Para gerente da Abeaço, desafio é fazer o consumidor final devolver embalagens de aço

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Thais Fagury, gerente da Abeaço: Centro Prolata de Reciclagem é o primeiro do Brasil a trabalhar formalmente dentro das normas da PNRS. Foto: Divulgação

O consumidor final de embalagens de aço é parte fundamental na viabilização da logística reversa do setor, defende Thais Fagury, gerente executiva da Associação Brasileira de Embalagens de Aço (Abeaço). Para estimular uma mudança de comportamento, a Abeaço já trabalha na implantação de plataformas de acompanhamentos nas quais o consumidor pode devolver as embalagens.

Essa é apenas uma das iniciativas que a cadeia produtiva vem realizando para se adequar às demandas da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada no dia 2 de agosto de 2010 pela lei 12.305.

Em entrevista ao site da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Thais, que participou no final de julho de uma reunião da Câmara Ambiental da Indústria Paulista (Caip) da entidade, detalha outras ações da Abeaço como a criação do Prolata, um centro de reciclagem com capacidade de receber duas mil toneladas de embalagens de aço.

Confira abaixo a entrevista:

Quais são os desafios do seu setor para poder viabilizar a implantação da logística reversa?

Thais Fagury – O principal desafio é adesão do consumidor final em retornar as embalagens de aço pós-consumo. Para isso, implementaremos uma plataforma de acompanhamento com foco nos consumidores, os quais poderão entregar as suas embalagens em postos credenciados. A cada quilo de embalagem devolvida o consumidor acumulará um ponto. Os pontos serão vinculados ao CPF do consumidor. Os mesmos poderão ser resgatados semestralmente em dinheiro ou em forma de cursos ou serviços.

Quais são as ações do setor para adequação dos resíduos sólidos, principalmente quanto à viabilização da logística reversa?

Thais Fagury – Em outubro de 2013, a Abeaço e mais 15 empresas associadas inauguraram o primeiro Centro Prolata de Reciclagem. O centro conta com apoio e parceria da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tinta (Abrafati) e da Gerdau. O espaço tem capacidade para receber e reciclar até duas mil toneladas de embalagens de aço pós-consumo por mês. As embalagens são classificadas, prensadas e enviadas para siderúrgicas transformarem o material em novo aço. O centro é o primeiro do Brasil a trabalhar formalmente dentro das normas da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

A Abeaço atua como Associada Honorária, ajudando com sua experiência no desenvolvimento das atividades da Prolata. O Prolata funciona como facilitador ao sistema de logística reversa convencional. Os consumidores podem levar as embalagens de aço pós-consumo direto para os centros ou para cooperativas e sucateiros parceiros do programa. Já o lojista precisa aderir ao programa, via Associação, para participar.

Outros centros de reciclagem serão criados nas cidades que sediaram a Copa do Mundo e serão autossuficientes, ou seja, as fontes de recursos para a manutenção serão obtidas com a venda dos materiais reciclados e atividades desenvolvidas junto à população. Todos os centros serão vinculados às siderúrgicas que garantirão a compra do material.

Haverá também o credenciamento de cooperativas ao programa. Na primeira etapa serão 50, as quais serão mapeadas, diagnosticadas e treinadas. Após o treinamento receberão acompanhamento mensal para melhorias no dia-a-dia das cooperativas.

Ainda podemos citar o programa “Aprendendo com o Lataço” que trabalha o consumo consciente com crianças e adolescentes. Desde o seu início, em 2007, o programa já atendeu mais de 280 mil jovens e crianças. A ideia com a Prolata é disseminar o conhecimento através dos municípios.

A implementação da logística reversa do setor considera os produtos importados? Para quem será repassado o custo?

Thais Fagury – Sim, os produtos importados estão considerados. Não há custo neste caso. O aço é autossustentável e a embalagem de aço pós-consumo, ainda que importada, irá para beneficiamento com a produção de novo aço. A lata pós-consumo entra como matéria prima de processo e não como resíduo.

Como os produtos importados do seu setor estão sendo tratados pelas esferas legislativas do governo?

Thais Fagury – Há pequena parcela de latas importadas no mercado. Por enquanto estão sendo tratadas de forma igual às embalagens de aço nacionais.

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