Cadeia produtiva de papel e celulose divulga dados do 1º quadrimestre do ano

Na primeira semana de junho, o site da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) trouxe notícias sobre os dados de desempenho de alguns setores.

Uma delas é de que a Cia. Suzano foi a única empresa no setor de Celulose e Papel a ter aumento nas vendas de papel. No total, a companhia comercializou  289 mil toneladas, uma alta de 7,2% na comparação anual. Contudo, frente ao quarto trimestre, houve queda de 23,9%, atribuída à sazonalidade.

Outro destaque deste setor foi a queda (de 20%) nas importações brasileiras de papel couchê entre janeiro a abril deste ano, em comparação ao mesmo período de 2013. O resultado é atribuído à criação de novas regulamentações, que estabeleceram instrumentos de fiscalização e medidas de controle do uso do papel imune, entre elas a obrigatoriedade da rotulagem das embalagens.

Mais detalhes sobre essa notícia, clique aqui.

O segmento de papel ondulado, um importante setor no mercado das embalagens, registrou sua primeira queda em 2014. Segundo a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), em abril, as vendas de papelão ondulado somaram 275,990 mil toneladas, um recuo de 5,24% na comparação com abril de 2013 e queda de 2,79% frente a março de 2014.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2014, as vendas totalizaram 1,102 milhão de toneladas de papelão, o que representa uma alta de 0,85% ante 2013.

Para saber mais sobre esses dados, clique aqui.

 

Entidade orienta indústrias gráficas a seguir padrões de impressão de códigos de barras

Agência Indusnet 

A Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abrigraf) firmou parceria com GS1 Brasil – o braço brasileiro da entidade que instituiu o sistema que define a padronização única e global para os códigos de barra impressos nas embalagens dos produtos.

A parceria tem como principal objetivo orientar as empresas do setor sobre a adoção das recomendações necessárias que garantam a leitura do código já na primeira tentativa.

Segundo o portal da Abigraf, o varejo chega a perder 26% da produtividade nos check outs com os problemas de leitura do código de barras.

Isso acontece, principalmente, por erros de impressão dos códigos. O sistema de códigos de barras permite identificar produtos nos vários países que adotem as especificações técnicas.

Para saber mais, clique aqui.

 

 

 

Fabio Mortara: ‘Comitê da Fiesp multiplica força de mobilização das entidades da cadeia produtiva de papel, gráfica e embalagem’

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Fabio Mortara, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem. Foto: Everton Amarro/FIESP

O Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) é um dos mais novos comitês de cadeias produtivas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Com menos de um ano de existência, o Copagrem já nasceu forte com a participação de importantes entidades setoriais de âmbito estadual e nacional. Uma das lideranças do comitê é o presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas de São Paulo (Sindigraf-SP) e da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional), Fabio Arruda Mortara.

Em entrevista ao portal da Fiesp, o coordenador do Comitê fala dos principais desafios enfrentados pelas empresas da cadeia produtiva e ressalta que o Comitê tem missão de fortalecer a união e a sinergia já existentes entre as entidades do setor.

Veja a seguir a entrevista concedida por Fabio Mortara:

O Copagrem reúne entidades de diversos segmentos, tanto do âmbito estadual como do federal. O Comitê tem a intenção de unir esses elos para soluções conjuntas?

Fabio Mortara — Na realidade, as entidades da cadeia produtiva já atuavam em conjunto na busca de soluções. Um exemplo disso é a Campanha de Valorização da Comunicação Impressa, realizada há mais de três anos. Mas, o Copagrem, com a força e estrutura da Fiesp, quer tornar mais consistente essa articulação, criando uma agenda permanente de trabalho, ampliando a sinergia e multiplicando a força de mobilização da cadeia produtiva.

No pouco tempo de existência, como o senhor avalia esse início do Copagrem?

Fabio Mortara — Em pouco tempo, já percebemos avanços relevantes. O comitê tem funcionado muito bem, incluindo a dinâmica de seus quatro grupos de trabalho, que são os seguintes: Valorização da Comunicação Impressa; Competitividade Industrial; Tributação e Papel; e Sustentabilidade.

Quais são os principais desafios enfrentados pelos setores da cadeia produtiva?

Fabio Mortara — Nossa cadeia produtiva, em especial a área gráfica, é atingida pela perda de competitividade provocada pelo maior assédio ao mercado brasileiro pelos concorrentes internacionais que perderam espaços nos grandes importadores de produtos e serviços da América do Norte e Europa, afetados pela duradoura crise mundial.

Num cenário como esse, nossos juros altos, impostos elevados, burocracia, insegurança jurídica e outros velhos “inimigos” nacionais dos setores produtivos acabam tendo peso muito maior.

O que é mais necessário para ampliar a competitividade do país no que se refere à cadeia produtiva?

Fabio Mortara — Na realidade, é necessário um conjunto de medidas, mas destaco duas: a desoneração de custos do setor (como a da folha de pagamentos e isenção de PIS/Cofins) e destinação do equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) à educação, o que, além de atender a uma prioridade nacional, estimularia toda a cadeia produtiva.

Acabamos de ingressar com pedido para adoção de margem de preferência para impressos nacionais (editorias e cadernos) nas compras do governo federal. Também defendemos a reforma tributária, a previdenciária e a trabalhista, menos juros e impostos, visando a um choque de competitividade!

O senhor citou a dificuldade enfrentada quanto a concorrência de produtos importados. Quais segmentos dentro da cadeia produtiva que estão sendo mais atingidos?

Fabio Mortara — Pelos dados de desempenho do setor, vemos que as gráficas foram as mais afetadas. O segmento de produtos gráficos editoriais teve a maior queda até o terceiro trimestre (com desempenho 10,7% menor do que no trimestre anterior) e menos 16,2% no acumulado do ano.

Os impressos comerciais apresentaram recuperação de 4,6% em relação ao segundo trimestre e devem fechar o ano com aumento de 0,1% na produção (em 2012, havia registrado recuo de 10,3%).

As embalagens impressas, apesar do crescimento de 0,6% no terceiro trimestre em relação ao segundo, acumula queda anual de 1%. A expectativa é que feche 2013 com redução de 1%, quando a projeção inicial era de 1,7% de crescimento.

Falando em mercado internacional, quais são os segmentos da cadeia produtiva que se destacam como exportadores?

Fabio Mortara — Com certeza, o setor de papel e celulose é o maior exportador de toda a cadeia produtiva. Na indústria gráfica, o segmento de cadernos é, tradicionalmente, o que mais se destaca. Contudo, estamos fazendo grande esforço no sentido de contribuir para ampliar as vendas externas das gráficas brasileiras, por meio da aliança Graphia [Graphics Arts Industry Alliance].

Trata-se de parceria entre a Abigraf Nacional e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), estruturada em três unidades de negócios (Papelaria, Embalagem e Editorial-Promocional) e que disponibiliza para as empresas participantes uma estrutura de apoio operacional e logístico para as ações comerciais de prospecção, abertura e desenvolvimento de novos mercados. O projeto tem apresentado resultados, viabilizando exportações para 27 países das Américas, Europa, África e Ásia.

Até que ponto a disseminação das novas tecnologias (e-books, tablets, entre outros) tem afetado o setor de impressos?

Fabio Mortara — Creio que seria até ingênuo, por parte das editoras, indústrias gráficas, jornalistas, publicitários, publishers e amantes da palavra expressa no papel, negar ou resistir ao avanço do e-book e tecnologias eletrônicas. Também é desnecessário discorrer sobre as vantagens do livro e a comunicação gráfica em geral, sua magia, preço, peculiaridades inerentes às artes da impressão e outros diferenciais.

Mas, creio que o importante é ter consciência de que o mercado da comunicação, do jornalismo, da publicidade e do entretenimento tem espaço para todos os meios. E cabe a cada um agregar novas tecnologias, ampliar sempre a qualidade e se adequar às demandas de uma civilização cada vez mais inquieta e dependente da informação.

Busca por produtos de caráter ecológico e sustentável também é um aspecto do mercado que a indústria deve considerar, correto?

Fabio Mortara — Sim. E a cadeia produtiva da comunicação impressa e do papel tem se empenhado em mostrar à sociedade a sua importância para a disseminação do conhecimento e seu caráter sustentável. Nesse sentido, é relevante a campanha “Two Sides”, revolucionário movimento internacional focado na disseminação do conceito de sustentabilidade e valorização do papel e da comunicação impressa, que estamos trazendo ao Brasil.

Falamos há pouco sobre a busca por inovação e novas tecnologias. Como as indústrias conseguem se diferenciar nesse quesito em relação a outros países?

Fabio Mortara — Dois elos de nossa cadeia produtiva – a indústria brasileira de papel e celulose e as gráficas nacionais – merecem destaque. Ambas têm, na tecnologia agregada, qualidade e processos, condições mais avançadas do que a observada em numerosos países e em nada perdem para as melhores do mundo. Como já disse, nossa desvantagem competitiva está nos impostos, juros, burocracia e no “Custo Brasil” em geral.

As empresas do setor têm utilizados os programas de fomento à inovação do governo? O Copagrem tem alguma ação voltada a esse objetivo?

Fabio Mortara — As entidades de classe encaminham setorialmente esse tipo de solicitação. No caso específico da indústria gráfica, a Abigraf registrou pedidos, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de linhas especiais de crédito para compra de papel e insumos. Isso impacta na inovação. Também conseguiu, recentemente, uma importante conquista, no sentido de que as gráficas produtoras de embalagens possam vender por meio do Cartão BNDES.

As associações nacionais estão com previsões otimistas para fechamento do ano? Quais as perspectivas?

Fabio Mortara — No caso da produção de celulose e papel, podemos observar, na publicação mensal “Conjuntura Bracelpa” [Associação Brasileira de Celulose e Papel], um aumento, respectivamente, de 6,6% e 1,4%, no acumulado de janeiro a setembro de 2013, em comparação a igual período do ano passado.

Com relação à indústria gráfica, ainda não temos os dados consolidados. Porém, a produção no terceiro trimestre encolheu 5,4% em relação ao segundo. No acumulado do ano, a queda é de 9,3%, em comparação com igual período de 2012. Com base nesses números, apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional) reviu a projeção dos resultados do setor para 2013. Até o momento, esperávamos encolhimento de 2,4%, mas o recuo deverá ser de 5,6% ante 2012.

Indústria gráfica ainda existirá por muito tempo, afirmam profissionais do segmento

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Manoel Manteigas, Fábio Mortara, Flávio Botana e Cláudio Baronni.

Para discutir sobre os aspectos atuais e futuros do tema “A Indústria Gráfica”, a Senai-SP editora recebeu nesta quarta-feira (15/08) profissionais e empresários do setor em seu estande na 22ª Bienal Internacional do Livro, que acontece até o dia 19 de agosto no Anhembi, em São Paulo.

Participaram da mesa-redonda Fábio Mortara, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) e do Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado de São Paulo (Sindigraf); Cláudio Baronni, presidente do conselho consultivo da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG); Flávio Botana, professor de graduação e pós-graduação da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica; e Manoel Manteigas, diretor da Escola Senai Theobaldo de Nigris e diretor técnico da ABTG.

Os convidados concordaram que não morrerá tão cedo o produto impresso, seja livro, jornal ou revista. Entretanto, na opinião de Fábio Mortara, falta arrojo, empolgação e percepção geral de que a comunicação impressa se sobressai às demais. “A mensagem eletrônica pode durar alguns anos, mas o livro dura séculos. A publicação impressa é portadora da mensagem e da memória”, afirmou o presidente da Abigraf e do Sindigraf.

Para Cláudio Baronni, da ABTG, a competição entre o papel e o digital terá efeitos diferentes de produção para produção e de região para região. “A mídia impressa nunca vai acabar. Mas qual foi a última vez em que vocês consultaram uma lista telefônica?”, perguntou aos espectadores, que empunhavam seus smarphones e tablets.

“A era digital veio e não acabou com as empresas, que vivem essencialmente de publicidade; é a ‘vaca leiteira’ de qualquer veículo de qualquer editora ou meio de comunicação”, analisou Baronni, ao falar que as publicações convivem com outras mídias e se complementam em muitos casos.

Baronni considera que as agências digitais estão “arrancando”, mas se valendo de papel para transmitirem suas mensagens, principalmente institucionais. “O papel admite inúmeras inovações, e gestão é a palavra-chave”, argumentou o diretor do conselho da ABTG.

A título de informação, Baronni citou que a produção de livros digitais (e-books) nos Estados Unidos já se igualou à do impresso, enquanto no Brasil representa apenas 2%. “As gráficas ainda continuarão funcionando por muito tempo”, arrematou.

Boa impressão

Ao contrário do que se possa imaginar, a produção correta de livros ajuda na preservação do meio ambiente, na visão de Manoel Manteigas, diretor da Escola Senai Thebaldo De Nigris.

“A celulose utilizada na impressão de livros provém de florestas plantadas. E quanto mais papel produzido com manejo controlado, existirão mais áreas com árvores sequestrando gases de efeito estufa”, explicou Manteigas.

Com relação à administração das gráficas como negócio, o diretor da Escola Thebaldo De Nigris ressaltou que a gestão amadora não tem mais espaço no segmento. “Muitas gráficas são empresas de família, tradicionais de geração para geração que amam o que fazem, mas faltam profissionalismo e visão estratégica”, acredita.