174 municípios no Brasil têm menos de 45% dos domicílios com abastecimento de água, afirma diretora do IBGE

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O último painel “Cobertura e Qualidade dos Serviços de Saneamento Básico”, no 3º Encontro de Saneamento Básico – Recuperar o Tempo Perdido, realizado nesta terça-feira (08/10), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), contou com a participação de três especialistas para discutir a atual situação do setor.

Matthias Krause, especialista em saneamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), falou sobre o AquaRating, um sistema universal de qualificação da água, desenvolvido pelo próprio BID e pela Associação Internacional de Água.

Segundo Krause, o método oferece uma qualificação entre 0 e 100 pontos que leva em conta oito aspectos para avaliação e será implementado a partir do segundo semestre de 2014.

“O AquaRating avalia os resultados do desempenho e as práticas de gestão para melhorar o fornecimento. Além disso, designa esforços técnicos conforme as necessidades da empresa e permite monitorar o progresso no desempenho”, explicou.

Krause: desempenho das prestadoras de serviços monitorado pelo AquaRating. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Krause: desempenho das prestadoras de serviços monitorado pelo AquaRating. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Além disso, segundo o palestrante, o método “estabelece uma referência global, identifica áreas de melhoramento, estimula a aprendizagem e é baseado em informações confiáveis, verificada por auditores, resultando em um documento útil para prestadores, proprietários, reguladores e governos”.

Zélia Bianchini, diretora adjunta de pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fez, na sequência, uma breve exposição sobre o censo demográfico do saneamento básico.

De acordo com a diretora, o percentual de domicílios que recebem abastecimento de água está concentrado na região sudeste.  “174 municípios no Brasil têm menos de 45% dos domicílios com abastecimento de água”, disse. “Outros 2.469 municípios têm até 15% dos domicílios com esgotamento sanitário”, explicou. “Isso mostra a desigualdade espalhada em nosso território”, completou.

Zélia: desigualdade brasileira também fica clara no saneamento. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Zélia: desigualdade brasileira também fica clara na análise do saneamento. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Dante Ragazzi Pauli, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), fechou o evento. “A situação é critica e precisamos, ao lado dos parceiros, encontrar saídas para nosso setor. Não podemos defender apenas um modelo de saneamento. Temos capacidade de fazer o setor andar”, encerrou.

Ruy Bottesi, diretor de Saneamento Básico da Fiesp, mediou o painel.