‘Tecnologia é um gargalo para nós’, afirma diretor da Abimaq no evento Paulínia Petróleo e Gás

Isabela Barros, de Paulínia, Agência Indusnet Fiesp

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Alberto Machado, da Abimaq: 'Temos que aproveitar toda essa demanda do setor de petróleo para desenvolver o país.' Foto: Fotografe/Zambardi

“Temos que aproveitar toda essa demanda do setor de petróleo para desenvolver o país”.

A afirmação é do diretor executivo do Conselho de Óleo e Gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Alberto Machado. Ele falou sobre a ênfase em conteúdo local e capacidade de fornecimento da indústria nacional na tarde desta quarta-feira (21/08), em Paulínia, durante o “Paulínia Petróleo e Gás”.

De acordo com Machado, o cenário atual para a indústria de máquinas é de “importação crescente e exportação decrescente”. Em junho de 2013, o setor trabalhou com 73% de sua capacidade instalada, 0,3% que em maio e 3,4% menos que em 2012.

“Temos que aproveitar toda essa demanda do setor de petróleo para desenvolver o país”, disse. “Fazer como o [presidente da Fiesp e do Ciesp] Paulo Skaf falou aqui no evento hoje: pensar além da produção.”

Segundo Machado, os fabricantes de máquinas têm tido dificuldade também para manter empregos. O setor fechou o mês de junho com 259,8 mil empregados. “Demitir mão de obra qualificada é uma situação complicada para nós”, disse.

Para o diretor executivo do Conselho de Óleo e Gás da Abimaq, entre as principais dificuldades do setor rumo ao uso de mais conteúdo local está a falta de investimento em tecnologia. “Não se faz conteúdo local de uma hora para a outra”, disse. “E a tecnologia é um gargalo para nós”.

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Alberto Machado: não dá para viver “pendurado” na tecnologia estrangeira. Foto: Fotografe/Zambardi

Para ele, não dá para viver “pendurado” na tecnologia estrangeira. “Ainda somos muito dependentes do exterior”, afirmou.

O chamado “Custo Brasil” também foi apontado como um complicador. “Lá fora tudo custa a metade do preço”.

De acordo com Machado, o uso de mais conteúdo nacional deve envolver “todos os segmentos da indústria”. “O conteúdo local tem que ser estimulado até mesmo junto ao mercado fornecedor”, disse.

Paulínia Petróleo e Gás

Considerado o mais importante encontro do setor na região, o “Paulínia Petróleo e Gás” é uma iniciativa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Além de um congresso, com painéis e debates, a programação inclui rodada de negócios e sala de crédito.

O evento prossegue até esta quinta-feira (22/08) no Theatro Municipal de Paulínia.

Importação cresce 298% em 11 anos, diz consultor da Abimaq

Mario Bernardini, da Abimaq, propõe redução do custo do capital e mudança do piso cambial

Mario Bernardini, da Abimaq, propõe redução do custo do capital e mudança do piso cambial

O saldo negativo da balança comercial da indústria de transformação, de US$ 42,87 bilhões em 2011, já ultrapassou o superávit do setor registrado nos anos de 2004 e 2005.

A informação é do economista Mario Bernardini, consultor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O maior problema do setor, segundo Bernardini, é o aumento contínuo das importações – de 13% ao ano, em média, desde 2000. “Essa perda de competitividade, na realidade, começou nos anos 90. O problema é que esse fenômeno se acentuou na segunda metade da década passada”, explicou o economista da Abimaq durante reunião do Conselho Superior de Economia  (Cosec) da Fiesp, realizada segunda-feira (09/04), em São Paulo.

O principal motivo para a desaceleração do setor, afirmou Bernardini, é a valorização do real frente ao dólar, ampliada em 2008 pela crise financeira mundial. “Na perda de competitividade da indústria brasileira, eu diria que, o câmbio, sozinho, responde por três quartos do problema. A partir de 2004, o câmbio apreciou 60%. É, de longe, o vilão da história”.

Outro fator de influência no processo de desindustrialização, assinalou o economista, é o custo de produção no Brasil. Hoje, em comparação com 2004, a soma dos principais custos representa um aumento de aproximadamente 14 pontos percentuais na composição da Receita Líquida das indústrias instaladas em território brasileiro.

“Primeiro é preciso ter preços baixos para competir. Depois, inovar para continuar competindo”, defendeu o consultor da Abimaq.

Bernardini propõe duas medidas para aumentar a competitividade da indústria brasileira: reduzir em 50% o custo do capital (Selic + Spread), num prazo de um a três anos, e administrar a mudança do piso cambial, no prazo de um ano, para um valor em torno de US$ 2,30.

Empresários: pacote do Governo deixa a desejar

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Presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto: solução passa também pela política cambial

O pacote de incentivos para aumentar a competitividade da indústria, anunciado ontem (03/04) pelo governo federal, não trouxe medidas efetivas para combater a desindustrialização em curso no país. Esta é a avaliação de empresários que participaram do Grito de Alerta, manifesto realizado nesta quarta-feira (04/04) em São Paulo.

Luiz Aubert Neto, da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), disse sentir falta de mais detalhes sobre as ações relacionadas à política cambial. “Com o câmbio desvalorizado entre 1% e 2% ao mês, por exemplo, no final do ano teríamos uma taxa razoável”, sugeriu.

Para Carlos Frederico Faé, empresário do setor têxtil e diretor-titular do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Americana, os incentivos anunciados são válidos, mas ainda são insuficientes para atender às necessidades da indústria.

“Desonerar a folha de pagamento é bom, mas não vai alavancar as vendas e incentivar novos investimentos. Eu deixo de pagar imposto na folha, mas devo pagar sobre o faturamento. O necessário é uma medida mais drástica de redução da carga tributária e simplificação do sistema de tributação. A carga é muito alta e fica impossível competir com os produtos importados”, afirmou Faé.

De acordo com o diretor regional do Ciesp de Botucatu, Edinho Batistão, que atua no segmento de reciclagem, o pacote é uma medida paliativa. “O que a gente reivindica é que o governo mexa em questões estruturais do país. A energia, que é o item mais básico da indústria, é uma das mais caras do mundo. O custo dos transportes também é muito alto”, assinalou. “A indústria pede igualdade de condições para competir com o mercado externo, completou.

Os presidentes da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato; da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa; e do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo (Sinditêxtil-SP), Emílio Bonduk, estiveram entre os milhares de empresários e trabalhadores que participaram do ato no estacionamento da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Nossa Caixa inicia operação com linhas de crédito do BNDES

“Não adianta nada o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ter linha de crédito se os bancos não intermediarem e viabilizarem a operação.”

Com essas palavras, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, abriu o encontro “Banco Nossa Caixa/BNDES/Abimaq – Programa BNDES de Sustentação do Investimento”.

Com a presença maciça de associados que lotaram o auditório da entidade, o evento marcou o efetivo início de operações do banco Nossa Caixa com linhas de crédito do BNDES e contou com a participação dos presidentes do banco Nossa Caixa, Demian Fiocca, e do BNDES, Luciano Coutinho.

Durante o evento foram apresentadas as linhas de crédito que a Nossa Caixa passa a oferecer:

  • BNDES PSI, vinculada ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do governo federal, destinada à aquisição de máquinas e equipamentos, com juros de 4,5% ao ano;
  • PEC BNDES, linha de capital de giro do Programa Especial de Crédito;
  • Linha BNDES PSI FINAME Agrícola, voltada à aquisição de máquinas e equipamentos do setor;
  • Cartão BNDES, para aquisição de bens.

“As linhas são muito robustas e atraentes, e vamos fazer com que elas comecem a operar rapidamente. Estamos muito otimistas com esta parceria”, afirmou Fiocca, anunciando que a expectativa é de que o banco desembolse R$ 200 milhões até o dia 31 de dezembro, prazo final de vigência das linhas.

O presidente da Abimaq parabenizou a Nossa Caixa pela coragem e pela mudança de cultura. “Esta é uma medida fundamental para oxigenarmos o setor. Nunca na história da Abimaq tivemos crédito com estas condições”, declarou Aubert, ressaltando que quem investir agora com certeza estará em vantagem competitiva.

Aos empresários que estão com máquinas paradas e ainda enfrentando momentos difíceis devido à crise, Aubert lembrou que as perspectivas para um futuro próximo são animadoras.

“O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) vai andar. Temos o projeto “Minha Casa, Minha Vida”, que mexe com todo o nosso setor. Temos o pré-sal. E além de tudo isso, 2010 será um ano de Copa do Mundo”, declarou.

“Nossa expectativa é de que os tempos difíceis passem logo”, emendou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. “Quando você tem um horizonte firme de que a melhoria vai acontecer, é possível antecipar decisões de compras de máquinas.”

Coutinho disse ainda acreditar que a economia daqui para frente “crescerá a uma taxa invejável”. “Nos próximos anos, os investimentos em infraestrutura, energia elétrica, projetos de investimentos em logística, construção habitacional, agronegócios, portos, estradas e ferrovias impulsionarão o setor de bens de capital, que produzem máquinas para todos estes segmentos”, acrescentou, salientando que o crescimento do setor de bens de capital é do interesse de todo o País.


Linhas de financiamento

BNDES PSI – Destinado ao financiamento de máquinas e equipamentos novos credenciados no BNDES, oferece acesso às linhas de crédito Finame e BNDES automático, com taxas de juros fixadas em 4,5% ao ano, para aquisição de máquinas e equipamentos e 7% ao ano, para aquisição de ônibus e caminhões. O prazo para pagamento é de dez anos, com carência de até 24 meses.

O valor mínimo para financiamento é de R$ 30 mil e o máximo é de até 100% do valor do bem a ser adquirido, para contratos com micro, pequenas e médias empresas, e de até 80% em financiamentos direcionados às grandes empresas.

Além do financiamento, o BNDES PSI oferece a possibilidade do empréstimo de recursos para capital de giro, com parcela limitada a 50% dos bens para microempresas e a 30% para as pequenas e médias empresas.


PEC BNDES 
– Linha de capital de giro do Programa Especial de Crédito, tem como objetivo promover a competitividade, com financiamento de operações pelaNossa Caixa a partir de R$ 500 mil e valor máximo limitado a 20% da receita operacional bruta da empresa no ano anterior, limitado a R$ 20 milhões.

As taxas cobradas variam de 12,10% a 16,43% ao ano, de acordo com o porte da empresa e análise de risco da operação. O prazo para pagamento é de até 36 meses, com até 12 meses de carência.


PSI Agrícola  
– Por meio da linha Finame Agrícola, a Nossa Caixa financia a aquisição de máquinas e equipamentos do setor agrícola, com taxas de 4,5% ao ano, prazo máximo de 10 anos e carência mínima de três meses e máxima de 24 meses. O valor mínimo do financiamento é de R$ 30 mil e o desembolso máximo depende do porte da empresa ou produtor, atingindo 100% dos itens financiados para produtores rurais, micro, pequenas e médias empresas e 80% para grandes empresas.


Cartão BNDES  
– Com bandeira Visa, o cartão BNDES operado pela Nossa Caixa permite o financiamento de mais de 100 mil bens de produção, exclusivamente por meio do portal do BNDES (www.cartaobndes.gov.br), e é destinado a empresas com faturamento bruto anual de até R$ 60 milhões. As compras feitas por meio do cartão permitem o parcelamento em prazo de três a 48 vezes, com taxa de juros pré-fixada pelo BNDES (atualmente de 0,97% ao mês), com limite de financiamento de R$ 500 mil.


PSI Inovação  
– Tem como objetivo contribuir para o aumento das atividades de inovação no país e para a sua realização em caráter sistemático, incentivando o aumento da competitividade das empresas brasileiras. Sua aplicação se estende a todos os setores da economia, com linhas de apoio que combinam instrumentos de renda fixa e variável. Permite o financiamento não só de itens de produção, mas também de itens intangíveis, como cursos e treinamentos.

Mais informações: www.bndes.gov.br/inovacao


Prazos 
– As propostas de crédito direcionadas à linha PSI deverão ser protocoladas pela Nossa Caixa no banco de fomento até 30 de novembro e as propostas direcionadas ao PEC, até o dia 20 de novembro.

Abimaq prevê queda de 15% no faturamento do setor

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Mario Bernardini

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) queixou-se das ações realizadas até agora pelo Banco Central do Brasil (BC) para conter os impactos da crise financeira internacional na economia brasileira, em específico sobre o setor de máquinas e equipamentos.

No mais otimista dos cenários, a entidade prevê uma queda de 15% sobre o faturamento bruto. Em um ambiente mais pessimista, esta queda pode chegar a 30%.

No início da crise, em outubro do ano passado, o setor contava com 250 mil postos de trabalho. Já em fevereiro esse número caiu para 238 mil, e a entidade diz que ainda poderá cortar outras 25 mil vagas.

Para manter o emprego dos trabalhadores, a Abimaq montou a seguinte equação: se o setor reduzisse seu resultado líquido em 48% em um cenário pessimista (queda do faturamento bruto de 30%); se fossem reduzidos os impostos sobre vendas em 20%, e se derrubassem as despesas financeiras também em 20%, não haveria a necessidade de se fazer ajustes na mão de obra.

Para tanto, a Abimaq sugere que o BC derrube a Selic à metade, além de garantir aos bancos que seus empréstimos realizados para financiar os investimentos no País sejam quitados. “Para o Banco Central, parece que nada aconteceu no Brasil e no Mundo neste último ano”, disse nesta segunda-feira (13) o assessor da presidência para assuntos econômicos da Abimaq, Mário Bernadini, durante reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp.

O executivo da Abimaq explica que a taxa Selic deveria flutuar entre 5% e 7%, o que forçaria os bancos a “sair da zona de conforto”, provocada pelos juros altos, e começariam a captar clientes.


Setor em números


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Público assiste ao evento Foto: Vitor Salgado

Durante a reunião do Conselho, Mário Bernardini expôs sua preocupação com as vendas do setor, que no mês passado apresentou uma forte queda de 30% nas exportações de máquinas e equipamentos, sobre o mesmo período do ano passado. Já em relação a janeiro, a redução foi de quase 12%.

As importações também apresentaram arrefecimento. As compras do exterior do setor caíram 8%, em comparação com fevereiro de 2008, e 19,6% em relação a janeiro último.

Na semana passada, o governo federal publicou a Circular 83, que muda as regras para a importação de máquinas usadas. A medida não agradou o setor, que se manifestou contra a Circular. As medidas foram discutidas entre o setor e a Fiesp, que chegaram a um consenso. As propostas das entidades que alteram alguns pontos da Circular 83 foram entregues, em mãos, para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge.

Nos próximos dias, a Fiesp se reunirá novamente com o MDIC e outros órgãos do governo, além de representantes dos trabalhadores, para a elaboração de um documento final, o que, segundo as entidades representativas do setor, não está longe de ser alcançado.