtextil, destacou a importância da reforma tributária para o setor.

Cervone lembrou que o ambiente é hostil aos empreendedores no Brasil. Defendeu a simplificação e a melhora do ambiente de negócios.

Formação

Professora da Fatec há 31 anos, Maria Adelina falou na reunião do Comtextil sobre o desafio da formação de profissionais para a indústria têxtil. A captação de alunos na Fatec de Americana é dificultada pelos problemas do setor. Convidou os empresários do Comtextil a estimular funcionários a se inscrever no vestibular para o segundo semestre de 2018, cujas inscrições estão abertas até 8 de maio. www.vestibularfatec.com.br

A forma de se comunicar com os jovens é questão essencial para sua atração, afirmou Cervone.

Regime Tributário Competitivo para a Confecção é considerado prioritário para comitê da Fiesp

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Em 2014, o setor têxtil brasileiro angariou números expressivos. Foram US$ 54,5 bilhões em faturamento, somando 33 mil empresas com mais de cinco funcionários, gerando 1,6 milhão de empregos diretos e R$ 18 bilhões em salários. Mas, ainda em 2014, quase 21 mil postos de trabalho foram eliminados.

A arrecadação tributária tem crescido mesmo nesse cenário complexo e há duas explicações: concentração no varejo e a participação de importados que cresce sucessivamente. Em 2003, a fatia do mercado de varejo da confecção importada era de 1,26% e se elevou para 15%, em 2014, um crescimento da ordem de 614% em 9 anos.

Como a carga tributária sobre o setor é forte ponto de atenção, a reunião da terça-feira (19/5) do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtêxtil) da Fiesp debateu a proposta do Regime Tributário Competitivo para a Confecção, o RTCC.

O regime tributário tem como objetivo dar fôlego e viabilizar o retorno de unidades produtivas de confecções, no Brasil, com escala, a fim de fazer frente à concorrência externa. Outro ponto relevante é ser o principal fornecedor das varejistas nacionais e internacionais que se expandem cada vez mais no país e, uma terceira finalidade da proposta, aumentar a capacidade de exportação do setor, aquecendo os elos da cadeia.

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Comtêxtil da Fiesp debateu a proposta do Regime Tributário Competitivo para a Confecção, o RTCC. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) indicou que a carga tributária sobre a confecção de vestuário se situa em 17% sobre a receita bruta de empresas com cinco ou mais funcionários. Com o RTCC, haveria redução da carga tributária federal a 5% sobre a receita bruta, com regime de recolhimento único a ser pago mensalmente.

“A medida aumentaria a arrecadação do governo e geraria empregos, prestigiando a confecção, elo da cadeia têxtil”, afirmou o economista da ABIT, Haroldo da Silva, também integrante do Comtêxtil, que apresentou os dados setoriais.

Elias Haddad, coordenador do comitê, frisou que, entre os pleitos do setor, os esforços estão concentrados em torno do RTCC. Também esteve presente ao debate, o presidente da ABIT e vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone.

‘Não vamos mudar a economia sem produtos que agreguem valor’, diz diretor da Abit

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A inovação têxtil e a necessidade de estimular o setor, inclusive com mudanças tributárias, estiveram no centro dos debates da reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde desta terça-feira (15/04). Convidado a falar sobre o assunto, o diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) Fernando Pimentel apresentou os principais temas debatidos na última edição do “Fórum Internacional de Inovação Têxtil: Presente e Futuro”, realizado na capital carioca, nos dias 8 e 9 de abril.

“Poucos países do mundo têm a mesma estrutura da cadeia têxtil e de confecção do Brasil”, disse Pimentel. “Buscamos a agregação de valor para dar conta do recado. Não vamos transformar a economia sem produtos que agreguem valor”.

O diretor da Abit lembrou que o Brasil é o quarto maior produtor mundial do setor, com um faturamento de US$ 56 bilhões em 2013. Uma produção vendida em 140 mil lojas em todo o país, num cenário em que a participação dos importados no total comercializado chega a 12,5%.

Com foco na busca por maior valor agregado, Pimentel destacou as oportunidades nas áreas de fibras e fiação, com o crescimento das chamadas fibras químicas. Segundo Pimentel, setores como os de esportes, aeroespacial e de defesa oferecem muitas oportunidades para esses tecidos técnicos.

Pimentel: oportunidades oportunidades nas áreas de fibras e fiação, com o crescimento das fibras químicas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Pimentel: oportunidades são boas nas áreas de fibras e fiação. Foto: Everton Amaro/Fiesp


“Estamos oito anos atrasados em termos de tecnologia no Brasil”, afirmou o diretor da Abit. “É um atraso tecnológico. Com tantos problemas e uma carga tributária cavalar, sobra menos tempo e dinheiro para investir em outras áreas, mas o mundo não está parado esperando pela gente”, destacou.

Mediador do encontro, o vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comtextil, Elias Miguel Haddad, também reforçou a importância de ir em busca das oportunidades. “Entretanto, por estarmos defasados oito anos, isto significa que temos muito a crescer, é um desafio que teremos que superar”.

Regime Tributário Competitivo

Haddad: questão tributária merece toda a atenção e esforço. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Haddad: questão tributária merece toda a atenção e esforço. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Na segunda etapa da reunião, entrou em pauta o Regime Tributário Competitivo para a Confecção (RTCC). Para Haddad, o tema é “vital e merece toda a nossa atenção e esforço, já que resolverá grande parte dos nossos problemas”.

Do que se trata, afinal? “É uma espécie de Simples sem limite de tamanho de empresa”, explicou Pimentel.

Assim, conforme o diretor da Abit, se a carga tributária para o setor está hoje em 17%, com o RTCC pode ser de 5%. “Em 2025, com uma carga de 5%, a produção será 126% maior”, afirmou.

E mais: haveria ainda um incremento de 1,1 milhão de empregos formais e US$ 7,7 bilhões em investimentos no país por conta da mudança tributária.

Presidente da Abit defende competitividade em reunião plenária do Comtextil na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O setor têxtil brasileiro perdeu a competitividade interna e precisa agir o quanto antes para recuperar sua força, analisou na tarde desta terça-feira (18/03) o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Rafael Cervone, em reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em encontro na sede da entidade.

Para o dirigente, também vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), é necessária a busca pela sinergia entre todos os estados da federação, para que o setor consiga se reerguer.

Entre as principais metas de Cervone à frente da Abit estão a criação de uma linha do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que possa atender o setor no âmbito de fusões e aquisições.

Além disso, Cervone julga fundamental a inclusão da área no programa federal “Minha Casa Melhor”.

Da esquerda para a direita: Pimentel, Cervone e Haddad: sinergia em nome do setor. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Da esquerda para a direita: Pimentel, Cervone e Haddad: sinergia em nome do setor. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Negociações internacionais com blocos como Mercosul e União Europeia, o combate a produtos estrangeiros e a redução de energia também fazem parte da agenda de Cervone.

Regime tributário mais competitivo

Para Fernando Pimentel, superintendente da Abit, o setor precisa urgentemente receber do governo federal um regime tributário mais competitivo, que possa reforçar e devolver a competitividade à indústria nacional.

Outro assunto que “aflige os dirigentes da cadeia produtiva”, segundo Cassius Zomignani, diretor do Departamento Sindical (Desin) da Fiesp, á a chamada Norma Regulamentadora 12 (NR 12).

Um dos expositores do encontro, Zomignani explicou que a norma, publicada em dezembro de 2010, gera altos custos para as indústrias e empresas. E não respeita as demandas do setor.

“(A norma) impede a inovação e criação dos maquinários da cadeia”, disse.

Para ele, a saída é uma reformulação ampla da norma, que leve em consideração as reais demandas dos agentes da cadeia produtiva.

Segundo Elias Miguel Haddad, coordenador do Comtextil, o objetivo principal da reunião foi “estreitar o relacionamento com a Abit, que atua em nível federal, procurando convergir as forças do setor”.

Presidente da Fiesp participa confraternização de final de ano da Abit e do Sinditêxtil-SP

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, participou na noite de quarta-feira (04/12) do coquetel de confraternização da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de São Paulo (Sinditêxtil-SP).

Presidente emérito da Abit, Skaf foi convidado a entregar a medalha do Mérito Abit ao presidente do Conselho de Administração da entidade, Aguinaldo Diniz Filho, que recebeu também um quadro em sua homenagem.

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Na foto, da esquerda para a direita: Paulo Skaf, Aguinaldo Diniz e o 3º vice-presidente da Fiesp, Josué Christiano Gomes da Silva. Foto: Tamna Waqued/Fiesp

Membros do Comtextil debatem situação da cadeia produtiva em reunião na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) se reuniu no fim da tarde desta terça-feira (17/09) para discutir a atual situação do setor.

Um dos primeiros membros a se posicionar durante o encontro, o coordenador adjunto do comitê, Ronald Moris Masijah, resumiu a sua opinião sobre a situação da cadeia produtiva. “Tenho uma sensação ruim quanto ao setor, que se dizima a cada ano que passa. Cada vez mais empresas se desmancham e se transformam em pequenas indústrias, importando insumos”, disse.

Para Masijah, a única saída possível é a união. “Precisamos agir conjuntamente, em busca de um denominador comum para todo o setor”.

Para o também coordenador adjunto do Comtextil Heitor Alves Filho, o setor precisa de uma representatividade maior. “Acredito que seja urgente termos uma bandeira forte na Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit)”, opinou.

Da esquerda para a direita: Haddad, Alves Filho e Masijah na reunião do  Comtextil. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Da esquerda para a direita: Haddad, Alves Filho e Masijah na reunião do Comtextil. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Rogério Kadayan, também membro do grupo, ressaltou a dificuldade encontrada pelo setor de tecelagem. “Vemos colegas que passam a ser importadores ao invés de produtores. Foram inúmeras as tecelagens que fecharam as portas somente nesses últimos anos”.

Renato Boaventura, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas), também deu o seu veredito. “Para mim, a situação do setor não é ruim, é péssima. Crítica, preocupante, em toda cadeia”, disse.

De acordo com Boaventura, o problema não é enfrentado apenas no Brasil. “A Coreia e a China também enfrentam problemas semelhantes aos nossos”.  Para ele, a saída para a crise enfrentada por toda a cadeia produtiva é “buscar incessantemente por inovação e competitividade”.

Elias Haddad, coordenador do comitê, presidiu o encontro e fez um balanço do debate. “Foi uma reunião de reflexão, de análise do desempenho do setor e do comitê durante este ano”, concluiu.

José Alencar recebe a primeira Medalha do Mérito Abit

Agência Indusnet Fiesp 


A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) homenageou, na noite de quarta-feira (31/3), o vice-presidente da República, José Alencar, em sua sede, na cidade de São Paulo.

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Na foto à esquerda, o vice-presidente José Alencar agradece homenagem prestada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). À direita, ele recebe os cumprimentos de Paulo Skaf, presidente emérito da entidade e presidente da Fiesp. Foto: Vitor Salgado


O empresário é intimamente ligado ao setor: em 1959 teve uma loja de tecidos, e em 1967 fundou a Companhia Tecidos Norte de Minas (Coteminas). Por isso, ele foi escolhido para ser o primeiro a receber a Medalha do Mérito Abit, criada no ano passado, e entregue pelo presidente da entidade, Aguinaldo Diniz Filho.

“Agradeço a homenagem da Abit, que até hoje eu chamo de conselho nacional da indústria têxtil, da qual tenho muito orgulho de ter sido vice-presidente”, afirmou Alencar.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que também é presidente emérito da Abit, participou da cerimônia. E ressaltou: “José Alencar é referência como cidadão, como homem público, como empresário. É referência de honestidade, de transparência, de lealdade, de coragem, de posições firmes”.

José Alencar também foi homenageado pela Fiesp, em novembro de 2009.

Setor Têxtil

O industrial afirmou que o setor precisa de medidas sérias. “Nós somos a favor da política de câmbio flutuante, mas estamos competindo num mercado em que os países adotam câmbio que favorecem suas empresas e, portanto, desfavorecem a todos os outros. Isto está errado. Não podemos aceitar, temos de denunciar”, afirmou, referindo-se a países como a China, que praticam dumping.

“O setor têxtil é do tempo do império, e precisa ser valorizado. Temos tido um tratamento desigual, pois nós estamos competindo no mercado internacional com empresas que não têm os mesmos problemas que o nosso País”, acrescentou Alencar.

O vice elogiou a atitude do governador de São Paulo, José Serra, que anunciou, na semana passada, a diminuição da alíquota do ICMS de 12% para 7%. “Ele demonstrou sensibilidade para com o setor, mas essa é uma medida isolada. Temos de ter um plano nacional para resolver esse problema”, apontou Alencar.

Presidente da Fiesp recebe homenagem do setor têxtil

Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf recebe homenagem da ABIT e do Sinditêxtil-SP

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, recebeu nesta quarta-feira (5) homenagem da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) e do Sindicato das Indústrias Têxteis de São Paulo (Sinditêxtil/SP), na sede das entidades, em São Paulo.

Skaf, que já presidiu ambas as instituições e é presidente emérito da Abit, recebeu a deferência pelos anos dedicados ao setor têxtil e de confecções do País. Em reconhecimento, o nome da sede passou a se levar seu nome. Estiveram presentes à cerimônia cerca de 400 pessoas, entre empresários, políticos e profissionais do setor têxtil e de moda.

Representando o setor têxtil, os presidentes da Abit, Aguinaldo Diniz Filho, e do Sinditêxtil/SP, Rafael Cervone Netto, lembraram a trajetória profissional de Skaf e ressaltaram sua marcante passagem pelo setor. Ao presidir a Abit e o Sinditêxtil, de agosto de 1998 até o final de 2004, Skaf introduziu o conceito de cadeia produtiva, promovendo a união de todos os seus elos.

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Da esq. p/ a dir.: Mônica Serra, primeira-dama do Estado de São Paulo; Aguinaldo Diniz Filho, presidente da ABIT; Paulo Skaf, presidente da Fiesp; Rafael Cervone, presidente do Sinditêxtil-SP e Carlos Eduardo Moreira Ferreira, ex-presidente da Fiesp

“Ele valorizou cada segmento, facilitando o contato, a convivência e a negociação permanente. Projetou a cadeia têxtil e de confecção junto aos formadores de opinião e às lideranças do País e do Exterior. Mostrou o setor como criativo, forte e moderno. Tornou realidade a ideia de montar o Fashion Rio”, pontuou Aguinaldo Diniz Filho.

Entre outras realizações, também foram destacadas as atuações de Skaf na criação do Programa “TexBrasil”, em convênio com a Apex e quando, durante a vigência das cotas de produtos têxteis do Brasil junto à União Européia, conseguiu antecipar o seu fim, dando fôlego às exportações brasileiras.


Compromisso com o coletivo

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Ao lado da primeira-dama, Paulo Skaf descerra placa inaugural do auditório que leva seu nome

“Nada mais apropriado do que homenagear Paulo Skaf dando o seu nome a um auditório. Afinal, esse tipo de espaço destina-se ao confronto de ideias, à arte do livre debate, à integração democrática dos seres na busca de um futuro melhor para todos”, discursou Cervone Netto, que também é primeiro vice-presidente do Ciesp. “O Paulo sempre foi assim, fora do auditório e dentro dele. Alguém compromissado apenas com o coletivo, nunca com o individual”, complementou Cervone.

Emocionado, Paulo Skaf agradeceu e disse que se sente em casa na sede da ABIT, como se estivesse com sua família. “Fiquei aqui mais de seis anos e não houve um único dia que tenha sentido falta de apoio”, declarou. Ele ressaltou o incentivo recebido ao assumir a presidência da Fiesp e lembrou que, hoje, dentre os seis mil voluntários que trabalham na entidade da indústria, muitos são do setor têxtil.

Skaf aproveitou para destacar o trabalho que a indústria tem feito pela educação, por meio do Sesi e do Senai de São Paulo. “Em nossa gestão, priorizamos a educação, o treinamento e a inovação. No Sesi, implementamos o ensino em tempo integral para cerca de 120 mil alunos e estamos construindo cerca de 100 novas escolas para abrigar este modelo. Também investimos maciçamente na formação profissional. Neste ano bateremos um recorde de matrículas no Senai, com 1,5 milhão de alunos”, destacou o presidente da Fiesp. “Se o Brasil quiser sair reposicionado da crise, educação, tecnologia e inovação são o caminho”, concluiu.

Durante o evento foi apresentado um vídeo com depoimentos de empresários do setor têxtil que atuaram junto a Skaf durante sua gestão no comando da ABIT e do Sinditêxtil-SP.

Também participaram da homenagem a primeira-dama do Estado de São Paulo, Monica Serra, o ex-presidente da Fiesp, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, e o deputado federal da região de Americana, tradicional do setor têxtil, Vanderlei Macris (PSDB-SP).